Verdades Eclesiásticas

Capitulo 6 - CONCEITOS ERRADOS A RESPEITO DAS CARTAS ENTRE IGREJAS

CONCEITOS ERRADOS A RESPEITO DAS CARTAS ENTRE IGREJAS

Fica óbvio que muitas pessoas têm conceitos errados a respeito das cartas entre igrejas quando consideramos os pedidos que são feitos com relação a elas. Por exemplo, o membro que escreve pedindo uma carta de uma igreja que ele não tem frequentado nem mesmo correspondido à ela por uns trinta ou quarenta anos. Ou o membro impulsivo de igreja que, num momento de irritação acerca d’alguma coisa insignificante, passa pelo escritório do pastor para "pegar minha carta entre igrejas." Ou ainda, a pessoa que, ao deixar a comunidade, pede uma carta entre igrejas da igreja, apenas para levá-la para casa e guardá-la em sua Bíblia empoeirada, em seu baú, ou em outro lugar qualquer, e depois não apresenta a carta a uma outra igreja por muitos meses ou mesmo anos.

As cartas entre igrejas certamente têm o seu lugar, e são muito úteis, mas às vezes sofrem abusos, e, ainda mais, são geralmente mal entendidas. Conseqüentemente será nosso esforço examinar este assunto neste artigo, e determinar de uma forma clara o que são as cartas entre igrejas, suas limitações, os abusos feitos com elas, e as responsabilidades no uso delas. Ao tratar deste assunto há quatro coisas que desejamos observar. A primeira delas é -

O QUE SÃO AS CARTAS ENTRE IGREJAS?

Talvez a melhor designação para estas seria "cartas de recomendação," pois isto é exatamente o que elas são. Uma carta entre igrejas é simplesmente uma carta de uma igreja para outra recomendando um membro à irmandade da segunda igreja, e declarando que a pessoa recomendada está em situação regular na igreja, não acusada de qualquer coisa que merece uma ação disciplinaria da igreja.

Uma carta da igreja sendo uma recomendação de um indivíduo de uma igreja à outra, a própria natureza dela não pode ter relevância alguma a qualquer um, a não ser entre as duas igrejas envolvidas. É uma recomendação do caráter e do andar de um Cristão em particular, e por esta razão, não diz nada a respeito do caráter da igreja à qual ele é recomendado além do fato que ela é reconhecida como uma igreja co-irmã, e conseqüentemente, uma verdadeira igreja Neotestamentária. Este é o motivo pelo qual as igrejas Batistas trocam cartas entre igrejas co-irmãs mesmo quando não concordam entre si em todos os pontos, e porquê não trocam cartas com as igrejas Protestantes ou Católicas. Reconhecem que muitas das igrejas Protestantes podem consistir de muitas pessoas salvas, mas tem uma origem e batismo defeituosos (batismo neotestamentário envolve mais do que apenas imersão para ser correto) elas não podem ser reconhecidas como igrejas Neotestamentárias. Sendo salvo não garanta membresia. É verdade que não afetaria o status eclesiástico de uma igreja Batista ao recomendar alguém à irmandade de uma igreja estranha, mas tal ação sustentaria a expectativa de uma aceitação recíproca para com um membro da igreja estranha. E isto certamente teria um efeito danoso para qualquer igreja Batista que assim faz. Conseqüentemente a consistência exige a recusa tanto em ceder quanto em receber tais cartas de recomendação oriundas de igrejas estranhas.

Um dos propósitos das cartas entre igrejas é manter a ação disciplinar das igrejas. Se os membros fossem aceitos nas igrejas baseadas simplesmente nas declarações destes que desejam ser membros haveria grande potencial para o mal. Pois então cada Cristão carnal que tivesse sido excluído de uma igreja por impiedade ou heresia, poderia simplesmente ir para uma outra igreja, proclamando-se um cristão bom e espiritual, e teria que ser recebido como um membro. Então, conforme o que seria natural, ele repetiria a sua impiedade em mais uma igreja. Mas onde uma carta de recomendações é requerida de uma pessoa antes que ela seja recebida numa igreja, o perigo de tais coisas será grandemente reduzido.

