O Primeiro Batista Por Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 3— RICAMENTE DOTADO

O PRIMEIRO BATISTA

Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 3— RICAMENTE DOTADO

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"...e será cheio do Espírito Santo" Lucas 1:15

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Quem exceto Cristo em toda a história teve um grande dom espiritual, antes de seu nascimento e durante sua infância como João o Batista?

JOÃO O BATISTA FOI CHEIO DO ESPIRITO SANTO

Outros homens e mulheres foram cheios do Espírito de Deus – sua mais preciosa experiência – mas João foi tão cheio que era “já desde o ventre de sua mãe” (Lucas 1:15).

Talvez o mais próximo paralelo a isto na Bíblia seja o caso de Jeremias de quem o Senhor disse: “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jer. 1:5). O dom de João é mais especifico.

Quando Maria, a abençoada mãe de Jesus, tomou conhecimento sobre seu inestimável e singular privilégio de dar a luz ao divino Filho de Deus, ela foi visitar sua prima Isabel, então grávida de seis meses (Lucas 1:35-40). Mas deixemos Lucas contar esta bela história: “E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo. E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor? Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre” (Lucas 1:41-44).

Aqui é um mistério. O bebê que estava no ventre de Isabel, que era João o Batista, respondeu a voz da mãe do Salvador! O que podemos entender disto? Podemos apenas nos maravilhar e adorar com temor, reverência e adoração e com uma doxologia!

Admitindo que os nascimentos de Jesus e de João não foram típicos ou normais, certas questões, porém podem surgir. É a teoria Traduciana verdadeira – que a alma, bem como o corpo, vem dos pais? Ou é a teoria Criacionista melhor – que Deus cria uma nova alma para cada novo corpo? Luteranos defendem a primeira; católicos e a maior parte dos reformados ficam com a segunda. O doutor A. H. Strong, um batista, apoiou o traducianismo.

Definitivamente isto é respondido por Lucas lançando uma luz inexorável na perversa ética abortista. A vida não começa simplesmente no parto, mas antes. Somente no tocante de quando começa é que não está claro. “E completou-se para Isabel o tempo de dar à luz, e teve um filho... E aconteceu que, ao oitavo dia... respondendo sua mãe, disse: Não, porém será chamado João. (Lucas 1:57-60f). Então Zacarias “escreveu, dizendo: O seu nome é João. E todos se maravilharam... E veio temor sobre todos os seus vizinhos, e em todas as montanhas da Judéia foram divulgadas todas estas coisas. E todos os que as ouviam as conservavam em seus corações, dizendo: Quem será, pois, este menino? “E a mão do Senhor estava com ele” (Lucas 1:63-66).

Desde que a mão do Senhor estava com João, seu futuro estava assegurado. E é correto assumir que uma grande quantidade de pessoas que viveram trinta anos mais tarde foram testemunhas da vida de João com grande expectativa. Isto deve responder pelo menos parcialmente pela sua grande audiência em um curto espaço de meses. E o menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel. (Lucas 1:80).

E durante todo este tempo o Espírito Santo o encheu com seus nove frutos: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gal. 5:22). Lucas, o médico amado e historiador meticuloso, fez cuidadoso exame sobre a história do nascimento de João. Parece provável que ele tenha entrevistado Maria para ter muitos destes dados.

Robertson diz (John the Loyal; p. 2): “é de valia também que o nascimento de João o Batista veio imediatamente depois da clássica introdução (Lucas 1:1-4), no qual ele declara sua diligente eficácia no exame e uso de suas fontes de informação”.

ZACARIAS, O PAI DE JOÃO, FOI CHEIO DO ESPÍRITO SANTO (LUCAS 1:67)

“E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor” (Lucas 1:6). O Senhor olha o coração, não meramente a aparência exterior.

