O Primeiro Batista Por Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 7—CRUELMENTE MARTIRIZADO

O PRIMEIRO BATISTA

Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 7—CRUELMENTE MARTIRIZADO

_________________________________________________

"E mandou degolar João no cárcere” Mateus 14:10

_________________________________________________

João o Batista em Mateus 14 e não Estevão em Atos 7 foi o primeiro mártir cristão. Por que então é Estevão considerado como o primeiro? Não é porque toda a vida e obra de João tem sido efetivamente enterradas por tantos escritores e pastores?

Eles não o colocaram fora da dispensação cristã? Eles não o relegaram ao Antigo Testamento, em uma mítica “ponte dispensacional”? Em nosso sexto capítulo, especialmente, deve ter evidências suficientes que mostram que João é de fato cristão. Sua vida foi totalmente cristã e não menos em sua morte. Certos fatos sobre seu martírio são dignos de grande observação.

O CÓDIGO MORAL DE JOÃO FOI PARA ELE UM INIMIGO MORTAL

“Porquanto o mesmo Herodes mandara prender a João, e encerrá-lo maniatado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão, porquanto tinha casado com ela. Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão. E Herodias o espiava, e queria matá-lo, mas não podia. Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo; e guardava-o com segurança, e fazia muitas coisas, atendendo-o, e de boa mente o ouvia” (Mc 6:17-20).

Este Herodes foi filho de Herodes o grande que reinava na época do nascimento de Cristo; sua mãe era uma samaritana. Sua primeira esposa foi a filha de Aretas (2 Cor. 11:32), rei dos árabes, cuja capital era Petra. Broadus escreveu (314): “Depois de muitos anos Herodes fez uma proposta de casamento a sua sobrinha Herodias, irmã de Herodes Agripa I (Atos 12) e esposa de seu meio-irmão Felipe... Ainda que acostumados a casamentos incestuosos nesta família, as pessoas ficaram grandemente indignadas com o tetrarca ao vê-lo tomar a esposa de seu irmão que ainda vivia, do qual tinha uma filha (Salomé)”. Aretas após a morte de João entrou em guerra contra Herodes e destruiu todo o seu exército, mas Herodes acabou resgatado pelos romanos. Mais tarde ele foi banido para Lion, no sul da França, onde ele e sua esposa Herodias morreram miseravelmente.

Flávio Josefo (37?-100 d.C), historiador judeu, fornece uma interessante informação sobre estes eventos em sua Antiquities, XVIII, 5, 2: “Alguns judeus acreditavam que o exército de Herodes tenha sido destruído por Deus, em uma espécie de punição por causa de João chamado o Batista, de quem Herodes havia mandado executar. João foi um homem piedoso e exortava os judeus a praticarem virtudes e se exercitarem na retidão para com os outros e piedade diante de Deus, ao vir juntos para o batismo. Por isso, pareceu a ele, que a ablução batismal fosse aceitável, se usada não para suplicar perdão pelos pecados cometidos, mas para a purificação do corpo quando a alma tivesse sido previamente limpa pela conduta reta. E quando todos se voltaram para João – eles foram profundamente tocados pelo que ele disse – Herodes temeu que a grande influência de João sobre as pessoas pudesse levar a um levante (a impressão é que as pessoas estavam dispostas a fazer qualquer coisa que João aconselhasse). Ele teve uma ideia muito melhor, sob tais circunstâncias, colocar João fora do caminho, antes que alguma insurreição pudesse surgir, do que se permitir enfrentar problemas e depois lamentar não ter agido, uma vez que uma insurreição tivesse início. Assim, por causa da suspeita de Herodes, João foi enviado como prisioneiro para Macabeus, a fortaleza já mencionada, e lá o executou. Mas os judeus acreditavam que a destruição que veio sobre o seu exército foi uma punição, uma forma de Deus trazer a ele o dano”.

Herodes foi um homem ímpio. João o reprovava por tomar a esposa de seu irmão “e por todas as maldades que Herodes tinha feito” (Lc 3:19-20).

Herodias foi ainda pior, foi ela quem manipulou Herodes para matar a João, pois essa não era a vontade dele. Ela sabia o quanto tinha sido má ao deixar seu primeiro marido por seu irmão e permitir que seu marido a abandonasse e Herodes se divorciasse de sua primeira esposa. Quando um pregador fala sobre tais malignidades, dizendo o que todos sabem ser a verdade, ele ofende o transgressor. Então quem é culpado acaba atacando quem pregou a retidão: “Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” (Jo 3:20).

