O Primeiro Batista Por Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 6—SURPREENDENTEMENTE CRIDO

O PRIMEIRO BATISTA

Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 6—SURPREENDENTEMENTE CRIDO

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"todos consideram João como profeta” Mateus 21:26

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“Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio” (Mt 11:18). Este é o Senhor Jesus falando, em aparente contradição com o primeiro texto acima que foi dirigido ao chefe dos sacerdotes e anciãos que se opuseram a Ele e a João o Batista. Estes críticos, aparentemente líderes entre o povo, consideravam João um fanático com cabelos compridos, um rebelde que estava contra a ordem regular da religião judaica, um inovador, talvez até mesmo possuído por demônios. É surpreendente, portanto, que tantas pessoas ouviram e creram nele. Tinham os “líderes dos judeus” perdido sua influência?

MULTIDÕES FORAM BATIZADAS POR JOÃO, CONFESSANDO SEUS PECADOS (Mt 3:6)

Confissão é acompanhada por convicção e conversão. Convicção do pecado é devido ao Espírito Santo. Isto sempre foi verdade, mesmo antes de Cristo prometer em João 16:7-11 que esta seria uma das missões do Espírito Santo quando Ele viria em maior manifestação sobre a Igreja ainda jovem.

No Pentecostes, os ouvintes de Pedro estavam compungidos em seus corações (At 2:37) e depois do sermão de Estevão, sua morte, seus antagonistas estavam enfurecidos em seus corações (At 7:54).

João o Batista não era menos cheio do Espírito Santo do que Pedro e Estevão. Uma vez que “a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois?” (Lucas 3:10).

Toda pessoa que se lembra de sua conversão pode também se lembrar de sua convicção do pecado. Anteriormente, a pessoa não pensava sobre o pecado; mas agora o pregador, ou um amigo, ou um folheto evangelístico, ou a morte, ou um acidente causaram nela o pensar sobre isto.

Isto é o Espírito Santo operando, quebrantando o coração, de modo que a semente do Evangelho cria raízes e floresce para a vida eterna. Convicção nem sempre leva a conversão.

Faraó (Ex. 9:27; 10:16), o rei Saul (1 Sam. 15:24, 30; 26:21) e Judas (Mt 27:4), todos disseram: “eu tenho pecado”, mas eles de fato não se arrependeram nem buscaram o perdão. Por outro lado, multidões de outras pessoas buscaram a Deus para serem perdoadas de seus pecados (Rm 10:13), eles tem recebido a segurança da salvação.

Eles se tornam convertidos. Conversão é o lado humano da salvação; regeneração é o lado divino. Conversão é o pecador abandonar seu pecado; regeneração é o Senhor dar a ele uma nova natureza. Conversão é pensar como Deus sobre o pecado – odiá-lo – enquanto que regeneração é receber a divina natureza e permitir que ela se expresse (2 Pe 1:4).

“Arrependimento!” (do grego metanoeite) foi a palavra que João, Cristo e Pedro usaram tão efetivamente. Significa “mudar a sua mente”, literalmente. Ao invés de amar ou justificar o pecado, o odeia e o abandona.

invés de pensar no pecado como algo não muito importante, agora o considera como uma rebelião contra um justo e amável Deus. Ao invés de seguir as sugestões do diabo, resista a ele e obedece ao Pai celestial. Isto que é arrependimento e conversão.

O significado comum da palavra “arrependimento” é um ato ou efeito de arrepender-se. Os gregos têm uma palavra para isto – metamellomai; que é usada para Judas em Mateus 27:3 quando ele sentiu remorso por trair Jesus. Mas ele não se arrependeu; após confessar aos sacerdotes ele se enforcou.

James Stalker (207) disse sobre esta palavra metanoia: “arrependimento talvez não seja a melhor interpretação da primeira nota da mensagem de João o Batista; conversão seria uma tradução mais literal”.

Elder Cumming (36-37): “Mas na prática arrependimento é uma doutrina do Novo Testamento, o primeiro pensamento de João o Batista... O pensamento contido na palavra é uma chamada para uma mudança total de mente de alguém sobre seu próprio pecado, quando da primeira vez que o compreende, quando da primeira vez que o odeia, quando da primeira vez que o renuncia”.

