Música. De Volta ao Lugar!

“Eu fui da linha protestante somente porque gostava das músicas, nada, além disso. Cantei depois em uma Igreja de outra confissão porque gostava da música sacra... hoje sou desta religião porque me encontrei... a música para mim é uma entidade e quem me protege é...”

As palavras acima é apenas um trecho da entrevista dada há poucos dias por esta cantora de renome, no Programa Sala de Notícias da TV Futura, quando perguntada pelo entrevistador sobre o que ela pensa da música.

Como músico compositor, imergido neste universo desde a minha infância não pude conter minha indignação ao perceber o quanto à música tem estado fora de lugar ao ouvir um outro cantor também de renome, falando da música em entrevista na televisão usando termos pejorativos sem contar os inúmeros palavrões citados durante a entrevista.

Bem, mas até aqui, estamos falando daqueles que não temem a Deus, e não seria nenhuma surpresa para nós cristãos, perceber o quanto eles não entendem o valor da música.

Em 2006, quando da prensagem de meu CD em São Paulo, estava sentado na recepção da empresa que prestaria este serviço e mais uma indignação. Ao meu lado um jovem com sua mãe puxa conversa perguntando-me se eu havia gravado, afirmei que sim, perguntaram o estilo, eu informei, quando de repente a mãe diz: - ah... Fulano também ia gravar um gospel. Eu fiquei contente e perguntei: - de que Igreja vocês são? – Igreja? – se espantou a mãe. – De Igreja nenhuma. É que fulano tem uma voz boa e a “gravadora tal” disse que faria sucesso, então fizeram um estudo, e acharam melhor que meu filho gravasse forró mesmo.

Em 2008 um programa de televisão, secular, apresentado aos sábados, fez um estudo e apresentou uma reportagem sobre o que mudou na música brasileira nestes últimos 10 anos. Sabe qual foi a resposta? Nada!

Eles chegaram a conclusão de que a música popular brasileira entrou em decadência nesta última década. Nenhuma letra criativa, apenas cópias, nenhum sucesso duradouro, apenas músicas descartáveis.

Imediatamente pensei: - se eles, não conhecendo o verdadeiro valor da música, chegaram a esta conclusão, será que nós, cristãos autênticos, instrumentos de Deus para entoar a verdadeira música, estamos no caminho certo?

A música está em todo lugar. No carro, no escritório, nas clínicas de terapia, no cinema, no ônibus, nas academias, etc...

A música mexe com nossas emoções.

A música, independente de onde é tocada, cria uma linguagem universal, ultrapassa barreiras, mas nem sempre ela está no devido lugar.

A música é criação de Deus, para Deus!

Não é nossa intenção aqui abranger este tema no universo secular, pois faltaria espaço, mas focaremos o universo cristão da adoração.

Costumo dizer que “a voz ou o instrumento mais afinado do mundo é aquela ou aquele que agrada os ouvidos de Deus e é cantada ou tocada de coração”.

Tudo foi criado para a glória de Deus, inclusive a música.

Se pretendermos devolver a Música, ao seu devido lugar, precisamos começar com Deus. Seu poder, sua majestade, seus atributos. É para Ele, autor da música que cantamos.

Lembro-me quando criança, nos meus primeiros anos de música, sempre que tocava ou cantava algo para alguém, perguntava: o que você achou?

Precisamos perguntar a Deus o que Ele pensa de nossa música. É para Ele.

Lutero disse que a “música deve ser serva da palavra”. (Colossenses 1.16)

Daí entendemos que a música como serva, irá concordar com a Palavra de Deus e jamais contrariá-la.

Devemos adorar através da música “em espírito e em verdade” (João 4.24).”Com o espírito, mas também com o entendimento” (1 Coríntios 14.15)

O prefácio do Hinário Para o Culto Cristão registra: “o cântico reflete a fé, as tradições, os valores, as preferências, as doutrinas, os rumos e a espiritualidade de cada um de nós. Nosso cântico reflete quem somos e onde estamos, na peregrinação cristã”.

Hoje é possível descobrir a teologia de uma Igreja apenas pelas letras de músicas que são cantadas.

Infelizmente, muitas Igrejas, nestes últimos anos, restringiram o universo da música, que deveria ser serva da Palavra, a apenas poucos temas da esfera cristã.

Lembro-me que ha 20 anos, cantávamos sobre a volta de cristo. Quando foi a última vez que você ouviu ou cantou uma música que fala da volta de Cristo?

Música com temas bíblicos sobre serviço cristão, dizimo e ofertas, missões, família, sacrifício, perdão, esperança, eram comum nos cultos.

Antigamente, a meu ver, as músicas iniciavam com: eu te adoro, eu te sirvo, eu te espero, eu te amo, eu te exalto, eu te invoco, eu perdôo, eu te entrego tudo.

Hoje, muitas músicas, começam com: eu posso, eu quero, eu sinto, eu determino, eu vou. O centro muitas vezes tem sido o homem, e não Deus.

