A SÚPLICA DE PAULO POR UNIÃO

C. D. Cole

"Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns estranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-Se a si mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz". Filipenses 2:1-8.

Temos nestes versículos a súplica de Paulo por união na igreja em Filipos. Não foi uma súplica para uma igreja no mundo, mas por união em uma igreja ou congregação, a congregação em Filipos. Parece que não havia um dilema sério nesta igreja, mas só a possibilidade de divisão. Nenhuma igreja está tão fortemente unida, que não possa haver a possibilidade de uma divisão. A união é uma coisa que deve ser mantida e isto requer muito esforço. Em sua carta aos Efésios, Paulo exorta a que vivam de um modo digno da vocação celestial com que haviam sido chamados, "procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz", Efésios 4:3. Uma igreja unida na fé e na prática é uma bênção! O salmista exclama: "Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla dos seus vestidos; como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre". Salmos 133:1-3.

Antes de fazer esta súplica por união, Paulo sonda o coração dos Filipenses. Ele questiona o motivo deles. Apela para a experiência cristã. Usa a hipotético a fim de ratificar uma afirmação positiva. Se houver algum conforto ou encorajamento em Cristo, que sejam conhecidos. Se houver alguma consolação de amor, que seja mostrada. E é claro que há conforto e encorajamento em Cristo. E é claro que há consolação de amor. O amor não é insensível nem desumano. O amor não fica surdo ao apelo dos necessitados. Nem oferece um ombro indiferente a quem chora. O amor é compassivo e terno. Se houver alguma comunhão de Espírito, que seja manifesta. Todos os crentes nasceram do Espírito e participam num espírito. Isto torna os crentes companheiros e camaradas. O Espírito Santo não divide uma igreja de Cristo. Quando a igreja primitiva em Jerusalém foi cheia do Espírito Santo, todos ficaram com uma só mente e alma. Se houver alguns entranháveis afetos e compaixões, isto é, se a experiência da vida de um crente traz consigo piedade e compaixão, coisas necessárias aos santos sofredores, então dê estas bênçãos a eles. Para resumir, Paulo está dizendo algo assim: "Vocês podem ser crentes de verdade e recusar meu apelo? Podem ter estas virtudes cristãs e se recusarem a fazer o que peço?" Paulo quer que estas graças cristãs estejam em pleno exercício no relacionamento entre um crente e outro.

Então o apóstolo faz seu apelo: "Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa". Paulo quer que os Filipenses sejam unidos, como Jônatas e Davi, como uma alma. Falamos sobre os laços de carne e sangue, mas os laços do sangue de Cristo devem ser mais fortes do que qualquer outro carnal ou terreno. Por isso Paulo diz aos Filipenses: "Minha alegria será completa, meu cá1ice transbordará, se vós, ó Filipenses, vos unirdes em mútuo amor e defesa da verdade".

Nos versículos 3 e 4, o apóstolo menciona algumas coisas que atrapalham a união e depois mostra o que fazer para que isto não aconteça. Ele diz: "Nada façais por contenda ou por vanglória". Isto significa evitar tomar partidos e o orgulho, irmãos gêmeos horríveis do egoísmo. Muitas vezes é por puro egoísmo que um irmão contende com outro. É a contenda que faz um irmão tentar diminuir o outro. É o orgulho que sempre quer ficar por cima. O orgulho que quer se fazer ilustre e proeminente. Se acharem lugar, a contenda e o orgulho destruirão qualquer igreja. Não pode haver união onde estes dois existem. A vanglória é o que o egoísta busca quando é bem sucedido. Ele recebe a glória, mas ela é vazia, oca e sem valor.

Após avisar contra as coisas que atrapalham a união, Paulo mostra como evitá-1as. Ele diz: "Mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo", ou como a língua grega diz, acima de si. O crente normal pensa de si o que Paulo pensava, o último de todos os santos. Um complexo de superioridade e espírito de "mais santo do que você" vão causar contenda e disputa numa igreja. O oposto disto, a humildade de mente ou de espírito será uma grande ajuda para a união. Outra ajuda que Paulo menciona é considerar não só o interesse próprio, mas também os interesses ou bem estar dos outros.

Diz-se que os pagãos não tinham palavra para humildade. A Cristandade teve que inventar esta palavra como um conceito ético. A idéia pagã para a masculinidade era a auto-afirmação, impor a própria vontade de alguém sobre outro. A humildade é uma planta que só pode crescer em terreno espiritual e a idéia ética de humildade não pode ser entendida pelo mundo pagão antigo nem pelo mundo moderno de hoje. A idéia cristã é que cada um considere os outros em primeiro lugar, em vez de ficar de olho na chance de se tornar o número um. Numa igreja onde todo mundo respeita todo mundo, ninguém será desrespeitado. Numa igreja onde todos colocam os interesses dos outros em primeiro lugar, ninguém será negligenciado.

