Cap 20 - O Tabernáculo

O Tabernáculo e As Cortinas de Linho Fino Torcido

Ex 26.1-6; 36.8-13

É útil estudar sobre o tabernáculo por que a nossa fé é alimentada pelo estudo de tudo que foi antes escrito (Romanos 15.4, “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.”; I Pedro 2.2, “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo”; João 5.39, “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;”). Por isso convém estudar o que diz a Bíblia sobre o tabernáculo.

Também, estudando sobre as cortinas do tabernáculo, saberemos melhor da linguagem bíblica. Quando Davi desejava edificar um templo ao Senhor, ele argumenta que ele morava em uma casa de cedro “e a arca de Deus mora dentro de cortinas” (II Sm 7.2; II Cr 17.1). A profecia da destruição de Israel dada por Jeremias menciona “as minhas cortinas” (Jr 4.20; 10.20). A cor da primeira cortina, de linho fino, era branca. É comentado que na Palestina não abunda as cabras brancas, mas abunda as negras. Por isso a cor da segunda cortina, de pêlos de cabra, é dada como negra, ou morena, por ser escura (Ct 1.5). Sem estudar sobre as cortinas do tabernáculo essas referências seriam um mistério.

Deus começou a construção do tabernáculo com as cortinas. Entendendo que elas fazem tanto uma cobertura de cima quanto uma cobertura dos lados vejamos que Ele começou a Sua construção de cima para baixo. As cortinas foram mencionadas antes das tábuas que elas cobririam. Podemos aprender disso, além da verdade que o Senhor Deus é soberano e faz o que Ele quer, aprendemos também que aquela habitação do Senhor com os pecadores, necessita principiar com Deus. Desde que não haja nada bom no homem, uma habitação de um Deus que é um Fogo Consumidor entre os pecadores precisa começar com Deus, e, juntamente, com a Sua graça.

As Cortinas são Duas: As de Linho Fino Torcido e As de Pêlos de Cabras. Essa lição cuidará das de:

Linho Fino Torcido - Ex 26.1-6; 36.8-13

No tabernáculo vejamos as glórias de Cristo de vários focos: os Seus atributos divinos e humanos (a madeira coberta de ouro), a Sua obra (o altar de bronze, os animais sacrificados, etc.), a Sua pessoa (o Sumo Sacerdote, o cordeiro, etc.) e a Sua posição diante de Deus (as vestes do Sumo Sacerdote, como o próprio sacerdote, o propiciatório, etc.). Podemos aprender que a adoração devida a Cristo é da mais excelente natureza. Por isso, o adorador não tem liberdade de inventar sua própria maneira de adorar ou de modificá-la com a cultura de qualquer país. Deus deve ser adorado na maneira que Ele rege. Ele especificou que essa adoração, como Divino, deve ser “em espírito e em verdade” (Jo 4.23, 24). Dessa maneira o homem natural não pode nunca O adorar (Rm 8.7, 8; I Co 2.14). Com a regeneração, o homem torna a ter vivificado o seu espírito, ou seja, o homem novo (Ef 2.1-5; Rm 7.22; Cl 3.10). Através dessa nova natureza espiritual, a adoração devida ao Deus que é Espírito está dada. Relembrando-nos das glórias de Cristo representadas pelo tabernáculo, entendemos que a adoração a Cristo pede mãos santas (Sl 15.1-5; I Tm 2.8), reverência (Sl 27.4) pureza de coração e a mortificação de qualquer hábito, associação, pensamento, ou ação que poderia poluir a adoração de Deus. As cortinas de linho fino torcido enforcarão ainda mais essa santa maneira de adorar ao Senhor.

“E o tabernáculo farás de dez cortinas de linho fino torcido, e azul, púrpura, e carmesim; com querubins as fará de obra esmerada” (v. 1). Assim começam as instruções para as cortinas, das quais são duas, essa de linho fino, e a outra sobre essa, de pêlos de cabra (v.7). A cortina de pêlos de cabra faz parte da “tenda” (v. 7). A cortina de linho fino faz parte do tabernáculo (v. 1). Aquilo que a cortina de linho fino torcido significa, é fundamental para a somatória do tabernáculo. As cortinas não fazem parte do tabernáculo, mas são o tabernáculo.

As cortinas de linho fino torcido eram dez no total. Cada uma das dez foi enlaçada uma com a outra com cinqüenta “laçadas de azul na orla de uma cortina, na extremidade, e na juntura” (v. 4). Com cinqüenta “colchetes de ouro” as cortinas eram ajuntadas, uma a outra, “e será um tabernáculo” (v. 6), ou melhor, uma peça só.