Existem músicas que nem mesmo citam o nome de Jesus.

Devemos fazer algumas perguntas se quisermos devolver a música de volta ao seu lugar: está de acordo com a Palavra de Deus? O centro é Deus e não o homem? Faz parte da história da vida de alguém? (Sl 102.18) reflete a fé genuína do povo de Deus? Tem teologia? Ensina? Exorta? Consola? Admoesta? Concorda com o tema do culto? Jesus é exaltado?

Música de volta ao lugar porque é para Deus. Música de volta ao lugar porque é serva da Palavra.

Música de volta ao lugar no culto. A música deve estar em conformidade com o tema da mensagem de maneira que contribua para que o ouvinte compreenda a vontade de Deus para sua vida.

Faltaria espaço para falar da música de volta ao lugar no culto cristão, mas podemos citar que jamais nos apresentaríamos diante de uma autoridade sem reverência. A música no culto, como serva da Palavra, deve ajudar os servos do Senhor a entrar em sua Santa Presença pela adoração, depois gratidão, passando pela confissão, invocação, comunhão e disposição para mudança de vida.

Infelizmente, em muitas lugares, tem faltado a boa ordem e decência musical. Alguns entram na presença do Pai, sem prestar-lhe a devida reverência.

Música de volta ao lugar na mão de verdadeiros músicos.

Tive um aluno, não cristão, que não saía no fim de semana para economizar dinheiro e comprar a melhor guitarra e amplificador para sua música.

Este rapaz fora abandonado pelo pai ainda bebê. Morava com a mãe em um terreno doado pela prefeitura em uma casa muito humilde, mas quando a coisa era música, ele vinha a pé de sua casa para não gastar com ônibus, pagava sua mensalidade sempre em dia, nunca faltava as aulas, porque queria dar o melhor para sua paixão. Estudou 2 anos e meio com afinco.

Música de volta ao lugar, nas mãos de verdadeiros músicos cristãos, que valorizam a música, que dão o melhor de si, que estudam, investem em sua paixão. Não fazem de qualquer jeito porque nosso Deus, criador da música, merece o melhor. Música de volta ao lugar na boca de verdadeiros cristãos que não pedem desculpa porque não ensaiaram, mas que ensaiam primeiro antes de cantar, estudam, se esforçam, para apresentar o melhor ao Senhor. Melhor que o mundo faz para o mundo, como na história deste rapaz.

É preciso antes de um envolvimento no ministério de música, uma avaliação do talento musical e compromisso da pessoa em continuar se desenvolvendo na música, sob pena de prejudicar o ministério pela dificuldade musical ou pela acomodação.

Música de volta ao lugar na terminologia correta.

Louvar é elogiar a Deus, e isto pode ser através de uma palavra, de um testemunho, de uma oração, poesia e também da música.

Daí o erro de dizer que vamos “louvar um hino”. Nós louvamos a Deus através de um hino.

Daí também o erro de chamarmos a “equipe de louvor”, neste caso toda a Igreja deveria ir a frente, porque todos louvam através da música. O correto é “equipe de música”.

Outro erro é dizer que a música liberta. A música pode atuar na emoção, mas quem liberta é a Palavra de Deus crida no coração pela ação do Espírito Santo.

Quem se envolve com a música cristã de adoração, tem a responsabilidade de contribuir para que a música esteja de volta ao seu devido lugar na Adoração a Deus.

Não pode alguém que não tenha uma vida genuína com Deus, com sua família, com a sociedade, com a Igreja, seu pastor e líderes, ministrar a música, pois a música cristã exige santidade na vida.

Tocar e cantar de qualquer jeito, o mundo faz, e faz “bem”.

Há muito tempo dizem que o inimigo ataca o ministério de música na Igreja e que é muito difícil fazer parte do mesmo.

Em minha opinião, na maioria dos casos, o inimigo está bem longe, o que está perto é o pecado, o orgulho, a falta de humildade, a falta do perdão, não permissão para o desenvolvimento do fruto do espírito na vida do crente, a falta de submissão à liderança.

A equipe de música da Igreja tem a responsabilidade de estudar música, ensaiar a música, compor música conforme a vontade do Senhor, contribuir para a Adoração do povo de Deus no culto.

Seria bom que a equipe de música fosse um pequeno grupo de discipulado cristão onde cada participante obrigatoriamente deveria se encontrar semanalmente para discipulado bíblico, treinamento técnico musical, liderança e aí sim, ensaios e ministração à Igreja.

Espero ter contribuído um pouco para a Igreja de Cristo e deixo meu abraço e saudação cristã a você apaixonado por música, assim como eu.

À Jesus, nossa única melodia.

Pr. Nilson Siqueira Dias
Pastor da Igreja Batista Nova Esperança em Bauru
Bacharel em Teologia
Bacharelando em Violão
Professor da Faculdade Teológica Batista de Bauru
Músico Compositor

Autor: Nilson Siqueira Dias
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br