Cap 37 - Os Dons

O Porquê dos Dons Extraordinários, Sinais e Maravilhas

Introdução – Por causa da natureza do homem ser pecaminosa, por ter um coração enganoso e por Satanás sempre ter o desejo de usurpar para si mesmo o que é devido a Deus, os dons extraordinários estão freqüentemente mal entendidos. Há grande destaque e procura dos dons extraordinários por vários grupos religiosos como se os dons extraordinários estivessem necessários para adoração a Deus. Espero que este breve estudo do assunto auxilie aquele que deseja manejar bem a Palavra de Deus.

Os Sinais, Milagres e Dons Extraordinários e a Glória de Deus - Deus é soberano e faz tudo segundo a Sua vontade (Ef. 1.11, “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”; Sl. 115.3, “Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou.”; 135.6, “Tudo o que o SENHOR quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos.”). Deus tem um único propósito: Tudo deve redundar para a Sua glória (Ap. 4.11; Rm. 11.36; Is. 48.11, Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem.”). Deus nunca muda, por isso os sinais, maravilhas e dons extraordinários devem sempre glorificar Deus.

Os Sinais e os Dons Extraordinários e Cristo – Cristo é “Deus Conosco” (Mt. 1.23), a imagem do invisível (Cl. 1.15), e o resplendor da Sua glória (Hb. 1.3). Por isso a correta percepção dEle é de grande importância.

Para que Jesus fosse crido como o Messias prometido, Deus autenticou a Sua Pessoa e obra pelos dons extraordinários (Jo. 2.11, “Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.”; Jo. 5.36, “Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou.”; At. 2.22, ‘Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis;”).

Podemos entender que um dos propósitos dos sinais e os dons extraordinários é autenticação.

O Salvador que Deus autenticou com sinais é o seu Salvador? Não há nenhum outro nome pelo qual devemos sermos salvos do que Aquele que foi autenticado por Deus com sinais especiais (At. 4.12). Tenha certeza que você esteja em Cristo!

Saiba isso: Deus já autenticou a pessoa e obra de Seu Filho ao mundo e fez com que isso fosse escrito pelos homens santos escolhidos para receber o Seu sopro. Tendo aquilo sido autenticado por Deus, preservado no escrito, há necessidade em autenticar Cristo ainda hoje pelos dons extraordinários?

O necessário agora é buscar a graça de Deus para obedecermos toda Palavra de Deus e para pregarmos Cristo a toda criatura. Não espere pela profecia já cumprida pois ela não vai ser repetida. Apressa-se a pregar a toda criatura o que já foi autenticado, ou seja, declarar que a salvação está na pessoa de Cristo!

Os Dons Extraordinários e Satanás - O primeiro pecado foi por causa do querubim “ungido para cobrir” elevar-se no seu coração dizendo: “Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Is. 14.12-19; Ez. 28.11-19). Querendo ser semelhante a Deus O desonra da Sua glória e Soberania. Essa mesma atitude será outra vez vista durante a Tribulação quando o “homem do pecado, o filho da perdição” “se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.”, II Ts 2.4. Para este finalidade este “filho da perdição” usará dons extraordinários também (II Ts. 2.9; Ap. 19.20). Serão para comprovar e confirmar a sua mentira.

Considerando os dons extraordinários de Cristo e os de Satanás podemos resumir que os dons extraordinários são simplesmente para comprovar e confirmar. Deus os usou para ser crido que é o Verdadeiro de Deus e Satanás os usará para comprovar diante do mundo que ele deve ser honrado no lugar do Verdadeiro.

Depois de estar completo o cânon com tudo o que Deus quis autenticar e comprovar pelos dons extraordinários qual razão deveremos esperar mais sinais dEle? É aviso sério que existirão sinais e prodígios feitos por Satanás para enganar o mundo. É triste pensar que entre os dons extraordinários que ainda serão expostos muitos serão feitos por Satanás.

Os Sinais, As Maravilhas e a Imutabilidade de Deus – Quando o assunto da cessação dos dons extraordinários é tratado, a imutabilidade de Deus é questionada. A referência de Hebreus 13.8 (“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.”) é logo citada. Com esse versículo muitos querem provar que aquilo que Deus fez no passado Ele faz hoje ainda. É verdade que a mesma razão que Deus usou os sinais e os dons extraordinários no Velho Testamento é a mesma razão que Ele os usou no Novo Testamento. Quando Deus cura, faz milagres ou de outra forma se manifesta, Ele o faz para comprovar e confirmar a Sua divindade e para exaltar o Seu filho Jesus Cristo para a Sua glória. Deus não mudará desta razão.