Mas João não estava comprometido com ninguém; ele não se resguardava, ele não tinha medo. Ele não tinha lido um livro sobre como ganhar amigos e influenciar as pessoas; ele tinha lido os livros dos profetas do Antigo Testamento. Ele não falou de forma comum; antes, ele falou como a voz de Deus. O Espírito Santo que nele estava havia exposto as práticas pecaminosas que havia no meio em que vivia. Ao fazer isso ele não foi mal educado; ele simplesmente foi obediente ao seu Senhor. O Senhor Jesus foi o mais cortes dos homens; Ele também foi o mais severo em expor o pecado e a hipocrisia. João era como o seu Senhor.

Herodias odiava João tão violenta e vingativamente que tramava o tempo todo a sua morte. Ela sabia que Herodes não queria matá-lo; entretanto, ela tinha um último recurso em sua estratégia. Ela verteu seu veneno malicioso nos ouvidos da jovem Salomé que era então provavelmente uma adolescente. Slater Brown, em seu fictício tratamento de João o Batista, diz como Herodias pagou dois assassinos para tentar matar João. Sua tentativa fracassada somente aumentou seu ódio. De fato, ela odiava João por ser ele um bom homem.

A PRISÃO DOS MACABEUS FEZ JOÃO DUVIDAR

Macabeus era uma combinação de palácio de verão e fortaleza, por volta de sete milhas a nordeste do mar morto. “No remoto e desesperançoso encarceramento, em um dos mais profundos e escuros calabouços que era tão frio no inverno e tão quente no verão, o grande batizador languescido provavelmente ficou mais de um ano” (Broadus, Matthew; p. 316).

Como uma águia, João o Batista estava acostumado aos grandes espaços abertos. Como uma águia, ele agora se prostrava em sua estreita gaiola. Fisicamente forte, ele queria exercícios, ar fresco, sol e ambientes limpos. Sua prisão era sem nenhum conforto e sem nenhuma condição sanitária. Sua tortura era maior pelo fato de não poder pregar para grandes multidões. Ele queria ver os pecadores arrependerem-se de seus pecados, confessa-los, e se reconciliarem com Deus. Ele desejava batizar mais e mais convertidos. E sabia que qualquer hora do dia ou da noite sua morte poderia ser executada pela incessante maquinação de Herodias.

Mas o que fez João duvidar? Ele disse às multidões que o Messias iria por o machado na raiz das árvores, que “... toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo... Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará”. (Mt 3:10-12).

Mas Jesus não cumprira essas predições escatológicas; Ele não tinha feito tudo o que João esperava dEle. Sim, estava pregando e curando, mas aparentemente não tinha dado atenção aos Seus inimigos. Ele não tinha feito nada a respeito de resgatar João de sua insuportável prisão.

Em relação à questão de João não saber se Jesus era ou não o Messias, Nahum Gale escreveu: “Parece muito provável que a dúvida de João foi provocada menos por uma descrença intima do que por uma crescente impaciência diante do lento progresso de Cristo” (The Prophet of the Highest; p. 155). Em acréscimo ao comentário de Gale: “Desalento e dúvida nascem da inatividade. Cristãos que não tem nada para fazer, mas se acomodam e pensam sobre si mesmos, tornam-se de fato presas fáceis da melancolia mórbida e de negras e infundadas dúvidas. O remédio que eles precisam é de ação cristã” (163).

Mateus registra a ação de João em enviar um comitê de dois de seus discípulos para perguntar a Jesus: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” (Mt 11:2-3). João teve um conforto: alguns de seus discípulos tiveram permissão de visitá-lo. Estes homens enfrentaram os captores de João para falar com ele. Meyer escreveu (João o Batista; pg. 111): “É tocante observar a tenacidade com que alguns dos discípulos de João apegaram-se ao seu grande líder... ser amado assim é uma das coisas mais felizes da terra! Estas heróicas almas arriscaram todos os perigos que podiam advir para si mesmos por se identificarem como discípulos de seu mestre; eles não hesitaram em vir a sua cela com novidades do mundo exterior e especialmente de que ELE estava fazendo e dizendo, cuja vida estava tão misteriosamente ligada com a sua própria”.

