O Primeiro Batista Por Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 4— PLENAMENTE PREPARADO

O PRIMEIRO BATISTA

Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 4— PLENAMENTE PREPARADO

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“E o menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel”. Lucas 1:80

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O último versículo deste longo capítulo do Evangelho de Lucas é surpreendentemente similar ao versículo sobre a infância de Jesus (Lc 2:40). Como é apropriado, é dito mais sobre Jesus do que sobre João. A história de Jesus aos doze anos no templo não tem paralelo com a de João. Mas como o menino João cresceu e como se tornou forte de espírito e quem foram os seus professores e o que ele estudou durante todos esses anos? Ele teve crescimento físico como qualquer menino normal. O alimento em sua casa seria o melhor possível. Emil Shurer em sua “Grande História do Povo Judeu na Época de Jesus Cristo”, II, 1, pg 230, escreveu: “O sustento que os sacerdotes recebiam do povo para sua subsistência estavam abaixo do necessário para o tempo de serviço no templo, de uma muito modesta porção e certamente de um tipo precário. Mas subsequente a este último período, a maior parte deles foi aumentada em sua medida. Este fato nos capacita a ver em uma maneira admirável e peculiar que houve um grande aumento do poder e influência da classe sacerdotal”. O menino João tornou-se forte em espírito porque ele foi continuamente cheio do Espírito Santo. Além disso, seus pais também eram cheios do Espírito Santo e eles incutiram o seu melhor em seu próprio filho. E sobre este santo lar o Pai celestial estava velando, preparando João para sua única missão.

QUEM FOI O PROFESSOR DE JOÃO O BATISTA?

“A primeira educação foi necessariamente da mãe”, escreveu Alfred Ederchein em “A Vida e a época de Jesus, o Messias”, volume 1, pg. 288. Desse modo, o pequeno (do grego brephous, bebê) Timóteo conhecia “as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (II Tm 3:15). Esta “fé não fingida” Paulo disse a Timóteo “a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti” (I Tm 1:15). “De fato não era sem motivo que os judeus “ eram desde as fraldas... treinados para reconhecerem a Deus como seu Pai e como Criador do mundo; que tendo recebido o conhecimento (da lei) desde a tenra infância, eles levavam em suas almas a imagem dos mandamentos”, escreveu Ederchein citando Filo e Josefo. Quando João foi capaz de falar começou a ser instruído sobre o Antigo Testamento com a memorização de versículos. Seu “texto especial de aniversário” seria um de acordo com o costume judeu daquela época que tinha no começo ou no fim as mesmas letras que as de seu nome. Os primeiros hinos ensinados seriam os salmos. Com a idade de quatro anos Zacarias teria assumido a responsabilidade maior de ensinar ao seu filho a Torá (Pentateuco). A educação formal começou aos cinco ou seis anos, onde a Bíblia somente foi ensinada até aos dez. O primeiro livro ensinado nessa época foi Levítico. Então aos dez, a Mishna ou lei tradicional era ensinada, aos treze os mandamentos, aos quinze o Talmude com suas discussões teológicas. A casa de João tinha todos os 39 livros do Antigo Testamento, mas numerados em 22 de acordo com o sistema hebraico de contagem e combinação de livros. Estes livros estavam em rolos, escritos com os caracteres quadrados hebraicos sem marcação de vogais. Muita ênfase tinha sido colocada no treinamento de memorização de passagens na criança para que ela não dependesse de um rápido acesso a um pequeno volume conveniente tal como os disponíveis neste século atual. Zacarias certamente devotou a maior parte de seu tempo para seu jovem filho. Ele daria maior ênfase no ensino do Antigo Testamento, especialmente naquelas porções que tratam da promessa do Messias. Para Zacarias seria correto dizer a João tudo o que o anjo Gabriel lhe revelara, que sua missão principal seria preparar um povo para o Senhor. Muito tempo seria gasto em oração, quando o Espírito Santo ensinasse diretamente o significado preciso das Sagradas Escrituras. Muitos pregadores podem testificar que seus melhores sermões vem de longo tempo de oração. Os idosos pais de João sabiam que não viveriam até ver o início do ministério público de seu filho. Isto foi a sua dor. Se é que eles tinham alguma; não obstante os pais amam acima de tudo todos os outros para verem seus filhos e filhas sendo úteis em toda boa obra. Mas desde que provavelmente não viveriam para ver seu filho João fazer a obra eles fizeram todo o possível para prepará-lo para esta monumental tarefa. Podemos saber a idade de João à época que provavelmente seus pais foram chamados para o lar celestial. Se ele tinha quinze anos ele devia com certeza ter ido morar com seus parentes (Lc 1:58-61). Se ele estava com vinte ou mais pode-se assumir que ele tenha ido para o deserto (Lc 1:80). O doutor G. Campbell Morgan em seu livro “O Evangelho Segundo Lucas” (pg. 33) escreveu: “Eu penso, sem dúvida alguma, que João foi para o deserto quando tinha vinte anos de idade. Eu penso que ele rompeu com a classe sacerdotal e com o templo e sob divina orientação foi para o deserto”. Broadus (Mateus 33) diz que: “João provavelmente viveu na parte sudoeste defronte a Hebrom”. Leon Uris em “Êxodo Revisitado” (pg. 18) sugere Ein Karen, norte de Hebrom, oeste de Jerusalém como o local de nascimento de João. Broadus, diferentemente, diz que João teria muito tempo para explorar as áreas desérticas imediatamente a leste das cidades dos sacerdotes ao sul da Palestina (Israel atual). Ele sabia como se cuidar em qualquer lugar. Suas necessidades eram poucas e simples: gafanhotos, mel silvestre e pelo de camelo para vestir. A.T Robertson (John the Loyal, pg. 27), comenta sobre este tradicional período da vida de João: “João estava agora provavelmente crescido (vinte ou vinte e um anos, ainda não com trinta, a idade da maioridade judaica). Josefo tinha dezesseis quando foi para o deserto estudar por três anos com Banus, um famoso essênio.