Todavia Deus pode variar o método usado para operar entre os homens sem ferir a Sua essência. Trocando o Seu método não indica mudança na Sua natureza divina. Por exemplo: Ele pode usar uma vara ou uma serpente de metal para confirmar a Sua mensagem ou comprovar que um servo é dEle sem mudança da Sua própria essência.

Deus pode alterar os Seus modos de procedimento para manifestar as Suas obras especiais e não ser menos do que imutável. Ele pode usar o Tabernáculo por umas centenas de anos para habitar no meio do Seu povo (Êx. 25.8) e depois pode usar o Templo para o mesmo propósito. Se Ele decidir não usar o Tabernáculo nem o Templo para manifestar a Sua glória, mas quer usar a pregação do Seu Filho pela Sua igreja, Ele pode (Ef. 1.22-23; 3.20-21). Fazendo assim continuará sendo tão Deus quanto antes.

Empregando modos diferentes de operações para fazer a Sua vontade não fere em nada a Sua imutabilidade. Deus pode enviar o Seu Espírito Santo para comprovar que certos homens têm a Sua mensagem como fez no Velho Testamento e depois descontinuar tal maneira de comprovação. Sem tornar-se menos Deus Ele pode começar a enviar o Seu Espírito Santo para habitar plena e eternamente nos homens escolhidos por Ele como fez no Novo Testamento.

Se Deus quer glorificar-se a Si mesmo através de um homem vestido de peles e comendo gafanhotos, e depois, deseja manifestar-se a Si mesmo através da conversão de um fariseu, um hebreu de hebreus que foi criado aos pés de um respeitado mestre, Deus tem toda a liberdade. Porém, mudando os instrumentos que Ele capacita não implica uma mudança na Sua divindade.

Também, se Deus usa um jumento para falar a um dos Seus profetas nem por isso é obrigado a fazer com que todos os jumentos falem a todos os Seus mensageiros. Fazendo um caminho pelo Mar Vermelho para que Seu povo atravesse em terra seca não obrigada Deus a abrir caminho em todos os rios para Seu povo atravessar em terra seca sempre quando houver perigo. Deus fazendo as Suas obras de uma forma em uma época qualquer pode não repetir as mesmas em outra época e continuar sendo imutável.

Deus continuará sendo soberano, onipotente, e imutável mesmo que as maneiras que Ele usa para comprovar a Sua divindade e confirmar a Sua mensagem e mensageiros variam.

Deus já autenticou, confirmou e colaborou firmando a Sua verdade. Depois disso Ele fez com que tudo fosse escrito pelos homens santos escolhidos para receber o Seu sopro. Tendo tudo sido autenticado por Deus, já preservado no escrito, qual razão há para os dons extraordinários ainda existir hoje?

As Maravilhas e o Velho Testamento – O Escritor de Hebreus nos informa que antigamente Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras aos pais. Uma das maneiras que Deus falou aos pais foi pelos sinais e maravilhas. Assim foi com os patriarcas (Noé e o Arco de Deus - Gn. 9.12-17, v. 13, “O meu arco tenho posto nas nuvens; este será por sinal da aliança entre mim e a terra.”; Na vocação de Moisés - Ex. 4.1-9, vs. 4-5, “Então disse o SENHOR a Moisés: Estende a tua mão e pega-lhe pela cauda. E estendeu sua mão, e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na sua mão; Para que creiam que te apareceu o SENHOR Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.”; A Entrega da Lei - Ex. 19.10-20; Josué e Jericó - Js. 2.9-11, v. 11, “11 O que ouvindo, desfaleceu o nosso coração, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o SENHOR vosso Deus é Deus em cima nos céus e em baixo na terra.”); os juízes (300 de Gideão - Jz. 7.2-15, v. 15, “E sucedeu que, ouvindo Gideão a narração deste sonho, e a sua explicação, adorou; e voltou ao arraial de Israel, e disse: Levantai-vos, porque o SENHOR tem dado o arraial dos midianitas nas nossas mãos.”); os reis e faraós pagãos (Faraó – Ex. 14.27-31; Rm. 9.17); anjos (Balaão - Nm. 22.21-35) e profetas (Elias - Tiago 5.16-18). Ele usou artefatos (Serpente de metal - Nm. 21.8-9) e as construções (na entrega do Tabernáculo - Ex. 40.17-38; na dedicação do Templo – I Reis 8). O propósito dos dons sinais que Deus usou é para comprovar que Ele é Deus e confirmar a Sua mensagem e os Seus mensageiros. Logo entendemos o porquê dos dons extraordinários é colaboração, autenticação e confirmação.