A. T. Robertson (74ff) sobre metanoia: “Esta é uma grande palavra de João e é hoje uma palavra tristemente mal compreendida. A confusão não é com a palavra grega metanoeo. Isto está suficientemente esclarecido... A palavra em si não significa sofrimento pelo pecado, ainda que é claro, esteja incluso.

Outra palavra é usada para este sofrimento e é metamellomai. Sofrimento pode trazer arrependimento (2 Cor. 7:9) e a “tristeza segundo Deus” sempre faz isto (2 Cor. 7:10). E contemplação da bondade de Deus sempre leva ao arrependimento (Rm 2:4). Jesus veio chamar os pecadores ao arrependimento (Lc 5:32). Foi direcionado a Deus (At 10:21).

É emparelhada com a crença (Mc 1:15) e com a conversão (Lc 17:4). É o traço peculiar em um pecador que causa alegria no céu (Lc 15:7, 10).

É essencial a Salvação (Lc 13:3, 5).

Foi ordenada por Jesus (Mt 4:17) e por Deus (At 17:30; 26:20).

Foi uma doutrina fundamental na pregação apostólica (Mc 6:12; At 24:27; Hb. 6:1).

Prova de arrependimento foi exigida (At 26:20), como foi verdade na pregação de João o Batista (Mt 3:8). De fato, ‘conversão’ está mais de acordo com o real significado da palavra do que ‘arrependimento’. De tudo o que se possa imaginar é improvável que João o Batista tenha exortado as pessoas a ‘fazer penitência’, como a vulgata católica tem registrado (Poenitentiam agite). João estaria chocado se encontrasse sua chamada espiritual transformada em um sistema medieval de salvação pelas obras e até por pagamento em dinheiro.

Convicção, conversão, confissão. Confissão pode vir antes da conversão, ou simultaneamente com ela. O verdadeiro ato de confissão de pecados abre o coração para a obra de restauração de Deus. Todos devem confessar seus pecados a Deus para ser convertidos. Então quando alguém é convertido ele confessa (professa) sua fé a outros.

Mas ninguém pode confessar fé em Cristo antes de tê-la. Ele pode confessar seu desejo para viver por Cristo e este ato frequentemente leva a salvação. Mateus 3:6 diz que as pessoas eram batizadas “confessando os seus pecados”. Parece que João requereu de cada candidato ao batismo a confissão de seus pecados.

Esta confissão era um testemunho de sinceridade e de genuidade de conversão. Indica auto-julgamento. O candidato dizia: “eu tenho pecado”, e ele então descia a água para o batismo indicando que aceitou a penalidade da morte sobre seu ser pecaminoso.

J. W. Shepard (p. 70, The Christ of the Gospels) escreveu sobre isto: “Era costume de João o Batista examinar os candidatos antes do batismo. Normalmente os penitentes vinham com humilde confissão de seus pecados e a manifestação de profunda contrição. Jesus não fez tal confissão de culpa nem mostrou qualquer tristeza. Tal atitude desqualificaria o candidato para o batismo. Mas aqui era uma singular exceção. Estava ali a majestade, pureza e paz descrita naquela aparência, que causou em João um sentimento de indignidade e pecado”.

(Used by permission of Wm. B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan). George E. Hicks (John the Baptist, The Neglected Prophet, p. 53) escreveu: “João o Batista insistia na confissão pública; os romanistas insistem na confissão privada; os protestantes a omitem; enquanto que as igrejas Batistas estimulam o batismo, mas são silenciosos sobre a confissão. É extremamente estranho”.

“E eu não o conhecia” João disse duas vezes sobre o Senhor Jesus (Jo 1:31, 33). Quando foi o maravilhoso momento do reconhecimento? Pode ter sido deste modo. Depois de João ter batizado um bom número de pessoas em um dia, o último de todos a vir para o batismo foi Jesus. “E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus, orando...” (Lc 3:21). João provavelmente já estava cansado. Ele provavelmente não olhou para a centésima ou quinquagésima pessoa atentamente.

Afinal de contas, a maioria delas era totalmente estranha a ele antes de serem batizadas. Podemos muito bem assumir que João perguntou a cada pessoa pelo seu nome quando pediu a confissão de seus pecados. Mas Jesus não tinha pecado para confessar!