Por que Cristo não resgatou João da prisão? Ele ressuscitou a filha de Jairo (Mc 5:21-24, 35-43); Ele era capaz, portanto, de fazer coisas menores, como livrar João da situação mórbida em que se encontrava. Ele tinha curado um endemoninhado (Mc 5:1-20); Ele poderia facilmente romper as cadeias dos Macabeus. Ele tinha acalmado uma tempestade (Mc 4:35-41); então ele não poderia acalmar a ira da família de Herodes?

G. Campbell Morgan escreveu em defesa de João (The Gospel According to Matthew; p. 111): “João estava muito acostumado a solidão para ser desleal porque estava na prisão. Sua dura e rude vida nos desertos tinha provavelmente o tornado bastante independente dos trajes finos e do luxo das casas reais; e alguém não pode acreditar que havia um tremor em sua coragem. Sua dúvida foi ao invés disso uma evidência da continuidade de sua coragem. O fato que é surpreendente para João é que Jesus não estava fazendo exatamente o que ele pensava que Ele ia fazer... para compreender esta questão que João enviou pelos seus discípulos, devemos colocar as obras de Jesus em contraste com o que João disse de Cristo antes do início de Seu ministério público”.

Pode ser que João esperasse que Cristo trouxesse “o dia da vingança do nosso Deus”, uma frase profética de Isaías 61:1-2, mas omitiu de Cristo a própria referência de Sua missão em Lucas 4:18,79. Antes, Cristo foi todo misericórdia; Ele foi gentil, prestativo, amável e sem qualquer julgamento em alto grau até agora. E aparentemente Ele não tinha palavra de reprovação nesta ocasião para Herodes nem para Herodias!

James A. Stalker tem palavras de aprovação para João (239, 249): ”Primeiro, ele coloca suas dúvidas em palavras. Segundo, João as enviou diretamente para Cristo. Terceiro, João nunca pensou em retroceder em sua condenação da conduta de Herodes e Herodias… E João teve a oportunidade de ser um bajulador, porque Herodes tinha certa consideração por ele, ao ouvir sua pregação de boa mente”.

Mas como Jesus respondeu a esta comovente pergunta? Ele respondeu fazendo com que os mensageiros de João esperassem enquanto que “na mesma hora, curou muitos das enfermidades, e males, e espíritos maus, e deu vista a muitos cegos”. Acontecendo isto, Jesus procurou aqueles dois corajosos homens para que vissem por eles mesmos o que Seu Messias estava fazendo: “Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho” (Lucas 7:21-23).

Milagres eram excelentes evidências do ofício messiânico de Jesus de Nazaré. Jesus os citou para seus críticos em João 5:36: “as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou”. Ninguém pode em todo o mundo fazer tais milagres como os discípulos de João viram serem feitos naquele dia. E a frase: “aos pobres anuncia-se o Evangelho”, deve ter dado um grande conforto a João. Isto asseguraria a ele que o ministério de sua pregação teria continuidade, e estaria em muito boas mãos.

Depois dos mensageiros se retirarem, Jesus fez alto louvor a João o Batista (Lc 7:24-35). Talvez alguma parte desta graça alcançou João no tempo devido. Se não, João ainda permaneceria fiel. Louvar demais um homem é uma forte tentação para enaltecê-lo quando colocado em seu caminho. Jesus, porém, sabia que estava fazendo a coisa certa; podemos confiar nEle em toda situação.

O MARTÍRIO DE JOÃO ILUSTRA GRANDES PRINCÍPIOS

Deus não suborna as pessoas com recompensas terrenas. A história de Jó é um exemplo clássico. João o Batista foi fiel até a morte, mesmo sendo abandonado em um cárcere. Nós cristãos estamos em uma guerra mortal contra o pecado, o diabo e toda forma de mundanismo. Devemos ser também fiéis até a morte. Nosso amor a Deus e Sua justiça deve ser maior do que nosso amor pela nossa própria vida. Lealdade a Cristo tem prioridade sobre todos os vínculos terrenos. Devemos sempre obediência a Deus do que aos homens. As leis de Deus são mais grandiosas do que os costumes do homem.

