O Primeiro Batista Por Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 1—DIVINAMENTE ELOGIADO

O PRIMEIRO BATISTA

Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 1—DIVINAMENTE ELOGIADO

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Jesus disse: “não apareceu alguém maior do que João o Batista”.

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Superlativos são comuns e a maior parte deles difíceis de apoiar com provas. Mas como sempre, o Senhor Jesus falou aqui com a voz de autoridade divina. Temos então, uma surpreendente declaração sobre um grande homem, feita por alguém infinitamente grande. Por isso Jesus fala em Mateus 11:11 com ênfase:

“Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele”.

Buscando respostas para certas questões, o significado de Cristo ter falado tão esplendidamente de João o Batista pode ser descoberto.

CRISTO CHAMOU JOÃO O BATISTA DE O MAIOR HOMEM DA HISTÓRIA?

Um anjo do Senhor anunciou a Zacarias, o pai de João, que ele seria “grande diante do Senhor” (Lucas 1:15). Alguns homens são grandes aos seus próprios olhos, alguns o são aos olhos de seus contemporâneos, mas João foi grande aos olhos do Senhor.

João era “cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe”. (Lucas 1:15). Quem mais em toda a literatura sacra ou secular recebeu tal declaração? Este dom desde antes de nascer e conservado em sua vida, enriqueceria suas obras e palavras com autoridade divina. João foi destinado a ir a muitos de seus conterrâneos para convencê-los a aceitar o Senhor como seu Deus; ele foi, e "levantou uma salvação poderosa"; e "Para dar ao seu povo conhecimento da salvação, Na remissão dos seus pecados" (Lucas 1:16, 69, 77).

O primeiro homem no Novo Testamento com distinção (um abnegado!) tinha “espírito e virtude de Elias” (Lucas 1:17), que foi um profeta de renome no Antigo Testamento. João foi “converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos” (Lucas 1:17).

João o Batista foi "enviado de Deus" (John 1:6) para "preparar ao Senhor um povo bem disposto" (Lucas 1:17). Esta foi uma grande ordem de fato. Entre as multidões que João preparou para o Senhor estavam os doze discípulos (Atos 1;22) e alguns dos "quinhentos irmãos" que viram o Senhor Jesus ressuscitado (I Co 15:6). Este número indica a imensa multidão que veio a ele, acreditando em sua mensagem sobre Cristo, e sendo então batizados por ele (Mateus 3: 5-6).

Se os cristãos de hoje tem o mesmo espírito e poder de João o Batista e se eles usam o seu método, eles podem também preparar multidões para o Senhor.

Entre os muitos serviços que João fez para o seu Senhor um era este: "Endireitar as suas veredas" e "aplainar os caminhos escabrosos” (Lucas 3:4-5). Ele foi um homem que tornou real o provérbio: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. (Pv. 4:18).

Todos os que seguiram a João sinceramente foram levados ao Senhor Jesus Cristo. (Uma grande razão para um livro em João: levar as pessoas a Cristo).

O precursor empurrou para longe os duros costumes dos legalistas fariseus com suas onerosas demandas. E as humildes almas que ele anunciou as boas novas que por longo tempo esperavam o Messias o que traria com Ele a divina salvação.

João tinha a única honra de ser o primeiro a apontar Cristo como o Cordeiro de Deus e Filho de Deus investido com toda a divindade (João 1:29, 34). Ele descreveu a Cristo pelas palavras inspiradas pelo Espírito Santo (Lucas 3:16, 17). A permanente honra pertencente a João para sua exaltação e privilégio foi o de ter batizado ao seu Senhor (Mateus 3-17).

Esta distinção é mais merecida porque João se sentiu indigno de oficiar neste serviço divino onde, pela primeira vez na história a Trindade aparecia ao mesmo tempo e no mesmo lugar. A humildade de João apesar de suas altas honrarias é repetidamente declarada em bela linguagem. Ele disse de Cristo: "cujas alparcas não sou digno de levar" (Mateus 3:11); "Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas."(Marcos 1:7); "É necessário que ele cresça e que eu diminua." (João 3:30).

