Cap 15 - MICELÂNEA

O Pecado na Vida do Crente

Parte - II

Segunda Parte: O QUE ACONTECE QUANDO O CRENTE PECA?

Temos estudado até este ponto as belezas de ser conhecido por Deus através do Seu Filho Jesus Cristo. As bênçãos de tal relacionamento gracioso são maiores do que qualquer conseqüência de qualquer ação pecaminosa. Contudo, estas verdades só confortam os Cristãos verdadeiros. De maneira nenhuma devem servir de desculpas para o domínio do pecado na vida de qualquer um. Para a pessoa que quer andar com o nome de Deus na boca, mas quer amar o pecado no coração, estas verdades estudadas não têm nenhuma colocação. Se tal pessoa pode amar continuamente o pecado, sem ter continuamente a mão pesada de Deus corrigindo-a, é evidente que tal pessoa não conhece Deus verdadeiramente. Essa pessoa não deve se iludir. Se uma pessoa não manifesta uma nova natureza (II Co. 5.17), que é testemunhada através do Espírito Santo morando e transformando continuamente a sua vida à imagem de Cristo (Rm. 8.11-14, 29), então essa pessoa não é nada de Deus. Ela necessita nascer de novo, do Espírito (Jo. 3.5-8).

Deus segura eternamente os Seus em Cristo, mas essa segurança não deve ocultar a verdade de que o pecado tem efeito na sua vida terrena. O estudo que segue considerará essas verdades.

A Comunhão com Deus é Quebrada

Sl. 39.10-11, “Tira de sobre mim a tua praga; estou desfalecido pelo golpe da tua mão. Quando castigas o homem, com repreensões por causa da iniqüidade, fazes com que a sua beleza se consuma como a traça; assim todo homem é vaidade. (Selá.)”

A natureza de Deus é santidade, (I Sm. 2.2; I Pe. 1.13-16; I Jo. 1.5, “não há trevas nenhuma”) e dos Seus filhos também (I Pe. 1.14-16). O propósito da salvação é tornar o que era filho da desobediência em filho de Deus (Ef. 2.2; I Jo. 3.1,2); o que era perdido, em achado e salvo (Lc. 19.10), e o que estava longe, traze-lo para perto (Ef. 2.13). Em Cristo, além da natureza pecaminosa que se inclina para a morte, pela carne, nasce uma nova, para a vida em paz pelo Espírito por causa de Jesus Cristo (Rm. 8.3-10; II Co. 5.17). Pelo pecado, o homem natural é separado de Deus (Is. 55.1,2), mas por Cristo a parede de separação que estava entre eles é derrubada e uma união de paz é feita onde a ira antes reinava (Ef. 2.13-16). Através dessa natureza nova, o cristão goza da comunhão incentivada pelo Espírito Santo (Rm. 8.15). Pela conversão tornamos a ter a mente de Cristo (I Co. 2.16) e vida nova com Deus.

Essa comunhão é: deleitosa (Sl 40.5, “Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.”; Sl 139.6, “Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir.”); nutrida pela Palavra de Deus (Sl. 19.7-11. Portanto a Palavra deve ser lida no lar com a família, quando estivermos sozinhos, deve ser também memorizada, meditada, assistida, obedecida); divina (I Jo. 1.3, “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.”).

Quando o Cristão peca, a correção é imediatamente aplicada (Pv. 3.12; Hb. 12.5-9) e parte dessa correção é uma quebra de comunhão com Deus (Sl. 39.10,11; 51.1,10-12). A quebra de comunhão como correção não deve ser uma surpresa, mas entendida como sendo uma conseqüência normal (Amós 3.1-3). Por isso, quando os filhos de Israel praticaram o pecado, não cessaram de ser filhos, mas a vara de correção foi aplicada muitas vezes por causa da comunhão quebrada, e eles clamaram ao Senhor para ter de novo essa comunhão. Essa comunhão quebrada pode existir por anos, e como podemos entender pela história de Israel, levou efetivamente os filhos de volta a clamar pela relação íntima que Deus desejava (Ex. 3.7,8; Jz. 3.9-11, etc). Deus é o mesmo hoje (Ml. 3.6).