O Material - “E o tabernáculo farás de dez cortinas de linho fino torcido, e azul, púrpura, e carmesim; com querubins as farás de obra esmerada”, (26.1).

O Significado

O Linho Fino Torcido, nota, não é somente linho, mas linho fino, e este, torcido. Este linho fino torcido era superior e especial de qualquer outro linho. O significado de linho fino é dado em Apocalipse 19.8, “as justiças dos santos”. Quando se vê o linho fino em qualquer lugar no tabernáculo, seja na cerca, as vestes ou nas cortinas, lembre-se que apontam às “justiças dos santos”. Talvez se pergunte: Pensei que o tabernáculo aponta a Cristo! Como pode o linho fino apontar às justiças de qualquer outro a não ser de Cristo?

A pergunta é boa, mas a resposta é ainda melhor. Essa resposta ajuntará tudo que o tabernáculo é, pois essas cortinas são o tabernáculo. O homem não tem diante de Deus uma só justiça nenhuma (Sl 14.3; Rm 3.10, “Não há um justo, nem um sequer.”) e as nossas tentativas de fazermos justiças próprias para merecer algo diante de Deus são, para Ele, “como trapo da imundícia” (Is 64.6; Lu 16.15, “E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações, porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação”; Rm 10.3, “Procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus”). Se o homem pecador tiver qualquer justiça diante de Deus, é prova que este homem tornou-se um santo, ou quer dizer, tem sido santificado. O linho fino aponta às justiças dos santos. O homem pecador torna-se santo quando ele se arrepende dos seus pecados e crê no Senhor Jesus Cristo, o seu Salvador. É nesse ato os homens pecadores evidenciam ser em Cristo, e, portanto, “feitos justiça de Deus” (II Co 5.21). Essas justiças são consideradas “dos santos” não por que as justiças originaram deles, mas por que os santos, os lavados pelo sangue de Cristo, são os recipientes das justiças de Cristo. São “dos santos” por estes lavados pelo sangue são os que são declarados santos por Deus (Ap 7.14, “E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro”; Fl 3.9, “E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé;”; At 13.39; I Co 6.11). Então, a justificação do pecador diante de Deus por Cristo é a possessão abençoada e o adorno exclusivo dos santos, uma declaração aberta da graça de Deus (Rm 3.24-28) e uma testemunha forte à obra de Cristo. As cortinas de linho fino torcido do tabernáculo apontam tanto às justiças dos santos quanto às justiças de Cristo, pois Sua justiça é imputada aos que crêem de um coração preparado pelo Espírito de Deus (II Co 5.21). Nesse sentido, todo o propósito de construir o tabernáculo, para Deus habitar no meio do Seu povo, é representado pelas cortinas de linho fino torcido. O homem é feito justo pela obra satisfatória de Cristo, e, assim Deus habita com ele.

As justiças dos santos são claras testemunhas das justiças de Cristo, pois por Seu sangue (I Pe 1.18,19) e pela graça de Deus, qualquer pecador arrependido com fé nEste Salvador, é feito justo como Ele é justo. Isso nos ensina da nossa responsabilidade de praticar justiça, ou seja, viver uma vida ao nível de um justificado (Ez 18.5-9; Rm 2.13, “Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados”; I Jo 3:7, “Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica justiça é justo, assim como ele é justo”).

A justiça de Cristo foi exemplificada na Sua obediência perfeita à Lei de Moisés e a tudo que o Pai O deu para fazer (Jo 17.4, “tendo consumado a obra que Me destes a fazer”; Fl 2.8, “obediente até à morte”) Essa perfeita obediência foi desde o Seu nascimento (Lu 2.27), O acompanhou pela Sua juventude (Lu 2.49, 52), e foi duramente provada no deserto por Satanás quando adulto (Lu 4.1-13). Pelo Seu ministério, mesmo comendo com pecadores, tocando os doentes e os mortos Ele não Se sujou mas continuou sem pecado e, portanto, justo. A justiça da perfeita obediência de Cristo, mesmo morrendo a morte de um amaldiçoado, foi confessada tanto pelo malfeitor agraciado (Lu 23.40, “Este nenhum mal fez”) quanto pelo centurião (Lu 23.47, “Na verdade, este homem era justo”).

Então, enquanto o sacerdote ministrava no tabernáculo, a justiça de Cristo, pelas cortinas de linho fino torcido sendo ao seu redor e ao alto no forro, foi testificada e pregada. A mensagem proclamada por essas cortinas é: qualquer serviço a Deus somente é possível se primeiro o servo do Senhor tenha sido lavado pelo sangue de Cristo e feito justo “como Ele é Justo”.