João não foi "uma cana agitada pelo vento" (Mateus 11:7). Ele foi mais do que o forte carvalho. Ele não foi "um homem ricamente vestido"; antes ele se trajava com pele de camelo. Jesus disse dele: “um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta”.

O Batista foi fiel até a morte. Ele poderia ter sido um dos que bajulavam na corte do rei Herodes, "Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo; e guardava-o com segurança, e fazia muitas coisas, atendendo-o, e de boa mente o ouvia" (Marcos 6:20). Mas João escolheu a retidão ao invés da fama. E porque pregou ética cristã audaciosamente sem compromisso ou limitação foi vitima da maldade de Herodias que o matou movida pelo ódio (Marcos 6:24-28).

João o Batista assemelhou-se a Cristo, aparentemente mais do que qualquer outro homem na história. Ele foi tomado por Cristo e Cristo foi tomado por ele.

Quando Cristo tornou-se conhecido e depois da morte de João, Herodes pensou que Cristo fosse João ressuscitado dos mortos (Mateus 14:1-2). Ainda mais adiante, alguns disseram que Cristo era João o Batista (Mateus 16:14). Isto foi um elogio superlativo de João: alguns que conheciam tanto a João quanto a Jesus confundiam um com o outro.

E os que pensavam que João tinha ressuscitado dos mortos (ninguém havia sido antes) por meio disso indicou quão grande eles pensavam que João era.

A grandeza moral de João distinguia-se mais quando é dito que ele "João não fez sinal algum" (João 10:41) e que Jesus fez milagres espantosos; ainda que João era, na mente de muitos, igual a Cristo. O número total de versículos na Bíblia relativos a João excede o número total de versículos de cada um dos trinta e três livros mais curtos da Bíblia.

Enquanto isto não é um critério por si mesmo, mas é um indicativo de que o Espírito Santo honrou a João. Enfatizando Suas palavras, Jesus disse: "Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele". (Mateus 11:11). Isto leva a uma importante questão:

QUEM É O “MENOR” NO REINO DOS CÉUS?

Podemos seguramente ordenar três classes de pessoas a quem o Senhor Jesus NÃO definiu pela palavra “menor”.

Os patéticos apóstatas em várias igrejas, ainda que uma vez regenerados, certamente não são maiores do que João o Batista!

Dizer que eles são “posicionalmente grandes, mas não moralmente” (Scofield) simplesmente não é verdade; uma declaração tal como esta é uma tentativa de distorcer o dispensacionalismo. (Mas não está rejeitando as divisões dispensacionais da Bíblia).

Os muitos versículos citados acima colocam João onde Jesus o colocou – grande posicionalmente e moralmente mais do que qualquer um de seus predecessores. Esta pessoa “menor” não é algum assunto futuro no milênio sobre o qual conhecemos muito pouco.

Sabemos mais sobre o reino mencionado por Cristo. João estava nele (Lucas 16:16); ele pregou sobre isto e sobre este Rei; sua vida e ministério tem pontos em comum com o de Cristo; e ele sempre foi obediente ao Seu Rei, por esta razão ele foi leal a este reino. "O teu reino (do Hebreu malekuth) é um reino eterno; o teu domínio dura em todas as gerações." (Salmos 145:13).

Mais é dito sobre este reino em Salmos 45:6; 103:19; 145:11, 12.

Nem pode ser este “menor” uma pessoa que foi contemporânea de João. Cristo não deu elogios assim a mais ninguém, nem mesmo para Sua própria mãe. Nem poderia ser o grande apóstolo Pedro, importante como ele era, comparado com João.

E diferente de Paulo, João o Batista nunca foi um perseguidor ou um blasfemador (I Tm 1:13), como Saulo de Tarso foi antes de sua gloriosa conversão. Isto não é dizer que ele foi sempre perfeito ou sempre pecador, pois "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rom. 3:23).

