Cap 43 - Respondendo A Tentação

I Co 10.13, “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.”

Introdução – A tentação entre os homens é um problema universal. Tanto salvos quanto não salvos, crianças ou adultos, ricos ou pobres, elegantes ou brutos sabem o que é tentação. A realidade diz: sendo da raça humana, automaticamente, conhece a tentação (“Não veio sobre vós tentação, senão humana”, I Co. 10.13).

A Tentação e A Provação.

Tentação em geral é usada por satanás para destruir moral e virtudes. A tentação sempre tem o objetivo de induzir ao pecado. Satanás é a fonte maior de tentação. Ele não tem como fazer diferente. Por isso a Bíblia fala dele como o Tentador (Mt 4.3; I Ts 3.5), Homicida, pai da mentira (Jo. 8.44) e Diabo (Ap 12.7-10; Mt 4.1) nome que significa acusador ou difamador. Ele usa o mundo e a carne, nossa ou de outros, para que haja pecado e destruição (I Jo 2.16, “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.”) É importante frisar que ser tentado não é pecado. A tentação torna a ser pecaminosa quando cedemos a ela (Tg. 1.13-14, “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebida, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.”). Jesus Cristo foi tentado e a Sua tentação não foi considerada pecaminosa (Hb. 4.15, “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.”; Mt. 4.1-17). Quando tentado, temos opções: ou caiamos ou não.

Provação é o que Deus usa para desenvolver a fé dos Cristãos. Às vezes a Bíblia usa a palavra tentação quando é uma provação (Tg 1.2; I Pe 1.6). Para saber se uma determinada aflição é de Deus ou não examine os seus frutos. Se a aflição conforma o Cristão mais à imagem de Cristo, pode saber que vem de Deus. Se for para a destruição do Cristão não vem de Deus. Deus sempre intenta o melhor para o Seu povo (Rm. 8.28, “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”). Deus nunca intenta nada mal para os Seus (Tg 1.12-13, “Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.”). Êx. 20.20, “E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis.”; Jz. 3.1-4. Diferentemente da tentação, não temos opção diante das provações. Elas vêm a nós se quisermos ou não. Porém, como a tentação, a nossa reação à provação depende em nós.

Os Vencidos e Os Vencedores

Cada tentação produz um vencedor ou um vencido.

Os Vencidos são os que estão do mundo e não têm a salvação por Cristo - Jo 8.44, “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira”. Por desejar a vontade de Satanás compartilham com ele e o seu fim (Ap. 20.7-15; Hb. 2.14; Rm. 6.16).

Todos os homens começam suas vidas neste mundo mortos para o bem: Rm 3.10-18; 5.12, “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” Todos andam segundo o curso deste mundo que segue as ordens do príncipe das potestades do ar (Ef. 2.2-3, “2 Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.”) Por isso são vencidos pela tentação. Não têm como resistir aquele que satisfaz a concupiscência.

Somente pela misericórdia e o grande amor de Deus existe a salvação desta escravidão, desta morte do pecado: Rm. 5.15, 16, 18, “Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.”; 16, “E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.”; 18, “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.”; Rm 8.1, “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.”; Ef 2.1-10.

Jesus Cristo é o Único Salvador, sendo feito o Substituto que satisfaz Deus completamente: Nu 21.4-9; Jo 3.14-16. Portanto Olhe! E Viverá! Arrependa-se e Creia em Cristo Jesus!

Os Vencedores são os que estão no mundo, porém têm a salvação por Cristo – I Jo 5.4-5, “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?”

O Espírito Santo habita no Cristão e guerreia contra a carne. Quando o Cristão anda no Espírito, não cumpre a concupiscência da carne (Gl 5.16, “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.”) Por isso, Jesus Cristo instrui o Cristão a vigiar: Mt 26.41, “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.”

Os vencedores lutam contra a carne, o mundo e as tentações de Satanás. A vitória está em Jesus Cristo: Rm. 7.20-25. Essa vitória vem pela graça de Deus: I Co. 15.10. Por Deus amar a benignidade (Mq. 7.18, “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade.”) somos mais que vencedores: Rm. 8.37.

Às vezes o Cristão é surpreendido nalguma ofensa (Gl 6.1). Quando o Cristão peca, ele não volta ser dominado pelo pecado. Também não perde a salvação. Todavia ele perde a comunhão com Seu Pai celestial. Para voltar a ter a comunhão é necessária a confissão e abandono do pecado, constantemente: I Jo. 1.7-10, “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a Sua Palavra não está em nós.”; Pv. 28.13, “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”; Cl. 2.6-7, “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças.”

Por causa da presença constante de tentação na vida do Cristão, pode ser útil a instrução de como lidar com ela.

Respondendo à Tentação

Seis “Rs” para Responder a Tentação

Devemos ter convicção desse fato: Toda e qualquer tentação deve ser confrontada! Não convém tolerá-la, contemplá-la, ser curiosos ou entrar em competição com ela, testando o quanto pode aproximar dela sem cair nela. Se não repugnamos a tentação certamente estamos dando lugar ao diabo, algo que não devemos fazer (Ef. 4.27, “Não deis lugar ao diabo.”)

1. Reconhecer a Natureza e as Consequências de Tentação – Convém estarmos cientes da natureza e as consequências da tentação. Ignorando a realidade NUNCA a eliminaremos nem as suas consequências. Reconheceremos a tentação somente com esforço e vontade moral. A ignorância nunca conduz à espiritualidade e não dá a vitória sobre a tentação. A ignorância não faz o pecado ser menos abominável ao Senhor, pois a Lei de Moisés requer um sacrifício pelos 'pecados de ignorância' (Lv. 5.17-19, “E, se alguma pessoa pecar, e fizer, contra algum dos mandamentos do SENHOR, aquilo que não se deve fazer, ainda que o não soubesse, contudo será ela culpada, e levará a sua iniquidade; E trará ao sacerdote um carneiro sem defeito do rebanho, conforme à tua estimação, para expiação da culpa, e o sacerdote por ela fará expiação do erro que cometeu sem saber; e ser-lhe-á perdoado. Expiação de culpa é; certamente se fez culpado diante do SENHOR.”). Portanto, acorde! Não há virtude em ser ignorante de algo que faz parte da vida de todos. Seja como o Salmista: Sl 39.4, “Faze-me conhecer, SENHOR, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil.” e 139.23-24, “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.”