Aqui estava um homem verdadeiramente bom, vivendo em uma época atribulada quando a bondade não era comum. Outro bom homem desta época foi Simeão que era “justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel” (Lucas 2:25). Graças a Deus por esses bons homens e mulheres. Os cínicos estão errados quando dizem: “todo homem tem seu preço”. Os “intocáveis” podem ser poucos, mas eles nos dão boas razões para ser esperançosos e corajosos. Zacarias foi um sacerdote consciente.

Quando ele executou o oficio de sacerdote - provavelmente a única vez em sua longa vida – uma “multidão do povo estava fora, orando, à hora do incenso” (Lucas 1:5-10). Esta menção, vinda de uma multidão pode ser indicativa de sua crença em seu caráter.

“E um anjo do Senhor lhe apareceu” (vs. 11). Este anjo identificou-se como Gabriel, um dos dois que foram chamados por nomes na Bíblia, o outro foi Miguel (Dan. 8:16; 10:13; Judas 9; Apocalipse 12:7). Aqui foi a primeira palavra do anjo desde Zacarias 12:8, por volta de 487a.C. E foi a primeira palavra de uma fonte inspirada desde Malaquias, por volta de 397a.C.

E Zacarias “turbou-se, e caiu temor sobre ele”. Zacarias era um homem de oração. “... a tua oração foi ouvida” o anjo lhe disse. Judeus devotos por séculos oraram – e muitos ainda o fazem – para que possam ver o Messias nascer em seus lares. Casais de judeus ainda consideram uma calamidade não ter filhos. Da mesma forma que Abraão e Sara que por muitos anos procuraram ter um filho, assim foi com Zacarias e Isabel, que procuraram e oraram até serem recompensados.

Esta promessa, de um filho para um casal em idade avançada, parece ser boa demais para ser verdade. Além disso, milagres não acontecem frequentemente, e ainda mais raro quando o anjo traz as novas. Quem somos nós para culpar este estimado homem idoso por expressar sua dúvida? Se ele estivesse atemorizado poderia ter pensado mais sobre o anjo e menos sobre sua própria fraqueza. Se isto foi a sua falha, é algo comum.

Pedro pode caminhar sobre as águas com seus olhos fixos no Senhor, mas quando ele olhou para a água e pensou sobre si mesmo, começou a afundar. Gabriel respondeu a dúvida de Zacarias dizendo: “E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu tempo se hão de cumprir”. (Lucas 1:20).

Esta mudez foi menos que uma punição, foi uma evidência continuada da verdade da divina revelação. Isto foi por nove meses uma espécie de lembrete para Zacarias e Isabel e também seus amigos do que Deus tinha falado. Como consequência, o nascimento prometido desta criança seria um evento expectante. Quando o mudo Zacarias surgiu do templo as pessoas “entenderam que tinha tido uma visão no templo” (Lucas 1:22).

Nossos pastores e evangelistas permanecem o tempo suficiente em um lugar santo de oração para dar evidência de que tiveram uma visão do Senhor? O sinédrio, ao interrogar Pedro e João, “maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.” (Atos 4:13). “Oh,que Deus nos desse um caminhar mais intimo, uma calma e celestial estrutura, uma luz para brilhar na estrada que nos leva ao Cordeiro” (Cowper).

Na primeira oportunidade que fez uso da palavra, depois de João nascer, Zacarias orou a Deus. Quão típico dele! Por ele ter sido obediente ao anjo que lhe ordenara dar o nome de “João” ao seu filho. Por ele ter sido obediente ao anjo que lhe havia anunciado aquelas coisas para dar o nome ao seu filho de João (Lucas 1:13, 63, 64). “O nome João (dado graciosamente por Jeová) tornou-se comum, desde o tempo do popular João Hyrcanus (morto em 106 a.C); treze pessoas com este nome são mencionadas por Josefo; e no Novo Testamento, ao lado de João o Batista e do Evangelista encontramos com João Marcos (Atos 12:12) e João de uma família do sumo sacerdote (Atos 4:6)” (Broadus, p. 32, Comentário do Evangelho de Mateus).

