"EU PREFIRO..."

C. D. Cole

"Porque vale mais um dia nos teus átrios do que em outra parte mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas da impiedade." Salmos 84:10.

Estou usando este texto para focalizar uma palavra, a palavra "prefiro". Ela é encontrada várias vezes na Bíblia e é usada com muita significância. Nossas preferências são uma revelação verdadeira do que somos: são uma revelação do nosso julgamento e afeição. Nossas preferências nos ajudam a fazer escolhas. E o que preferimos e escolhemos mostram a condição do nosso coração.

Todos nós temos nossas preferências; continuamente as mostramos ao fazermos escolhas. Elas revelam nossos desejos e estes, por sua vez, não podem ser contrafeitos. No Salmo 27:4 Davi diz: "Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e aprender no seu templo."

Em nosso texto Davi diz que prefere ser um porteiro na casa de Deus do que habitar nas tendas da impiedade. Esta preferência mostra o amor de Davi por Deus e seu ódio pelo mal. Temos aqui uma comparação entre lugares: a casa de Deus e as tendas da impiedade. A casa de Deus era permanente: as tendas logo seriam destruídas. Também há uma comparação entre pessoas: Davi preferia ser a pessoa que se sentava à porta da casa de Deus do que ser um dos que habitavam nas tendas da impiedade.

Há ainda uma comparação entre posições. Davi preferia ocupar a posição mais humilde no serviço de Deus do que ser grande aos olhos do mundo. Sempre é bom lembrar as últimas palavras do falecido Alben Barkley ao dizer: "Prefiro ser um servo na casa de Deus do que me sentar no trono dos poderosos."

MOISÉS TEVE SUAS PREFERÊNCIAS

Em Hebreus 11:24-25 lemos: "Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado." Chegou o momento quando Moisés teve que fazer uma escolha. Era preciso decidir-se. Ele havia se posicionado com referência aos negócios de seu tempo. Era preciso mostrar onde estava seu coração. Durante sua infância não podia fazer escolhas sozinho; precisava ficar onde o colocavam. Depois, já grande e durante a juventude foi morar no palácio de Faraó, o inimigo de seu povo e de Deus também. Naquele tempo ele não tinha escolha. Mas chegou o momento em que precisou escolher. Moisés era herdeiro ao trono do Egito. Ele podia escolher este trono ou uma cruz. Podia escolher uma vida fácil e de prazer ou sofrimento. Podia escolher abundância ou pobreza. Sim, Moisés teve sua preferência, ele escolheu sofrer aflição com o povo de Deus do que deleitar-se com os prazeres do pecado por algum tempo. Moisés olhou bem ao longe, pela fé, e viu que suportar censura e sofrimento por amor a Cristo, o Messias que havia de vir, era uma riqueza muito maior do que todos os tesouros do Egito.

PAULO TEVE SUAS PREFERÊNCIAS

Vamos considerar agora algumas das preferências de Paulo. Na igreja primitiva em Corinto o dom das línguas, a capacidade dada pelo Espírito Santo de falar uma língua sem precisar estudá-la, era a preferência de muitos. Com este dom podia-se parecer grande e importante. Mas os que procuravam este dom eram egoístas, estavam colocando o "eu" antes do bem dos outros. Mas Paulo disse: "Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida." 1 Coríntios 14:19. Isto levanta uma questão para cada um de nós: "Que tipo de lugar quero em minha igreja? Uma posição de honra, ou um lugar de serviço?"

Toda a verdade que há em Cristo era preciosa para Paulo. Ele passara tantos anos nas trevas que quando a luz raiou em seu coração ele quis que os outros soubessem. Paulo foi um grande professor. Mas preferiu ser professor da Palavra de Deus do que um orador. Não podia falar fluentemente, mas podia pregar clara e confiantemente o Evangelho de Cristo. Ele seria uma falha como orador do sécu1o 20, mas foi o melhor ao instruir os homens à fé uma vez entregue aos santos. .Ele exortou Timóteo a pregar a Palavra a tempo e fora de tempo. Por isso pôde dizer ao fim de sua vida memorável que combatera o bom combate, e que tinha guardado a fé e estava pronto para partir.

Paulo tinha outra preferência. Ele tinha um espinho na carne, fosse o que fosse, e o queria retirado. Talvez fosse catarata nos olhos; ninguém sabe ao certo. Ele orou pedindo a Deus três vezes que o retirasse. Mas Deus não o atendeu, dizendo-lhe coisa melhor: a suficiência de Sua graça, Sua força e Seu poder se aperfeiçoariam na fraqueza de Paulo. Então o grande Apóstolo se submeteu à vontade de Deus de uma maneira muito linda, e disse: "De boa vontade pois me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." E continuou dizendo: "Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque guando estou fraco então sou forte." 2 Coríntios 12:9-10. Numa de suas cartas a Timóteo, ele disse: "Fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus." 2 Timóteo 2:1.