A Natureza da Tentação

A tentação é igual ao próprio tentador que a usa, ou seja, enganadora. A percepção da sua natureza enganadora é velada. No lugar da verdadeira percepção da natureza enganadora de toda tentação é uma mentira que ela não é nociva mas inocente e admirável. Portanto a natureza da tentação é enganadora.

A tentação é como as concupiscências, que são incitadas, ou pela carne onde habitam ou pelos dardos inflamados do Tentador. As concupiscências atraem-nos para o pecado com promessas vãs. Portanto podemos saber que a natureza da tentação é mentirosa.

A natureza da tentação é igual ao seu resultado, ou seja, destruidora. Ela provoca o pecador manter-se separado de Deus e o Cristão viver menos para a glória de Deus. Satanás e todos os que são enganados por ele serão lançados no lago de fogo (Ap. 20.11-15). Que terrível fim! Portanto podemos saber que a natureza de tentação é destruidora.

Quem dá lugar à tentação deve preparar-se para ser enganado, atraiçoado e destruído.

Portanto, devemos buscar diligentemente a sabedoria: Pv. 2.1-9, “Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, 2 Para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria; e inclinares o teu coração ao entendimento; 3 Se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, 4 Se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, 5 Então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus. 6 Porque o SENHOR dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. 7 Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos. Escudo é para os que caminham na sinceridade, 8 Para que guardem as veredas do juízo. Ele preservará o caminho dos seus santos. 9 Então entenderás a justiça, o juízo, a equidade e todas as boas veredas.”

Saberemos mais sobre a natureza e as consequências da tentação se gastarmos mais tempo nas Escrituras e com oração (Mt. 26.41). A luz que ilumina o entendimento vem da Bíblia: Sl. 19.8, “Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos.”; 119.105, “Lâmpada para os meus pés é Tua palavra, e luz para o meu caminho.”; 73.17, “Até que entrei no santuário de Deus; então entendi eu o fim deles.”; Pv. 6.23, “Porque o mandamento é lâmpada, e a lei é luz; e as repreensões da correção são o caminho da vida”

Quanto maior o tempo dedicado às Escrituras, maior conhecimento terá sobre as tentações. Quanto maior é o conhecimento da natureza das tentações maior é a nossa vitória sobre elas. Como diz em Ef. 6.11, “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.”

As Consequências

Recordando alguns dos relatos bíblicos sobre casos de tentação podemos identifica-las melhor e reconhecer as suas consequências. Pense bem da falta do proveito que a tentação trouxe a estes que caíram na mão do Tentador: Eva (Gn. 3.2-6, 16; I Tm. 2.11-14), Adão (Gn. 3.6, 17-19; Rm. 5.12), Acã (Js. 7.1, 24), Rei Saul (I Sm. 15.3, 9, 13-23), Davi (II Sm. 11.1-4, 15-18; 12.9-13), Pedro (Lc. 22.31-34, 62), Judas (Mt. 26.20-25, 47; 27.3-5)

Não tenha dúvida: Cada obra de Satanás findará em destruição e morte (Jo. 8.44, “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.”; Ap. 20.11-15).

Não tenha dúvida: Quando cedemos à tentação o que resulta é sempre abominável e “grande” (Ex 32.31). A consequência de cair na tentação é somente má e contaminadora (Mc. 7.21-23).

Para responder corretamente à tentação é necessário reconhecer o que é tentação. Não seja ignorante ou ingênuo mas saiba a verdade: existem muitos que querem nos destruir, impedir-nos de viver para a glória de Deus. O mundo não quer que você tenha a vitória e santificar-se mais e mais. A tentação é um meio que o inimigo da retidão derruba os que desejam glorificar a Deus nas suas vidas.

Reconheça também o fator da fraqueza da carne em resistir a tentação! Da carne vem a tentação (Tg. 1.14, “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”; Mt. 15.19, “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.”). Portanto não confie no seu próprio entendimento! Nunca recorre à carne para resistir da tentação.

Reconheça também que a única força contra a carne está em Cristo! Cristo é a vitória! Portanto viva chegando a Ele (Tg. 4.8, “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.”; Is. 40.29-31, “29 Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. 30 Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão; 31 Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.”; Tg. 1.5, “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.”)

2. Resistir Toda Tentação – Tg 4.7, “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”

Introdução: O fruto de uma vida temente a Deus é imediatamente manifesta quando a tentação se aproxima. A sabedoria é manifesta pelos seus filhos (Mt. 11.19). Está escrito que “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.”, Jó 1.1. Pergunto: Jó era temente a Deus e por isso desviava-se do mal, ou, por desviar do mal tornou-se temente a Deus? A resposta está em Pv 14.16, “O sábio teme, e desvia-se do mal, mas o tolo se encoleriza, e dá-se por seguro.”; Pv 16.6, “Pela misericórdia e verdade a iniquidade é perdoada, e pelo temor do SENHOR os homens se desviam do pecado.”; Pv 28.14, “Bem-aventurado o homem que continuamente teme; mas o que endurece o seu coração cairá no mal.” Portanto, desejam ser vencedores? Sejam então tementes a Deus e decerto terão como resistir toda tentação como estes exemplos:

José na casa de Potifar: Gn. 39.7-12; Daniel na Babilônia: Dn. 1.8-9; Ester diante Rei Assuero: Et. 4.11-17; Moisés entre as bênçãos materiais ou as espirituais: Hb. 11.24-27; Jesus: Mt. 4.1-11; Jó diante o mal: Jó 1.1-2.

