Cap 14 - Um Guia de Estudo para o Livro de Êxodo

Êxodo 13

Introdução

Êxodo 13 ainda é a continuação do relato do êxodo de Israel. Quão ricas são as verdades espirituais comunicadas em conexão com o êxodo! Aqueles que apenas olham para os fatos históricos sem atentar para a tipologia, estão perdendo a opportunidade de visualizar uma extraordinária figura da salvação através de Cristo. Note como os Judeus modernos observam a páscoa apenas como uma mera recordação da libertação nacional. O véu da cegueira espiritual oculta as grandes verdades da redenção anunciadas aqui em figura (II Coríntios 3:14-15).

I. O Primogênito – versículos 1-2

Em virtude de Deus ter "passado sobre" e salvo o primogênito de Israel, Ele dá ordens para que todos os primogênitos dos homens e dos animais Lhe sejam separados. Os pais e aqueles que eram proprietários, aprenderam que as suas primícias e o seu melhor, pertenciam á Deus. E mais importante ainda era o fato de que o primogênito, sendo os remidos, tipificava o povo escolhido de Deus que é remido pelo sangue de Cristo (Hebreus 12:23). Todos aqueles que são salvos da ira de Deus, pela fé em Cristo, também são santificados por Deus (I Coríntios 1:2 e 30).

II. A Festa dos Pães Ázimos – versículos 3-10

O Senhor deu ordens aqui para que a festa dos pães ázimos fosse observada anualmente, assim que Israel entrasse na terra prometida. Note vários pensamentos importantes:

1. Esta festa os fazia lembrar do arrependimento e sinceridade encontrados na vida daqueles que verdadeiramente conheceram a Cristo (I Coríntios 5:8). O fermento, nas Escrituras, comumente simboliza o pecado. O arrependimento sempre acompanha a fé no Cordeiro de Deus (Atos 20:21).

2. Observe bem a ordem de Deus para que ensinemos nossos filhos (versículos 8-10). Cada nova geração deveria ser diligentemente instruída. Os pais deveriam explicar para o filho, que a festa dos pães ázimos, era como uma fita ao redor do dedo, para lembrá-lo do grande livramento de Deus. Como esquecemos certas coisas facilmente. Não é a toa que Cristo deu a Sua igreja duas ordenanças que relembram o Seu trabalho para a nossa salvação (Romanos 6:3-6, I Coríntios 11:24-26).

Os Judeus aplicam as palavras do versículo nove no sentido literal fora do comum. Eles começaram a trajar filactérios, que eram pequenas caixas de couro, contendo tiras de pergaminho, com trechos das Escrituras escritos neles. Em Mateus 23:5 Cristo menciona o abuso deste costume.

Suas tradições parecem não terem fundamento bíblico. A intenção do Senhor era que a festa por si mesma fosse a recordação. As palavras do versículo 9 e de Deuteronômio 6:6-9 parecem ter o mesmo sentido de Provérbios 3:1-3 ou Salmo 119:11. As ordenanças de Deus agem como uma fita espiritual ao redor do dedo, para aguçar a nossa memória.

III. A Redenção - versículos 11-16

Estas passagens explicam um pouco mais a respeito do primogênito macho, que deveria ser separado para Deus. O primogênito macho, dos animais limpos, era sacrificado para o Senhor. O primogênito macho, dos animais imundos, deveria ser remido pela morte de um cordeiro ou deveria ser morto. Todos os filhos primogênitos deviam ser remidos. (Nosso Senhor Jesus nasceu sob a lei. Como o primogênito de Maria, isto se aplica a Ele. Ver Lucas 2:22-24).

Na medida em que os israelitas cumpriam aquilo que lhes fora determinado, era natural que seus filhos lhes questionassem a respeito do que estavam fazendo (verso 14). Então, mais uma vez, os grandes feitos de Deus no Egito deveriam ser explicados.

Antes de passarmos para a próxima seção, vamos meditar um pouco sobre algumas verdades espirituais ilustradas pela redenção do primogênito:

O primogênito dos animais limpos foi sacrificado para Deus, assim como Cristo, o nosso perfeito e imaculado redentor. Ele foi o primogênito (Romanos 8:29, Colossenses 1:15).

Em olharmos para o primogênito dos animais limpos como uma figura do povo de Deus (Hebreus 12:23) vemos a necessidade de suas vidas serem realmente dedicadas ao Senhor (Romanos 12:1, I Coríntios 6:19-20).

Os animais imundos representam o estado pecaminoso do homem. Nós, como o primogênito da jumenta, devemos morrer ou sermos resgatados. Somente a morte de um cordeiro é que poderia livrar um jumento do julgamento. Sem o Cordeiro de Deus, o homem, assim como o jumento, morreria e seria lançado fora da presença de Deus (versículo 13, Jeremias 22:19, Apocalipse 20:15).