A quebra de comunhão é eficaz, pois o Cristão, pela sua natureza nova, não se relaciona mais com o mundo como antes. Agora o mundo aflige a sua consciência (II Pe. 2.7). Agora o mundo impede o crescimento abençoado (Gl. 5.17; Rm. 7.18-23). Quando, pelo pecado, a comunhão com Deus é quebrada por entristecer o Espírito Santo, o Cristão fica mesmo em apuros. Não pode recorrer ao mundo e nem tem liberdade com o Senhor Deus. Pode ser esta a razão pelo qual Pedro chorou amargamente (Mt. 26.75). Aquele que conhece a comunhão íntima com Deus sabe como a quebra de tal é uma vara de correção eficaz.

A única solução é a confissão e o abandono do pecado (II Cr. 7.14-15; Sl. 51.1-4; Pv. 28.13; I Jo. 1.9).

O Poder para Ser um Servo Fiel é Destruído

Gl. 5.16-17, “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.”

Para se ser um servo fiel para a glória de Deus é necessário ter as Suas bênçãos. Ser um servo fiel não é fruto da carne. Na carne não habita bem algum (Rm. 7.18). Só as bênçãos de Deus em uma vida produzem fruto que convém ser visto publicamente (Gl. 5.22). Contudo, quando há presença de pecado na vida, como podem as bênçãos de Deus ser esperadas (Rm. 7.22-23)? Não podemos servir a dois senhores (Mt. 6.24). Se servimos ao pecado estamos contra o Senhor (Mt. 12.30; Rm. 6.12,16). Se atendermos à iniqüidade em nossos corações, O Senhor não nos ouvirá (Sl. 66.18). Será que devemos esperar o poder do Senhor em nossas vidas quando o Senhor não se agrada de nós? Como devemos esperar força para obedecer quando estamos vivendo contra o Senhor? Se não tivermos a confiança que Deus nos ouve como poderemos estar seguros em nossas vidas espirituais? Sem o poder de Deus para nos dar vitória e ter o Seu ouvido aberto para nosso clamor como poderemos realmente esperar ser livrados das nossas angústias? Como poderemos ser servos fiéis se O Fiel estiver envergonhado de nós (Lc. 12.9)? Como poderemos ter força se o nosso Senhor não se alegra de nós (Ne. 8.10)?

O servo fiel tem algo para ministrar aos outros. Ele continuamente conhece a beneficência, o juízo e a justiça na terra. Ele está confiante que o Senhor é O Senhor (Jr. 9.23-24). O fiel ceia com o Seu Senhor e o Seu Senhor ceia com ele e essa comunhão incentiva maior fidelidade (Ap. 3.20-21; I Jo. 1.3; Jo. 4.14; At. 1.8). Este crente tem um relacionamento vivo que emana do seu andar com Deus (Sl. 1.1-3). Mas, se o servo está praticando pecado, se tem mãos sujas, se não tem comunhão viva com o Senhor, como é que ele vai ter algo para proclamar ou pregar? Como pode o crente ser um servo fiel quando o céu parece fechado (Sl. 34.16), quando o espírito parece morto (Sl. 32.3-4) e quando se esquece da purificação dos seus antigos pecados (II Pe. 1.9)? Esse servo de Deus tem problemas sérios consigo mesmo, com seu Deus e, conseqüentemente, com o mundo.

A solução é confessar o pecado (Sl. 32.5; I Jo. 1.9; II Cr. 7.14; Pv. 28.13). Ter uma vida íntegra com o Senhor e Salvador Jesus Cristo traz a vitória. Ao dividir a adoração a Deus com o louvor do mundo, o poder de Deus na vida é destruído, logo, uma vida reta para com Deus é o que deve ser procurado para remediar a situação (Sl. 15.1-5). A possibilidade de o crente ter a glória de Deus na vida e ter o poder para ser um servo fiel somente é conhecida com atenção exclusiva à Palavra de Deus (Js. 1.7-8). Um coração restrito a Deus e limpo de pecado traz ânimo e sabedoria de Deus para sermos fiéis (Sl. 51.10-13). Quando o crente busca primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, ele tem o que necessita tanto na sua vida terrena quanto na sua vida espiritual (Pv. 2.1-9; Mt. 6.33).

Você está vivendo na carne e esperando o poder de Deus? Está com as mãos sujas? Confesse o seu pecado ao Senhor. Viva em submissão ao Senhor e assim terá o poder de Deus para ser um servo fiel!