Tentação Não Resistida É Pecado Concebido

Tg. 1.13-16, “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. Não erreis, meus amados irmãos.” Portanto, para ter a vitória, a tentação tem que ser resistida. Exemplo: Adão e Eva (Gn. 3.6); Davi com Bate-Seba (II Sm. 11); Pedro negando Cristo (Jo. 18.12-27).

Tentação Resistida pode ser Tentação Repetida

Mesmo que a mesma tentação vem repetidamente, a resistência tem que ser a mesma. José no Egito: Gn. 39.7-12. Quantas vezes veio a mesma tentação? A lição para nós: Não importando a frequência da mesma tentação, a resposta para com a tentação tem que ser a mesma: Não! Eu recuso!

Jose insistiu na negação e não deu nenhuma brecha à tentação. Depois de comportar-se varonilmente e resistir vez após vez, foi necessário que ele desse espaço maior entre ele e a tentação. Ele fugiu e saiu. Se a tentação vier repetidamente resiste sempre!

O mal foi dado pelo homem a Jose por causa do bem que fez. Depois de muito tempo foi ele abençoado sobremaneira por Deus (Gn. 41.38-44; 50.20). Como nos dias de José hoje convém sermos vituperados pelo nome de Cristo: I Pe. 4.14-16, “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte.” Como é certo que teremos tentação, se resistida é confirmada que Deus recebe a glória em nossas vidas.

Recuse aquela dúvida que nos distrai da obediência clara e imediata da Palavra de Deus. Não se deixe ser levado pelo engano que finda em destruição. As aparências podem nos enganar. Podem fazer que percamos o contentamento e a firmeza que devemos ter na obediência da Palavra de Deus. Para servir devemos pedir pela graça de Deus para sermos como Habacuque quando a ira de Deus foi exposta. Habacuque recusou-se a olhar para as aparências e confiou firmemente no Senhor (Hc. 3.16-19). Quando tudo parece perdido, confie no Senhor, ore e louve ao Senhor mesmo assim (Paulo e Silas na prisão, At. 16.25).

Rejeite confiadamente aquela má oportunidade na qual possa perder o moral, a virtude, o seu testemunho e o galardão. Seja como Daniel quando cativo em Babilônia. “Propôs no coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia” (Dn. 1.8-9). Daniel foi fiel à sua criação religiosa. Disse não ao paganismo. Temos a mesma oportunidade de propor no nosso coração não sermos contaminados com o Paganismo, ou seja, o mundanismo na sua bebida, comida, moda, costumes, fala, lugares de entretenimento, adoração emocional e pragmática, etc. Tal firmeza leva fé que Deus cuidará de tudo que não podemos fazer para nós mesmos. Como Deus convenceu o despenseiro e o chefe dos eunucos no caso de Daniel, Ele fará que Seu servo hoje não será confundido, Sl. 119.6, “Então não ficaria confundido, atentando eu para todos os teus mandamentos.”; I Pe. 2.6, “Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido.”

Resistem aquelas oportunidades oferecidas pelo mundo que impedem o seu maior crescimento para com o povo de Deus. Nem toda oportunidade de melhora salarial, melhor posição no emprego, avanço na carreira ou atraente promessa de mais conforto na vida é saudável para seu andar cristão. Moisés recusou ser chamado filho da filha de Faraó. Tal posição daria muitas riquezas, conforto e reconhecimento. Teria o gozo do pecado por um pouco de tempo (Hb. 11.24-26). Sendo humana, a tentação veio sobre ele como vem sobre nós (I Co. 10.13). Pela graça de Deus Moises enxergava a recompensa de servir o Senhor. Ele entendeu que a participação do vitupério de Cristo, de ser identificado com santidade e pratica e a mortificação da carne findaria bem melhor. Ele olhou pela fé e seguiu o que é invisível a muitos, ou seja, a comunhão aberta com Deus por Jesus Cristo. Tal comunhão supera qualquer proposta que a carne pode oferecer. A melhora espiritual é maior e melhor de tudo demais. As bênçãos do mundo e da carne são passageiras: Mt. 5.3-10, “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;”

Portanto, vigiai e orai para que não entreis em tentação. E se a tentação chegar perto, resiste-a!

I Pe 5.9, “Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.”; I Tm 6.12, “Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.” Repugnar-se com qualquer tentação – Ef 4.27, “Não deis lugar ao diabo.”

Firmes na fé é pré-qualificação para resistir a tentação. Ser menos do que firmes na fé é namorar o fracasso. Se não for firme na fé terá somente a força da carne para combater a fonte da tentação, ou seja, as concupiscências que estão na carne (Tg. 1.13-16). Firme na fé é fruto de estudo bíblico, oração e mortificação da carne. Cristo nos fortifique (Fp. 4.13).

Reprime qualquer oportunidade em deixar de ser menos do que completamente zeloso – Ef 6.11-13, “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. 12 Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. 13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes.”

A sua resistência à tentação é viável somente depois de sujeitar-se a Deus: Tg 4.7, “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” Uma vida submissa a Deus é uma vida preparada para perceber a tentação e para resistir até ao diabo. Você já sujeitou-se a Deus arrependendo-se dos seus pecados e crendo em Jesus Cristo pela fé? Está andando submisso a Deus dia a dia? Confessa os seus pecados a Deus e conheça a purificação de todos os seus pecados.

Convém saber que a tentação em si não é pecado. Porém, não resistindo-a leva a ser engodado por ela. Jesus Cristo foi tentado e não pecou, pois Ele resistiu cada tentação.