Talvez Ele tivesse dito assim para João: Surpresa! Então João de fato observou bem e viu o incomparável Senhor. Talvez neste instante João também tenha visto o Espírito Santo descendo sobre Cristo na forma de uma pomba (Lc 3:22), indicando a João o momento em que ele reconheceu o Senhor (Jo 1:33, 34).

Extraordinário momento! João disse: “E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus”. Agora volta ao Jordão com as multidões esperando o batismo. Ocasionalmente, João batizou em outros lugares (João 3:23). O lugar não tem tanta importância quanto o propósito. Este escritor foi batizado primeiro em uma lagoa, então em um pequeno córrego, depois em uma represa construída para reter a água, em igrejas batistas em cinco estados, em um riacho na França, em um rio na Alemanha com a neve caindo. Em cada caso imersão simboliza conversão prévia. Batismo é um sinal de autojulgamento, uma confissão de culpa. João pregou sobre o julgamento vindouro: “fugir da ira futura” (Mt 3:7).

Este alerta não foi tanto apocalíptico como prático. Os que realmente creram nele se submeteram ao sepultamento em água como um sinal de que mereciam a morte. Desde que eles pronunciaram seu próprio julgamento, Deus não necessitaria julga-los depois. “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Cor. 11:31).

Quando os pioneiros do oeste viam uma pradaria em chamas e este fogo se aproximando empurrado por fortes ventos, eles tinham que agir rapidamente para salvar a si mesmos e suas casas. Eles faziam pequenos pontos de incêndio ao redor de suas propriedades, tendo o cuidado de manter estas chamas a uma distância segura.

Este fogo produzido por eles consumia a erva em uma faixa de terra em torno da propriedade. Então quando o fogo do incêndio maior chegava nesta área já não havia mais nada para queimar. As casas e as pessoas no centro desta área pré-queimada estavam seguras. Da mesma forma, quando o pecador confessa seus pecados no dia do julgamento por vir ele não será julgado. Ele tem imunidade no julgamento; Cristo tomou todos os seus pecados. O batismo é um sinal que o crente está julgando a si próprio pelos seus pecados. Batismo também é um sinal de submissão a Deus.

Os que acreditaram em João se submeteram ao seu batismo, entregando-se completamente ao seu controle. A pessoa batizada é inteiramente passiva; ele se entrega totalmente ao seu batizador. Mas o batizador está agindo como um agente de Deus e seu representante autorizado. Este é um importante fato para lembrar.

A pessoa batizada se entrega a Deus, mediante a ministração do batizador. Todo o corpo é envolvido; é assim que deve ser. “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo” disse Paulo em Romanos 12:1. Batismo é um símbolo de Salvação. Mas não salva. Aqueles que creram na mensagem de João creram para a salvação em Cristo de quem João proclamou tão bem (João 1:29).

Eles foram até João; eles deitaram totalmente seus corpos no altar da água; eles se levantaram novamente para andar em novidade de vida (Rom. 6:4). Eles, foram instruídos a mostrarem em suas vidas o fruto de um arrependimento verdadeiro (Mat 3:8).

Conversão não é de graça; custa a entrega dos maus hábitos e prática de boas obras. Isto é o que o batismo significa – e o que a palavra "Batista" deve significar ao homem!

ALGUNS DESCRENTES REJEITARAM O BATISMO DE JOÃO (MATEUS 3:7-10)

“... muitos dos fariseus e dos saduceus” vieram ao batismo de João (Mateus 3:7).

Na verdade eles não foram pedir para serem batizados; eles procuravam ver o que estava acontecendo e quem estava usurpando a autoridade deles. Como estavam seguindo as multidões talvez dissessem: “Eles não sabem que nós somos os seus líderes?”. João os viu chegando e falou em alta voz sob direção do Espírito Santo: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?... E não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão” (Mt 3:7-9).

A religião por procuração não dá. Os que creram em Abraão, mesmo sendo bom e grande como foi, para salvá-los foram tragicamente enganados. “Somos descendência de Abraão” (Jo 8:33), disseram os judeus a Cristo, mas Ele demoliu sua arrogância mostrando que todos pecaram e cada pessoa deve ter fé pessoal no Salvador.

“De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm. 14:12). Aqui não há o menor espaço para a “teologia da aliança”. Talvez ninguém hoje creia em Abraão para a salvação, mas parece que milhões de pessoas acreditam em um tipo de “batismo” que é alegadamente traçado de volta a Abraão e a circuncisão.