O Seu Testemunho Cristão é Danificado

Mt. 5.14-16, “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”

A ciência nos diz que a luz (com uma velocidade de 299.792 km/seg.) da estrela mais perto da terra (“Próxima Centauri”, a uns 32 milhões de quilômetros) leva 3.3 anos para chegar a terra. A distância média das estrelas é uns 65 anos-luz (Enciclopédia Multimedia da Grolier, Ver. 8.01, 1996 - assunto ‘estrelas, distancia’ e ‘ano-luz’). A nossa vida espiritual é semelhante à luz de uma estrela. O brilho da nossa vida é visto e eficaz somente depois de muito tempo. Se algo entrasse entre a estrela e nós o brilho dela não mais seria visto por nós. Também, quando o pecado entra na vida do crente, esse brilho é interrompido ou, como acontece muitas vezes, é destruído completamente.

Conforme Mateus 5.14, nós somos “a luz do mundo”. Isso quer dizer que nós refletimos Cristo, que é a Luz (Jo. 8.12), ao mundo através das nossas vidas. Verdadeiramente, o que os outros sabem de Cristo é conhecido através de nosso testemunho (Tito 2.5; Tg. 3.13-18; I Pe. 3.1,2). Por isso somos chamados “a luz do mundo”, a candeia no velador e a cidade edificada sobre um monte (Mt. 5.14-16). Quando o pecado faz parte das nossas vidas cotidianas, o brilho de Cristo é diminuído, ou seja, o nosso testemunho de Cristo é danificado. O pecado é igual a algo que está entre nós e uma estrela. O brilho de Cristo não é visto mais.

Nosso corpo individualmente é o templo do Espírito Santo (I Co. 3.16,17; 6.19). O corpo somente pode manifestar o que está por dentro dele. Se tiver pecado praticado por dentro, uma vida suja será manifesta e não mais a glória de Deus. Um outro problema é desencadeado com uma vida suja no mundo. Representamos mal o nosso Salvador perante o mundo. Começamos por provocar confusão em todos ao nosso redor. Dizemos que somos Cristãos, mas vivemos em pecado. Dizemos que Cristo é poderoso para nos salvar dos pecados, mas vivemos caídos no pecado. Assim como um instrumento musical que emite um som estranho, nós provocamos confusão (I Co. 14.7,8). O mundo ouve o que dizemos, mas examina as nossas vidas diárias. O mundo pensa, por causa dos nossas vidas, que Cristo é falho.

Nós, como membros de uma igreja verdadeira, coletivamente, somos feitos o corpo de Cristo (Ef. 1.23). Se os membros da igreja estão vivendo em pecado não confessado e abandonado, como é que Cristo vai ser visto pelo mundo, como santo na assembléia? O mundo não precisa de uma testemunha com testemunho danificado. O mundo precisa ver a palavra de Deus representada através de uma vida santa para saber o que realmente significa a nossa pregação verbal. Por causa do dano que uma vida pecaminosa faz ao nome de Cristo, a correção de Deus pode ser exercitada com dureza (I Tm. 1.19,20; I Co. 11.30), mesmo que a alma seja salva (I Co. 3.15,16).

A solução para o pecado na vida é o arrependimento a Deus. Isso inclui tristeza e abandono completo do pecado. Logo que o pecado é abandonado, o poder de Deus deve ser procurado para poder vencer o mal e para poder viver em submissão à vontade de Deus (Sl. 139.23,24). Isso é o que o Apóstolo Pedro fez tornando-se um servo fiel (Mt. 26.75; Jo. 21.17,19).

Se o pecado estiver oculto, confissão ao Senhor se faz necessária (I Jo. 1.8-9; Sl. 19.12-14).

Se o pecado for contra um irmão, um arrependimento para com aquele irmão convém para consertar o testemunho diante do mundo e ser perdoado por Deus (Jó 42.8; Mt. 5.23,24).

Se o pecado for público, convém um arrependimento público. Somente assim terá o testemunho público restaurado (Zaqueu, Lc. 19.8).

Para consertar o testemunho depois de danificá-lo, cuide especialmente da sua submissão à Palavra de Deus.

“Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.” Sl. 119.9.

O Número dos Galardões no Céu é Determinado I Co. 3.11-15, “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo.”

O céu é obtido somente pela graça de Deus (Rm. 5.15; 9.15,16; 11.6; Ef. 2.8,9). Essa graça é motivada pelo amor de Deus por Seus eleitos (Jr. 31.3; Ef. 2.4-7). O céu é exclusivamente para estar com Jesus Cristo (Jo. 14.6; At. 4.12; I Co. 3.11; I Tm. 2.5,6). Nenhum Cristão pode receber mais Cristo ou mais Espírito Santo do que qualquer outro Cristão. Os Cristãos podem ter responsabilidades diferenciadas e serem usados de forma variada durante o seu tempo na terra (I Co. 12.14-30; Ef. 4.11-16), mas todos os crentes em Jesus Cristo irão para o céu da mesma maneira.