Que alguém cite João 14:12: "aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas " ou João 16:12-13: "ele vos guiará em toda a verdade" como indicando a grandeza de João, uma rápida comparação de João com qualquer cristão ao longo da história deve dar a ele prioridade.

Isto deve ser claro à luz da palavra grega usada para “menor”.

“Menor” (do grego mikros) pode se referir a tempo, idade ou aparência.

Assim está em Marcos 15:40: “Tiago o menor” (mikrou) simplesmente significando que Tiago era jovem. Sessenta vezes no Novo Testamento a palavra mikros e suas formas cognatas são usadas em referência a tempo. Esta palavra também é usada na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, em Gênesis 25:23; Josué 6:26 e Jeremias 42:1. Então podemos também referir a Cristo de Si mesmo em Mateus 11:11 e em Lucas 7:28.

Uma aparente inconsistência similar é encontrada em Lucas 14:26: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe ... não pode ser meu discípulo”.

Jesus espera que odiemos nossos pais? É claro que não; Ele simplesmente quis dizer que devemos amá-Lo mais do que nossos pais.

Se permitirmos "menor" para significar "posterior" em Mateus 11:11, tudo se ajusta belamente. Cristo entrou em cena depois de João. Ele nasceu seis meses depois de seu precursor (Lucas 1;36).

João refere-se a Cristo como "aquele que vem após mim" (Mateus 3:11); "mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu" (Lucas 3:16); "O que vem após mim" (João 1:15); "Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim" (João 1:27); " Após mim vem um homem que é antes de mim" (João 1:30).

Todos os fatos se ajustam bem em Mateus 11:11 quando deixamos “menor” significar “depois” e assim declaramos que somente Cristo foi maior do que João.

Crisóstomo (347-407 d.C), orador cristão, exegeta das Escrituras, patriarca de Constantinopla e pai da igreja, um dos quarto grandes doutores do leste, interpretou Mateus 11:11 “como uma assertiva da própria superioridade do Senhor em relação a João: “eu que sou menor em idade e na opinião do povo, sou maior do que ele no Reino dos Céus”.

Jerônimo (347-420 d.C) da igreja do oeste, disse que isto foi uma interpretação comum em seus dias. “Erasmus aprovou”. (1466-1536).

A. T. Robertson em vida, talvez o maior erudito em grego do Novo Testamento, escreveu: “é uma posição suprema que João ocupou. Ele ficou próximo ao Filho de Deus [Ele ficou próximo ao próprio Filho de Deus]. Essa honra foi além da recebida por Abraão, Moisés, Davi, Isaías, Sócrates, Platão, Demóstenes, Alexandre, Judas Macabeus, Hillel ou Shammai” (John the Loyal, p. 234). (Ao citar eruditos ou pontos em particular, ninguém necessita assumir que todos os outros pontos foram endossados por este livro).

“O conselho de Deus”, Cristo disse em Lucas 7:29-30, foi equivalente ou similar em divina autoridade ao batismo de João. Isto elevou a mensagem e o batismo de João de fato a uma alta posição. Cristo fez esta assertiva somente porque João era cheio do Espírito Santo e O obedecia quem inspirou suas palavras e obras.

A propósito, Cristo mesmo definiu a pessoa de que é de fato o menor no reino. “Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus”. (Mateus 5:19). João o Batista está entre os grandes.

Mas e os que negam o seu batismo e ensinam assim aos outros?

Depois de tudo o que foi dito da grandeza de João, o melhor de tudo é que ele aponta para o Senhor Jesus Cristo.

Ele preparou as pessoas para o Senhor (então podemos fazer muitas coisas que João fez).

Ele os levou a crer em Cristo e então os ajudou a confirmar sua fé através do batismo público. Isto leva a outra interessante e provocativa questão:

JESUS CHAMOU JOÃO DE O PRIMEIRO BATISTA?