Resistindo a tentação tornamos mais como Cristo. Cristo resistindo tornou obediente em tudo. Por isso é o Salvador suficiente. Deus é satisfeito com a obra da Sua alma. Você também é?

3. Recorrer a Deus – Tg 4.8, “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.”; Zc 1.3.

Existem Três Tipos de Tentação

I Jo. 2.16, “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.” Alguém disse que estas coisas atingem o homem como ele é: corpo, alma e espírito (Ironside). Ninguém nunca será levado a um outro tipo de tentação além dessas. Quando o mundo nos apresenta em uma destas formas, somos ardente e automaticamente cativados por elas. Como porcos correm para o lamaçal e os cachorros voltem ao vômito, o nosso coração, quando não contrariado, obstina-se para que esses desejos mundanos sejam satisfeitos.

A concupiscência da carne – o desejo ardente da carne de viver para a sua própria glória. A carne zela para não ter limites impostos nela, não sofrer as aflições, nem preocupar-se com as necessidades dos outros. O desejo ardente da carne é ser vigoroso naquilo que interessa a si mesmo e aumentar muito em suas riquezas (Sl. 73.4-5, 12, John Calvin). A tentação pela concupiscência da carne inclui tudo que resulta em vergonha como fornicação, adultério, sodomia e incesto. Desde que o corpo é envolvido em homicídio, invejas, sensualidade e nos excessos que manifestam-se em glutonaria e bebedice, sabemos que essas vergonhas são frutos da concupiscência da carne (Gl. 5.23; I Pe. 4.3, “Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias;” John Gill). Jesus passou por esse tipo de tentação: Mt. 4.1-4. A tentação de transformar pedra em pão colocaria mais ênfase na carne do que na submissão à Palavra de Deus pois Jesus veio fazer a vontade do Pai e não a do Satanás. Jesus manteve-se fiel ao Pai e tudo espiritual. Ele não cedeu para gratificar a carne. Jesus recorreu à Palavra de Deus para ter a vitória. Para você ter a vitória sobre as tentações que inflamam a concupiscência da carne, é necessário recorrer a Deus. Seja como Jesus o Salvador!

A concupiscência dos olhos – o olhar que despreza os outros considerando-os inferiores, e a satisfação pela vaidade da aparência pomposa e extravagante. Essa concupiscência sempre procura ter mais do que o coração pode desejar (Sl. 73.7-9 John Calvin). A cobiça se faz presente nessa concupiscência (Mt. 5.28) junto com a ímpia curiosidade para conhecer as vaidades que nunca podem satisfazer (Pv. 27.20, “Como o inferno e a perdição nunca se fartam, assim os olhos do homem nunca se satisfazem.”). A concupiscência dos olhos procura as coisas do mundo mesmo sabendo que não têm como satisfazer o seu coração (John Trapp). Jesus passou por esse tipo de tentação: Mt. 4.5-7. A tentação de lançar-se do pináculo do templo abaixo serviria para fazer um “show espiritual” que seria assistido pela multidão de adoradores no templo. Jesus seria visto apanhado pelos anjos para que Ele não sofresse dano. Essa tentação provocou Jesus a usar as promessas de Deus para a Sua própria vantagem em vez de viver pela fé, dando essa glória ao Pai. Fazer uso impróprio das Escrituras, ou seja, viver para sua própria glória e depois esperar que Deus seja obrigado a te livrar das consequências da sua desobediência pública seria colocar a Escritura contraria a Si mesma. A vitória de Jesus a este tipo de tentação foi por Ele recorrer à Palavra de Deus novamente. Não podemos fazer melhor.

A soberba da vida – orgulho que se expressa em ambição, no desprezo dos outros, na insistência de prevalecer a própria vontade e na confiança excessiva nos seus próprios pensamentos. Essa característica manifesta-se pelo gosto de bajulice, amor dos primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras onde congregam as multidões (Mt. 23.6). Esse mal procura ter um exagerado padrão de vida pomposa (Ec. 2.1-11). Esse prazer de viver tão esplendidamente é desejado para ser bem visto pelos outros como também para si mesmo. A soberba confia nos bens do mundo como se estes bens pudessem dar prazer eternamente (Lc. 12.18-21, “E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”; Pv 27.24, “Porque o tesouro não dura para sempre; e durará a coroa de geração em geração?”) Jesus passou por esse tipo de tentação: Mt. 4.8-11. Satanás ofereceu a Jesus uma maneira fácil de ter o domínio do mundo antes da hora prevista, ou seja, ter a glória antes da cruz. A soberba da vida sempre calcula que pode em si mesma fazer melhor do que a vontade de Deus. Jesus recorreu mais uma vez à Palavra de Deus citando o princípio eterno: a vontade de Deus, mesmo que traz sofrimentos, é o nosso primeiro e único dever. Fazendo a vontade de Deus é adorar ao Senhor nosso Deus. Deseja ter a vitória sobre a tentação que inflama a soberba da vida? Seja como o Salvador e recorre a Deus pela aplicação devida da Sua Palavra na hora da tentação.

Desde que nenhumas destas tentações são de Deus mas do mundo (I Jo. 2.17); desde que o pecado habita em nós (Rm. 7.17), e desde que Satanás somente engana e mente (Jo. 8.44), se esperamos ter a vitória sobre a tentação, só resta Deus. A Ele devemos chegar para ter a vítória que redunda para a Sua glória (Tg. 4.8; Rm. 7.24-25). Não temos outra opção.

Antes de procurar ajuda dum parente respeitado ou dum líder eclesiástico, consulte a Deus. Observando a Sua Palavra o mancebo purifica o seu caminho (Sl. 119.9, “Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.”). Somente guardando a Sua Palavra no coração podemos evitar o pecado (Sl. 119.11, “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.”). A Palavra de Deus ilumina o caminho que devemos andar (Sl. 119.105, “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.”). Aquele que recorra a Deus pela Sua Palavra consulta o que é puro e protege todos que confiam nEle (Pr 30.5, “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele.”) Portanto, recorra a Deus!