Paulo não foi um chorão nem reclamante. Não sentia pena de si mesmo. Sentia-se contente em ser fraco e desprezado, se o poder de Cristo pudesse agir por intermédio dele.

Paulo ainda tinha outra preferência. Ao escrever a Timóteo, ele disse que estava grandemente indeciso entre duas coisas a escolher. Por sua vontade preferia partir e estar com Cristo, mas por causa dos outros estava disposto a ficar na terra. Escrevendo sobre a porção gloriosa dos crentes na presença de Cristo, ele disse: "Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor," 2 Coríntios 5:8. Um certo poeta falou a este respeito assim:

"Quando meu tempo de lutas passar, "Muitos amigos ali hei de achar,

Quando meu Deus para Si me chamar, Paz, alegria, eternal bem-estar;

Grato, perante Jesus hei de estar; Mas quando meu Salvador me saudar,

Glória perene será para mim! Glória perene será para mim!

"Quando, por graça do Seu grande amor, "Sim, há de ser glória pra mim!

Eu alcançar o infinito favor Glória pra mim! Glória pra mim!

De ir para perto do meu Salvador Quando puder o Seu rosto mirar,

Glória perene será para mim! Oh! há de ser grande glória pra mim!

Mas os descrentes dos dias de Cristo tinham suas preferências também. Quando Pilatos deu ao povo a oportunidade de escolher entre Cristo, O Justo, e Barrabás, o criminoso, os sumos-sacerdotes convenceram o povo para que soltassem Barrabás e crucificassem Jesus. A preferência deles revelava ignorância. Se tivessem conhecido quem era Jesus, não teriam crucificado o Senhor da g1ória. A preferência deles também revelou ódio. Como era grande o ódio do povo por Jesus, ao escolher soltar Barrabás em vez do Filho de Deus!

E os descrentes de nossos dias também tem suas preferências. Eles preferem rejeitar Jesus do que aceitá-LO. Preferem ter seu próprio caminho da sa1vação do que o de Deus, que é pela fé em Seu Filho. Preferem ter seus trapos de justiça própria do que as vestes imaculadas da justiça imputada a nós em Cristo. Preferem viver de acordo com a vontade deles do que como Deus quer. E muitos preferem ignorar a Deus do que confessar seus pecados e confiar no Senhor Jesus Cristo como Salvador.

Todos nós temos nossas preferências. E elas mostram quem somos nós; elas revelam verdadeiramente o nosso eu. Estas preferências são como o índice de um livro. O índice mostra o que o livro contém e nossas preferências mostram o que há em nossos corações. O que preferimos fazer no Dia do Senhor? Obedecê-LO, procurando a companhia de Seu povo em Sua casa, ou substituindo Seu mandamento por nosso próprio plano e modo de ser?

O que preferimos fazer na noite da reunião de oração? Ir ao culto e orar com os outros e pelos outros, ou ficar confortavelmente em casa, ou na companhia do mundo com aqueles que odeiam a Deus? Se eu prefiro estar com o mundo do que com o povo de Deus, então devo pertencer ao mundo, pois o mundo ama os seus. Meus amigos, há uma diferença enorme entre o povo de Deus, que é nascido de novo, e o mundo. E esta diferença tem sua raiz nos desejos. O povo de Deus sente fome e sede de justiça prática e pessoal e anseia ser completamente perfeito.

O CANAL 23

A TV é meu pastor. Meu crescimento espiritual vai ser mínimo.

Ela me faz sentar e não fazer nada por amor do Seu nome, pois requer todo meu tempo de folga. Ela me impede de fazer minhas obrigações como crente, porque mostra tantos programas bons que não posso deixar de vê-los.

Ela restaura meu conhecimento das coisas do mundo, e me impede de estudar a Palavra de Deus. Ela me guia nos caminhos que me fazem faltar o culto à noite e a não fazer nada pelo reino de Deus.

Ainda que viva cem anos, vou continuar assistindo minha te1evisão até quando funcionar, porque ela é minha companhia mais íntima. Seu som e sua imagem me confortam.

Ela apresenta diversões diante de mim e me impede de fazer coisas importantes com minha família. Ela enche minha cabeça com idéias muito diferentes das que são mostradas na Palavra de Deus.

Certamente que nenhum bem virá à minha vida, porque minha TV não me oferece nenhum tempo para fazer a vontade de Deus. E assim habitarei no lugar do crente carnal para todo o sempre.

(Copiado)

 


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PRIMEIRA IGREJA BATISTA DO JARDIM DAS OLIVEIRAS

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Pastor David Zuhars

Fonte: www.Palavraprudente.com.br/batistacatanduva