Cap 7 - Soberania de Deus

Deus Espírito Santo é Soberano na Salvação

Sermão 7

Data: 28/10/2001

Texto: João 3:8

“O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”.

INTRODUÇÃO

1. O Espírito Santo é uma das Pessoas da Triunidade

2. O alcance de seu poder é infinito, mas sua operação está em harmonia com o propósito eterno do Pai e o desígnio limitado da morte do Filho.

3. A missão do Espírito é aplicar os benefícios da morte redentora de Cristo.

4. O Espírito Santo não está procurando conduzir o mundo inteiro a Cristo, mas Ele conduzirá todos aqueles que o Pai elegeu e pelos quais Cristo morreu.

5. O Pai opera a predestinação, o Filho fez propriciação e o Espírito opera a regeneração.

6. O Pai determinou o nosso novo nascimento, o Filho o tornou possível, o Espírito realiza o novo nascimento em nós:

João 3:6 - somos “...nascido do Espírito...”

7. Há certa comparação entre o vento e o Espírito, indicada pela palavra “assim” (Jo.3:8).

8. A comparação é dupla:

(1) Ambos são soberanos em suas ações: “onde quer” (Jo.3:8).

(2) Ambos são misteriosos em suas ações: “não sabes” (Jo.3:8).

I. DEUS ESPÍRITO SANTO É SOBERANO NA SALVAÇÃO

1. O vento é uma força que o homem não pode dominar.

2. O vento não consulta o homem, ele sopra onde, quando, quanto e como quer.

3. Assim se dá com o Espírito Santo.

4. Às vezes o vento sopra suavemente que as folhas quase não farfalham

5. Às vezes o vento sopra tão fortemente que pode-se ouvir o seu rugido a quilometros de distância.

6. Assim também acontece em relação ao novo nascimento.

7. Com algumas pessoas o Espírito Santo trata de maneira tão suave que sua operação se torna imperceptível.

8. Com outra sua ação é tão poderosa, radical e revolucionária que suas operações se tornam patentes aos olhos de todos.

9. Às vezes o vento tem alcance meramente local. Em outras ocasiões sopra em área de grande extensão.

10. Às vezes o Espírito opera em apenas uma alma. Noutras ocasiões opera em duas, três ou nos corações de multidões interiras, como aconteceu no Pentecostes.

11. Seja como for, operando em poucos ou muitos, Ele não consulta o homem. Age como quer, e opera o novo nascimento em quem quer:

Isaias 45:10 - “Ai daquele que diz ao pai: Que é o que geras? E à mulher: Que dás tu à luz?”

João 1:12,13 - “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome. Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”

II. DEUS ESPÍRITO SANTO É MISTERIOSO NA SALVAÇÃO

1. O novo nascimento é obra exclusiva de Deus Espírito Santo.

2. O homem não tem nenhuma participação.

3. No nascimento natural o homem não exerce nenhuma influência sobre seus progenitores:

Isaias 45:10 - “Ai daquele que diz ao pai: Que é o que geras? E à mulher: Que dás tu à luz?”

4. No nascimento espiritual o homem não exerce e nem tem qualquer poder sobre Deus:

João 1:12,13 - “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome. Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”

5. O novo nascimento é uma “ressurreição espiritual” ou o “passar da morte para a vida” (Jo.5:24). A ressurreição está fora do alcance do homem. Ele não pode ressuscitar nem o próximo nem a si mesmo.

6. Quem vivifica é o Espírito: “...O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita...” (Jo.6:63).

7. Mas o Espírito não vivifica a todos? Por quê?

A resposta geralmente dada é: “porque nem todos confiam em Cristo”, supondo que o Espírito vivifica somente os que crêem. Mas a fé não é causa do novo nascimento; é conseqüência dela. Se a fé fosse um produto do coração humano, a Bíblia não diria “...a fé não é de todos...” (2Ts.3:2).

8. Antes de sermos vivificados estávamos “mortos em delitos e pecados” (Ef.2:5). Um morto não pode crer. Primeiro precisa ressuscitar!

9. Os mortos estão na carne, e “a carne não pode agradar a Deus” (Rm.8:8). Mas poderia agradar a Deus se fosse possível à carne crer em Cristo:

Hebreus 11:6 - “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”

10. Porventura pode Deus agradar-se ou ficar satisfeito por qualquer coisa que não tenha origem em Si mesmo?

11. A regeneração antecede à nossa fé:

2 Tessalonicenses 2:13 - “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do SENHOR, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade.”

12. Aqui a “santificação” vem antes da “fé na verdade”. Esta santificação do Espírito é o novo nascimento [santificação inicial]. Ver Rm.1:4

13. A mesma ordem é encontrada em Pedro:

1 Pedro 1:2 - “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.”

(1) Eleição eterna

(2) Santificação do Espírito (Regeneração)

(3) Fé na verdade: “para obediência” isto é “obediência por fé” (Rm.1:5; At.6:7; Hb.5:9; Hb.11:8).

14. Tito 3:5 - “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo.”

15. Fomos santificados pela “lavagem da regeneração”. Se Deus tivesse apenas dado Cristo para morrer, e deixasse a escolha para o homem, nenhum se salvaria, porque por natureza os eleitos são “filhos da ira como os demais”. Então o Espírito é necessário para realizar a obra de regeneração e para convencer e vencer a inimizade contra Deus.

CONCLUSÃO

1. Sempre se pergunta: Se certos homens são eleitos e salvos, então o que adianta pregar aos que não são eleitos?

2. Se a expiação é limitada, e Deus oferece o convite de salvação a todos, Deus não estaria sendo insincero?

3. Igualmente podemos perguntar: Se Deus sabe quem vai se arrepender e crer, então porque pregar àqueles que de acordo com Seu conhecimento não vão se arrepender nem crer?

4. Será que alguns que Ele sabia que não se arrependeriam nem creriam, vão se arrepender e crer? Se for assim, Ele previu uma mentira.

5. Se Deus sabia que muitos não iriam crer, então por que teria provido [inutilmente]expiação para eles?

6. Se Deus sabia que muitos não iriam crer, por que ordena que o evangelho seja pregado a toda criatura? Eclesiastes 11:5,6 - “Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas.”

O esboço deste sermão foi por mim elaborado e pregado na Igreja Batista da Esperança, em Cruzeiro, interior de São Paulo. Foram 12 sermões preparados e pregados, tendo como base o livro Deus é Soberano, de A. W. Pink da Editora Fiel. Apenas os títulos de cada sermão seguem à risca os títulos apresentados no livro, entretanto alguns sermões podem conter mais de um capítulo do livro. As proposições e as divisões do sermão foram acrescentadas por minha conta. O conteúdo das argumentações foram extraídas do livro de Pink, com acréscimos de argumentos teológicos de minha própria autoria, assim como muitas outras referências bíblicas, a fim de melhor adaptar o conteúdo do livro à forma de sermão.

 

Autor: Pastor Luiz Antonio Ferraz
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br