Como Pode se Chegar a Deus?

Pelo Filho dEle somente: Jesus Cristo é Deus encarnado, que veio salvar os Seus dos seus pecados (Mt. 1.21, 23). Não busque a salvação em nada além de Cristo e em nada mais do que a Sua morte pelo pecado, seu sepultamento e sua ressurreição vitoriosa (I Co. 15.1-5). Arrependa-se dos seus pecados e creia pela fé neste Senhor e Salvador Jesus Cristo (Jo. 14.6; At. 16.31). Para os que deixam os seus caminhos vaidosos e pensamentos ímpios há salvação em Jesus. Para com estes Deus é grande em perdoar (Is. 55.6-7). Não há vitória sobre a carne pela carne! Só por Jesus – Rm. 7.24-25; Hb. 2.14-18. Os em Cristo, os salvos, têm até ousadia para entrar na presença de Deus (Hb. 10.19). Pratique então o seu direito e privilegio: chegai-vos a Deus! Nada pela carne mas tudo por Jesus – Fp. 2.13.

“Alimpai as mãos, pecadores, e, vós de duplo animo, purificai os corações”: A tentação tem que ser resistida. O pecado tem que ser confessado e deixado. Pv. 28.13, “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”; I Jo. 1.8-9, “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” Confessando e deixando o pecado limpamos as nossas mãos do coração e purificamos os nossos corações. Assim agradamos-nos a Deus e achamos o escape para não sermos tragados pelo inimigo nosso. Isto é chegar a Deus! Como entramos em Cristo, assim devemos andar (Cl. 2.6) Vai se arrependendo dos pecados e crendo sempre em Jesus Cristo pela fé.

Pela oração: Quando apertado pela tentação, quase sendo vencido completamente, não busque impressionar a Deus pela sua eloquência. Busque o socorro imediatamente! Chegai-vos a Deus já! Sl. 6.4, “Volta-te, SENHOR, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade.”; Sl. 31:2, “Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa; sê a minha firme rocha, uma casa fortíssima que me salve.”; Mt. 14.30, “Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!” Quando em perigo não há virtude em formular uma liturgia ou participar de uma cerimônia. Quando reconhece a tentação, resiste-a e recorre a Deus imediatamente.

Abraça o socorro das Suas promessas: Sl. 145.18, “Perto está o SENHOR de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.”; II Cr. 7.14, “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” As promessas nos avisam como devemos orar e como obedecer a Sua vontade.

Ande continuamente com Ele depois de chegar a Ele: II Co. 6.14-7.1, “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso. 7.1, Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.”

Reconhecendo a natureza da tentação e as suas consequências e resistindo-as recorrendo a Deus faz que sejamos mais do que vencedores, bons exemplos para os de fora e para os de dentro. Tratando a tentação biblicamente conforma-nos mais à imagem de Cristo que é o intento do Senhor em nos salvar (Rm. 8.29, “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”)

4. Retirar-se da Presença de Tentação – Pv 3.7, “Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal.”; Pv. 22. 3, “O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando.”

Deus nos promete um escape junto com a tentação para que possamos suporta-la (I Co. 10.13, “13 Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.”) É nossa responsabilidade aproveitar nos do escape. Fazer menos que isso é confiar em nosso próprio entendimento e ser sábio aos nossos próprios olhos.

A Posição e A Responsabilidade

A posição do cristão é uma e a sua responsabilidade é outra. A nossa posição é absoluta e imutável, a nossa responsabilidade é progressiva.

Somos lavados pelo sangue de Cristo – Ap. 1.5; I Pe. 1.18-20; Jo. 13.10. Essa é a posição! Porém somos responsáveis para ter os pés lavados Jo. 13.10 (Submissão maior a vontade de Deus; conformidade maior à imagem de Cristo.)

Cristo nos aperfeiçoou para sempre – Hb. 10.14, “Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.”. Essa é a posição! Porém nossa responsabilidade é orar “perdoa-nos das nossas dividas”, Mt. 6.12; devemos pedir a Deus para nos sondar: “prova me e conhece os meus pensamentos” Sl. 139.23,24. Apesar da posição bendita e eterna que o cristão goza em Cristo, existem responsabilidades pessoais.

Cristo purificou as nossas almas –II Ts. 2.13, “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;”; At. 15.9. Essa é a condição permanente do cristão! Porém nossa responsabilidade é crescer e de nos purificar a nós mesmos: I Jo. 3.3; II Co. 7.1; II Pe. 3.14; Mt 5.48 “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.”; Lc 6.36, “Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.”

Pela graça estamos “em Cristo” – II Co. 5.17; Ef. 2.10. Essa é a posição! Porém Cristo nos ensina a necessidade de estar nEle, Jo. 15.4, “Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.”. Continuamos estando nEle tendo comunhão constante com Ele (I Jo. 1.3).

Jesus ensina que aquele que vem a Ele não terá fome e aquele que crê nEle nunca terá sede - Jo. 6.35. Essa é a nossa condição eterna! Porém Ele ensina que aquele que come e bebe dEle permanece nEle e Ele naquele, Jo. 6.56. Assim entendemos a nossa responsabilidade de comer continuamente, ou seja, crescer na graça e no conhecimento dEle, I Pe. 2.2; II Pe. 3.18.

Os Mandamentos

Temos responsabilidades pessoais. Deus nos manda a ser santos (Lv. 20.7; I Pe. 1.15,16). Deus manda que conservamos nos a nós mesmos no amor de Deus. (Jd. 21). I Jo. 5. 18, “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.”

Para obedecer estes mandamentos é necessário remover-nos da presença da tentação.

Rm. 8. 10-15, O fato de uma posição nova (em Cristo) pede um andar novo (no Espírito).