Todavia, a bíblia revela que haverá diferenças entre os participantes no céu (Mt. 19.30; I Co. 3.12; 15.41,42 e Dn. 12.3; Hb. 11.35, “uma melhor ressurreição”). Terão também no inferno (Mt. 10.15, “no dia do juízo, haverá menos rigor”; Ap. 20.13, “julgados cada um segundo as suas obras”; Mt. 12.41). Como há pecados de maior ou de menor grau, assim há no julgamento da sua punição eterna (Jo. 19.11, “aquele que me entregou a ti maior pecado tem”; Lm. 4.6).

No céu, as diferenças serão conhecidas pela diferenciação dos galardões. Os galardões dos cristãos podem ser ganhos e perdidos. Os galardões são coroas. Existem coroas de justiça (II Tm. 4.8), de vida (Tg. 1.12), de gló¬ria (I Pe. 5.4; I Co. 9.25) e são para serem lançadas aos pés de quem está no trono (Ap. 4.9-11). Também entendemos que os Cristãos terão as suas obras julgadas pelo Tribunal de Cristo (Rm. 14.10; II Co. 5.10). Este julgamento não é o julgamento geral dos incrédulos, mas é o julgamento em que as obras feitas pelo Cristão em vida serão julgadas.

Os galardões estão determinados pelo serviço do cristão a Cristo duran¬te a sua vida terrestre (Hb. 11.26, 35). As obras determinam as coroas que teremos (I Co. 3.11-15). As obras feitas na força da carne findam-se em palha, feno e ma¬deira, e serão queimadas, ou seja, perdidas. As obras feitas na força de Deus para a Sua glória em amor nos darão ouro, prata e pedras preciosas e estes galardões permanecerão. Devemos ter cuidado para que ninguém tome a nossa coroa (II Jo. 8; Ap. 3.11), tal perda será causa de choro (Ap. 21.4).

A perda das coroas, pela infidelidade do Cristão na vida terrena, confunde a muitos. Pela perda das coroas, muitos entendem a perda da salvação. Mas a salvação é pela obra de Cristo, outorgada pela graça e por isso, está segura eternamente. As coroas são ganhas pelo nosso uso da graça de Deus em nossa vida cristã na terra. Podemos perder as coroas (I Co. 3.15; Ap. 3.11), mas nunca poderemos perder Cristo ou o céu (Jo. 10.27-29). O Cristão nunca será separado de Deus (Rm. 8.35-39).

A solução para não perder os galardões é não andar na carne durante a vida Cristã (Gl. 2.20). Uma vida piedosa “para tudo é proveitosa” (I Tm. 4.8), e é a maneira pela qual fazemos as boas obras (Ef. 2.10; Tito 3.8). Vivendo no Espírito (Gl. 5.16), aplicando-nos mais e mais para viver conforme a Palavra de Deus. É viver segundo o poder de Deus em Cristo, Que nos apresentará diante de Deus irrepreensíveis (Jd. 24).

A Sua Vida Terá o Castigo de Deus

I Co. 11.32, “Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.”

Castigo, para muitos, é uma palavra feia. No contexto bíblico, o castigo, em referência a uma ação de Deus para com os Seus, ou dos pais para com os seus filhos, é uma atitude de amor. Amor tanto para com a pessoa corrigida, quanto uma amostra de amor pelos princípios de justiça e santidade. O castigo aplicado por Deus, para com os Seus, jamais é uma atitude de rancor, malícia, ódio ou outra manifestação que possa emanar de uma falta de amor.

A condenação dos pecados precisa ser feita (Ezequiel 18.20, “A alma que pecar, essa morrerá”). Os que não têm os seus nomes escritos no livro da vida e, os que nunca foram regenerados para serem filhos de Deus por Jesus Cristo, receberão a condenação pelos seus pecados no tempo do porvir no lago de fogo (II Ts. 1.8-9; Ap. 20.11-15). Os que já foram regenerados por Deus têm a condenação dos seus pecados já castigados em Cristo (Is. 53.4-6; Rm. 5.6-8; II Co. 5.21). A condenação eterna dos seus pecados foi levada em Cristo (Rm. 8.1). Todavia, sem dúvida nenhuma, estes têm as conseqüências das suas desobediências corrigidas nesta vida (Hb. 12.5,6).