É uma triste verdade que muitas igrejas, em seu zelo por números, põem de lado a disciplina das igrejas co-irmãs quando propositalmente recebem membros excluídos de outras igrejas sem requerer que o membro excluído corrija a sua situação com a primeira igreja. Mas tal ação não é correta e nem bíblica, e a igreja que assim faz deve responder ao Senhor por isto. Mas se cada igreja requeresse cartas de recomendações das igrejas co-irmãs antes de aceitar novos membros, e somente fizesse exceção a esta regra após uma completa verificação das circunstâncias que tornaram impossível àquela pessoa obter uma carta de recomendação, então diminuiria e muito da destruição das igrejas por pessoas mundanas que se mudam de igreja em igreja como andarilhos maldosos destruindo uma igreja após outra.

A recomendação deve ser entre igrejas irmãs, daí o nome "cartas da igreja," que traz a tona um outro ponto: estas são cartas da igreja, e assim, nenhum indivíduo tem o direito de escrevê-las, exceto pela autoridade da igreja. Nem o pastor, nem o secretario da igreja, nem os diáconos nem qualquer pessoa têm o direito de escrever tal carta entre igrejas para um indivíduo juntar-se a uma outra igreja. Tais pessoas são todas servos da igreja, e não têm autoridade alguma para agir a menos que autorizado pela igreja. A exceção possível seria se tal fosse conhecida e reconhecida para ser nada mais do que uma recomendação individual. Contudo é difícil conceber de qualquer modo um exemplo que justifique isto, a menos que a igreja que o pretendente tenha sido um membro tivesse deixado de existir de modo que uma carta não pudesse mais ser obtida dessa igreja. Talvez então um cristão individual, conhecido e respeitado pela igreja onde a membresia é desejada, pudesse escrever tal carta. Mas mesmo esta situação somente poderia vir a ocorrer pelo pecado de negligência por parte do pretendente. Pois seu dever era transferir sua filiação para uma outra igreja no momento que a primeira igreja contemplava deixar de existir, e quando uma carta entre igrejas poderia ainda ser obtida dela. Mas em nenhum dos casos, tal carta, escrita por um indivíduo, não seria "uma carta da igreja," que é o que estamos contemplando agora.

Os Batistas às vezes têm sido criticados por seu uso das cartas entre igrejas, como se fossem nada mais do que meras invenções humanas. Estas críticas não vêm somente de fora, mas mesmo de Batistas mal informados. Alguns anos atrás este escritor trocou correspondência com um Batista de um outro país que não era abençoado muitas igrejas Batistas. Tendo lido as notas dele sobre as cartas da igreja em seus livretos sobre as Verdades Eclesiásticas, ele não poderia perceber nenhuma razão na troca de cartas eclesiásticas entre igrejas Batistas, e era resistente à qualquer ideia que a Escritura justificasse o uso delas. Ele estava julgando tudo com base em sua própria situação local. E havia alguma validade em sua visão somente por causa do menor número de igrejas Batistas em seu país, e o fato de que eram conhecidas umas das outras bem melhor do que aqui nos Estados Unidos. Mas aqui nos EUA, tem havido tal proliferação das assim chamadas igrejas "Batistas", de toda sorte de boa e má qualidade, que é imperativo o cuidado que deve ser exercitado na troca de membros das igrejas. Infelizmente, nem toda congregação que se chama Igreja Batista é uma na realidade. Algumas são verdadeiras "sinagogas de Satanás," do mesmo modo como eram algumas das assembléias na Ásia, Apocalipse. 2:9; 3:9.