Os pais destes os tinham “borrifados” quando crianças em uma cerimônia ou “sacramento” chamado batismo, mas sem qualquer texto da Escritura adequado que autorizasse este ato. O aviso de João em Mateus 3:9 deve ser repetido hoje; isto é parte do Evangelho do Novo Testamento de Cristo. Aqui como sempre, lealdade a Cristo tem prioridade sobre uma consideração ao pedo-batismo. “Porque João veio a vós no caminho da justiça”, disse Jesus de seus críticos, “e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer” (Mt 21:32).

Esta foi uma severa pregação para o chefe dos sacerdotes e anciãos (v.23). Mesmo depois de verem os piores pecadores convertidos eles ainda recusavam a crer em João. Para se justificar eles chamaram João de um demônio (Mt 11:18), como mais tarde acusaram Cristo de fazer as Sua obras pelo poder de Belzebu (Mt 12:24).

O risco de rejeitar o Evangelho – e os pregadores dele – é terrível. Jesus alertou esses descrentes do pecado imperdoável nesta conexão (Mt 12:31, 32). A hierarquia religiosa judaica, o Sinédrio, rejeitou tanto a João quanto a Jesus. Eles não podiam tolerar os independentes.

A história se repetiu nas pessoas de Martinho Lutero, John Knox, os irmãos Wesley, George Whitefield e Billy Sunday. O povo comum, por outro lado, ouve de bom grado todos esses homens.

MUITOS JUSTIFICARAM DEUS ATRAVÉS DE JOÃO O BATISTA (LUCAS 7:29-30).

“E todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido batizados com o batismo de João, justificaram a Deus”. De que forma o batismo de João justifica a Deus?

O batismo quando corretamente administrado, é uma vindicação dos meios de Deus. Por todos terem pecado, todos merecem a sua penalidade; mas todos que voluntariamente sentenciam-se e acreditam na misericórdia de Deus escapam desta penalidade vinda da justiça do Senhor sobre o pecado. Batismo é uma auto-sentença. Quando acompanhado por uma fé salvadora em Cristo na Sua morte, sepultamento e ressurreição o pecador é justificado.

Deus é então capaz de declará-lo justificado (Rom. 3:26). O batismo justifica a Deus em que é um reconhecimento da divina revelação, aceita e aprovada. O pecador arrependido vê no batismo um julgamento de seu pecado; ele aceita esse julgamento em si mesmo e se submete a este símbolo; então ele se levanta para andar em novidade de vida.

Isto também mostra que Deus é deveras santo para olhar para o pecado, ou para justificar o pecado em Seu céu. Então para entrar no Reino do céu, ou mesmo para vê-lo (João 3:3,5), uma pessoa deve nascer de novo. O pecador é redimido através do precioso sangue de Cristo que o limpa de todo o pecado (Ef 1:7; Col. 1:14; 1 Jo 1:7; Ap 1:5).

O batismo justifica Deus desde que João o Batista foi guiado pelo Espírito Santo e aprovado pelo Senhor, os que acreditaram em João e o imitam são os aprovados pelo Senhor. Deus enviou João para batizar (Jo 1:33) o que significa que ele evangelizou pelo batismo; foi um objeto de lição. Sete vezes no Novo Testamento a palavra “batizar” inclui evangelismo (Jo 1:28, 31; 3:22, 23, 26; 4:1,2; 10:40).

O batismo justifica Deus em que foi o sinal da regeneração de publicanos e meretrizes (Mt 21:32; Lc 7:29). Quando os piores pecadores são convertidos, o símbolo de sua conversão e profissão de fé toma uma grande importância. Batismo significa conversão e conversão é o grande evento que justifica os meios de Deus para com o homem. Isto O glorifica.

OS DOZE DISCÍPULOS DE CRISTO CRERAM EM JOÃO.

Já vimos que em João 1:35-45 que vários, talvez todos os doze discípulos tenham sido discípulos de João o Batista. É bom relembrar o forte vínculo de continuidade entre a pregação de João e as doutrinas subsequentes do Novo Testamento. Unidade é a primeira lei da natureza; é uma lei de Deus e é também um grande princípio de hermenêutica.