Sl 143.9, “Livra-me, ó SENHOR, dos meus inimigos; fujo para ti, para me esconder.” Foge do pecado sim! E chegai-vos a Ele!

Retire-se já! É fato surpreendente que a tentação tem nenhuma influência quando estamos longe dela. Por isso então: “Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo” (Pv 4.15).

I Co 10.14, “Portanto, meus amados, fugi da idolatria.”

II Tm 2.22, “Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor.”

Pv 6.25-27, “Não cobices no teu coração a sua formosura, nem te prendas aos seus olhos. 26 Porque por causa duma prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a adúltera anda à caça da alma preciosa. 27 Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem?”

Jó 28.28, “E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.”

Bons Exemplos

Tg. 1.14-15- É fato que os que se removem da presença da tentação não serão tentados; não serão engodados e não terão as suas concupiscências inflamadas.

José no Egito – Ele reconheceu a iniquidade do ato a qual foi tentado e lembrava das suas consequências destruidoras. Jose resistiu repetidamente e deixou o lugar da tentação. Pode ser que isto não salvou-o da mentira da outra mas salvou-o imediatamente de uma consciência ferida para com Deus e posteriormente de uma reputação manchada diante do homem (Gn. 39.10-14, 21).

Removendo-nos da presença da tentação tornaremos bons exemplos para os outros – Hb. 11.2, “Porque por ela os antigos alcançaram testemunho.” Pode acreditar que todos estes mencionados neste capítulo passaram por grandes tentações. A tentação vem a todo homem. Mas reconheceram a natureza da tentação e das terríveis consequências dela; resistiram à tentação; recorreram a Deus e removeram-se da presença da tentação quando necessário. Por isso alcançaram testemunha.

Você tem uma nuvem de testemunhas rodeando você também. Tem oportunidade para ser um bom exemplo para a família, os seus colegas da escola ou da firma, os da igreja e os vizinhos. A oportunidade é grande e merece todo o esforço particular que é possível achar. Devemos esforçarmos a olharmos para Jesus e deixarmos de dar atenção à tentação (Hb 12.1-4).

Removendo-nos da presença da tentação teremos mais paz com Deus. A nossa comunhão está com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo (I Jo. 1.3) e não com a carne. Quando vencemos a tentação a comunhão com o Nosso Salvador cresce e nisso, temos paz com Deus. Quando tentado, a concupiscência da nossa carne engana-nos para não lembrar-nos da bendita comunhão que perdemos quando pecamos. A alegria momentânea do pecado logo passa e a falta da paz com Deus fica. Mas, antes removendo-nos da presença da tentação, perdemos o fruto amargo do pecado e crescemos na graça de Deus. Com isso temos o fruto do Espírito Santo que inclui essa paz com Deus.

Removendo-nos da presença da tentação teremos galardões - I Co. 3.11-16

Maus Exemplos

Alguns exemplos dos que não removeram-se da tentação e quais foram as suas consequências:

Adão e Eva – Gn. 3.6, 16-19; Sansão – Jz. 14.1,2; 16.20,21; Nabucodonosor – Dn. 4.27-33; Pedro – Lc 22.31, 54-62

A Graça de Deus

Se não fosse a graça de Deus não teríamos perdão dos pecados e a salvação em Jesus Cristo. A graça de Deus em Cristo salva o arrependido que crê pela fé em Cristo – Rm. 5.20, “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;”; Is. 55.6-8.

Pela graça de Deus o cristão é purificado continuamente quando confessa e deixa o pecado – Pv. 28.13, “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”; I Jo. 1.9, “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.”

5. Relembrando os Propósitos Santos de Deus – I Jo. 1.1-10, “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra. E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.”

“Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas.” Justamente por isso Deus, através do sangue de Jesus Cristo, lava o Seu povo. O Seu povo não era sempre santo (Ef. 2.1-2). Eram pecadores e pecadores dos mais vis. Eram devassos, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbedos, maldizentes e roubadores. Porém foram lavados, justificados e santificados (I Co. 6.10-11). Estes graciosamente lavados pelo sangue de Jesus são feitos justiça de Deus (II Co 5.21), ou seja, são santos diante de Deus (Jo. 15.3, “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.”).

Mas, diante dos homens, estes estão crescendo em santidade. O poder de Deus opera no Seu povo para ser mais e mais santo como Cristo (Rm. 8.29). Tudo que Deus faz na vida do Seu povo é para o seu bem e para a Sua glória. As aflições, tribulações e provações são para estes relembrarem os propósitos santos de Deus (Tg. 1.2-4, “Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência.”; I Pe. 4.14, “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado.; Sl. 119.67, 71; Jo. 15.2-5, “Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.”). As tribulações, ocasionadas muitas vezes pela tentação, fazem que estes lembrem a morrer à carne. Em tudo que acontece na vida do cristão, Deus intenta propósitos santos! Podemos notar isso também pelas promessas dadas em I Co. 10.13

As Promessas de Deus

I Co 10.13, “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.”

Quando a tentação aparece, Deus já tem prometido que os Seus podem ter a vitória. Ele promete que não vem sobre eles tentação a não ser aquela que todo homem recebe. Portanto não vão ser tentados como anjos, etc. Ele promete também que Ele não deixará a tentação ser acima das suas possibilidade de resistir. Quer dizer, podemos fazer tudo em Cristo que nos fortalece. Ele promete também que cada vez que enfrentam aquilo que satanás intenta usar para os destruir, terão um escape eficiente para que possam ter a vitória: I Co 10.13, “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” Graças a Deus por tais promessas gloriosas! Nelas podemos notar que Ele tem a santidade como alvo para o cristão.

A Responsabilidade do Cristão

Tal vitória não acontece automaticamente. É necessário o cristão esforçar-se em batalhar diário e duramente. Devem-se responder corretamente à tentação: Reconhecer a sua natureza e as suas consequências; Resisti-la sinceramente com serenidade; Recorrer a Deus buscando a Sua força; Remova-se e retire-se da presença da tentação.