O jumento não somente representava o perigo em que o homem se encontrava como também sua natureza corrupta, pois era um animal impuro. Por natureza ele é estúpido, teimoso e criado para escravidão (Jô 11:12, Gênesis 49:14). Somente Deus remiria alguém assim através de Seu precioso Filho (Romanos 5:6-8).

Mais tarde, Deus tomaria os Levitas no lugar dos primogênitos dos filhos de Israel (Números 3:12-13). Aqueles que excedessem o número dos Levitas, deveriam ser resgatados com dinheiro (Números 3:40-51).

Que magnífica figura de Cristo nosso grande sumo sacerdote tomando o nosso lugar diante de Deus. Ele é o nosso Sacerdote e o nosso substituto (Hebreus 7:26-27). Em Israel havia um número insuficiente de Levitas e por isso os primogênitos excedentes deveriam ser resgatados com dinheiro. Na salvação que há em Cristo, ninguém precisa ser resgatado com ouro ou prata, pois Ele é suficiente para salvar todo aquele que crê (I Pedro 1:18).

IV. O Caminho Correto – versículos 17-18

Havia duas rotas para Canaã. Israel poderia ter seguido rumo ao norte, através da terra dos filisteus, atingindo assim o seu destino em poucos dias. Ao invés disso, Deus os conduziu na direção do sul, pela península do Sinai.

Não há dúvidas de que o homem em sua sabedoria mundana teria escolhido a rota mais curta. Isso nos ensina que somente o Senhor é um guia seguro (Provérbios 3:6, Jeremias 10:23). Seus caminhos podem não ser curto ou fácil, mas são os melhores (Salmo 107:7). Embora Israel talvez não pudesse compreender o caminho de Deus, ao olharmos para trás, podemos ver a sabedoria da Sua liderança. Um dia vamos olhar para trás e compreender o caminho de Deus em nossas vidas. Note agora os propósitos de Deus para Israel:

A. Deus conhece a força e as limitações do Seu povo (Êxodo 14:17). Muitas vezes o caminho do qual nós nos queixamos é o mais seguro para nós (I Coríntios 10:13, Deuteronômio 32:10-12).
B. Enquanto Israel seguia a liderança de Deus, seus inimigos foram destruídos (Êxodo 14:27-30).

C. O caminho pelo deserto os conduziu ao Monte Sinai, aonde a lei foi recebida.

D. No deserto Israel aprendeu de suas próprias fraquezas (Deuteronômio 8:2).

E. No deserto Israel aprendeu a confiar na Palavra de Deus (Deuteronômio 8:3).

Cristo fez referência a isso enquanto resistia á tentação de Satanás.

V. Os Ossos de José – versículo 19

José confiava de todo coração que Deus manteria a Sua palavra e levaria Israel de volta para Canaã. Sua fé era tão forte que ele fez com que eles fizessem um juramento de que carregariam seus ossos com eles quando isto ocorresse (Gênesis 50:24-25, Hebreus 11:22). Ao manterem seu juramento, eles provam que nunca esqueceram totalmente as promessas de Deus. Nós cremos que os Israelitas conheciam suas origens e relembravam as palavras de Deus entregue aos patriarcas.
(Este evento nos faz lembrar de I Tessalonicenses 4:16. Assim como os ossos de José não foram deixados no Egito, assim também um dia os corpos dos filhos de Deus serão removidos deste mundo. Nosso fim não é em um "caixão no Egito").

VI. O Shekinah – versículo 20-22

Enquanto Israel saiu de Egito, eles foram guiados por uma coluna de nuvem e fogo (Salmo 78:14). Isto era uma manifestação visível da presença de Deus. Deus falava com eles através da coluna (Salmo 99:6-7, Êxodo 33:9-11). A liderança do Senhor é uma das maiores bênçãos que podemos desfrutar. A coluna nos recorda da presença de Deus em nossas vidas das seguintes maneiras:

A. Deus nos guia pela Sua palavra (Salmo 119:105, Provérbios 6:20-23).
B. Deus nos guia pelo Seu Espírito (Romanos 8:14).

A coluna nos faz lembrar da presença do Espírito de Deus de várias maneiras. A coluna veio estar com Israel após a sua redenção do Egito, assim como o Espírito vem habitar naqueles que crêem em Cristo para salvação (Efésios 1:13). A coluna era uma luz e uma proteção para o povo de Deus, assim como o é o Espírito Santo (João 16:13, Salmo 105:39). Ao mesmo tempo, a coluna era trevas para os Egípcios, assim como o mundo não pode compreender as coisas do Espírito de Deus (I Coríntios 2:14).

 

Autor: Pr Ron Crisp
Tradução: Eduardo Alves Cadete 07-03
Revisão: Calvin Gardner 09-03
Fonte: www.palavraprudente.com.br