(Alguns chegam a extremos em “dividir” a Palavra, baseando sua dissecação na II Timóteo 2:15, “maneja bem a palavra da verdade”. Mas esta palavra orthotomounta significa cortar ou traçar, como uma nova estrada (Weymouth). João o Batista preparou uma nova estrada tão plana e reta que até mesmo Cristo pode passar por ela, quanto mais os Seus discípulos? Por vinte séculos os cristãos tem voltado para ou permanecido nesta estrada!)

Judas foi a trágica exceção à fé entre os doze discípulos. Jesus disse dele: “Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo” (Jo 6:70). Todavia, o plano divino chamou doze testemunhas para o Evangelho desde o começo e os onze restantes escolheram em uma reunião a Matias (Atos 1:15-26).

Este novo apóstolo tinha estado com os onze restantes desde que Jesus começou a pregar a eles, “Começando desde o batismo de João” (v.22). Esta passagem é importante em reabilitar o registro do Evangelho. Indica a importância de testemunhar Cristo desde os dias de João até a ascensão de Cristo.

Os doze eram testemunhas fiéis e capazes. Com Jesus eles faziam e batizavam “mais discípulos do que João (Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos)” (Jo 4:1-2). Eles tinham aprendido a mensagem de João, eles sabiam sobre seus métodos e agora eles tinham o Mestre pregando a Si mesmo. Cristãos de hoje podem se beneficiar dos estudos da pregação de João como plano de fundo para testemunhar de Cristo.

Mas porque Cristo tomou seus discípulos longe de um bom reavivamento na Judéia e foi para a Galiléia? (João 4:3). Talvez ele não quisesse dar a impressão de competir com João pelas multidões. Foi uma mudança de cortesia, ao deixar João ter aquela área para si pelos poucos dias que restavam para ele.

Shepard (The Christ of the Gospels; p. 109) diz: “A razão fundamental pelo qual Jesus primeiro decidiu mudar a sede de Sua obra para a Galiléia foi que os fariseus estavam tramando trazer desentendimento e atrito entre os Seus discípulos e os de João”. Com dois fortes grupos de evangelistas trabalhando na Judéia, o número total de convertidos deve ter sido alto.

Esses formariam a maior parte das multidões que recepcionaram Cristo ao entrar em Jerusalém no domingo de ramos. Aqueles que afirmam que esses mesmos que recepcionaram a Jesus no domingo de ramos são os mesmos que alguns dias depois estavam contra Ele pedindo a sua crucificação cometem uma grave injustiça.

Admitidamente, alguns poucos desses podem ter sido fracos e vacilantes a ponto de “virarem a casaca”, mas ainda estavam lá pessoas não convertidas em quantidade suficiente para fazer o mal orientados pelo chefe dos sacerdotes. Sempre existem pessoas de coração débil – em qualquer época. Algo casual, mas importante: a maior parte dos discípulos de Cristo era da Galileia.

Enquanto eles ministravam na Judéia provavelmente escreviam cartas para seus amados no norte, registrando muitas das palavras e ações de Cristo. Mateus acostumado a manter registros acurados, provavelmente teria notas completas sobre tudo o que Cristo disse e fez.

Essas notas poderiam muito bem ser a base do primeiro Evangelho, compiladas imediatamente após a ressurreição. Não sabemos que ele escreveu o Evangelho naquela ocasião, nem que ele esperou por trinta ou mais anos. Por que ele deveria fazer isso? E por que ele devia tomar emprestado de Marcos, que não foi um dos doze, é um mistério difícil de explicar. (Para saber mais, veja Our Dependable Bible Baker Book House, Grand Rapids, Michigan).

O QUE OS DISCÍPULOS DE JOÃO FORAM ENSINADOS A CRER?

George E. Hicks (John the Baptist, the Neglected Prophet; p. 7) disse: “temos uma dívida para com João o Batista por praticamente todos os maiores artigos da fé cristã. Não somente por isso, mas pelos verdadeiros termos usados por ele terem constituído a semente de todo o pensamento subsequente”.

Dr. Merrill C. Tenney (John: Gospel of Belief, p. 80) escreveu que a pregação de João “lançou o fundamento de toda a prática teológica cristã”. As palavras de João em João 1:29 carregam a significância do Calvário que é o coração do Evangelho. Um surpreendente número de doutrinas cristãs foram primeiro declaradas por João o Batista e repetidas pelos seus discípulos. Eles são ainda cridos por verdadeiros cristãos. Alguns duvidaram deles; alguns sempre duvidam – para sua perda.