But however well intentioned we may be, nothing justifies human inventiveness in spiritual matters. We must have a "thus saith the Lord" for all of our religious practices else they become nothing more than man’s foolish foibles. In the light of the criticism of Baptist churches for their use of church letters it behooves us to consider—

Entretanto, por mais bem-intencionados que possamos ser nada justifica que tomemos liberdades em assuntos espirituais. Devemos ter um "assim diz o Senhor" para todas nossas práticas religiosas antes que elas se transformam em tolas excentricidades humanas. Na luz das críticas das igrejas Batistas pelo uso das cartas da igreja nos convém considerar -

I. AS CARTAS DA IGREJA SÃO ESCRITURÍSTICAS?

Em primeiro lugar, observamos que para honrar as ações disciplinares das igrejas irmãs, necessitamos uma forma de comunicação entre igrejas sobre o intercâmbio dos membros. Conseqüentemente, as cartas eclesiasticas são o resultado necessário dos princípios bíblicos que alicercem as igrejas Batistas. Já nos referimos a isto na nossa primeira divisão. Entretanto, nem sempre é aconselhável se alicercer uma prática apenas em princípios, pois elementos errôneos podem infiltrar nos princípios básicos de uma igreja e pode, sob determinadas circunstâncias, resultar em erro. Devemos, portanto indagar se existem passagens bíblicas que tratam o intercâmbio de cartas entre igrejas. A resposta é um muito enfático Sim!

Ao escrever à igreja em Roma, Paulo faz uma recomendação muito elevada a Febe, uma diaconisa (como está no Grego) da igreja em Cencréia. "Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve (diakonon do Grego, uma forma feminina do substantivo usado três vezes em Atos 6:1-6, e uma vez em Filipenses 1:1) na igreja que está em Cencréia, para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo," Romanos 16:1-2. Aqui estão todas as partes necessárias de uma carta da igreja: 1 - É uma recomendação à igreja em Roma; 2 - É a recomendação de alguém que era membro da igreja em Cencréia, mas que estava se mudando para Roma; 3 – Testificava de seu caráter; 4 – Testificava também de sua posição oficial na igreja de Cencréia; 5 - A única diferença entre esta carta entre igrejas e as de hoje é que esta foi enviada por um apóstolo, não pela igreja em Cencréia. Entretanto, aquele que enviou esta, tinha "o cuidado de todas as igrejas [Gentias]" comissionado a ele, 2 Coríntios 11:28, e tinha conseqüentemente a autoridade para fazer tais coisas. Os apóstolos tinham determinada autoridade dada a eles como Paulo mesmo testifica, 2 Coríntios 10:8, mas eles raramente exercitavam isto, escolheram no lugar diss a admoestar as igrejas, e encorajá-las a exercitar a autoridade que lhes fora comissionada. Com a morte do último apóstolo, as igrejas transformaram-se nos únicos tribunais religiosos no mundo de modo que nunca mais poderia existir recomendações apostólicas de irmãos fiéis.

Outra passagem que nos diz algo sobre as cartas eclesiasticas se encontra no livro de Filemom. Onésimo tinha sido um escravo do Filemom. Evidentemente ele tinha roubado algum dinheiro de seu mestre e tinha fugido, mas em suas viagens este foi a Roma, ouviu Paulo pregar e foi convertido e batizado. Quando Paulo conheceu os detalhes da sua vida anterior, embora ele tivesse sido transformado num amado irmão e um cooperador da verdade, enviou-o de volta a seu mestre. Todavia num novo relacionamento, “não já como servo, antes, mais do que servo, como um irmão amado, especialmente a mim, e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor? Assim, pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo” VS. 16-17. Se alguém fizer qualquer objeção que esta era simplesmente uma carta pessoal de um indivíduo para outro nós respondemos como já temos respondido, que Paulo escreveu com autoridade apostólica, e o livro de Filemom não está introduzido no Canôn das Escrituras sem boa causa. Mas o destinatário do livro é para ser notado. Foi escrito “ao amado Filemom, nosso cooperador, e à nossa amada Afia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa,” vs. 1-2.