Além desses passos a serem tomados para não cair, depois de remover-se da presença da tentação é necessário relembrar os seus santos deveres. É hora de tomar toda a armadura de Deus (Ef. 6.10-18) e avançar para a retidão. O apóstolo Paulo instruiu ao Timóteo a não somente fugir das paixões da mocidade mas também a seguir tudo aquilo que resulta em ser feito mais ainda conforme à imagem de Cristo. II Tm 2.22, “Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor.”

Deseja ter a vitória sobre a tentação? Viva na presença de Deus! Mortifica a carne e santifica-se! Buscai servir a Deus com o seu pensar e o seu falar. Transforme os seus hábitos de vestir, entreter, beber e comer naquilo que agrada a Deus. Use as suas posses para aquilo que honra a Deus. Não somente as rotinas comuns mas as espirituais também: Busque uma adoração particular e domestica com a leitura das Escrituras, memorizando algumas das Suas passagens, e oração. Seja sério com a adoração pública (Ef. 1.23; 2.19-22; 3.21; II Tm. 2.22, “Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor.”) Tanto mais ocuparmos com a nossa santificação mais preparados somos para não cair na tentação.

Quando cair existem responsabilidades também: Sl. 119. 9, “Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.” Não convém sermos ignorantes sobre aquilo que provocou a queda, pois a ignorância nunca gera cristãos maduros. Reconheça os passos errados que se levou a caiu; submete-se ao senhorio de Deus; confesse e deixe o mal e volte a fazer os deveres de um cristão responsável. Será necessário voltar ao ponto inicial do erro, consertando todo o mal que fez desde quando cedeu à tentação. A partir desse ponto é mister começar a traçar um caminho de retidão e de obediência (verifique a vida do filho pródigo, Lc. 15.11-32).

Retorne à Santidade

Quando cairmos na tentação, deixamos os propósitos santos de Deus e tornamos aliados com as trevas. Desde que não podemos servir dois senhores, é claro que deixamos o caminho da Luz quando cedemos à carne. Depois de reconhecer o delito, confessa-o, deixe-o e volta à Santidade. Jo 8.11, “E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.”; II Cr 7.14, “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”; Sl. 139.23-24, “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. 24 E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.”

Jesus declarou que Zaqueu era salvo e também um filho de Abraão. É certo que Jesus conhece os corações dos homens, porém essa afirmação veio somente depois que Zaqueu tinha mostrado o seu arrependimento e declarado o seu retorno à uma vida separada e santa: Lc. 19.8-10, “E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” A confissão é necessária, mas a sua volta a fazer o dever manifesta que aquela confissão veio de um arrependimento genuíno. Zaqueu não apenas confessou e creu no Senhor Jesus Cristo como também voltou a ser responsável aos seus deveres diante de Deus, Seu povo e à sociedade.

Voltando à santidade não é assunto novo para o cristão. A sua posição em Cristo é filho do Deus de Luz, herdeiro do Deus em quem não há trevas nenhumas e co-herdeiro com Cristo (Rm. 8.14-17) que é o resplendor dessa glória (Hb. 1.3), e tem estas bênçãos eternamente. Tais posições leva-o a evitar as trevas pois não há comunhão entre a luz e as trevas. As bênçãos do cristão incluem o fato dele ser lavado com o sangue de Cristo, guardado de tropeçar pelo único Deus sábio que ora e intercede por ele (Jd. 1.24-25). Tais bênçãos que o leva a ser santo como Ele é santo (I Jo. 2.1-3).

Como o cristão tem todas essas bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo sabemos que se qualquer pecador deseja ter paz com Deus, somente por Cristo vem essa nova vida. Arrependei-vos e creia pela fé em Jesus Cristo!

Somente voltando à obediência, ou seja, retornando ao caminho de Luz, o seu coração estará pronto a cantar as glorias dEle, os seus pés firmarão na Rocha, o seu coração estará alegre, e o seu espírito estará alimentado com a maná do céu.

Relembrando os santos propósitos de Deus, ou seja, voltando a orar e ler as Escrituras, testemunhando de Cristo e apoiando a obra da igreja nesse mundo, encurtará o tempo disponível para cair em tentações. A mente desocupada é verdadeiramente a oficina de Satanás. Mas aquela mente ocupada no temor do Senhor é um instrumento eficaz na mão do Senhor.

Não está em Cristo? Arrependei-vos já e creia em Jesus Cristo pela fé!

Já está em Cristo? Vigiai e orai para não cairdes em tentação.

6. Resguardar o Seu Coração – Pv 4.23, “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”

A Importância do Coração

Do coração procedem tudo que concerne a vida. Disso Jesus ensinou em Mt. 15.19, “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.”

Como o coração natural é vital para ter a vida, também do coração espiritual procedem as fontes da vida espiritual. Se for verdadeiro que do coração procedem as fontes da vida pode saber que Satanás está interessado em contaminar ou controlar o que o coração pensa, medita, planeja e sente. Deus está interessado no uso do seu coração também. Ele julgará toda a obra e pensamento dele (Ec. 12.13-14). Por isso Ele ensina a todos a guardá-lo sobre tudo. O coração é a fonte de onde jorra tudo para a alma. Dele vem as ações, o centro dos princípios tantos pecaminosos quanto santos (Mt. 12.34-35). Se for purificado, é uma fonte de água viva (Jo. 4.10-11). Como vai o seu coração?