Desde que nomes bíblicos tem significados, citamos F. B. Meyer (John the Baptist; p. 21) aqui: “Zacarias significa é uma lembrança de Deus, como pensamos que ele foi uma eterna lembrança para seus seguidores do que Deus prometeu e do que eles esperam de Sua mão. Isabel significa “juramento de Deus”, como se fosse o seu povo, reivindicando perpetuamente as promessas da aliança no qual, desde que Deus, que não pode jurar por não haver outro maior do que Ele, tinha jurado por si mesmo, que Ele nunca os deixaria nem os desampararia, e quando o cetro partiu de Judá e o doador da lei entre seus pés, Siló deveria vir. Siló em Gênesis 49:10 é um dos gloriosos nomes do Messias, Cristo Jesus, o único que pode trazer paz a Terra.

O "Benedictus" é um dos preciosos hinos cristãos preservados para nós através de Lucas 1:68-79. Nesta profecia inspirada pelo Espírito Santo (versículo 67), Zacarias fala da redenção para o seu povo, salvação na casa de Davi, o cumprimento das antigas profecias, liberdade política por vir, o santo pacto relembrado, o juramento de Abraão verificado, santidade e retidão antecipados, o ministério de seu filho para “ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos... Para dar ao seu povo conhecimento da salvação Na remissão dos seus pecados” e a concessão de luz e paz.

Com um pai santo como esse, João foi de fato ricamente dotado.

ISABEL, A MÃE DE JOÃO, ERA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO (LUCAS 1:41).

Ela também foi “justa diante do Senhor” e, portanto, deve ter sido excepcionalmente correta aos olhos dos homens. Como um homem pensa assim ele é. E se Deus olha para os corações e vê retidão neles, então a pessoa é abençoada de fato.

Isabel tinha sido uma mulher de oração por toda a sua longa vida. Como Ana, mãe de Samuel (I Samuel 1:10-28), ela provavelmente sempre orava por um filho desde o seu casamento. Então quando suas orações foram respondidas ela louvou a Deus, dizendo: “Assim me fez o Senhor, nos dias em que atentou em mim, para destruir o meu opróbrio entre os homens”. (Lucas 1:25). O nascimento desta criança para pais já avançados em idade foi claramente reconhecido como um milagre, haja vista que “para Deus nada é impossível”. (Lucas 1:37).

Isabel foi totalmente submissa a Deus. Ela teve a honra de ser a primeira pessoa a reconhecer a vinda do Senhor Jesus três meses antes de seu nascimento (Lucas 1:42-45)!

Quão diferentes eram os sumos sacerdotes, supostamente treinados nas profecias do Antigo Testamento concernentes ao Messias, não reconheceram a Cristo até mesmo depois de verem Seus extraordinários milagres. E o que dizer daqueles religiosos assalariados que agora ocupam altas posições, profissionais que levam uma boa vida a custa das igrejas e que ainda questionam a divindade de Cristo? Alguns de fato duvidam de sua ressurreição física, Sua segunda vinda e Sua promessa do céu. O aumento das evidências da arqueologia bíblica parecem não afetar sua descrença.

As grandes evidências de genuínas conversões, se em grandes encontros ou em pequenas igrejas, deixam estes duvidosos ainda parados com seu orgulhoso intelectualismo. Entrementes, crentes humildes se regozijam nesta contínua obra de Deus. Isabel e Maria tiveram bons momentos juntas nestes maravilhosos três meses que passaram (Lucas 1:56).

Não podemos saber muito do que elas falaram, mas podemos especular que Isabel teria falado muito sobre seu filho João e que Maria semelhantemente falou sobre Jesus neste memorável encontro. Uma pequena divagação sobre Maria deve ser permitida aqui. Ela merece muito mais honra e amor do que muitos protestantes lhe dão, ainda que ela não seja mais mencionada na Bíblia depois de Atos 1:14 onde aparece orando em igual nível junto com outros crentes.

