A Causa de Deus e A Verdade - Parte I - John Gill D.D.

Seção 17-Isaías 55:7

“Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.”

I. Estas palavras são representadas [1] como uma promessa de perdão, sob a condição de abandonar as práticas pecaminosas e pensamentos e voltar-se para o SENHOR, as quais, se não estiverem no poder do homem executá-las, deveriam ser prometidas sobre uma condição impossível, ou seja, de fato, prometer nada. Ao que pode ser respondido:

1. Que o abandonar do pecado, e o voltar-se para o SENHOR na primeira conversão, ou voltar a Ele depois de se afastar do caminho, o que talvez possa ser aqui entendido, não são devido ao poder do homem, mas à graça eficaz de Deus. Ninguém pode abandonar verdadeiramente o pecado, ou sinceramente voltar para o SENHOR, senão aqueles que são influenciados pelo Espírito de Deus; então diz Efraim: Converte-me e converter-me-ei (Jeremias 31:18).

2. Que a promessa de perdão é livre, absoluta e incondicional, não dependendo de qualquer condição para ser realizada pelos homens ao abandonarem pensamentos e práticas pecaminosas e retornar ao SENHOR, não é proposto aqui como condições para obter misericórdia e receber o perdão; mas as declarações de perdão, graça e misericórdia feitas aqui, são feitas com o propósito de encorajar as almas sensíveis da maldade dos seus caminhos, e da injustiça dos seus pensamentos, para retornar ao SENHOR, que é um Deus de graça e misericórdia.

3. Embora a fé e o arrependimento não sejam condições para o perdão, nem o homem seja capaz de realizá-los por conta própria; ainda como o perdão é prometido para os que se arrependem, creem e voltam-se para o SENHOR, para que todos os tais, a quem Deus faz a promessa de perdão, ele dá as graças da fé e do arrependimento; daí a Sua promessa não é vã, vazia e ilusória.

II. É dito, [2] que "se a conversão é realizada apenas pela operação inconfundível de Deus, e o homem é puramente passivo nela, são vãs as promessas de perdão, tais como esta; pois nenhuma promessa pode ser o seu próprio meio para fazer um homem morto viver, ou prevalecer sobre um homem para ele agir, mas este deve ser puramente passivo." Ao que eu respondo:

1. estas palavras não contêm promessa para homens mortos, mas uma declaração da graça de perdão, a graça aos pecadores sensíveis ao seu estado; que eram maus e injustos em suas próprias apreensões, sendo representados como sedentos (v. 1), buscando o caminho da vida e salvação; embora eles tenham tomado o caminho errado e tenham seus pensamentos erroneamente virados para gastar o dinheiro naquilo que não é pão, e o produto de seu trabalho naquilo que não pode satisfazer, (v. 2), e, portanto, manteve-se oprimido com um senso de pecado; daí, eles são aqui encorajados a deixar o seu próprio caminho de salvação, e todos os pensamentos de sua própria justiça, e somente buscar o SENHOR por misericórdia e perdão; já que os Seus pensamentos não eram como os pensamentos deles, nem os Seus caminhos como os caminhos deles.

2. Admitindo que seja uma promessa de perdão feita a homens mortos; pode-se pensar que é um meio adequado e suficiente na mão de Deus, sob as influências poderosas de seu Espírito e graça, fazer os homens mortos viverem; já que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação, o ministério da vida, sim, o cheiro de vida para vida (Romanos 1:16; 2 Coríntios 2:16; 3:6); e especialmente quando é observado o que é dito nos versos 10,11. Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca, agora neste presente momento entregue, nos versículos 7-9; ela não voltará pra mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.

3. Embora o homem seja passivo na regeneração, ele ainda está ativo em abandonar o pecado e voltar-se para o SENHOR. As promessas de perdão podem, por meio da graça de Deus, prevalecer sobre o tal para agir nestes casos, que tem sido passivo no trabalho de regeneração; pois a regeneração antecede estes; o abandono ao pecado, o voltar-se para o SENHOR, seguem, e vem da graça regeneradora. Nenhum homem pode verdadeiramente fazê-los, até que ele seja regenerado pelo Espírito de Deus. Segue-se, então, que os homens podem ser persuadidos, pelas promessas de perdão, agirem, os que têm sido passivos na regeneração.

III. É dito, que os tais que estão no jeito Calvinístico de pensar, dizem que Deus promete perdão e vida para os não eleitos, sob condição de sua fé e arrependimento: [3] e é questionado: "Como um Deus de verdade e sinceridade pode ser mencionado a prometer-lhes perdão e salvação, seriamente e com boa sinceridade que são, por seu próprio ato de preterição, infalível e inconfundivelmente excluídos dele?" Eu respondo:

1. Quem são os homens que dizem isso, eu não sei, e deve-se deixá-los defender suas próprias posições, que são somente responsáveis pelas consequências delas; de minha parte, eu nego completamente que exista qualquer promessa de nenhum perdão feita para os não eleitos, nem sob qualquer condição. A promessa de perdão é uma promessa da aliança da graça, a qual não é feita a ninguém, os não eleitos não têm parte nesse pacto, somente os eleitos aos quais, a bênção do perdão pertence, a promessa de perdão é feita, por quem Cristo morreu, cujo sangue foi derramado para a remissão do pecado: e embora, a declaração de perdão do Evangelho seja feita em termos indefinidos, de todo aquele que crê; a razão é, porque todos aqueles que estão interessados no pacto da graça e por quem Cristo morreu, Deus, em Seu próprio tempo, dá fé, arrependimento e o perdão dos pecados.

2. Esta passagem da Escritura sob consideração, não é uma promessa de perdão para os não eleitos; pois as palavras maligno e ímpio não são peculiares a eles; os eleitos de Deus estão assim em seu estado natural e em seu próprio sentido e apreensão quando o Espírito de Deus os convence. Além disso, as pessoas mencionadas parecem do contexto para ser os tais para quem os pensamentos de Deus tem sido desde a eternidade (vv. 8, 9), e que eram para participar das bênçãos de alegria e paz para sempre (vv. 12, 13).

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NOTAS DE RODAPÉ:

[1] Whitby, pág. 242; ed. 2. 236.

[2] Whitby, págs. 237, 242; ed. 2. 231, 236.

[3] Whitby, pág. 243; ed. 2. 237.

 

Autor: John Gill,D.D.
Tradução: Hiralte Fontura 08/2012
Revisão: Calvin G Gardner, 05/2014
Revisão gramatical: Erci Nascimento 08/2014
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br