Há grande perigo em não observar as verdades que Deus confirmou pelos dons extraordinários (Nm. 14.11-12, “E disse o SENHOR a Moisés: Até quando me provocará este povo? e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio dele? Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei; e te farei a ti povo maior e mais forte do que este.”). Confia já em Jesus “homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais” (At. 2.22)? Se não crê nessa tão grande salvação, não espere por outra. Espere pela perdição que vêm a todos que rejeitem esse Cristo.

Saiba isso: Deus já confirmou a Sua divindade muitas vezes e por muitas maneiras aos pais no Velho Testamento qual a Sua mensagem e quais são os Seus mensageiros. Depois disso Ele fez que tudo fosse escrito pelos homens santos escolhidos para receber o Seu sopro. Tendo aquilo colaborado por Deus já preservado eternamente na bíblia qual razão existe para esperarmos mais confirmações ainda hoje?

Os Sinais e o João o Batista – O escritor de Hebreus nos informa também que nestes últimos dias Deus fala pelo Seu Filho (Hb. 1.1). Os sinais e os dons extraordinários comprovam que Cristo é Deus como também confirma a Sua mensagem e os Seus mensageiros. Jesus respondeu à pergunta de João o Batista quando seus discípulos quiseram saber da veracidade de Cristo ser o Messias: “ ... Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.”, Mt. 11.4-5. Os dons extraordinários serviram como comprovação da Sua posição de Messias. Claramente os dons extraordinários eram usados para comprovar a posição devida de Jesus Cristo e confirmar que a Sua mensagem era de Deus.

Deus já comprovou a posição de Jesus ser o Messias e que a Sua mensagem era de Deus. Não muito depois disso Ele fez que tal comprovação fosse relatada pelos homens santos escolhidos para receber o Seu sopro. Tendo tudo sido comprovado por Deus preservado para hoje nós lermos, qual razão existe para comprovar tudo outra vez pelos sinais?

Os Dons Extraordinários e os Apóstolos - Jesus escolheu Seus apóstolos. Ele os enviou para pregar ao mundo o Evangelho. Jesus os capacitou para esta finalidade com os dons extraordinários (Mt. 10.1-8). Depois de Jesus ser crucificado e ressurreto, o Espírito Santo veio fazê-los lembrar tudo quanto Jesus tinha dito a eles. Ele também veio ensinar-lhes o que Jesus quis dizer pelas palavras que tinha lhes dado. Ele assim os guiou em toda verdade (João 14.26; 16.13).

Os dons extraordinários foi o cumprimento da profecia de Jesus para com estes que creram nEle: Jo. 14.12, “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.” O Senhor cooperou com estes que creram nEle especialmente e confirmou a Palavra deles com os sinais que lhes seguiram: Mc. 16.17-20 v. 20, “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém.”. Os dons extraordinários eram usados simplesmente para comprovar que estes homens eram de Deus e para confirmar que as palavras destes eram de Deus. Podemos afirmar: Comprovação é um porquê dos dons extraordinários.

Deus já confirmou com os apóstolos a Sua palavra (Mc. 16.20). Depois disso Ele fez que essa comprovação fosse escrita pelos homens santos. Tendo posto nas Escrituras o que Ele confirmou pelos apóstolos qual razão existe para ainda hoje aguardar os dons extraordinários?