Porque os cristãos sofrem? Alguns sofrem por causa de seus próprios pecados; alguns por causa do pecado de outros; alguns por causa de enfermidades que são comuns a todo o gênero humano; alguns por causa de negligência; alguns por causa da ignorância; e alguns por causa de guerras e calamidades que afetam populações inteiras. Em países com regimes totalitários, cristãos sofrem perseguição justamente por serem cristãos. Isto não é nenhuma surpresa.

Jesus alertou Seus discípulos da necessidade de coragem diante da perseguição. Em João 16:2 Ele disse: “vem mesmo à hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus”. E em João 16:33: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”.

O MARTÍRIO DE JOÃO ILUSTRA SEU BATISMO

Batismo significa uma conversão da morte para o mundo do pecado, mundanismo e egoísmo. Se, então, um convertido sofre a morte física como uma conseqüência de sua oposição ao pecado e mundanismo, é em certo sentido o resultado lógico de sua profissão de fé. Os que não sofrem martírio pela sua fé são mais afortunados que Seu Senhor e Seu precursor, naquilo que concerne à uma morte pacífica.

A citação de Steinman sobre a morte de João (Saint John the Baptist; p. 177): “Sua morte é também, muito significante. Prefigura a morte de todos os cristãos. Os que morreram no passado sem poder testemunhar a gloriosa segunda vinda, tal como João o Batista, morreu antes do cumprimento da vinda messiânica. O cristianismo sempre venerou João o Batista. As palavras de Jesus que dão a ele tal tributo comovedor que nunca cessaram de fazer eco nos corações dos leitores do Evangelho”.

Novamente, batismo significa uma entrada em uma nova vida, uma vida de retidão e uma vida que leva aos céus com suas perfeições. Quando João batizou seus convertidos no rio Jordão, seus ouvintes e observadores estavam recordando que seus pais passaram por aquele rio em direção a “terra que mana leite e mel”. O martírio de João acabou com seus sofrimentos, marcando o começo de sua eterna recompensa na Canaã celestial.

Além disso, batismo é uma promessa de fidelidade até a morte, não importando a maneira de como alguém morre. Os primeiros cristãos mártires acreditavam nisto. Modernos cristãos mártires, talvez em grande parte, sejam igualmente assim para com o Senhor. A sua recompensa será grande no céu. Estamos engajados nesta guerra mortal contra o diabo e todas as suas hostes. Como em toda guerra este antigo ditado é verdadeiro: “covardes morrem aos milhares, mas os bravos, uma vez”.

João o Batista praticou o que pregou. Ele foi fiel até a morte. Ele ratificou e validou seu próprio batismo. Ele deu um significado verdadeiro para isto. Doravante, todo homem deve saber que quando eles pediram o batismo, estavam arriscando serem mártires pela sua fé. SE todos os homens soubessem disto hoje, a proporção de heróis seria bem mais alta do que a atual.

Em sua corajosa posição pela retidão e na sua morte, João foi um valoroso exemplo para todos os cristãos batizados. Estevão, Tiago, Pedro e Paulo e uma hoste de outros foram inspirados pela sua fidelidade. Os cinco missionários martirizados pelos índios Auca no Equador em 1956 inspiraram milhares de jovens a seguir o seu exemplo! Aqueles cinco não morreram em vão. As viúvas de alguns e o pai de um dos mártires voltaram até aqueles selvagens em amor e com o poder sobrenatural do Evangelho mansamente os ganharam para Cristo. Esta é a excelente coragem de dedicados cristãos. João o Batista estaria orgulhoso deles.

João o Batista teve uma morte cruel. Foi repulsiva, selvagem, terrível, horrenda. “Os tetrarcas orientais, os filhos de Herodes, repugnaram até mesmo os romanos, o que representa o alto grau de sua crueldade” (Steinman, p. 103).

“E, chegando uma ocasião favorável em que Herodes, no dia dos seus anos, dava uma ceia aos grandes, e tribunos, e príncipes da Galiléia, entrou a filha da mesma Herodias, e dançou, e agradou a Herodes e aos que estavam com ele à mesa. Disse então o rei à menina: Pede-me o que quiseres, e eu to darei”. (Mc 6:21-22).

