Cap 3 - "O preparo do Pregador e da sua Mensagem"

Um esboço de regras práticas sobre a pregação

PARTE III

Agora o irmão está pronto para APRESENTAR A MENSAGEM

A. A sua meta ao apresentar a mensagem é fazer com que a VERDADE DEIXE UMA IMPRESSÃO sobre as mentes dos ouvintes. Lembrando que é Deus que trabalha junto aos corações dos homens, o pregador faz a sua parte no plano de oratório através de:

1. Repetição da idéia central 3 a 4 vezes durante a pregação, assim sempre trazendo às mentes das pessoas uma recordação do tema principal.

2. Multiplicidade de exemplos. Dois exemplos reforçam o ponto melhor que um só.

3. Perguntas espalhadas pela mensagem em lugares estratégicos. Podem ser retóricas (não esperando uma resposta aberta) ou numa ocasião mais informal pode pedir a fim de receber uma resposta do auditório (num estudo bíblico, por exemplo).

4. Ilustrações visuais, ou da própria experiência, pondo uma verdade espiritual e abstratas em termos concretos. Jesus usou passarinhos, lírios, água, pão, e muitas outras coisas para tornar seus ensinos mais vívidos, assim criando uma impressão durável nas mentes dos seus discípulos.

B. Ligada a essa meta de fazer uma impressão é a necessidade de ganhar e segurar a atenção dos ouvintes. Um pregador inglês que era muito usado por Deus disse que se ele percebesse que havia alguém no auditório que não estava prestando atenção (mesmo se fosse uma criança), ele se julgava Ter falhado e procurava recuperar a sua atenção daquela pessoa.

1. O propósito da introdução é ganhar a tenção do povo. Se não conseguir isso, já está começando derrotado.

2. Durante a pregação, note constantemente as reações dos ouvintes, porque de vez em quando vai Ter que recuperar a sua atenção. Algumas das maneiras de fazer isso são:

a. Bater no púlpito ou levantar a voz de repente. Isso serve para acordar as pessoas que estão cochilando.

b. Sorrir para uma criança que está mexendo muito. Às vezes funciona muito bem para atrair a sua atenção.

c. Aproveitar as interrupções, tornando-as para o bem, trazendo de novo a atenção dos ouvintes para a palavra. Um nenê que chora pode servir de ilustração da insatisfação do coração humano, ou da nossa dependência de Deus, conforme a mensagem da ocasião. Uma interrupção da força ilustra bem a situação do pecador nas trevas espirituais, desligado de Deus. Nem sempre a mensagem combina com uma circunstância assim, mas esteja alerto para as possibilidades.

d. IMPORTANTE: Olhe diretamente nos olhos dos ouvintes; além de isso ser necessário para segurar a atenção deles, assim o irmão notará quando precisa ganhar de novo a sua atenção.

3. Deve-se preparar a mensagem pensando nesta necessidade de ganhar a atenção dos ouvintes.

a. Use um título atraente.

b. Tenha uma introdução bem preparada.

c. Na mensagem segure a atenção do povo:

1). Com PERGUNTAS.

2). Com IDÉIAS CONCRETIZADAS e específicas (não generalizadas) através de exemplos e ilustrações. Não FALE ACERCA do amor, DÊ EXEMPLOS do amor em ação.

3). Com VARIEDADE de exemplos, versículos e explicações. Não dê um versículo atrás do outro com um pouco de explicação entre eles. Varie seu método de apresentar a mensagem (nem sempre tópico, nem sempre textual), varie o seu ASSUNTO (já ouvi pregadores que tinham somente um ou dois assuntos prediletos de maneira que todo mundo já sabia de antemão o que iam falar), varie o MATERIAL (Não use só a leitura bíblica, nem somente exemplos ou ilustrações, mas misture os ingredientes da mensagem).

C. O ESTILO trata da maneira geral em que o pregador apresenta sua mensagem. Cada um tem seu próprio estilo que servem para criar e segurar a atenção dos ouvintes. Alguns desses princípios são:

1. SEJA BREVE. Não repita indevidamente. Se está no fim da mensagem, é melhor sentar-se duma vez do que repetir tudo. O mesmo princípio se aplica quanto aos pontos e às provas da mensagem. Evite vãs repetições; use repetições com sabedoria e PROPÓSITO, para alcançar algum objetivo (frisar um ponto, criar uma impressão). È como sal na comida: é muito bom e dá gosto, mas um pouco vai longe, basta.

2. SEJA CLARO NA SUA LINGUAGEM. Não use termos obscuros, pouco claros aos ouvintes.

3. IGUALMENTE SEJA CLARO NA PRONÚNCIA DAS PALAVRAS. Paulo falou sobre a importância de serem bem inteligíveis as nossas palavras, I Cor. 14:9. Não sendo claro na sua linguagem ou na sua pronuncia faz com que os ouvintes tenham de esforçar-se para ouvir. Deveras facilitar esta tarefa dos ouvintes para que possam concentrar-se em compreender os nossos pensamentos, pensando na MENSAGEM, e não na FALA.

4. USE VARIEDADE NA SUA FALA. NÃO SEJA MONÓTONO!

a. Varie o ritmo: a velocidade das palavras, ás vezes depressa, ás vezes devagar.

b. Varie as frases: às vezes curtas, rápidas, ás vezes longas e demoradas; com pausa ás vezes longas, ás vezes curtas. ILUSTRAÇÃO = Um rio é largo e grande, corre devagar; ele parece como uma lagoa e dá impressão de paz, tranqüilidade e descanso. Um rio estreito, com leito raso, corre rapidamente e dá impressão de ação, movimento e agitação. Se não usar variedade na sua fala, vai ser como um desses rios: se falar devagar com frases compridas, voz baixa, vai ser como um rio largo: vai dar sono em todo mundo, vão descansar; se falar depressa, sem nenhuma pausa, numa voz mais elevada, e nunca dá alívio para os ouvintes, eles vão chegar ao fim da mensagem fadigados de "correr" juntos com o irmão. Tem que "correr" um pouco. E "descansar" um pouco.

c. Varie a altura da voz: em média, o tom deve ser aquele usado na conversação. Ao fazer uma exortação, um apelo, ou ao despertar a atenção do povo, o tom da voz sobe.

d. Varie a força da voz: em média, fale como em conversação. Quando quer despertar atenção (acordar alguém) pode aumentar o volume. Se começar em voz muito alta, depois não tem de aumentar para dar ênfase. Fale com força suficiente para ser bem ouvido pela pessoa no último banco. Mais do que isso é gritar, a não ser de vez em quando para dar ênfase.

 

Autor: Pastor Edgar Potter
Fonte: www.palavraprudente.com.br