Os Dons Extraordinários no Livro de Atos – O livro de Atos relata como os apóstolos cumpriram a ordem lhes dada. Este livro registra como Deus cooperou com eles confirmando com os sinais a palavra que pregaram como Ele disse que faria (Mc. 16.17-20). É interessante notar que estes dons extraordinários eram feitos somente pelos próprios apóstolos ou com aqueles com quais eles estavam ministrando (At. 2.43, “E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.”; 5.12, “E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos...”; 8.6-8, v. 6, “E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia;”; 14.3, “... falando ousadamente acerca do Senhor, o qual dava testemunho à palavra da sua graça, permitindo que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios.”; Hb. 2.4, “Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?”). Pelos dons extraordinários serem operados na sua grande maioria pelos apóstolos, seus dons eram distinguidos como sinais do apostolado (II Co. 12.12). Entendemos então que o propósito dos dons extraordinários era para autenticar, colaborar ou confirmar que estes homens escolhidos por Deus eram de Deus e que falaram a Sua verdade.

A verdade confirmada pelos dons extraordinários é suficiente para você? O Evangelho pregado por eles é do Seu Salvador? Está buscando obedecer a Sua palavra pela qual Ele glorificou o Pai? Ou está procurando fazer maiores obras do que Ele?

Os Dons Extraordinários e o Dia de Pentecostes – Pedro explicou no dia de Pentecostes (At. 2.4-47) que o que acontecia naquele dia era o cumprimento de uma parte da profecia de Joel (At. 2.16-21; Jl. 2.28-32). Neste dia: O Espírito Santo foi derramado sobre toda a carne (At. 2.5-11, integrantes de todas as nações debaixo do céu disseram: “Temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus”). No dia de Pentecostes Pedro pregou Cristo (At. 2.22-36). Pedro não pregou dons, batismos, prosperidade, curas, etc. O Espírito Santo usou essa pregação de Cristo para convencer uma multidão dos seus pecados (At. 2.37). Estes perguntaram ao Pedro: “O que devemos fazer?” É importante entender bem a resposta de Pedro. Ele não respondeu: “Buscai os dons do Espírito Santo” ou “seja batizado pelo Espírito Santo”. Todavia, ele respondeu: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado... e recebereis o dom do Espírito Santo” (At. 2.38-40).

É edificante notar que Pedro falou do dom (no singular) do Espírito Santo e não de dons (no plural) do Espírito. Isso por que no dia de Pentecostes o dom dado era o próprio Espírito Santo (At. 8.17, 20; 10.44-48; 11.17). A vinda da Pessoa do Espírito Santo cumpriu a profecia de Jesus que o Consolador viria logo depois da Sua ascensão ao Pai (Jo. 16.7; 14.26; 15.26; 16.13).

A partir deste dia o Espírito Santo veio trabalhar nos corações dos homens em larga escala publicamente (At. 2.39, “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.”)

Joel profetizou: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, ...” (Jl. 2.28). Assim o livro de Atos registra que o Espírito Santo veio “a vós”, os Judeus presentes em “Jerusalém” (At. 1.8; 2.39) no dia de pentecostes; “a vossos filhos”, os Judeus não presentes em Jerusalém, “em toda a Judéia” (At. 1.8; 2.39); “a todos os que estão longe”, os gentios que os Judeus consideram “longe” e pagão, “e Samaria” (At. 1.8; 2.39) no dia que Cornélio foi convertido (At. 10.44-46; 11.17-18); “a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar”, os de toda tribo, toda nação, toda língua e toda família nos “confins da terra” (At. 1.8; 2.39; Ap. 5.9) algo cumprido quando Paulo foi a Éfeso (At. 19.1-7).

Joel profetizou: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, ...” (Jl. 2.28). Assim o livro de Atos registra Ágabo, Barnabé, Simeão e as quatro filhas de Felipe o Evangelista cumprindo uma parte dessa profecia (At. 11.28; 13.1; 21.9,10).

Joel profetizou: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, ... os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.” (Jl. 2.28). Assim o livro de Atos registra: Ananias, Pedro, Paulo, João e outros, uns velhos e outros ainda jovens cumprindo outra parte dessa profecia (At. 9.10; 10.17; 16.9; 22.17; 26.19; 27.23).

A todos estes Judeus que estavam em Jerusalém naquela hora, depois aos seus filhos em outras cidades, aos gentios, a tantos quantos Deus chama pela Sua Palavra eficazmente, receberam o dom prometido por Jesus qual é o Espírito Santo. A promessa não era que todos receberiam todos os dons do Espírito Santo, mas que todos os que Deus chamar receberiam o próprio Espírito Santo. Os homens salvos e obedientes têm todo do Espírito Santo que podem jamais receber, pois o Espírito Santo é uma pessoa e Ele não é recebido por partes (Rm. 8.9, 16, v. 9, “... Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle.”).