(Por 20 séculos Batistas não afirmam terem identidade com João, como regra. Se eles podem seria uma alta honraria de fato). Jesus fortemente implica que João foi o primeiro batista em Mateus 21:24-27; Marcos 11:27-33 e Lucas 20:1-8.

“O batismo de João, de onde era? Do céu, ou dos homens?”

Se João tinha copiado o batismo de modelos anteriormente existentes como alguns eruditos dizem, então os antagonistas de Cristo poderiam facilmente ter escapado do dilema dizendo “dos homens”. Mas: “tememos o povo, porque todos consideram João como profeta”.

Todos eles sabiam que o batismo de João era algo novo, nunca antes visto. Mas se eles admitissem que veio do céu Cristo diria: "Então por que o não crestes?"

Por consequência, Jesus disse àqueles que o confrontavam que Sua autoridade veio da mesma fonte que a de João – do céu. Portanto, João foi o primeiro batizador; ele foi o primeiro Batista. João 1:33: “mas o que me mandou [Deus] a batizar com água”. Desde que João foi o primeiro batizador e desde que seu nome foi “Batista”, ele deve ter sido o primeiro Batista.

Se João não foi o primeiro Batista, quem foi?

O Antigo Testamento silencia sobre “batismo de prosélitos”; da mesma forma escritos da Apocrypha, Filo e Josefo.

Os banhos dos essênios não tinham relação com o batismo de João. Albert Schweitzer escreveu que nenhum rito de purificação das religiões comparadas podem explicar o batismo de João. (The Mysticism of Paul, p. 232).

Rudolph Bultman: “Certamente não há testemunho para a prática de batismo de prosélitos encontrados antes do fim do primeiro século” (Theology of the New Testament, 40).

A. H. Strong: “o batismo de João foi essencialmente um batismo cristão, ainda que o significado pleno não tenha sido entendido até após os eventos da morte e ressurreição de Jesus” (Systematic Theology, p. 932).

Entre outros eruditos que afirmam que o batismo de João foi novo e único então: C. A. Bernandi in Johannes der Taufer and die Urgemende; Markus Barth in Die Taufe—ein Sakrament?; Edward Irving in Works, II, p. 40; e eruditos pedobatistas tais como: Whitby, Lightfoot, Scott, Henry, Adam, Clark, Wesley e Bloomfield. Ninguém foi chamado “Batista” antes de João, o filho de Zacarias. O nome “Batista” é encontrado quinze vezes no Novo Testamento e nenhuma vez em todo o Antigo.

A primeira destas está em Mateus 3:1, onde o Espírito Santo usou ao falar através de Mateus.

Então Cristo usou o nome “Batista” cinco vezes: Mateus 11:11-12; 17:13; Lucas 7:28, 33.

Amigos do Batista usaram este nome quatro vezes: Mateus 16:14; Marcos 8:28; Lucas 7:20; 9:19.

Os antagonistas usaram este nome cinco vezes: Mateus 14:2, 8; Marcos 6:14, 24, 25.

A American Standard Version usa “João o Batizador” em Marcos 6:14, 24.

O significado é o mesmo.

“Qual foi a origem do batismo de João?” pergunta A. T. Robertson em “John the Loyal” (p. 79).

“O verdadeiro título “o Batista” argumenta a originalidade do batismo de João em algum sentido”. Considerando a questão feita do batismo em João 1:25: "Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo ...?"

Robertson comenta: “o ponto da questão é que o Messias não causaria surpresa se ele fosse introduzir um novo rito como este”. Mas se João não era alguém importante, porque ele batizava? A questão argumenta a novidade do batismo de João... Jesus claramente implica que o batismo de João tinha mais do que uma mera origem humana... foi de fato, uma nova ordenança, equivalente ao voto, e especialmente diferente das lavagens cerimoniais que os judeus estavam familiarizados”.