1. João o Batista ensinou a divindade de Cristo (Jo 1:29, 34, 36). Esta doutrina é fundamental; é essencial para os cristãos. Como a estrela polar para os navegantes, a divindade de Cristo é a referência e o ponto de correção para eruditos cristãos. Todas as outras doutrinas devem se alinhar com esta. João estabeleceu aqui o padrão para cristãos de todas as eras.

2. João declarou a pré-existência de Cristo (Jo 1:15, 30), “foi primeiro do que eu”. João nasceu primeiro e começou a pregar primeiro, mas Cristo existia antes dele em Seu estado pré-encarnado. Isto envolve todo o assunto do nascimento virginal, ainda que João não o tenha mencionado especificamente. Mas como pode Cristo ter existido antes de João a não ser que os registros em Mateus e Lucas consideram Seu nascimento virginal como verdade?

3. João o Batista ensinou a seus discípulos sobre o Espírito Santo (Mt 3:11; Marcos 1:8; Lucas 3:16; João 1:33). Estes versículos são dados em paralelo com Atos 1:5 e 11:16. Em todo caso é dito que Cristo batiza os crentes COM O (Do grego en), e não pelo ou do Espírito Santo. Nunca é dito que o Espírito Santo batizava alguém. I Co 12:13 pode ser citado, mas a palavra "em um" deve ser “com o”, nessa passagem também, que está no texto grego tradicional. [N.T.: Este argumento vale para os que usam a versão do Rei Tiago]

(Alguns eruditos acreditam que I Co 12:13 se refere ao batismo em água, com boas razões). Desde que os primeiros seis versos citados acima todos claramente dizem que Cristo é quem batiza no Espírito Santo, e não pode ser correto fazer com que I Co 12:13 signifique outra coisa. Cristo batizou os crentes em Pentecostes. Alguns acreditam que Ele faz isto hoje no momento da regeneração. Enchimento com o Espírito Santo é outro assunto; ele pode ser repetido, ou nunca de fato pode vir para algumas pessoas. (O autor de “Your Baptism Is Important” dedica um capítulo inteiro a este assunto).

4. João o Batista ensinou a soberania de Deus (Mateus 3:9). “... mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão”. Desde que Deus pode fazer coisas como essa, Ele pode fazer coisas menores. Ninguém disse para João: “seu Deus é muito pequeno”.

5. João ensinou o Reino do Céu (Mt 3:2, etc). Este Reino estava em contraste com o mundano modo de viver, com o materialismo, secularismo e todos os outros falsos “ismos”. (Dr. R. G. Lee disse que todos esses “ismos” devem ser “éraismos”). O Reino do Céu implica em separação dos reinos deste mundo que são totalmente controlados pelo mal.

6. A primeira palavra registrada de João é “arrependei-vos!” isto significa ser convertido de seu mundano, pecador e auto-centrado modo de vida e ser conformado com os princípios do Reino dos Céus e Seu grande Rei. Esta é a palavra que Cristo usou quando começou a pregar (Mt 4:17). Tem o mesmo significado para todas as classes de pessoas: para as mulheres de Samaria, que foi uma notória pecadora e para Nicodemos que foi uma respeitável autoridade dos judeus.

Talvez a grande tragédia da cristandade é que muitos não convertidos tenham se juntado a igrejas e introduzido nelas o mundanismo e falsas doutrinas. Toda igreja tem o dever de examinar cada candidato a membro com grande cuidado, senão os homens ímpios entram sem serem percebidos: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” (Judas 4).

7. João enfatizou a necessidade de confissão dos pecados (Mt 3:6). Ele pode ter dado sermões baseados no Salmo 32 que diz que o perdão traz felicidade (vv. 1, 2); culpa significando miséria até ser confessado (vv. 3, 4), confissão traz alívio (vv. 5-11). Depois da confissão nossas orações são ouvidas (v.6); nossa segurança é assegurada (v.7), nosso caminho é aplainado (v. 8); a imagem de Deus em nós é restaurado (v. 9); nosso Senhor mostra Sua misericórdia, vs.10; e nossa alegria torna-se interminável (v.11).