Porque João foi para os desertos? Robertson (29) diz: “houve de fato uma motivação para que João fosse para os desertos, como Josefo, para estudar a doutrina dos Essênios e acabando por se tornar um deles. Mas não existe fundamento para tal ideia”. A impressão mais forte é que ele se instruiu a respeito dos Essênios, e a menos provável é a de que João fosse dependente deles. Enquanto é verdadeiro que eles citaram Isaías 40:3-5 como seu mandato, contudo, falharam em vivê-lo. Do que hoje é conhecido dos rolos de Qumran encontrados em 1947 próximos ao Mar Morto, é provável que os Essênios fossem zelosos estudantes do Antigo Testamento. Quem o sabe? Talvez João o Batista tenha lido e/ou copiado alguns desses rolos sagrados. Talvez o interesse de João neles tenha levado os Essênios a colocá-los sob proteção dentro de jarros onde permaneceram intactos por dois mil anos.

Admitidamente tudo isto é especulação. De qualquer modo, João teve muitos anos para si nos desertos, e é certo que ele o usou muito bem. Ele tinha muito para fazer no tocante a se preparar para introduzir o seu Senhor no mundo e apresentar a Ele “um povo bem disposto”. Ele não podia permitir qualquer padrão conhecido naquela época. Ele tinha que ser o pioneiro. Os fariseus, saduceus, zelotes e essênios foram de alguma ajuda se é que foram. Ele precisava de algo novo, algo dramático, algo simbólico da nova dispensação. Em seu perseverante estudo, o Espírito Santo o guiaria.

O QUE JOÃO PENSAVA SOBRE A IMERSÃO?