Os essênios, como eram conhecidos, tinham alguns tipos de imersão. Os judeus e outros tinham também práticas de abluções cerimoniais, banhos, lavagens em seus ritos religiosos. Mas estes diferiam radicalmente do batismo de João. Eles não apontavam para Cristo; eles não eram simbólicos da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo como claramente é visto em Lucas 12:50; Romanos 6:3-5; Colossenses 2:12; I Pedro 3:21; eles não significavam os recipientes da morte para o mundo de pecado e nova vida em Cristo (Rom. 6:6-13); eles não significavam conversão e eles não eram de uma vez por todos votos de lealdade a Cristo que foi batizar Seus seguidores no Espírito Santo.

Admitidamente, o batismo de João não pode ter alcançado muito significado aos seus convertidos como fez os batismos do Novo Testamento, quando a obra de Cristo foi melhor conhecida e explicada. Similarmente, um convertido aos doze anos de idade provavelmente conhece menos do batismo do que um convertido aos vinte ou trinta anos de idade. Ainda que ambos os batismos sejam válidos. Em cada caso o convertido precisa continuar a aprender mais do Evangelho por toda a sua vida.

Que João o Batista foi o primeiro cristão pregador é visto nisto: ele preparou o caminho para Cristo; ele endireitou Suas veredas; ele apontou para Cristo; ele batizou a Cristo; ele continuou magnificando a Cristo; ele usou o mesmo texto que Cristo e outros pregadores do Novo Testamento usaram; ele ensinou e batizou os primeiros cristãos e seu ministério foi similar ao de Cristo.

Se João não pertenceu a dispensação do Novo Testamento, como alguns dizem, então como pôde Cristo estar “nos dias da sua carne”? O nome “João” foi divinamente dado antes do nascimento do Batista (Lucas 1:13, 60-66).

O nome “Batista” foi aparentemente dado por direção divina. Desde que “toda a Escritura é divinamente inspirada” (2 Tim.3:16), devemos aceitar Mateus 3:1 também como inspirado. Então o nome “Batista” é um nome mais do que de origem humana.

Parenteticamente, é necessário aqui declarar que sem pretensão de orgulho, há uma conexão histórica ou linha de sucessão ininterrupta entre o primeiro batista e os do atual século. Parece desnecessário fazer qualquer afirmação sobre a sucessão apostólica nesta consideração, ainda que alguns o façam assim de modo sincero. Mais para ser desejado é uma sucessão doutrinal, ou espiritual, ou lógica com este precursor que Cristo endossou. É esperado que este estudo seja útil em estabelecer uma familiaridade espiritual com o primeiro pregador da era cristã. Ninguém deve se orgulhar de seu nome denominacional, exceto quando o nome pode apontar para Cristo de um modo significativo.

“A causa principal de nosso regozijo não é por tanto por causa de nosso nome, mas é porque seguimos o exemplo de uma grande pessoa”. (W. E. Powell). E aqueles que estão unidos com Cristo em elogiar João o Batista devem fazer isto com o mesmo motivo que Cristo teve em mente: enaltecer e magníficar o Evangelho que ele pregou tão efetivamente.

Ninguém pode dividir a glória que é de Deus: "a minha glória, pois, a outrem não darei" (Isa. 42:8; 48:11). Neste estudo de João é esperado que acrescente a glória do Senhor por mostrar quão fiel ele foi com o Evangelho. Isto nos compele a próxima questão que é:

JOÃO COMEÇOU A DISPENSAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO?

O mais curto dos Evangelhos, e alguns dizem ser o primeiro, começa com esta significativa declaração: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Marcos 1:1). Então os dez versículos seguintes falam do ministério de João o Batista, incluindo seu batismo do Senhor Jesus. Isto parece colocar João no começo e dentro da era do Novo Testamento.

Mas alguns ainda objetam. O começo, eles dizem, não pode ter sido antes da morte de Cristo na cruz, ou na Sua ressurreição, ou na Sua ascensão, ou no pentecostes.