Este castigo (repreensão) dos filhos de Deus é para correção, e é uma marca clara de que se é filho de Deus (Hb. 12.7,8). Estes açoites vêm do Senhor (I Co. 11.32) e vêm para o bem (Rm. 8.28, “para o bem”; Hb. 12.10, “para nosso proveito, para sermos participantes da sua Santidade.”). Deus pode usar os outros para estender a Sua correção (Mt. 18.15-17 - a igreja; Nm. 21.6 - situações; Jz. 3.3, 4 - pessoas que não conhecem a verdade) Contudo, sempre com a Sua direção. O castigo do Senhor é com o intuito de revelar o Seu amor (Pv. 3.12; Ap. 3.19, “Eu repreendo e castigo a todos quanto amo”), e aperfeiçoar os Seus (Ef. 5.26,27; Hb. 12.9,11). O castigo vem para o nosso bem. Todavia é melhor viver em obediência para não precisar de castigo.

QUANTO MAIS SUJEIRA TIVER EXPERIMENTADO, MAIS "CORREÇÃO" SERÁ APLICADA

A solução para não correr o risco de conhecer a vara corretiva do Senhor é andar reto segundo a Palavra de Deus. Quando pecares, confessa-o (I Jo. 1.9) e volta a observar os princípios deixados de obedecer (Sl. 119.9; Ap. 3.19, “sê pois zeloso, e arrepende-te”.).

Sua Vida na Terra Pode Ser Encurtada

I Co. 5.4-5, “Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.”

Brincar com Deus nunca foi saudável. Deus deve ser obedecido com temor e reverência (Ec. 12.13). O homem que peca, seja filho de Deus ou não, conhecerá a mão pesada de Deus. O filho de Deus conhecerá o castigo para trazê-lo à correção (Hb. 12.5,6). Quem não é filho de Deus não conhecerá a correção, mas conhecerá a punição eterna que leva à glória de Deus por Jesus Cristo (Fp. 2.10,11; Lc. 16.27,28). Podemos tentar esconder as nossas ações de pecado através de desculpas, boas intenções ou ignorância, mas Aquele que conhece os corações agirá com justiça e Ele não depende de nossas frágeis e egoísticas explicações.

A correção de Deus para quem está em Cristo e insiste no pecado, pode resultar em morte ‘precoce’. Há casos bíblicos de morte de crentes que insistiram no pecado. Em Éfeso, onde Timóteo estava pastoreando (I Tm. 1.3), Hemeneu e Alexandre foram dois que não conservaram a fé e a boa consciência e fizeram naufrágio na fé. Eles foram entregues a Satanás “para que aprendam a não blasfemar” (I Tm. 1.19,20; II Tm. 2.16-19; II Tm. 4.14). A instrução do Apóstolo Paulo para os crentes em Corinto, que insistiram no pecado, era para serem entregues a Satanás, não para a destruição da alma, mas, sim, do corpo (I Co. 3.12-16; 5.1-5). A bíblia também relata sobre os crentes que não procuraram o perdão e não eram sérios na prática da sua confissão e por isso foram afligidos com doenças e alguns até morreram (At. 5.1-10; I Co. 11.28-31). Em vez de brincar com o pecado, devemos arrepender-nos dele e correr à misericórdia de Deus, que foi revelada em Cristo.

Deus quer que Seu povo seja santo. Aquele que está oprimido pelo seu pecado e cansado dele, está instruído a tomar o jugo de Cristo e a aprender dEle (Mt. 11.28-30).

“Quem é o homem que deseja a vida, que quer largos dias para ver o bem?

Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem o engano.

Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a.”

Salmos 34.12-14

COMO TER VITÓRIA SOBRE O PECADO

“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”, Romanos 12.12

Vivemos em um mundo onde o astuto Satanás é o príncipe das potestades do ar (Ef. 2.2). Não estamos numa luta contra personalidades, mas, contra este príncipe das trevas (Ef. 6.12). Acrescente a essa realidade o fato de termos um coração mais enganoso do que podemos conhecer (Jr. 17.9). Tudo isso, mais a verdade que o pecado apenas tem efeitos destrutivos, nos alerta a sermos perspicazes sempre.