Acredita-se que Afia era esposa de Filemon (tanto o nome quanto "amada" estão na forma feminina), e que Arquipo era seu filho, e o pastor da igreja destinatária. Seja como for, esta epístola teve igual peso para com a igreja, pois foi a ela dirigida como também a alguns dos membros individuais dela. As igrejas hoje recebem frequentemente cartas que são dirigidas ao tesoureiro, ao secretário da igreja, ao pastor, etc., mas quais são obviamente dirigidas a própria igreja pois se tratam das ofertas missionárias, das cartas entre igrejas e com outros assuntos relacionados com a igreja. Este era o caso com a carta em discussão. Nela Paulo recomendou um escravo convertido: 1 - à seu mestre; 2 – à comunhão da igreja que se encontrava na casa de Filemon; 3 - como um crente nascido de novo; 4 - como um cristão que era agora "a ti e a mim muito útil" no ministério; verso 11.

Mas se houver outros que rejeitam isto como uma confirmação da questão das cartas entre igrejas, vamos passar para uma evidência ainda mais forte. Paulo escreveu à igreja em Corinto, " Porventura começamos outra vez a louvar-nos a nós mesmos? Ou necessitamos, como alguns, de cartas entre igrejas para vós, ou entre igrejas de vós?" 2 Coríntios 3:1.

Paulo tinha trabalhado entre os Corintos por um período de tempo considerável, Atos 18:11,18, e foi bem conhecido por eles. Ele não necessitava, portanto, de carta alguma entre igrejas para eles. As cartas entre igrejas são primeiramente para aqueles que são desconhecidos da igreja a qual desejam se ajuntar. No caso de um homem que uma vez tinha sido um membro e foi ausente mas desejoso em se ajuntar com a igreja quando voltou, uma carta entre igrejas provavelmente não seria necessária. Entretanto, neste caso, quando ele se ajunta com a sua primeira igreja, seria necessário do ponto de vista da cortesia notificar a igreja onde tinha sido membro de modo que pudessem atualizar o seu rol de membros concernente a ele.

Embora Paulo negasse a necessidade de uma carta de recomendação para ele mesmo, ele declarou manifestamente que as cartas de recomendação eram necessárias no caso de alguns, pois ele diz "necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação..." (II Co. 3.1) Obviamente ele julgou que havia alguns crentes que, sendo desconhecidos à igreja em Corinto, necessitariam cartas de recomendação antes que eles pudessem se unir com a igreja.

Mas a evidência é ainda mais forte. "Querendo ele passar à Acaia, o animaram os irmãos, e escreveram aos discípulos que o recebessem; o qual, tendo chegado, aproveitou muito aos que pela graça criam," Atos 18:27. Aqui, como antes, nós temos todos os elementos que constituem uma carta de recomendação, e um que é o exemplo perfeito para as igrejas hoje: 1 - Apolo estava a ponto de passar de Éfeso para Acaia (provavelmente a Corinto, 19:1); 2 - a igreja em Éfeso deu-lhe uma carta de recomendação; 3 - a recomendação era para que “o recebecem;” 4 - Esta foi enviada aos "discípulos" ou à igreja em Corinto.

Eis aqui não um, mas vários exemplos Escriturísticos do uso das cartas de recomendação pelas igrejas do Novo Testamento. Os exemplos apostólicos são tão obrigatórios quanto os preceitos quando não existe nenhum preceito ao contrario, que é o caso aqui. Se tivesse um único exemplo de uma carta de recomendação, tal exemplo seria obrigatório a nós hoje se ele não violasse nenhum preceito da Escritura. Mas não existe apenas um exemplo. Existem vários. Mesmo assim há frequentemente abusos relacionados com este assunto, e conseqüentemente, nos convém chegar ao pensamento central deste artigo, que é:

II. CONCEITOS ERRADOS AO RESPEITO E OS ABUSOS DAS CARTAS ENTRE IGREJAS.

Algumas pessoas têm idéias equivocadas a respeito dos deveres envolvidos como membros de uma igreja, e consequentemente extraem conclusões errôneas a respeito das cartas entre igrejas. Uma pessoa que por anos não tem assistido e nem apoiado financeiramente a igreja da qual é um membro, pensa que a igreja deveria lhe dar uma carta de recomendação instantâneamente. Mas como pode qualquer igreja recomendar uma pessoa como tendo um testemunho normal na igreja quando ela não tem o visto por tanto tempo?

Conseqüentemente, a idéia que algumas pessoas têm que uma igreja está obrigada a dar-lhes uma carta entre igrejas em qualquer altura que desejem está baseada numa má interpretação do que realmente é uma carta de recomendação. Tem sido a prática de alguns, quando são chamados a comparecer diante da igreja para uma ação disciplinar, correr apressadamente para uma outra igreja e juntar-se com a promessa de uma carta, pensando desse modo em escapar das consequências de sua impiedade. Mas sob tais circunstâncias carta de recomendação alguma poderia possivelmente ser recebida até que o mal original fosse expurgado. Algumas igrejas, entretanto, aceitam tolamente tais pessoas por aclamação, estando dispostas a arriscar que tal pessoa incite os mesmos problemas em sua igreja se pelo menos ganhe maior número de membros. Ao mesmo tempo, outras igrejas que têm tais membros problemáticos que fogem para juntar-se a uma outra igreja quando são citados por seu mal, concedem uma carta a fim se livrar deles ao invés de tomar as ações disciplinares necessárias. Isto não é correto, porque aprova o pecado do membro pecador, e torna-lhe possível repetir seu mau na próxima igreja. A ninguém que tenha violado o pacto da igreja deve ser permitido escapar a justa censura por seu mal.

Outra má interpretação a respeito das cartas entre igrejas é notada quando alguem se une a igreja, pensem que uma carta de recomendação é imediatamente escrita ao seu respeito e arquivada num local, e está acessível a qualquer momento que pedir. Este escritor tem tido mais do que um membro na igreja que se dirige à “casa pastoral” ou escritório da igreja, querendo "pegar minha carta de recomendação." Em cada caso foi explicado que o pastor além de não ter, nem estava autorizado a escrever tal carta entre igrejas para o individuo juntar-se com outra igreja. Na maioria desses casos tais pessoas vao-se embora desiludidas a respeito de sua carta, e talvez convencidas que o pastor não quis deixá-la ter sua carta por vingança pessoal.

No Novo Testamento, como já temos visto, somente há dois exemplos de autoridade para a concessão de cartas da igreja – um apóstolo, e uma igreja Neotestamentária – e somente um destes existe hoje. Somente uma igreja durante uma reunião de negocios pode autorizar uma carta de recomendação para um membro se juntar a outra igreja. Membros da igreja necessitam tirar de suas cabeças tal idéia que diz que toda vez que ficarem aborrecidos sobre algo, ou quiserem vingar o pastor, eles podem "pegar suas cartas de recomendação" e levá-las para casa e guardá-las nas suas bíblias ou cofres.