O Material Necessário Foi Suprido pelas Obras das Mãos das Mulheres

Com o azul, púrpura, e carmesim essas cortinas de linho fino torcido foram, junto com os querubins bordados nelas, uma obra esmerada foi produzida. Essa obra seria impossível se não fosse a obra das mulheres sábias. Elas, nas suas casas, “fiavam com as suas mãos o azul e a púrpura, o carmesim e o linho fino”, Ex 35.25. Depois elas “traziam o que tinham fiado” para a obra que o SENHOR ordenara que fosse feita pela mão de Moisés. A ajuda que as mulheres fizeram para o tabernáculo foi importante. Foi também primeiramente preparada nas suas casas. Isto é uma lição para as mulheres de hoje que desejam fazer a sua parte importante para a obra do SENHOR, ou seja, para a Sua casa. A lição indispensável é esta: que elas preparem primeiramente, com as suas mãos, nas suas casas, tudo que era ao alcance e responsabilidade delas. Tendo trabalhado nisso, elas depois traziam à casa de Deus o fruto do trabalho das suas mãos. Assim a adoração de todos na casa de Deus foi facilitada. Que seja assim hoje! Que as mulheres, nas suas casas, tenham os seus filhos bem treinados na doutrina e admoestação do Senhor que o marido tem instruído (Ef 6.4). Que os filhos e o marido sejam vestidos com a roupa limpa e passada que ela tem preparada antemão (Pv 31.19-22). Que a reverência e a ordem necessárias no culto sejam ensinadas aos filhos nos lares pelas mães, para que a adoração do Senhor seja dada como o Senhor deseja (Hc 2.20; I Co 14.40). Que elas, pelo seu comportamento e submissão às suas cabeças, adoram-se a si mesmas primeiramente e perfumem as suas casas com aquele cheiro suave de um espírito precioso a Deus, ou seja, um espírito de um coração manso e quieto (I Pe 3.1-6). Que elas, nos seus aposentos em casa, com as portas fechadas, preparem os seus corações pela oração em prol de si mesma, dos cultos, rogando pela salvação dos da sua família, e orando pelos outros da congregação. Nessas maneiras, com as obras das suas mãos, preparando tudo ao seu alcance, nas suas casas, as mulheres hoje trazem a sua participação na obra da casa de Deus. Essas obras importantes das mulheres testemunham de Cristo hoje, como as cortinas de linho fino torcido, com as cores, preparadas pelas mulheres sábias testemunharam de Cristo no passado no tabernáculo.

O Adorno das Cortinas - "com querubins as farás de obra esmerada”, Ex 26.1.

Os querubins são anjos, que nas suas primeiras presenças relatadas na bíblia foram para representar a severidade do juízo de Deus (“para guardar o caminho da árvore da vida”, Gn 3.24). Guardar no Hebraico significa observar, vigiar. Eles estavam ali para impedir Adão e Eva de retornarem e participarem da árvore da vida. Aqui no Tabernáculo, a representação dos querubins nessas cortinas, tipifica a supervisão da severidade do juízo de Deus sobre tudo o que ocorre dentro do Santuário. Portanto, tenha o mais maduro temor de Deus quando se entra na casa de Deus para adorar a Deus.

Também, os querubins estão entre aqueles no céu que dobram o joelho em reconhecimento ao Senhorio de Cristo (Fl 2.10; Ap 5.11-14). Portanto é manifesta pelas presenças dos querubins nessa cortina a verdade que Cristo é verdadeiramente o Cabeça de todas as coisas da igreja (R. Crisp).

Resumindo, através dessa cortina interior, a justiça de Cristo e as justiças dos santos imputadas ao pecador arrependido pelo sangue de Cristo são gloriosamente manifestas. A divindade (azul) de Cristo, a Sua posição de Rei (púrpura), e o Seu sacrifício sofredor (carmesim) junto com a glória da Sua Soberania e do Seu juízo perfeito (querubins) são gloriosamente relembrados por aquele que está dentro do tabernáculo. E por estes somente. Os de fora não vejam nada destas glórias magnificentes. Isso nos lembra que o homem natural não pode perceber a sua própria condição pecaminosa nem as obras de justiça feitas por Cristo para com o pecador por este ser espiritualmente cego (I Co 2.14; II Co 4.3, 4). Todavia, para os que crêem, Cristo é precioso (I Pe 2:7, “E assim para vós, os que credes, é preciosa”).

O que você vê quando olha para o Cristo? Se deseja ter as justiças de Cristo imputadas à sua conta, se arrependa dos seus pecados e creia em Cristo, O Salvador dos pecadores

 

Autor: Pr Calvin Gardner
Ortografia e correção grammatical: Brenda Lia de Miranda 04/2007
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br