Pedro em seus sermões e epístolas não a menciona. Paulo não menciona seu nome, nem Tiago, Judas e João em suas epístolas. Isabel disse que Maria era bendita “entre as mulheres”, mas não acima das mulheres, ainda que ela tenha sido altamente honrada por ser escolhida para ser a mãe do nosso Senhor. Graças a Deus por Maria, a pura, amável, obediente, sábia, terna, fidedigna virgem da Galiléia que carregou o menino Jesus, seu primogênito. O quanto seu coração deve ter sido consternado pela descrença de seus demais filhos (João 7:3-5; Mateus 12:46-50). E ainda depois, quando ela viu seu amado Filho naquela cruz cruel, seu coração estava perfurado com a perfurante dor já experimentada pela humanidade. Talvez se ela soubesse o quanto incorretamente é hoje considerada por milhões dentro do Cristianismo que a colocam entre Cristo, ela teria sofrido ainda mais.

Isabel foi uma mulher humilde. Ainda que ela fosse muito mais velha que Maria, ela disse: “E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?” (Lucas 1:43)

Esta observação foi mais honrada ao Filho de Maria do que a própria Maria. Certamente Maria estremeceria ao pensar que ela pudesse ocupar o lugar de Seu Senhor nos sentimentos de alguém, ou em orações, ou na esperança de salvação.

Finalmente, Isabel não foi desobediente em relação a visão celestial. Ela sabia que seu filho seria chamado “João” e ela o manteve. Apesar dos argumentos de seus parentes e vizinhos que vieram se alegrar com ela, e que tentaram dar um nome ao menino depois de seu Zacarias, Isabel respondeu: “Não, porém será chamado João” (Lucas 1:58-60).

O Senhor pode confiar em mulher como esta. Uma boa mãe é um dom inestimável para qualquer criança. Abraham Lincoln disse: “tudo o que eu sou, ou espero ser, devo a um anjo, a minha mãe”

Ele não a teve por muito tempo. Por quanto tempo João esteve com seus pais idosos não sabemos, talvez vinte anos ou menos. Mas eles incutiram sua rica espiritualidade em seu filho, a cada minuto que viveram.

JOÃO NÃO PODIA BEBER VINHO NEM BEBIDA FORTE (LUCAS 1:15)

Esta proibição em uma terra e época onde o consumo de vinho era comum, indica que João foi um nazireu. Exceto por Paulo brevemente (Atos 18:18; 21:24), João foi o único nazireu mencionado do Novo Testamento. Sansão e Samuel foram nazireus por toda vida no Antigo Testamento. Os nazireus não cortavam os cabelos, indicando separação (do hebreu nazir = separado).

O nazireado era um padrão de santidade e devoção a Deus, e tendo um pai e uma mãe cheios do Espírito Santo, o lar onde João viveu seria o lar ideal. A idade avançada de seus pais poderia indicar alguma medida de sabedoria além da dos jovens e imaturos pais. Este lar seria assepticamente limpo, moralmente. O Espírito Santo tinha pleno controle de cada membro desta família.

As conversas envolveriam frequentemente as Sagradas Escrituras. O plano do Antigo Testamento para a vida no lar seria seguido como uma receita de felicidade doméstica. Entre outras passagens, há de Deuteronômio 11:19-21: “E ensinai-as [a Palavra de Deus] a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; E escreve-as nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas; Para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra”.

Então o “céu na terra” É possível. O lar de João tinha isto. O lar de nosso Salvador tinha isto. Outros lares que seguiam o plano celestial também podiam ter isto.

E em um lar tal como onde João cresceu, ele tornou-se forte em espírito. O treinamento que ele recebeu para seu grande ministério foi o melhor.

  Tradução com autorização do PBMinistries: Edmilson de Deus Teixeira
Revisores: Glailson Braga, Luiz Haroldo Araújo Cardoso e Calvin G. Gardner – 02/2010
Usado com permissão: www.pbministries.org
Fonte: www.palavraprudente.com.br