O Brado da Cruz

“E, à hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Mc 15:34

Introdução: Nesta noite quero falar do brado de Jesus naquela cruz, porque creio que ele é totalmente aplicável a nossa vida. Aquele brado foi por cada criança, adolescente, jovem, adulto e velho, foi por mim, e por vocês. Por isso, peço-lhes, irmãos, que inclinem os seus ouvidos para ouvirem, e considerem o bramido do nosso Mestre. Ouçam-no: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”.

Será que vocês não conseguem sentir este clamor invadindo as suas almas, e constrangendo-os prostrar-se? Ouçam-no novamente: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”.

I. O quê significa este bramido de Cristo na cruz?

A. É a lamentação do coração de Jesus enquanto carregava os pecados do mundo na cruz. Na profecia do Salmo 22:1 dizia-se: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas do meu auxílio e das palavras do meu bramido?”

B. Cristo estava pendurado na cruz, morrendo como substituto para outros. A ele foi imputada a culpa dos nossos pecados, e ele estava sofrendo o castigo por esses pecados em favor de nós.

C. “Deus feriu seu Filho com os golpes que nossos pecados, meus e seus, mereciam.” - “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”.

1. “O zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim” (Sl 69:9).

2. “Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo. Todos os que me vêem zombam de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça, dizendo: Confiou no SENHOR, que o livre; livre-o, pois nele tem prazer. Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe. Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude” (Sl 22:6-11).

II. O quê quer dizer esse bramido de Cristo na cruz?

A. Quer dizer que Deus estava castigando o seu próprio Filho como se ele tivesse cometido toda iniqüidade por todos os pecadores que creriam. E ele fez isso de forma que ele poderia perdoar e tratar esses resgatados como se eles tivessem vivido a perfeita vida de justiça de Cristo.

B. Ouçam a voz das Escrituras:

1. “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21).

2. “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53:4,5).

3. “Ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado” (Is 53:9,10).

4. “Será morto o Messias, mas não para si mesmo” (Dn 9:26).

5. “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, [isso fez] Deus, enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa, e no tocante ao pecado, condenou o pecado na carne” (Rm 8:3).

6. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gl 3:13).

7. “Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne” (1Pe 3:18).

C. Cristo morreu em nosso lugar, e ele recebeu a mesma efusão de ira divina em toda a sua fúria que nós merecemos pelos nossos pecados.

D. Era um castigo tão severo que um homem mortal poderia passar toda a eternidade nos tormentos do inferno, e ainda ele não teria começado a esvaziar a ira divina que foi derramada sobre Cristo na cruz. “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”.

E. As dores físicas da crucificação, terríveis como foram, eram nada comparadas à ira do Pai contra ele.

1. Foi a antecipação disso que fez com que ele suasse sangue no jardim.

2. Foi por isso que ele havia contemplado a cruz com tanto horror.

F. Nós não podemos compreender tudo aquilo que estava envolvido no pagamento do preço do nosso pecado. É suficiente entender que todos os nosso piores medos sobre os horrores do inferno – e mais – foram sentidos por Jesus quando ele recebeu a pena pela iniqüidade alheia.

G. E nessa hora terrível, sagrada, era como se o Pai o tivesse abandoando. Embora seguramente não houvesse nenhuma interrupção no amor do Pai por ele como um Filho, Deus, no entanto, o rejeitou e o desamparou como nosso substituto.

1. Ouçam o clamor de sua alma em meio às agonias: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”.

III. Como se aplica a mim esse bramido de Cristo na cruz?

A. Primeiramente, ouça-no com coração: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”.

B. Depois, lembre-se que, aquele dia na cruz Jesus sofreu por ti, ele foi desamparo porque tomou sobre si a tua culpa.

C. Agora, sinta ódio e nojo do pecado em sua vida, arrependa-se, confesse-o, peça perdão a Deus.

D. Creia que dos sofrimentos de Cristo fluem rios incessantes de misericórdia. Aqui se encontraram a graça e a verdade de Deus; a justiça e a paz se beijaram (Sl 85:10).

E. Agradeça Deus por tão grande salvação, renda-se a ele em louvores de aleluias sem fim, com um coração repleto de amor e admiração.

Conclusão: A meditação do brado da cruz deve aperfeiçoar-nos no amor, fé, caráter, sinceridade, gratidão, louvor, santidade e adoração a Deus; e, consolidar a nossa honestidade, compaixão, solidariedade e ternura para com o próximo; e, justar-nos no nosso lar, igreja, trabalho e sociedade em que vivemos. Tudo pela cruz, tudo pela cruz, símbolo e centro da nossa fé cristã.

Ó Deus, dá-nos ouvidos para ouvir o brado do teu Filho na cruz! “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?” – “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”.

Por tudo aquilo que Jesus Cristo suportou na cruz para nos salvar, sejam anátemas os seus desprezadores. Quanto ao mais, sejam queimados no inferno e precipitados no abismo sem fim; sejam atormentados dia e noite por toda eternidade; e, suas heranças sejam a solidão, terror, medo e angustia para todo sempre, e sempre, amém.

Quanto aos fiéis, salvos pela cruz, sejam abençoados de corpo e alma, e não conheçam o mal, e que em seus caminhos haja paz, luz, flores e frutos. Quanto ao mais, voem para a felicidade, Deus, os céus, sob as asas dos anjos; andem na praça da nova Jerusalém; vejam o rio e a árvore da vida; contemplem a amável face do Filho de Deus, o Salvador, e nele se regozijem e se alegrem; pelos séculos dos séculos, amém.

Bataguassu, M/S 07/2007

 

Autor: Irmão Jonas Santos de Macedo
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br/bataguassu