8. João ensinou a propriedade do batismo, pelo exemplo e pelo preceito (Mt 3:6). Desde que ele recusou batizar pecadores não arrependidos, podemos assumir que ele batizou somente aqueles que mostraram verdadeira evidência de conversão. E desde que João foi cheio do Espírito Santo, ele tinha o dom de discernimento. Ele podia dizer quem era sincero e quem não era. Ele podia batizar imediatamente após a conversão ao invés de esperar por um período de testes como vemos necessariamente hoje. Mas se alguém é equivocadamente “batizado” antes de sua verdadeira conversão, como este escritor foi, ele deve ser batizado depois que estiver seguro de sua salvação. O exemplo que está em Atos 19:1-7 é autoritativo para sua prática.

9. João ensinou a inevitabilidade do julgamento (Mateus 3:7-12). Deus não “rasga a sentença” como um juiz de um tribunal pode fazer. A multa deve ser paga. A lei e a ordem devem finalmente prevalecer no universo. Mas desde que Deus ama os pecadores, Ele enviou Seu filho para pagar a multa por nós. Quando qualquer pecador recebe a Cristo como salvador e Senhor, sua ficha é limpa, seu nome é inscrito no livro da vida do Cordeiro, sua alma é lavada e ele recebe seu ingresso para o céu. Mas uma pessoa deve buscar julgar a si mesma para provar a autenticidade de sua conversão (I Jo 1:7; 2:19).

10. João ensinou que cada um individualmente é responsável por sua própria alma (Mateus 3:9). Ninguém pode acreditar em seus piedosos mãe ou pai ou esposa ou marido para salvar sua alma. Cada pessoa deve arrepender-se por si mesma e ser batizada por sua própria volição. O batismo de bebês pode ser extremamente danoso, pois pode dar uma falsa impressão de segurança; normalmente significa que ele nunca foi de fato batizado quando ele foi convertido. Isto não quer dizer que crentes que não foram submergidos não são bons cristãos. Eles podem ser, mas certamente eles seriam mais bem satisfeitos com o batismo se seguissem o ensinado por João o Batista e Cristo.

11. João o Batista ensinou a supremacia de Cristo (Mateus 3:11, 12). Somente Ele pode batizar crentes no Espírito Santo. Somente Ele pode separar o joio do trigo. Somente Cristo é o Senhor; nós não temos vice-rei humano que possa tomar Seu lugar; não precisamos obedecer qualquer usurpador, ou nos curvar a quem quer que seja.

12. João pregou a obra purificadora do Espírito Santo, como um fogo purificador (Mateus 3:11). Quando o Espírito Santo vem ao coração do crente, Ele quer que todos os pensamentos impuros sejam lançados fora. Quando um crente busca ser cheio com o Espírito Santo ele é ordenado a ser (Ef 5:18), ele deve colocar todo mundanismo no lixo para ser queimado. O fogo é um agente cauterizador e higienizador e purificador. Como um tipo do Espírito Santo é apropriado.

13. A necessidade de boa conduta foi enfatizada pelo Batista (Lucas 3:8, 10-14). Um cristão não tem espaço para hipocrisia, ou ignorância para uma conduta pecaminosa. Estando sob o absoluto senhorio de Cristo, um crente deve obedecê-lo. Todos os seus “membros” – mãos, pés, boca – devem ser concedidos a Deus como “membros para servirem à justiça” (Rom. 6:11-19).

14. Por seu próprio exemplo, João o Batista ensinou a necessidade de ser fiel até a morte (Mt 14:1-10). Seu batismo sugestionou fidelidade, significando que se crê na vida após a morte. A pessoa batizada, enquanto debaixo d’água está temporariamente como morta, e quando se levanta é como se ressuscitasse.

15. Novamente por exemplo, João mostrou a necessidade de pregação bíblica correta (Jo 1:15-36). Ele citou Isaías (40:3) em João 1:23, até Cristo e Paulo citaram muito do Antigo Testamento. Desde que o Espírito Santo inspirou o escritos de ambos os testamentos (Jo 14:26; 1 Cor. 14:37; 2 Pe 1:21), qualquer cristão que é submisso ao Espírito respeitará toda a Bíblia como inspirada por Deus (2 Tim. 3:16).