Esta foi uma festa regada a muito álcool. A dança somente podia ser pagã, mas talvez não pior do que acontece em boates das grandes e perversas cidades. Salomé perguntou a sua mãe: “que pedirei?” O limite era a metade do reino. Alguma coisa seria mais preciosa? Dependia de seu ódio e preconceitos ou seu amor e lealdade. Mas nem ódio, nem amor governavam Herodias. Todo o ouro de todos os reinos do mundo não pesavam mais do que sua aversão por João o Batista. Ela queria vingança a todo custo. Ela aparentemente tinha esperado por um longo tempo este momento de triunfo. Como a odiosa turba em uma tentativa ridícula de atacar Cristo, gritavam “crucifica-O”, assim Herodias disse a sua jovem filha para pedir a cabeça do santo profeta. Mas o que uma adolescente iria querer com a cabeça de um homem? E por que ela “apressadamente, pediu ao rei?” Talvez Herodias a tenha ameaçado, ou a assustado, ou a subornado. Ou talvez ela estivesse agora com o seu coração adolescente cheio de maldade como a sua mãe. Em todo caso, Herodes foi atacado pela sua própria estúpida promessa. Ele poderia não ter cumprido se quisesse, e ele sabia disso. Mas o orgulho em seu ébrio juramento o fez ainda mais tolo. Ele estava com medo de ser considerado um covarde.

Quantos jovens homens e mulheres, e os mais velhos também, são estúpidos como Herodes! Quando tentados a tomar o primeiro drinque, a pessoa pode saber que não é conveniente, mas por causa do medo de ser diferente, cede a tentação. Quando tentado a dançar, a pressão dos outros é mais insuportável. Quando tentado a jogar toma uma forte resistência no coração. Mas José resistiu à esposa de Potifar – e foi para prisão. Daniel resistiu aos costumes babilônicos e foi promovido.

João o Batista se opôs a Herodes e Herodias e foi promovido, subitamente para o céu. Assim João, o primeiro batista, morreu. “Desse modo se encerrou o trágico destino do grande profeta de Israel, João foi o primeiro de uma longa lista de mártires que foram decapitados e mortos de diversas outras maneiras. Esses sofrimentos foram as dores do parto do cristianismo” (Steinman, p. 103).

Um grande quadro do artista italiano Guido Reni (1575-1642) se encontra no Instituto de Arte de Chicago. Herodias domina a cena. Resplandecente em trajes magníficos, com a face maquiada com cosméticos mais valorosos dos mais exclusivos salões de beleza da América, a maligna esposa de Herodes tem o olhar como de uma tigresa espreitando a sua presa, ou como um gato depois de capturar um canário. Ela olha com franca satisfação para a cabeça decepada de João o Batista, o homem que batizou o Senhor Jesus Cristo. Que triunfo para ela! Eis aí o homem que se atreveu a criticar sua conduta. Ela matou o homem de quem Jesus disse: “entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João o Batista”. Essa é a moderna Jezabel que tentou matar Elias mas falhou, porém, Herodias finalmente teve êxito.

Foi uma ação diabólica, um bem sucedido ato do diabo, uma vitória perversa! Salomé nesta pintura de Reni, está com um olhar que expressa uma atitude de espanto, desconcertada e aparentemente satisfeita em ter feito o que sua mãe mandara. Ela é tão jovem para ter parte neste assassinato.

O mensageiro que trouxe a cabeça de João em uma bandeja é também muito jovem, um menino. Ele tem um punhal em sua cintura. Ele parece ser inocente de tudo o que está se passando. Muito cedo ele aprendeu o quão perversas algumas pessoas são.

Atrás de Herodias estão duas mulheres adultas, também trajadas com belíssimos trajes e penteados. Elas estão sussurrando entre si, sugestionando astutas considerações. Alguém pode até mesmo ouvi-las dizer: “A rainha é uma verdadeira assassina... veja o que acontece para alguém que cruza seu caminho... isso ensinará a esses pregadores uma lição... Ela é forte como dez leões; é melhor cuidar de nossos passos ou serão nossas cabeças que irão rolar”.

“E os seus discípulos, tendo ouvido isto, foram, tomaram o seu corpo, e o puseram num sepulcro” (Mc 6:29).

Depois de ver o Senhor Jesus Cristo no céu, eu gostaria de ver João o Batista e poder ouvi-lo falar.

  Tradução com autorização do PBMinistries: Edmilson de Deus Teixeira
Revisores: Glailson Braga, Luiz Haroldo Araújo Cardoso e Calvin G. Gardner – 02/2010
Usado com permissão: www.pbministries.org
Fonte: www.palavraprudente.com.br