Quando os Estados Unidos começaram a se tornar uma nação independente? Foi em Boston, aos 16 de dezembro de 1773? Ou na batalha de Lexington aos 19 de abril de 1776? Ou assinatura da declaração em 4 de julho de 1776? Ou na rendição de Cornwallis aos 19 de outubro de 1781? Ou na assinatura do tratado de paz aos 3 de setembro de 1783? Ou quando a última tropa inglesa deixou a América aos 25 de novembro de 1783?

Alguns perguntam: Mas o começo da era do Novo Testamento é tão importante? Sim. Todos os cristãos tem direito a tudo dos quatro Evangelhos; eles são cristãos desde o começo. Um ministro bem conhecido deu uma série de “mensagens expositivas” sobre o Evangelho de Mateus e dizia frequentemente: “agora isto não é para você; isto é para os judeus”. Ele sofreu e causou sofrimento aos seus ouvintes, por seu dispensacionalismo defeituoso. Ele relegou João o Batista aos judeus e privou sua grande audiência de muita coisa do Evangelho. (Quando eu perguntei a ele se não estava pregando “Bullingerismo” [N.T.: de Heinrich Bullinger reformador suíço], ele negou, mas também cessou sua ênfase que estava dando neste ponto). Este é o tempo que João é restaurado ao seu próprio lugar como o primeiro pregador do Novo Testamento.

“De uma vez por todas, permita-nos dizer que esta teoria que tem contribuído de tão grande modo para uma compreensão errada da origem do cristianismo, a saber, que João pertenceu à antiga dispensação ao invés da nova”. (Wm.Arnold Stevens, Addresses on the Gospel of St. John, p. 30). “Se alguém afirma que o batismo de João tem a mesma força que o batismo de Cristo, seja anathema” (Concílio de Trento, Ibid., p. 38). Isto é típico de Roma!

João o Batista tem lugar no começo do Evangelho de Mateus, logo após o relato do nascimento de Cristo. Depois do prólogo do Evangelho de Lucas em quatro versículos, a história de João começa. E o quarto Evangelho introduz o Batista em seu sexto verso. Esta proeminência e primazia não é algo acidental.

O Batista pregou o mesmo Evangelho que mais tarde os demais pregadores do Novo Testamento pregaram. Seus convertidos com certeza foram salvos como crentes. (Aqueles que estão em Atos 19:1-7 não foram convertidos de João) Uma leitura cuidadosa de Lucas 1:16-17, 69, 77; Atos 10:37; 13:24, indica a autenticidade do Evangelho de João. A palavra “anunciava” em Lucas 3:18, usada para João, no grego é euangelizeto, significa evangelizado, a palavra é usada dez vezes para pregar o Evangelho em Atos e onze vezes nas Epístolas.

Quando Pedro pregou pela primeira vez aos gentios, ele indicou que o Evangelho começou “depois (do grego meta, usualmente “com”) o batismo que João pregou” (Atos 10:37). A palavra “depois” aqui se refere não ao tempo, mas a maneira ou conteúdo. Robertson: “o batismo de João é dado como o término de um estado.”

Paulo em seu primeiro sermão incluiu uma menção a João o Batista. “Tendo primeiramente João, antes da vinda dele, pregado a todo o povo de Israel o batismo do arrependimento”. (Atos 13:24). De fato, a última menção de Paulo em Atos (28:31) é extraordinariamente similar a pregação de João o Batista. Nenhum profeta do Antigo Testamento pode, portanto ser comparado com João, certos críticos não obstante.

Uma passagem fundamental é a de Lucas 16:16: “A lei e os profetas duraram até (mechri) João; desde então é anunciado (euangelizetai) o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele”.

João não pregou as leis e as ordenanças do Antigo Testamento. Ele pregou o Reino de Deus e Cristo, Seu Rei. Portanto, a nova dispensação teve começo com a pregação de João, o primeiro pregador do Evangelho de Cristo do Novo Testamento. Isto é importante, clarifica a posição de João e Cristo o endossa. Evita a confusão de colocar muito do Novo Testamento de volta ao Antigo.