É claro que ele conhecia as cerimônias judaicas de lavagens e mergulhos. Ele conhecia as imersões dos Essênios em água corrente. Mas todas elas não continham, não significavam, não tinham a importância para a vinda do Messias e Sua mensagem salvadora. João teve que ir muito profundo por um símbolo ou sinal. Não poderia ser nada superficial. Nada já usado ou feito sobre cerimônias poderia ser digno do Filho de Deus. E o Messias não poderia depender de uma colônia de ascetas para qualquer parte de sua vital mensagem. Robertson (John the Loyal; pg. 46) nos lembra que: “os Essênios nunca foram mencionados no Novo Testamento, nem no Talmude, sendo conhecidos por nós apenas pelos escritos de Filo, Josefo e Plínio. Todas as tentativas em mostrar que algumas idéias ou práticas foram derivadas deles por João o Batista ou por Jesus são provadas como sendo enganos”. Nenhuma menção é feita do “batismo de prosélitos” no Antigo Testamento, na Apócrifa, em Filo, Josefo e nos antigos targuns, a Mishna, o Novo Testamento ou nos escritos dos patriarcas cristãos.

“O batismo de João, de onde era? Do céu, ou dos homens?” Perguntou Jesus aos seus críticos (Mateus 21:25). Veio completamente esclarecida, por uma direta revelação de Deus? Talvez, mas provavelmente não. Deus tinha Sua administração disto por meio do qual Ele espera que o homem faça o que é possível a ele fazer; Ele faz o impossível. Somente Jesus pode levantar Lázaro da morte; quem estava por perto somente pôde remover a pedra que estava no caminho. Os cinco irmãos não salvos do rico em Lucas 16 tinham “Moisés e os profetas”, eles não necessitavam que alguém ressuscitasse da morte, nem de falar a eles como viver e morrer (verss. 28 a 31).

João pensava da imersão como um símbolo do Evangelho de Cristo? O que é como um símbolo é indicado pelo fato da palavra “batizava” e “batizando” (João 3:22, 26; 4:1, 2) representando a totalidade do ministério de Cristo em certos lugares. Igualmente, algumas palavras representam a totalidade da obra de João o Batista em outros (João 1:28, 31, 33; 3:23; 10:40). Isto não quer dizer que o batismo granjeia salvação, mas faz uma imagem ou retrato dela. Representa a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo que fez segura salvação para todos os pecadores arrependidos (Lucas 12:50, Rom. 6:3-5; Col. 2:12; 1 Pe. 3:21).

Você pode imaginar o que João fez e como ele raciocinou. Quão exata é nossa reconstrução do pensamento de João pode ser estimado parcialmente pelo que ele de fato disse e fez depois, mas parte de nossa especulação deve esperar a plena revelação. Talvez no céu João nos permita saber mais sobre seus estudos. Ele pode ter raciocinado como segue.

Ele provavelmente leu Gênesis, capítulos de um a três. Deus disse a Adão e Eva o que eles podiam e o que não podiam fazer. Eles desobedeceram; eles pecaram; eles se rebelaram contra Deus. A antiga lei divina diz: “a alma que pecar, essa morrerá” (Gen. 2:17; Ezequiel. 18:4). Mas Deus ama o homem. Ao invés de punir nossos primeiros pais com a imediata execução de sua merecida penalidade, Deus em Sua infinita misericórdia concedeu a eles um substituto vivo como expiação pelos seus pecados. Esta oferta significava que o pecador se identificaria a si mesmo com o sacrifício vivo. Quando foi oferecido sobre o altar eles diziam: “Aqui está uma criatura viva. Ela não mereceria morrer. Ela não se rebelou contra o Criador. Mas eu sim; eu pequei; eu mereço morrer pelo meu pecado. Mas eu creio que Deus aceitará meu substituto vivo em meu lugar. Isto foi uma vez minha propriedade; eu agora sacrifico a Deus; isto ensinará a mim a terrível natureza do pecado, assim eu odiarei o pecado e amarei a retidão. Esta oferta é um símbolo de meu arrependimento. Eu ainda lamento por meu pecado e intenciono não cometer mais qualquer tipo”.

Então João o Batista deve certamente ter lido Gênesis quatro. “Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR”. “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas”. “... e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. “Mas para Caim e para a sua oferta não atentou” (Gen. 4:3-5; Heb. 11:4).

