A Causa de Deus e A Verdade - Parte I - John Gill D.D.

Seção 14-Isaías 30:15

“Porque assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em repousardes, estaria a vossa salvação; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes.”

Estas palavras são citadas em [1] favor do livre-arbítrio, como prova de que a impotência dos homens para o que é bom não é devido a qualquer incapacidade pela queda de Adão, mas a outras causas adquiridas por eles e não as herdadas em sua natureza; tais como: disposições malignas; manias , preconceitos, dureza de coração ou cegueira contraída deliberadamente; e portanto, a irresistível e infrustrável graça não é necessária para a conversão de um pecador. Mas sobre o que eles servem nesta causa será melhor entendido quando as seguintes coisas forem observadas: 1. Admitindo-se que as palavras consideram a salvação espiritual e eterna dos homens, então elas são expressivas quanto à forma e a maneira que Deus salva aqueles que estão salvos. Em vos converterdes e em repousardes,

estaria a vossa salvação, isto é, pela fé e arrependimento. O arrependimento pode ser entendido por retorno, a fé por repouso ou por retorno e descanso, ela pode ainda ser concebida como retornando ao repouso, isto é, a Cristo, que é o único repouso para as almas cansadas; no sossego e na confiança estaria a vossa força. O sossego pode ter a intenção de paz de consciência e confiança na fé garantida, que fazem os homens Cristãos fortes, embora, sua força não repouse nestas graças (a fé e o arrependimento), mas no Objeto delas. Ora, a fé e o arrependimento são bênçãos da aliança, são dons de Deus. Estas graças do Espírito caminham juntas na doutrina da salvação e têm uma grande consideração nisto; embora, elas não sejam meritórias nem sejam motivos para obtê-la, nem condições dela, mas ainda é desta forma que Deus traz Seu povo à salvação; elas entram e descrevem o caráter dos salvos e ambas são tão próximas da salvação, que ninguém é salvo sem elas.

2. Se tomarmos isto para ser o sentido das palavras, então a última cláusula, mas não quisestes, mostra, que o caminho de Deus para a salvação dos homens por meio do arrependimento e da fé, por ir a Cristo para descanso, colocando toda confiança nEle e tendo toda a paz e conforto derivados dEle, é a maneira desagradável aos homens não regenerados; que é uma prova da depravação miserável, corrupção e perversidade da vontade deles. Daí esta escritura, vista sob esta luz, com Jeremias 6:16, 17 e 13:11,27 e 18:12 e 29: 9, Ezequiel 20:8, Oséias 5:4, fica um registro, assim com muitas repreensões duradouras para a vontade do homem.

3. Não lute por iniciativa e esforço próprio, deixe essa depravação, corrupção, perversidade e obstinação da vontade, proceder de qualquer causa, ou daquilo que nasce com os homens ou são adquiridos por eles; tais como: disposições malignas; costumes, preconceitos, cegueira e dureza de coração, pois o que mais pode conquistar estas disposições malignas, quebrar tais costumes, destruir tais preconceitos, remover esta cegueira e dureza de coração além do poder do Todo-Poderoso junto a Sua graça eficaz? Quão necessário, portanto, são as operações irresistíveis e inconfundíveis do Espírito de Deus para a conversão de tais pecadores; quando se pode racionalmente esperar que eles devessem estar dispostos a ser salvos por Jeová à sua maneira, além no dia do seu poder sobre a suas almas? É Este mesmo que deve operar neles tanto o querer como o efetuar de sua boa vontade, se for curada a perversidade das suas vontades. Mas,

4. embora, sem dúvida, a depravação e a obstinação da vontade sejam aumentadas por preconceitos, manias, etc., mas de onde se originou o seu primeiro golpe e recebeu a sua incapacidade original, senão da Queda de Adão? De acordo com essa doutrina, a Escritura não nos fornece a melhor descrição da origem moral do mal? O Apóstolo Paulo, em (Efésios 2:8), não atribuiu o andar dos homens nas concupiscências da carne, fazendo sua vontade da carne e dos pensamentos, ao seu ser por natureza de filhos da ira? Porque não escutará a voz dos encantadores, do encantador sábio em encantamentos; a não ser porque eles alienam-se desde a madre e andam errados desde que nasceram, falando mentiras (Salmos 58:8). E o que mais pode ser a nascente e a fonte de tais práticas em iniquidade tão cedo na vida, senão a corrupção da natureza, devido à queda do homem, que eles trazem para o mundo com eles? Não lemos em (Isaías 48:4,8) de alguns cuja cerviz era um nervo de ferro e tua testa de bronze, cuja obstinação, desobediência e traição nos negócios são explicados por serem chamados transgressores desde o ventre?

5. No final das contas, as palavras não devem ser entendidas como a salvação espiritual e eterna dos homens, mas da segurança temporal e felicidade do povo de Israel, se tivessem agido de acordo com o conselho dado a eles; voltando e descansando sereis salvos; isto é, se vos converterdes do mau conselho que tomastes, o qual não é de mim, diz o Senhor, versículo 1, e descansar tranquilamente em sua própria terra, e não descer ao Egito, nem procurar a Faraó por ajuda, versículos 2, 3, sereis salvos; vós estareis em segurança, nenhum inimigo se forçará sobre vós ou perturbar-vos-ão: em sossego e na confiança estaria a vossa força; no estarem quietos será a sua força, versículo 7, tranquilamente esperar em Jerusalém, em vossas próprias cidades, e confiar em meu poder e proteção, então não tende necessidade de temer qualquer inimigo; mas não quisestes, mas dizeis, mas fugiremos sws l? sobre cavalos para o Egito ou sobre cavalos que tivemos deles, significando que os Caldeus; mil homens fugirão ao grito de um, e ao grito de cinco todos vós fugireis, até que sejais deixados como o mastro no cume do monte, e como a bandeira no outeiro. Agora, a partir do contexto, como isto parece, ser o sentido claro e genuíno das palavras, elas podem não servir para provar o porquê são citadas e não devem ter lugar na controvérsia sobre o livre-arbítrio e a graça eficaz. ________________________________________

NOTAS DE RODAPÉ:

[1] Whitby, págs. 261, 262; ed. 2. 255.

 

Autor: John Gill,D.D.
Tradução: Hiralte Fontoura 08/2012
Revisão: Calvin G Gardner, 05/2014
Revisão gramatical: Erci Nascimento 08/2014
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br