A. T. Robertson: “Marcos é justificado pela palavra de Jesus (Mateus 11:12f; Lucas 16:16) ao colocar João no começo da nova dispensação. O começo externo de fato foi quando João levantou sua voz no deserto. ‘Até João’, Jesus disse... Lucas é plenamente cônscio que a nova era se abrira com João (John the Loyal, 36). “O movimento cristão começou com João” (Ibid., p. 52). “João foi o primeiro e introduziu uma nova era... não foi dos ministros mais próximos de João que Pedro data a nova dispensação, mas do começo... é algo de suma importância marcar uma nova época. Foi o que fez João (Ibid., p. 286). “Mas como Paulo, assim como com Pedro, João foi o homem que introduziu uma nova era. Ele pregou primeiro o batismo de arrependimento e foi assim até a vinda do Senhor Jesus (Ibid., p. 288).

Doutor W. A. Criswell, pastor por um longo tempo na Primeira Igreja Batista de Dallas, Texas, escreveu em sua tese de doutorado: “João o Batista tem relação com o movimento cristão” (Southern Baptist Seminary, Louisville, Ky., 1937), “o movimento cristão começou com João” (p. 24). “O Evangelho de João começou com o ministério de João o Batista” (p. 25, from Bruce, Expositor’s Greek Testament Vol. I, p. 341).

Doutor R. C. H. Lenski, um luterano: “João estava no Reino, pela fé o admitiu e assim foi com todos os outros crentes. A suposição que o ministério de João foi até o antigo pacto é contradita pelo próprio Senhor Jesus que o descreve como assunto profético do Antigo Testamento o qual foi encerrado em Malaquias. Jesus assim combina João consigo mesmo em abrir a promessa do novo pacto” (p. 414, The Interpretation of St. Luke’s Gospel. Used by permission of Augsburg Publishing House, Minneapolis, Minnesota, copyright owners by assignment from the Wartburg Press.)

George E. Hicks: “o texto de João 1:29 sozinho transforma João do último dos profetas para o primeiro evangelista do cristianismo” (John the Baptist, The Neglected Prophet, p. 56).

Desde que João está no Novo Testamento, então todos nós que cremos em Cristo desde o tempo de João podemos afirmar que o Evangelho da verdade foi proclamado por ele. E desde que o ministério de João se equipara com o de Cristo e Seus apóstolos, podemos então estar verdadeiramente seguros que eles foram similares. Mas se João forçou a volta para a antiga dispensação, ou para o chamado “período ponte” então a porta está aberta para todo tipo de especulações e compartimentalizações por parte de ingênuos dispensacionalistas.

Quando Jesus igualou o batismo de João com o “conselho de Deus” (Lucas 7:30), Ele endossou ambos para fazerem parte da dispensação do Novo Testamento. (O capítulo seis tem mais sobre João no Evangelho do Novo Testamento). A mensagem de João não foi, portanto, final ou completa. Este importante fato não deve ser esquecido, a fim de que a mais completa mensagem de Cristo seja desprezada mesmo sendo uma pequena porção.

Por mais estranho que possa parecer, existe até mesmo agora em Bagdá uma congregação de pessoas que mantém uma forte lealdade a João o Batista. Nesta conexão o estudante sério pode querer estudar mais profundamente o “Movimento Batista” ao investigar os Mandaeans, Clementinos, Hemero-Baptists, Sabeans, Nazareans, Ginza e Disotheus.

Os discípulos em Atos 19:1-7 que pensavam que tiveram o batismo de João estavam afastados do próprio João que pregou o Espírito Santo, então eles não podiam ter ouvido João pessoalmente. Eles estavam a centenas de milhas, a 25 anos de distância do lugar de onde João tinha pregado. Todos eles estavam confusos em relação ao Evangelho por causa de alguns seguidores de João o Batista que eram ignorantes em relação a verdade. (Desde que muitos tropeçam nesta passagem, devemos tratar novamente).