Porque a diferença entre as duas ofertas? Caim recusou reconhecer a mortífera e maligna natureza do pecado, então ele se recusou a trazer uma vida como sacrifício. Ele duvidou da revelação e ao invés disso creu na mentira do diabo: “Certamente não morrereis” (Gn 3:4). De fato, Caim fez o que muitas pessoas tem feito desde então: fez pouco do pecado. Sabemos disto porque ele matou seu irmão e ainda disse: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gn 4:8-9). “Os insensatos zombam do pecado, mas entre os retos há benevolência.” (Provérbios 14:9). Quando uma pessoa faz pouco do pecado, o próximo passo para baixo é fazer pouco da salvação e do próprio Salvador.

Abel por outro lado, era uma pessoa justa (Hb 11:4). Ele conhecia que o pecado era mortal, por isso ele trouxe uma ovelha de seu rebanho como sacrifício. Sua oferta era com sangue que foi derramado e sangue significa vida (Levítico 17:11). “... sem derramamento de sangue não há remissão (Hb 9:22). A Bíblia tem uma grande doutrina sobre o sangue e por uma boa razão. Todo o plano de redenção tem fundamento, uma vez que o amor de Deus é aceito.

João o Batista tinha agora um bom começo em teologia do Novo Testamento. Ele faria certas perguntas e as respostas deveriam agregar-se sensatamente. Ele precisava de um símbolo que transmitisse várias verdades – vital, eternal, fundamental, elementar, redentora, prática, instrutiva e Verdades Cristológicas.

O que significará morrer para o pecado, sem prejudicar os pecadores arrependidos?

O que mostrará que Deus necessariamente e inevitavelmente julgará o pecado?

O que simbolizará a rejeição do pecado, do mundanismo e também do diabo?

O que mostrará o começo de uma nova vida de retidão?

O que indicará um interior limpo e um amor a santidade?

O que dará uma pública declaração de lealdade ao Messias-Cristo?

O que ilustrará uma mudança da antiga vida para uma nova?

O BATISMO FAZ TUDO ISSO!

O que é mais importante é que o batismo simboliza a grandiosa obra de Cristo na terra - Sua morte, sepultamento e ressurreição em prol dos pecadores. Parenteticamente, aspergir e verter não significam nenhum ensino deste rico Evangelho.

De fato, algo além de imersão seria enganoso; seria obscurecer o Evangelho ao invés de revelá-lo. Somente a imersão pode representar um genuíno símbolo cristão.

O leitor pode encontrar mais informação sobre o batismo no livro do autor: “Seu Batismo é Importante” (Your Baptism is Important. Published by The Bogard Press, Texarkana, Ark.—Texas, 1972).

Se João reconheceu que no batismo ele tinha uma teoria, ou uma tentativa de solucionar seu problema de encontrar um símbolo para o Evangelho, algo que indicasse todos os significados listados acima, a próxima seria testá-la. O método científico – não uma invenção recente, pelo modo proposital – seria examinar a luz de todas as Escrituras o que ele tinha, o Antigo Testamento. João o Batista viu algo como o batismo de Noé durante o dilúvio? Pedro viu! A primeira epístola de Pedro 3:21 sem a porção parentética, compara a arca de Noé (com a família de Noé a salvo) ao batismo. “Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo;” (I Pe 3:21), a ressurreição de Cristo nos salva, não o batismo.

Batismo nunca salvou alguém e nunca salvará. É essencial para obediência, mas não para a salvação; que deve vir depois da conversão, não antes (Mateus 28:19; Atos 2:41; 18:8).

Na época de Noé toda a terra merecia a morte (exceto oito). Toda a terra foi imersa e então ressuscitou (Salmos. 104:6-9; 2 Pe.3:5, 6, 13).

Que grande objeto de lição deve ser para todas as gerações posteriores!