Isto traz a tona outra má interpretação comum. Por causa das práticas negligentes das igrejas do passado, muitas pessoas pensam que podem obter suas cartas de recomendação e guardá-las em qualquer local em suas casas e usá-las sempre que lhes convier, mesmo anos depois. Os exemplos no Novo Testamento não aprovam isto. Em cada caso de uma carta de recomendação no Novo Testamento ela é dirigida a alguma igreja específica, e era enviada da maneira mais direta possível a essa igreja. Frequentemente elas eram entregues nas mãos da pessoa recomendada, a qual a transportava até a igreja que desejava se juntar. Mas eram sempre endereçadas especificamente, e levadas diretamente àquela igreja. Em tempos mais recentes, tais cartas entre igrejas têm sido enviadas por correio como regra geral. E com a nossa moderna tecnologia, com mais e mais pastores e igrejas tendo E-mail, isto pode mesmo ser feito mais rapidamente e eficientemente. No último século ou mais ainda não era muito comum entregar "cartas em mãos" para os próprios membros transportá-las. Entretanto, não há nada errado em entregar cartas “em mãos” desde que sejam escritas apropriadamente. Veja mais sobre isto abaixo. Na mudança de pastorado mais recente deste escritor, as igrejas que ele estava deixando concedeu-lhe cartas para si e sua família permitindo ser transportadas “em mãos” à próxima igreja de modo que pudesse na maneira mais eficientemente na obra pelo fato de sua qualidade de membro ser transferida imediatamente.

É um abuso destas cartas eclesiasticas para uma igreja concede cartas de recomendação endereçadas a nenhuma igreja em particular – algo como "a quem possa interessar"- e as entrega nas mãos do membro recomendado. Este abuso é o que tem conduzido muitos batistas a guardar suas cartas em casa ou colocá-las numa Bíblia sem uso, num baú, ou em qualquer outro lugar, e não usá-la por anos, ou em muitas casos, nunca.

Não é racional para uma igreja recomendar um homem a seu baú ou Bíblia ou outro lugar seguro. Uma igreja somente pode recomendar um membro a outra igreja. Nem pode uma igreja dar uma carta de recomendação sobre o caráter, a conduta ou a sã doutrina de um membro da igreja por meses ou anos depois. Assim, se as cartas da igreja não são enviadas diretamente a uma igreja específica, devem ser datadas, e devem ser válidas somente para um período de tempo especificado. Muito anos atrás, na época da abertura da fronteira, quando os meios de comunicação eram muito lentos, e as pessoas mudavam-se das áreas colonizadas para a fronteira, cartas eram frequentemente entregues nas mãos daqueles que se mudavam para outra parte do país. E mesmo hoje pode ser necessário dar cartas de recomendação nas mãos dos membros que partem, como por exemplo, quando uma igreja está se dissolvendo, e os membros não sabem onde irão se agregar. Mas tais cartas deveriam ser todas, como eram naquelas da época da fronteira, datadas, e com validade especificada por um tempo limitado, tal como de três a seis meses. A falha torna-se ativa numa outra igreja dentro deste período de tempo geralmente indicando pecado de negligência

Antes dos dias dos modernos formulários impressos para as cartas de recomendação e outros documentos da igreja, a maioria dos Manuais e Diretórios da Igreja Batista tinham exemplos padrões que poderiam ser copiadas por um secretário da igreja e usada ou para pedir uma carta de recomendação ou conceder uma. E estes formulários geralmente evidenciavam uma data limite a fim de mostrar o tempo de validade. Veja o Manual da Igreja de J. M. Pendleton, o Novo Diretório Para Igrejas Batistas de Hiscox, e outros. Algumas igrejas menos formais ainda usam estes formulários.

Outra compreensão errada que conduz ao abuso, a qual relaciona com o que já foi dito, é que uma carta entre igrejas, não importando quanto tempo ela ficou dentro da Bíblia ou baú, é tida valiosa tão boa quanto ouro quando apresentada para agregar-se a uma igreja. A falácia disto será percebida facilmente quando consideramos que uma pessoa que era irrepreensível na conduta e na fé no momento que a carta foi emitida, pode ter se tornado culpada de toda sorte de má conduta e heresia durante os meses e os anos quando fora da membresia. Qualquer carta de recomendação que tenha mais de seis meses é basicamente inútil, pois durante um período mais longo do que o recomendado o membro pode ter-se tornado reincidente, imoral, herético e quem sabe o que mais. É uma triste verdade que frequentemente a falha ao transferir a membresia de alguém para o lugar onde ele reside para se tornar ativo numa igreja é andar de mãos dadas com a reincidência.