16. João exibiu a graça da humildade (Mt 3:11, 14; Jo 1:15, 23; 3:27-30). É a marca verdadeira dos verdadeiros cristãos: eles estão de tal maneira desejosos de fazer a obra, em servir a outros, em obedecer às ordens, que não tem tempo ou desejo de falar de si mesmos. João era "inteiramente" de seu Senhor. Dando sua vida em honra a Ele, João foi em si mesmo grandemente honrado. E se um cristão não recebe honra nesta vida, ele terá recompensa suficiente no céu por toda a eternidade. Não temos que buscar honra agora neste mundo. Nossas ordens são ao invés disso honrar a Cristo.

17. João ensinou seus discípulos a orar (Lc 11:1). Eles devem ter gostado deste ensino, pois um deles pediu a Jesus mais sobre este assunto. Oração é muito importante para estudarmos seus elementos; merece atenção concentrada. Os melhores cristãos a apreciam sobremodo. Senhor ensina-nos a orar.

18. João ensinou e pregou o Evangelho de Cristo (Lc 3:18). A palavra usada aqui é euangelizato, é a mesma palavra usada para pregar o Evangelho em qualquer lugar do Novo Testamento. Aqueles afortunados que estavam na escola de oração e pregação de João o Batista foram bem equipados para levar o Evangelho onde quer que fossem. A cristandade de hoje precisa de mais professores de seminário que treinem seus jovens alunos nos métodos e nas mensagens de João o Batista.

Então Cristo será glorificado e os pecadores convertidos a Ele. Isto deve ser repetido que João preparou um povo para seu Senhor. O Novo Testamento não diz que ele ensinou filosofia, ou sociologia, ou ciência política ou teologia contemporânea (uma obsessão de muitos!), ou economia, ou qualquer outra coisa, mas o Evangelho de Cristo. Talvez nossos ministros atuais precisem saber mais dos assuntos acima, mas eles não devem ofuscar ou substituir o Evangelho.

Todos os dezoito itens listados acima são cristãos. Eles são partes da teologia cristã. Eles se cumprem em João o Batista; eles o definem. Mas esta lista não está completa; mais itens são adicionados. Lucas 3:18 diz: “... muitas outras coisas também anunciava ao povo”. Mas a lista de doutrinas é surpreendentemente longa. João foi um pregador minuncioso. E enquanto é verdade que os pregadores do Novo Testamento que vieram depois acrescentaram mais assuntos, tais como a igreja, comunhão, missões, mordomia, segunda vinda de Cristo e etc..., eles não alteraram ou omitiram qualquer coisa que João pregou tão fielmente.

Os convertidos de João foram então crentes bem instruídos em Cristo. Eles foram plenamente salvos pela fé nEle e estavam ansiosamente esperando mais bênçãos dEle. Também fizeram parte de grande parte das multidões que ouviram Cristo de bom grado em muitas ocasiões, depois da voz de João ter sido silenciada. Os seguidores de João foram bons materiais da Igreja que Cristo veio para edificar (Mt 16:18).

Assim como Davi “preparou... materiais em abundância, antes da sua morte”, o material para seu filho Salomão usar para construir o templo, João preparou abundante material para Cristo edificar o maior templo, as igrejas. Davi ganhou ouro, prata, bronze, ferro, madeira, ônix, mármore e outras pedras preciosas, enquanto que seu “povo se alegrou porque contribuíram voluntariamente” (I Crônicas 22:5; 29:9).

Davi disse: “a casa que se há de edificar para o SENHOR deve ser magnífica em excelência, para nome e glória em todas as terras”. Talvez João o Batista estivesse com o exemplo do rei Davi em mente quando preparou preciosos corações para seu Senhor. Como Davi, João não poderia construir, mas poderia ganhar e preparar o material. E ele preparou tão bem que Cristo louvou-o copiosamente por sua obra.

Qualquer cristão agora crê que João acreditava e ensinava o que seria um forte, robusto, bravo e efetivo membro do corpo de Cristo. Como ele creu nas encorajadoras palavras de Cristo: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap. 2:10).

  Tradução com autorização do PBMinistries: Edmilson de Deus Teixeira
Revisores: Glailson Braga, Luiz Haroldo Araújo Cardoso e Calvin G. Gardner – 02/2010
Usado com permissão: www.pbministries.org
Fonte: www.palavraprudente.com.br