Apolo era "poderoso nas Escrituras", mas parecia que ele conhecia "somente o batismo de João" (Atos 18:25). Áquila e Priscila “lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus”. Eles provavelmente o ensinaram a respeito de Cristo, sua ressurreição e ascensão e outros fatos históricos que não chegou aparentemente até a Alexandria.

O caso de Apolo mostra a importância de se ter uma visão geral da Bíblia, para não ignorar uma importante doutrina e se distorcer a teologia.

É importante para os cristãos saberem o que a Bíblia diz sobre João o Batista. É também importante não enfatiza-lo sobremaneira. Não deixe que se roube de Cristo a Sua primazia e glória. Com este cuidado em mente, outra grande questão desafia nosso pensamento.

JOÃO O BATISTA INICIOU ALGUM ENSINO NO NOVO TESTAMENTO?

Desde que João o Batista foi cheio com o Espírito Santo, seu ensino deve ter sido divinamente autorizado e inspirado. Isto foi substanciado por Cristo que validou seu ministério. O mesmo Espírito Santo que encheu Cristo sem medida também encheu João.

E porque João foi o primeiro pregador do Novo Testamento, ele deve receber algum crédito como alguém que iniciou muitos itens doutrinários do Novo Testamento.

Este detalhe pode ser notado no capítulo seis. Os primeiros dezoito ensinos dados por João não podem ser todos recebidos; muitos podem ser desconhecidos. “E assim, admoestando-os, muitas outras coisas também anunciava ao povo”. (Lucas 3:18).

Os textos usados por João (Mateus 3:2) e Cristo (Mateus 4:17) são idênticos no grego. E o reino que João pregou foi o mesmo declarado por Paulo ao fim de seu ministério (Atos 28:31).

É claro que Paulo pregou mais do que João, de acordo com os registros, mas ele não mudou qualquer coisa dos ensinos de João. João os deu primeiro. Entre os valores encontrados ao estudar João de novo é notar a beleza de sua humildade. Ele sempre magnificou a Cristo, mas nunca a si mesmo.

Se todos os crentes agora testemunhassem de Cristo, levassem as pessoas a Cristo, negando a si mesmas em nome de Cristo e permanecendo corporalmente com Cristo, como João fez, então mais pessoas iriam ser acrescidas nas igrejas hoje.

João pode estimular encorajar, incitar e nos levar a um efetivo testemunho para o Senhor Jesus! Doutor G. Campbell Morgan: “dezenove séculos se passaram desde que este rude profeta (João o Batista) proclamou a vinda do Rei. A obra de Jesus tem progredido na história por dezenove séculos na exata linha que ele havia colocado" (The Gospel of Matthew, p. 24).

Doutor Carl H. Kraeling: “é evidente do que temos visto de sua vida e pregação que João não foi em qualquer sentido um imitador. Antes, ele foi de uma espontânea, forte e original personalidade”. (John the Baptist, p. 109, Charles Scribner’s Sons, publishers.).

Todavia João é ignorado e por meio disso rebaixado por muitos teólogos. Alguns até mesmo negam que ele foi um cristão! A maior parte deles diz que João na verdade não fez parte do Novo Testamento e da direção do pensamento cristão.

Este preconceito é devido a preconceitos europeus contra os Anabatistas nos dias da Reforma? Devemos explorar esta possibilidade.

Antes disso, o que a Bíblia diz sobre João!

As profecias do Antigo Testamento sobre ele podem proporcionar um divino quadro das características e missão dos Batistas. E as profecias podem servir para examinar a exatidão de várias interpretações da vida de João no Novo Testamento.

  Tradução com autorização do PBMinistries: Edmilson de Deus Teixeira
Revisores: Glailson Braga, Luiz Haroldo Araújo Cardoso e Calvin G. Gardner – 02/2010
Usado com permissão: www.pbministries.org
Fonte: www.palavraprudente.com.br