Deus autenticou e colaborou com os dons extraordinários quando o Espírito Santo veio à toda carne. Tendo sido já confirmado e completamente relatado na Palavra de Deus, qual razão existe para buscar autenticação da presença do Espírito Santo ainda hoje pelos dons extraordinários? O fruto dEle deve ser presente na vida do cristão. Está na sua?

Os Dons Extraordinários e a Infância da Igreja – I Co. 13.8-11

O Dr. Félix Racy comenta essa passagem: O assunto é conhecimento. “Quando vier o que é perfeito ...”. Qual é o assunto? Conhecimento perfeito. O assunto é este, não a vinda de Cristo.

“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.”

Aqui está uma ilustração de coisas que se têm na infância, para dar lugar às coisas que vêem na maturidade. Na infância da Igreja, Deus usou de dons especiais do Espírito Santo: línguas, profecias, ciência. Mas eram dons verdadeiros. Nada de falsificação da parte do Espírito Santo. Ele produzia línguas de verdade, não falsas línguas. Mas mesmo estas coisas verdadeiras que eram dons do Espírito Santo na infância da Igreja, no começo da vida da Igreja, mesmo estes dons iriam dar lugar a uma revelação completa de um conhecimento perfeito: “Quando vier o perfeito, isto que é em parte será aniquilado”. Quando era menino eu agia como menino, agora que sou homem acabei com as coisas de criança.

Quem quiser ainda aqueles métodos que o Espírito Santo usou de revelação de Deus aos homens, está querendo voltar à infância da Igreja. Muitos querem repetir o Pentecostes hoje. Calvário não se repete. É uma vez para sempre. Assim Pentecostes também. E aqueles dons de línguas que se produziam não só na ocasião do Pentecostes, mas na ocasião em que Cornélio se converteu, na ocasião em que aqueles doze foram rebatizados, batizados de novo pelo apóstolo Paulo conforme nos diz o capitulo 19 de Atos, todas aquelas manifestações, eram da meninice da igreja. Agora a igreja está madura, e já tem o que é perfeito. Que é que faltava chegar como “perfeito” para a igreja? Qual era o próximo evento a esperar na época de Paulo? O assunto é conhecimento, não fujamos do assunto. O que faltava vir de perfeito era matéria de conhecimento. O que faltava vir? O Novo Testamento! A Bíblia completa!

Hoje a Bíblia está completa e temos o conhecimento completo, a perfeita revelação de Deus; porque procurar mais? Todos aqueles que estão procurando revelações fora da Bíblia estão dizendo, em outras palavras, que para eles a Bíblia não é suficiente, não é completa. Sim, porque se eu dissesse aos irmãos: “Eu tive um sonho, uma revelação. Atentem para o meu sonho, aquilo que Deus me mostrou, aquilo que Deus me revelou”, então eu estaria dizendo: “a Bíblia não é suficiente para os irmãos. Somem isso à Bíblia. Isso que eu tive de revelação de Deus acrescentem à sua Bíblia.” Viria um outro e diria: “Eu também tive um sonho. Acrescentem mais um à Bíblia.” Onde é que iríamos parar com essas revelações todas por aí? Onde caberiam as Bíblias que seriam escritas com todas as revelações que andam por aí, no espiritismo, e em certos cultos chamados evangélicos?

Agora que o conhecimento completo está conosco; agora que a igreja não é mais criança, qual razão existe para esperar que Deus voltará ao tempo da infância da igreja e usar os dons extraordinários para autenticar, colaborar e confirmar?

A Igreja, a Edificação e os Dons Extraordinários – I Co. 12-14. Os dons têm diversidade e são dados a alguns para serem úteis à edificação da igreja local e nunca para a grandeza daquele cristão que tem qualquer dom (I Co. 12. 4-12; 14.14, 19). O apostolo Paulo ensina a igreja local em Corinto que não há um batismo do ou pelo Espírito Santo, mas em e com o Espírito. Ele assim ensina que o Espírito Santo operou na salvação dos cristãos e trouxe estes a serem membros da igreja local pelo batismo na água e assim tornaram-se membros do corpo de Cristo (I Co. 12.13-27). Os dons extraordinários eram dados com exclusividade (I Co. 12.28-30) e eram temporários, ou seja, durante o tempo da infância da igreja (I Co. 13.8-11). Os dons extraordinários colaboraram com quem era o mensageiro de Deus e confirmaram a verdade revelada por este mensageiro.