Do que temos notado está claro que as más interpretações frequentemente resultam em abusos destas cartas entre igrejas, e são frequentemente abusos e não apenas negligências inocentes. Tais abusos devem resultar de uma destas duas coisas – ou de ignorância ou uma rejeição de responsabilidade para com a igreja. A maioria das igrejas Batistas usa o Pacto da Igreja Batista. No último parágrafo deste lê-se: "Ainda comprometemo-nos que quando mudamos deste local, nós nos uniremos o mais breve possível com outra igreja, onde possamos realizar o espírito deste pacto e os princípios da Palavra de Deus." O que saibamos, nenhuma outra denominação tem um pacto tal como este. Conseqüentemente, isto nada mais é do que uma promessa de continuar a ser fiel numa igreja Batista quando se muda para outra localidade. Quando um Batista se muda para uma nova localidade e não se esforça para encontrar uma igreja e se unir a ela, ou se ele pedir sua carta mas a guardar em casa e nunca a usar, ele tem violado o pacto da Igreja ao qual concordou quando se tornou um Batista.

É também um sério equivoco acerca do que realmente serve uma carta de recomendação por ter alguns que pode se juntar a uma igreja de uma fé diferente e ainda receber uma carta de recomendação da sua igreja Batista. O Protestantismo parece ser mais "tolerante" pois está disposto a receber pessoas por carta de qualquer e de todas as denominações em sua membresia, e eles sempre acusam os Batistas de fanatismo por causa de sua posição restrita. Mas a verdade é que aquele homem que nada tem a perder e tudo a ganhar daqueles que ele recebe em sua confraternidade não olhará intimamente para o caráter de seus companheiros. Por outro lado, o homem com dinheiro em seu bolso e jóias em suas mãos será bem mais escrupuloso acerca do tipo de pessoas com quem se associa, para não receber ladrões em sua confraternidade e ser roubado de toda a sua riqueza. O mesmo é verdadeiro no reino espiritual. O próprio fato que o Protestantismo se originou em Roma invalida sua reivindicação ao status de igreja Escriturística. Roma é identificada doutrinariamente, praticamente e geograficamente na Escritura, em Apocalipse 17:5 como "Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra." As igrejas Protestantes são suas filhas. Nem o Catolicismo e nem o Protestantismo podem corromper aquilo que não têm. Conseqüentemente, não lhes é nenhuma perda ser "tolerantes" e aceitar por carta todos que vem a eles das igrejas Batistas. Mas sobre os princípios Batistas, não podemos recebê-los por carta sem corromper nosso status de igreja, e comprometer os princípios pelos quais morreram nossos antepassados espirituais – sendo verdadeiramente preseguidos até a morte pelo Romanismo e Protestantismo - para perpetuar.

O ato de pedir uma carta de recomendação para se ajuntar a uma igreja de outra fé é manifestar uma lamentável ignorância da posição e história Batista. Os Batistas precisam ser ensinados acerca de seu glorioso patrimônio, e sua consequente nobre responsabilidade, pois eles e somente eles mantiveram a verdade através dos muitos séculos em que não havia nenhuma outra denominação Cristã professa exceto o Catolicismo, e este era temivelmente corrupto. Os Batistas antecederam o Catolicismo pelo menos por trezentos anos ou mais, e antecederam o Protestantismo por mil e quinhentos anos. E em todos estes anos eles estiveram fielmente diante da verdade. Por qual razão devem os Batistas se comprometam agora nestes últimos dias?