Pv 4.23, “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”

O coração é a fonte. Como a fonte, assim correm os rios. A dedicação dos mestres para formar o aluno em boas maneiras e cultura, de inculcar o conhecimento de todo ramo de ciência é perdida se o coração não for guardado. Quanta destruição e perda são ocasionadas por não vigiar o coração! Quantas vidas como a de Sansão (Juizes 14.1-4), lares como o de Eli (I Sm. 2.12), igrejas como a em Sardes (Ap. 3.1-6), e sociedades como as que foram destruídas pelo dilúvio (Gn. 7.19-24) que tinham oportunidades de serem bem-sucedidas. Porém deixaram de temer ao Senhor e apartaram os seus corações daquilo que deviam guardar! Quantas vezes perdemos o gozo do Senhor que é a nossa força (Ne. 8.10) pela falta de sermos cuidadosos para com o que habita no coração? Pela diligência redobrada é lembrada a lei do Senhor pela qual o coração pode ser guardado.

Pv 4.23, “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”

Para guardar o coração é necessário ser judicioso e prudente para com o que está no nosso coração. É necessário conhecê-lo. A Bíblia diz: O coração do homem é enganoso (Jr. 17.9; Gn. 6.5; Ec. 9.3), desviado e imundo (Sl. 53.3). Tudo que condena o homem como “os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.” vem dele (Mc. 7.21-22). Portanto, “O que confia no seu próprio coração é insensato, ...”, (Pv 28.26). Não ignore o aliado de satanás que está no seu seio! Da nossa própria concupiscência somos atraídos e engodados para cairmos nas tentações que só trazem dor e destruição (Tg 1.14, 15, “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebida, dá à luz ao pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.”). Seja sábio para com “o pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb. 12.1). Através desse somos feitos presas fáceis por Satanás.

Pv 4.23, “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”

A responsabilidade de guardar o coração é nossa, mas o sábio pede a força de Deus para conseguir a vitória (I Pe. 4.19, “Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.”; Sl. 25.20, “Guarda a minha alma, e livra-me; não me deixes confundido, porquanto confio em ti.”). O coração guardado não acontece automaticamente. Tem que ser preparado!

O Coração Preparado – Ed. 7.10, “Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do SENHOR e para cumpri-la e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos.”; II Cr. 19.3, “Boas coisas contudo se acharam em ti; porque tiraste os bosques da terra, e preparaste o teu coração para buscar a Deus.”

A preparação melhor é o arrependimento e a fé somente no Salvador e Senhor Jesus Cristo. É necessário que confiemos somente em Cristo. O caminho é único: Jo. 14.6; estreito e apertado: Mt. 7.13-14; e pela graça: Ef. 2.8-9. Já conhece essa salvação isenta de obras humanas ou eclesiásticas?

Existe muito ensino falso que procura suplementar a salvação com emoções, boas maneiras, cristianismo, ética, moral, virtudes, filosofia, boas obras e intenções. Em nenhum destes há salvação. É Jesus ou nada. O Pai se satisfaz apenas pela obra de Jesus Seu Filho. Basta para você também?

O coração preparado persevera na obediência. Devemos buscar a força de Deus para melhorar a nossa perseverança em vigiar e orar – Judas 21-24; Mt. 26.41

Vive sempre na presença do Senhor – Jo. 15.3-5

Resiste qualquer concordância com aquilo que é mundano – I Co. 6.15-20; II Co. 6.14-18

Tenha uma atitude de dependência no Senhor – Jz. 8.22-23

Controle os pensamentos: Fp 4.8, “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Assim guardamos-nos dos sentimentos que nos contaminam: paixões carnais, emoções não controladas, vontades alheias e atitudes soberbas).

Confesse os pecados regularmente ao Senhor – I Jo. 1.4-10.

Busque aquela sondagem do Senhor que estabelece no caminho – Sl. 139.23-24; II Co. 13.5.

Estabelece hábitos espirituais (culto particular, doméstico e público para ser sondado regularmente – Sl. 139.23-24)

O coração preparado é ativo naquilo que agrada a Deus: no íntimo, evangelismo, oração e estudo.

Tendo o coração preparado os seus pensamentos, os seus sentimentos e as suas ações estão imergidos no que é reto. Assim está pronto para responder corretamente às tentações.

Pv 4.23, “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”

Se não prepararmos os nossos corações faremos o que é mau naturalmente - II Cr. 12.14; 20.33

Pv 4.23, “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”

Como vai o seu coração?

Conclusão - A tentação vem (I Co. 10.13). O nosso coração nos engana (Jr. 17.9). A nossa carne nos engoda (Tg. 1.14-15). Satanás não consegue agir diferente da sua própria natureza pervertida. Ele não deseja ver Deus com a glória. Ele deseja usurpar a glória de Deus (Is 14.13, “E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.”).

Os Vencedores são os que estão no mundo mas não do mundo pois têm a salvação por Cristo – I Jo 5.4, 5, “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?”

Está brincando com o pecado? Está enganando a si mesmo achando que pode tomar fogo no seu seio sem se queimar?

O que Deus manda é: Arrependei-vos do pecado! (Mt 4.17), e crê nEle pela fé.

Não há vitória do pecado e da sua condenação de outra forma a não ser “em Cristo”. Jo 3.36, “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.”

I Co 10.13, “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.”

Bibliografia:

BRIDGES, Charles, Proverbs. Banner of Truth Trust, Carlisle, 1983.

CALVIN, John, Calvin’s Commentaries, Online Bible, version 2.00.2, jan 2006, Timnathserah Inc.

GILL, John, Bible Expositor, Online Bible, version 2.00.2, Jan 2006, Timnathserah Inc.

IRONSIDE, H. A., Expository Notes on the Gospel of Matthew. Loizeaux Brothers, Neptune, 1948.

PIERCE, Samuel Eyles, An Exposition of the Epistle of I John. Particular Baptist Press, Springfield, 2004.

TRAPP, John, John Trapp’s Commentary, Online Bible, version 2.00.2, Jan 2006, Timnathserah Inc.

 

Autor: Pastor Calvin Gardner
Correção gramatical: Edson Basilo, 12/2010.
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br