Tendo tudo sido autenticado por Deus e preservado no escrito qual razão há para exigir que Deus faça tudo outra vez?

Os Sinais e A História - No Velho Testamento a saída do povo de Deus do Egito com sinais e o cumprimento de muitas profecias veio ser uma parte da história das operações de Deus. Também a peregrinação do povo de Deus por 40 anos no deserto, repleta de sinais e maravilhas, veio ser uma parte da história das operações de Deus. A entrada de Jesus no mundo com sinais e maravilhas veio ser uma parte da história das operações de Deus. Os sinais e maravilhas pelos apóstolos nos dias da iniciação do Evangelho fazem parte da história das operações de Deus. Também da mesma maneira o dia de Pentecostes com seus sinais e maravilhas veio ser uma parte da história das operações de Deus.

Os Dons Extraordinários e “Nestes Últimos Dias” – Hb. 1.1; 2.1-4. Deus fala nestes últimos dias pelo Filho. A mensagem da salvação foi confirmada aos que estavam com Jesus e ouviram as Suas palavras. Foi confirmado com eles pelos dons extraordinários (Mc. 16.14-20, “eles”; Hb. 2.3-4, “foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; testificando Deus com eles”). Esta grande salvação foi escrita e é preservada no cânon.

Tendo essa palavra completa (Ap. 22.18-19) a qual já foi confirmada pelos dons extraordinários, não temos necessidade outra vez de uma obra especial além das Escrituras para Deus comprovar a divindade de Jesus Cristo ou confirmar a Sua mensagem pelos Seus homens escolhidos. O que nos falta é a pregação zelosa de Cristo O Salvador, de arrependimento e a fé para a salvação e a obediência dessa Palavra de Deus diante toda criatura.

Tal grande salvação que principiou com o Senhor, confirmada por Deus pelos prodígios tem que ser crida pelos pecadores arrependidos! Se for ignorada não haverá outra salvação. Deus não poupou da perdição os anjos que cairiam. Todos que ignoram a salvação por Cristo conhecerão o mesmo fim. Arrependei-vos e creia no Evangelho!

Os que já pela fé conhecem tão grande salvação, têm a responsabilidade de obedecer a essa palavra e conformar-se à imagem de Jesus que foi autenticado pelos dons extraordinários e confirmado nas Escrituras.

O que devemos dizer dos que buscam os dons extraordinários e supostamente experimentaram-nos? Só podemos dizer que estão buscando o que já foi autenticado, comprovado, e confirmado. Portanto, é um exercício desnecessário. Além disso, estão desprezando o relatório inspirado por Deus que é completo. Podem ser enquadrados ou em Mt. 7.21-23 ou em Ap. 22.18-19.

O Espírito Santo é o Selo da salvação por Cristo e o “penhor da nossa herança” (Rm. 8.9; Ef. 1.13-14). O fruto do Espírito Santo é o comprovante de estar em Cristo (Gl. 5.22). Tem o fruto de uma pessoa salva?

Bibliografia:

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CRISP, Ron, Um Esboço do Estudo Sobre a Pessoa e Obra do Espírito Santo. Imprensa Palavra Prudente, Presidente Prudente, 2004.

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GILL, John, John Gill’s Expositor. Online Bible ver. 2.00.02, Jan 14, 2007.

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RACY, Feliz, O Dom de Línguas. Estudo Bíblico publicado exclusivamente na Internet: www.palavraprudente.com.br/estudos/variosautores/micelanea/cap10.html

RUGH, Gil, A Review of the (Nine) Temporary Spiritual Gifts., Bible Discernment Ministries, 12/97, publicado na internet: http://www.rapidnet.com/~jbeard/bdm/Psychology/char/areview.htm

WILLIAMSON, Thomas, Você Recebeu o Batismo com o Espírito Santo?, publicado na internet: http://www.palavraprudente.com.br/estudos/thomas_williamson/miselania/cap01.html

Correção gramatical: Edson Elias Basílio, 09/2009

 

Autor: Pr Calvin Gardner
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br


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