E o batismo é ainda um objeto ideal de lições, uma grande “ajuda visual” para todos os que agora a enxergam. Ele declara que todos os pecadores merecem a morte, mas Cristo morreu e ressuscitou para todos e, portanto todos os pecadores que se arrependerem podem ter a vida eterna. João o Batista viu algum tipo de batismo na passagem de Israel pelo Mar Vermelho? Paulo viu na I Coríntios 10:1- 2: Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar”.

Isto não foi um batismo verdadeiro; foi em vários modos uma figura. Ele marcou o fim da escravidão pelos egípcios, da mesma forma que o batismo cristão marca o fim da escravidão pelo pecado. Ele marcou o começo da peregrinação de Israel até a terra prometida, da mesma forma que o batismo verdadeiro marca o começo da peregrinação cristã até o céu. Foi a marca de um novo começo e uma nova vida para Israel; ainda assim, o batismo é o sinal externo de uma nova vida no homem interior. O poder de Deus foi mostrado efetivamente ao dividir as águas do mar para permitir que Israel passasse sobre solo seco. O batismo glorifica o poder de Deus por ser um símbolo da ressurreição de Cristo. Romanos 6:4 declara: “…como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida”.

O povo que cruzou o Mar Vermelho é dito que foram “batizadas em Moisés”. Isto significa que elas agora reconheceram a Moisés como seu líder e sua antiga servidão aos faraós do Egito tinha acabado. Assim no batismo cristão, os crentes são batizados em Cristo e suas antigas associações pecaminosas são rompidas. Israel depois de cruzar o Mar Vermelho teve uma nova lealdade, novos privilégios, uma nova obra, novo alimento e uma nova perspectiva na vida.

Ao cristão, o batismo deve seguir logo em seguida a sua conversão, dentro do possível, significa que em seu batismo agora ele tem novas lealdades, novos privilégios, novo alimento para seu coração e alma, nova obra para fazer e uma perspectiva de vida sã.

Similar a passagem do Mar Vermelho foi a passagem pelo rio Jordão, relatada no terceiro capítulo do livro de Josué. Desde que o Jordão flui para o Mar Morto e termina lá – o Mar Morto não tem saída– o Jordão era considerado um tipo de morte. Uma antiga canção expressa este pensamento.

“Bem junto estou ao rio Jordão

E lanço além o olhar

Saudoso estou e anseio herdar

Meu doce, doce lar”

O Jordão foi a última barreira para Israel em sua jornada para Canaã. Estava no limite entre o deserto e o Egito de um lado e a terra prometida de outro. Poderia ter sido esta a razão que levou João a escolher este rio para começar seus batismos?

João pregou sobre a fuga de Israel do Egito e a passagem pelo Jordão como um tipo de arrependimento dos pecadores para “fugir da ira futura”? (Mateus 3:7). A. W. Pink (Exposição do Evangelho de João pg. 59) indicou sua crença que esse era o caso... sendo batizado no Jordão, eles compreenderam que a morte foi sua dívida”. (itálicos seus).

É possível que João em suas frequentes leituras do Antigo Testamento, pausasse na história de Naamã e suas imersões no Jordão. A Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, usa a palavra “batizar” para descrever suas lavagens. O nome Jordão significa “descer” e Naamã teve que descer em humildade para ter sua cura. Ele preferia os rios Abana e Farpar (II Re 5:12) que considerava “melhores do que todas as águas de Israel”. Mas diante dos insistentes pedidos de seus servos ele se rebaixou; e fez como Eliseu indicou e ficou limpo de sua lepra. Ele agiu varonilmente. Com toda a sua comitiva ele voltou a Eliseu e disse: “Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel” (vers. 15). Da mesma forma o batismo declara que não há outro Deus além de Jeová que pode ressuscitar da morte.

Quando João o Batista leu até o capítulo 53 de Isaías, ele deve ter encontrado lá – como muitos pregadores também – um rico depósito de material para sermões. Nesta extraordinária passagem sobre os sofrimentos do Servo do Senhor são descritos. Ele é comparado a um Cordeiro sacrificial (do grego amnos), a palavra que João usou para Jesus em João 1:29. Aqui era (e é) o alimento para a mente. Pode isto significar uma ressurreição como foi indicado no Salmo 16:10? Pedro citou esta profecia no Pentecostes em referência a ressurreição de Cristo (Atos 2:25-31).