O oposto do que Paulo está falando é ilustrado na história de dois alunos. Eles estão sentados à mesa do almoço, em lados opostos, com só dois pedaços de frango num prato: o pescoço e a coxa. Quando um tenta pegar a coxa o outro diz: "Seu egoísta! Eu ia pegar este pedaço!" Paulo está querendo o inverso deste tipo de coisa. Ele quer que insistamos para o outro ficar com a coxa.

Nos versículos 5-11, o apóstolo mostra Cristo como o exemplo supremo da humildade. Diz-se que um exemplo vale mais que uma dúzia de regras. Cristo é este exemplo. Ele não veio para ser servido, "mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos", Mateus 20:28. Sua humildade foi voluntária tanto na diminuição quanto na humildade. De boa vontade Ele desceu das maiores alturas da glória ao ponto mais baixo e profundo da vergonha e angústia em consideração a nós; por causa da nossa profunda necessidade de salvação. De onde Ele estava, até onde foi, era a distância entre o céu e o inferno. Ele renunciou a soberania com toda a glória que o cercava, para Se tornar um servo com todas as privações e vergonha. Antes de Se tornar homem, Cristo já existia na forma de Deus, a que significa que Ele possuía todas as qualidades essenciais da divindade e assim aparecia aos que O viam no céu. Mas ser igual a Deus em glória manifesta não foi algo a que Cristo Se agarrou, pelo contrário, renunciou a tudo voluntariamente. Paulo diz que Ele Se esvaziou. A pergunta é: "Esvaziou-Se de que?" Não de Sua natureza divina; diz o Dr. A. T. Robertson. Na essência de Seu ser, Cristo continuou o mesmo que era na eternidade passada. Ele não Se esvaziou de Si mesmo, continuou sendo o Filho de Deus. Nem Se desfez de nenhum dos atributos ou qualidades da divindade. O Senhor Jesus Cristo foi tão verdadeiramente Deus enquanto estava na terra, quanto o era no céu. As Escrituras nos dizem que Ele foi Deus manifesto, ou feito visível, em carne. Cristo era da mesma essência ou natureza do Pai, pois disse em certa ocasião: "E quem me vê a mim vê o Pai", João 14:9. As Escrituras nos dizem que em Cristo "habita corporalmente toda a plenitude da divindade", Col. 2:9. Ao Se tornar homem, Cristo não cessou de ser Deus. Era uma Pessoa com duas naturezas, a divina e a humana. Era o Deus-Homem. Possuía todos os atributos de Deus e todos os atributos de homem. Cristo não foi outro Deus, mas outra Pessoa da Trindade. Como é grande este mistério, as Escrituras tornam claro que Deus, Deus único, existe como uma pluralidade de pessoas. Deus é um Ser triúno; três em um e um em três. Temos a Trindade de Deus nos nomes plurais que Ele tem nas Escrituras. O primeiro nome de Deus na Bíblia é plural. "No princípio criou (verbo no singular) Deus (Eloim, plural) os céus e a terra", Gên. 1:1. O substantivo plural com o verbo no singular mostra um Deus agindo como três pessoas. Temos verbos no plural para Deus em Gênesis 1:26, onde lemos: "Façamos o homem"; e em Gênesis 11:7: "Eia, desçamos e confundamos". E assim o Deus da Bíblia é um em essência ou substância, mas três em relacionamento pessoal. Mas voltemos à pergunta: "Cristo renunciou o que ao Se tornar homem?" Ele renunciou a g1ória que tinha junta ao Pai. Renunciou a Sua posição de igualdade com o Pai, por um lugar de servo, sendo obediente até a morte de cruz. E fez isto por amor a nós, para que não perecêssemos em nossos pecados. Isto é humildade voluntária, cheia de consideração pelos outros.

Há quem diga que se Cristo era Deus, quando Ele morreu, Deus morreu também. Mas esperem! Cristo sofreu e morreu como uma Pessoa, não como uma natureza! Ele sofreu como uma Pessoa com duas naturezas, como o Deus-Homem. Cristo não morreu só como Deus nem só como homem, mas como o Deus-Homem. Ele precisava da natureza de Deus, tão bem como a do homem para fazer a expiação pelos pecados. Concordo com Lutero, quando ele disse: "Se deixasse que me fizessem crer que só a natureza humana tinha sofrido por mim, então Cristo seria para mim um pobre Salvador". Aqueles que só tem o Cristo humano na cruz, deixam de lado a eficácia dela. Nenhum ser humano pode salvar outro! Cristo sofreu como uma pessoa e Sua Pessoa não deve ser dividida no Calvário. Ele humilhou-Se voluntariamente ao renunciar à Sua posição como Soberano, para fazer a obra de um servo. Deus Pai, com toda justiça O recompensou por Sua obediência até morte, exaltando-O a Sua antiga posição na glória. E assim Paulo nos exorta a tomar Cristo como o padrão da humildade, ao servirmos aos outros. Os sofrimentos dEle na terra acabaram e agora Cristo está entronizado em glória!

Fonte: http://br.geocities.com/batistacatanduva


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