A vitória sobre o pecado é conseguida quando estamos atentos. A toda hora temos que estar cuidadosos, pois o diabo não cessa de perturbar os retos caminhos do Senhor (At. 13.10). Ele é como um leão faminto, buscando a quem possa tragar (I Pe. 5.8). Ele destrói com mentiras e é homicida desde o começo (Jo. 8.44). Quando deixamos de ser prudentes como devemos (Mt. 10.16), ou quando cessamos de vigiar em oração (Mt. 26.41; Mr. 13.33; I Ts. 5.8; I Pe. 5.8), perdemos a oportunidade de usar o escape que Deus dá justamente para podermos suportar tais tentações e ardis de Satanás (I Co. 10.13). Pedro deixou de estar atento em uma única ocasião e caiu na tentação de confiar na carne (Jo. 13.37; 18.17,25-27). Esta única vez de displicência espiritual trouxe consigo um choro amargo (Mt. 26.75) e um mau testemunho que dura até hoje. Para sermos vitoriosos sobre a natureza sutil, enganosa e destrutiva do pecado, não temos opção alguma - se desejamos ter vitória - a não ser estarmos atentos em todo o tempo.

Devemos lembrar das experiências também. Não devemos ficar iludidos pensando que o que aconteceu uma vez não pode acontecer outra. Cada um de nós tem “o pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb. 12.1), ou seja, uma tentação que Satanás usa repetidas vezes em nossa vida para nos tornar presas dele. Pela graça de Deus, temos vitória várias vezes sobre este pecado. Para continuarmos a ter vitória, devemos lembrar que Satanás não dorme! Somos aconselhados a não dormir também (Lc. 21.34-36). Há personalidades bíblicas cujas experiências nos ajudam. O fato de Abraão mentir sobre a mulher, várias vezes, (Gn. 12.10-20 - 20.1-5, 12-13) é uma experiência que nos ensina a ter cuidado. Também o apóstolo Pedro negou, não apenas uma vez, mas três vezes (Jo. 13.37; 18.17, 25-27). Se estes homens foram fracos, é prova que devemos ser vigilantes também. Cabe a nós reconhecer os sintomas e não sermos ingênuos. O que aconteceu a um outro, pode acontecer conosco também. As tentações são humanas (I Co. 10.13). O que aflige nossos irmãos cristãos, pode nos afligir também (I Pe. 5.9). O que aflige os do mundo pode nos afligir também, pois temos corações enganosos e as mesmas paixões (At. 14.14,15). Cristo instruiu os discípulos a lembrar “da mulher de Ló” (Lc. 17.28-32) para que eles fossem prudentes. Paulo lembrou a Timóteo de Himeneu e Alexandre (I Tm. 1.19,20) para que retivesse a fé e a boa consciência. Nós temos a Bíblia em nossas mãos e ela foi escrita para nosso ensino (Rm. 15.4). Não há razão para sermos inexperientes. Podemos e devemos aprender com os problemas e com as situações bíblicas que provocaram pecado. O escape útil desses pode ser o mesmo que precisamos. Devemos resistir, mas, não na força da carne. Temos que resistir firmes na fé, (I Pe. 5.6-9) para sujeitarmo-nos melhor a Deus (Tg. 4.7,8).

Se quisermos mesmo ter vitória sobre o pecado devemos ser santos. Devemos guardar os nossos corações (Pv. 4.23-26). Do coração procedem as fontes da vida. Os que observam a Palavra de Deus para praticá-la em suas vidas diárias são os que podem resistir às tempestades que certamente chegarão a vida de cada um de nós (Mt. 7.24-27). Uma vida que tem a armadura de Deus é uma vida pronta para ter vitória sobre as ciladas do diabo, (Ef. 6.11-18). A armadura de Deus é útil somente para os que já nasceram de novo e conscientemente vestem-se dela (Ef. 6.18, “orando em todo o tempo”). Somente os que manejam bem a Palavra de Deus não precisam se envergonhar (II Tm. 2.15). Apenas os que são chegados a Deus (Tg. 4.8) vão lembrar-se de lançar sobre Ele toda a ansiedade na hora de aperto (I Pe. 5.7). Sendo espiritual na hora da tentação, podemos desviar-nos do mal e sermos amparados na hora da aflição com a Sua graça.

Há perigo no pecado para qualquer pessoa, mas especialmente para o crente. Se você desejar afastar-se do pecado, chegue mais perto de Deus. Tendo feito tudo para resistir, sede firmes.

 

Autor: Pastor Calvin Gardner
Revisão ortográfica e gramatical: Renata Santos 09/2009
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br