De nosso atual vantajoso ponto de vista da história, algumas dessas interpretações parecem ser óbvias. Mas João como o primeiro pregador do Novo Testamento, tinha somente o Antigo Testamento como sua autoridade. Quão longe o Espírito Santo o levou ao formular as mensagens de suas pregações e seu batismo, não sabemos.

Deus pode ter falado diretamente a João como ele fez com Moisés. Sabemos o que ele fez em seu ministério público, como registrado nos quatro Evangelhos. Antes de discutirmos sua obra, uma questão a mais surge:

JOÃO SOUBE DA ÉPOCA CERTA PARA INICIAR SUA OBRA A PARTIR DE DANIEL 9:25-27?

Como João sabia quando iniciar a pregar e a batizar?

Lucas é meticuloso em registrar a data exata (Lucas 3:1-2); ele documentou o tempo através da citação de sete romanos e judeus que ocupavam cargos de importância. João não começou seu ministério por causa destes nomes; eles são listados somente para mostrar quando João começou sua obra. O tempo deve ter sido importante, senão porque é declarado tão cuidadosamente?

“A origem determinada pode ser das páginas do profeta Daniel, que fixou o tempo por certas medidas e que por meios da cultura Alexandrina tornou-se conhecido pelo mundo, teve espalhada esta expectativa, não apenas de um príncipe que estava por vir, mas que ele estava muito perto” (Elder Cumming—John the Baptist, Forerunner and Martyr, p. 11).

Se João iniciou seu ministério de acordo com o sacerdócio levítico segundo Números 4:3, 23, ele deve ter começado com a idade de trinta anos. Há grande probabilidade de que ele tivesse trinta anos de idade quando “veio no deserto à palavra de Deus” para ele no deserto (Lucas 3:2).

Sabemos que Jesus tinha “quase trinta anos” (Lucas 3:23) quando foi batizado; que João era seis meses mais velho que Jesus e que João estava pregando e batizando antes do Senhor Jesus vir a ele. Também sabemos que João não ingressou no sacerdócio; na verdade ele repreendeu duramente a hierarquia sacerdotal (Mateus 3:7-10). “Ele havia rompido com o antigo sistema; ele tinha abandonado o Templo e a sinagoga e atacado os principais com fortíssimas denúncias” (David Smith, The Days of His Flesh, p. 227).

João introduziu uma nova era com seu batismo. “João nunca se referiu a lei de Moisés, nem a sacrifícios, nem a dia de expiação. João ensinou sobre a Trindade” (Elder Cumming—John the Baptist, Forerunner and Martyr; p. 59).

João leu Daniel e o reconheceu como sendo relacionado com as profecias messiânicas. Aqui foi uma possível linha de tempo, se somente alguém puder a ler corretamente. Agora sabemos que Cristo considerou Daniel como profeta, predizendo o futuro (Mateus 24:15); certamente João o Batista estava em igualdade de opinião com ele. Mas o que Daniel quis dizer com as setentas semanas ou sete anos? E quando as setenta semanas de sete anos começaram?

A ordem para restaurar Jerusalém (Daniel 9:25) provavelmente se refere a Neemias 2:1-8, quando o rei Artaxerxes da Pérsia deu a Neemias a ordem real para reconstruir os muros da cidade. “E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo” (Dan. 9:26).

O que pode parecer simples aritmética é ainda um problema para estudiosos da Bíblia. Os dados ocultos em Daniel devem esperar por uma solução futura. Uma grande preocupação é: O que fez João o Batista? E o que ele disse? O quanto ele foi ouvido e visto?

  Tradução com autorização do PBMinistries: Edmilson de Deus Teixeira
Revisores: Glailson Braga, Luiz Haroldo Araújo Cardoso e Calvin G. Gardner – 02/2010
Usado com permissão: www.pbministries.org
Fonte: www.palavraprudente.com.br