Outro abuso das cartas entre igrejas se manifesta quando um pastor ditatorial ou uma igreja egoísta são relutantes em deixar partir da membresia um membro fiel e generoso quando o Senhor lhe está conduzindo para outro lugar. Nenhuma igreja ou pastor gostam de perder um bom membro, mas às vezes esta é a vontade do Senhor. É errado tentar a reter um membro como este quando não há nenhuma acusação legítima contra ele. Contudo nós temos conhecimento de tais casos, mas quase sempre é devido a um espírito de domínio tal qual nem mesmo os apóstolos exercitaram sobre o povo do Senhor, 2 Coríntios 1:28.

Os equívocos resultam da ignorância, mas o abuso do descuido e da indiferença, nenhum dos quais tem qualquer lugar na vida eclesiástica do membro espiritual. Ambos deveriam ser desarraigados por um diligente estudo da Escritura e dedicação à vontade do Deus. Outra coisa resta para ser considerada a qual é -

IV. O USO CORRETO DAS CARTAS DAS IGREJAS.

Ninguém desejaria ser rebatizado cada vez que muda de igreja. Muito menos ninguém desejaria ser recebida em caráter probatório em cada igreja quer se ajuntar, e apenas ser concedido privilégios de membro somente depois um longo período do tempo. As cartas eclesiasticas removem a necessidade de tais coisas pois indica que tal foi Escriturísticamente batizado, e que é um membro de boa reputação na igreja qual deu a carta de recomendação.

A carta de recomendação nada mais é do que uma declaração oficial de como uma pessoa é conhecida por sua igreja mãe, e é uma recomendação que deve ser recebido como um membro na outra igreja a qual ele deseja se ajuntar. Conseqüentemente, as cartas entre igrejas devem ser honestas em suas recomendações à uma igreja irmã. Infelizmente, algumas igrejas estão tão aliviadas em livrar-se de membros preguiçosos que dão uma falsa recomendação a respeito deles, quando ao invés disso, a igreja receptora deveria ser advertida da natureza inútil do membro, isso se elas concedem mesmo uma carta. Alguns destes deveriam ser excluídos por sua negligência. Se um membro está em boa reputação, deveria ser bem indicado. Se estiver em situação regular, isto deve também ser indicado. E se ele não tem sido presente exceto esporadicamente - se ele não tem mantido a igreja com sua presença, finanças e talentos - se ele for nem reconhecido "de cara" pela igreja, ele certamente não é intitulado a uma carta que indica que está na posição regular. O máximo que se pode honestamente ser dito de tal membro é que ele somente está no rol de membros, mas que está em situação irregular, pois de acordo com o Convénio das Igrejas Batistas, ele está em estado de violação daquilo que a igreja representa. O escritor acredita que estas três designações - boa, regular ou irregular - devem ser usadas em todas as cartas entre igrejas.

As cartas entre igrejas existem para a proteção das igrejas, e conseqüentemente a diligência deveria ser exercitada na entrega e na recepção das mesmas. Elas não são meras formalidades, mas protegem a paz e o padrão doutrinário da igreja por impedir que venha a membresia de uma igreja os que são conhecidos como perturbadores e pessoas não espirituais. A igreja que é descuidadosa acerca da recepção de membros de outras igrejas ceifará o que ela mesma semeia, pois mais cedo ou mais tarde sua paz será tirada por aqueles que, sem ser percebidos pela igreja, foram introduzidos nela. Certamente haverá ocasiões em que falsos irmãos farão parte da igreja apesar de todo o cuidado feito, pois Paulo falou dos tais em Gálatas 2:4-5, mas as cartas entre igrejas farão muito para impedir isto.

Desejo que Deus possa estimular cada membro de igreja Batista a ser responsável para com a importância da freqüência regular e da mantutenção da sua igreja a qual é membro, e de transferir sua membresia quando mudar-se para uma outra localidade. Somente desse modo ele pode trazer glória à Deus na igreja, como é seu dever, Efésios 3:21.

 

Autor: Pr Davis W. Huckabee
Tradução e Correção gramatical: Hirialte Luis Fontoura dos Santos 08/2009
Revisão: Calvin Gardner, 09/2009
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br