O Primeiro Batista Por Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 8—TRAGICAMENTE IGNORADO

O PRIMEIRO BATISTA

Stanley E. Anderson

CAPÍTULO 8—TRAGICAMENTE IGNORADO

________________________________________

“…e não o conheceram " Mateus 17:12

________________________________________

Jesus disse que os líderes religiosos de Seu tempo não entenderam ou reconheceram João o Batista. O mesmo pode ser dito de cada geração posterior desde aquela época, incluindo a atual.

João o Batista veio no espírito e poder de Elias, de acordo com o que disse o anjo Gabriel (Lc 1:17) e o Senhor Jesus Cristo (Mt 17:12).

“Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem”. Os líderes religiosos estavam enciumados de João e tramaram um modo de tirá-lo do caminho, de modo ardiloso, conseguindo com que Herodes fizesse isso por eles. Da mesma forma, aqueles enviados pelos chefes dos sacerdotes e anciãos (Mt 27:18) conseguiram fazer com que Cristo tivesse uma vergonhosa morte.

QUEM FALHOU EM APRECIAR O BATISTA ENQUANTO ELE AQUI VIVEU?

Os fariseus, como já vimos, rejeitaram João, sua mensagem e seu batismo (Lc 7:30). Eles tinham acumulado um surpreendente número de leis humanas os quais tentavam impor sobre as pessoas. Nem João nem Jesus seguiram suas práticas insignificantes ou rígidos regulamentos.

Os fariseus perguntaram uma vez aos discípulos de Cristo: “Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” (Mt 9:11). Ainda assim, alguns cristãos são hoje criticados pelos “direitistas” por trabalharem com os “esquerdistas” e vice versa. Jesus respondeu: “Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes... Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento. (Mt 9:12-13).

João fez isso também e “os publicanos e as meretrizes o creram” (Mt 21:32). Os críticos de João foram mais condenáveis por não terem se arrependido mesmo depois de verem muitos pecadores convertidos a Deus para a vida de piedade e retidão. Jesus disse a eles: “vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer” (Mt 21:32).

Certamente, todos os convertidos de algum reavivamento não são suficientes para superar os preconceitos de seus críticos. Os saduceus eram tão arrogantemente, orgulhosos e aristocráticos para seguirem este pregador “não autorizado” em seu traje não convencional. João não tinha suas credenciais. Ele não tinha sua ordenação nem seu crédito. Pobre João! Como ele poderia ter sucesso sem tudo isso?

Os doutores da lei, escribas, anciãos e chefes dos sacerdotes pouco dispostos a sepultar no batismo seu orgulho e reputação de líderes. Jesus disse deles: “E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios... E amam os primeiros lugares nas ceias... e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi”. (Mt 23:5-7). Eles preferiram a pompa e vaidade ao cristianismo de João.

Herodes e Herodias, mais imorais do que as meretrizes que se arrependeram com a pregação de João, mataram o Batista. Pela imoralidade abriram as comportas para todos os tipos de maldades, incluindo pecados sexuais. Todas essas infelizes pessoas falharam em crer em João, ainda que o próprio céu o tenha endossado de um modo espetacular (Mt 3:13-17).

Em adição, haviam certas almas instáveis entre os judeus que quiseram se alegrar “por um pouco de tempo com a sua luz’ (Jo 5:35). Eles eram como a semente que foi lançada em solo pedregoso, e por não terem raízes, secaram (Mc 4:5-6). Superficiais, desinteressados, curiosos que buscavam entretenimento; eles não queriam pensar. Eles são caniços que se dobram com o vento, sendo também levados por ele. Jesus disse: “Também eu vos não direi com que autoridade faço estas coisas” aos críticos que se recusavam a reconhecer o batismo de João como vindo do céu.

Robertson escreveu (John the Loyal; p. 438): “O princípio envolvido nesta recusa do Senhor é a mesma de quando Ele recusou a dar um sinal do céu (Mt 16:4), que nenhuma pessoa tem o direito de exigir superfluidade de evidência em qualquer questão de crença ou ofício e pedir mais provas de modo acumulatório é uma virtual rejeição daquelas que já tinham sido dadas; isto é a lei desta divina administração em recusar fazer tal coisa mesmo como um favor”.

QUEM IGNOROU JOÃO O BATISTA NA HISTÓRIA DA IGREJA?

Os onze discípulos, em suas reuniões de negócios da igreja, não ignoraram João o Batista (At 1:12-26). A igreja primitiva estava progredindo cuidadosamente, buscando ter a certeza de que seus fundamentos estivessem assentados sobre doze competentes testemunhas. E Pedro em seu primeiro sermão aos gentios, reconheceu João e seu batismo como o princípio do Evangelho de Cristo (At 10:37).

O apóstolo Paulo não ignorou João e seu batismo ao pregar em sua primeira viagem missionária (At 13:24). Mas a corrupção da doutrina se arrastou silenciosamente para o pensamento de pessoas indiscriminantes que viveram no começo da era da Igreja, mesmo na época em que o Novo Testamento estava sendo construído. Alguns tinham errado absurdamente no ensino e em “batizar” alguns de seus “discípulos” mencionados em Atos 19:1-7. Quando Paulo os encontrou (por volta de 25 anos depois da ressurreição de Cristo), soube que alguma coisa estava errada. Eles não sabiam nada sobre o Espírito Santo de quem João havia pregado tão consistentemente.

Em pouco mais de uma centena de anos após a ressurreição de Cristo, de acordo com o Didaquê (o ensino dos doze apóstolos), o derramamento de água foi aceito como substituto ao batismo por imersão. Isto foi permitido através do engano em supor que o batismo era necessário para a salvação. Então alguns desconhecidos, mestres desajustados raciocinaram que se o batismo era requisito para a salvação, então bebês deveriam ser “batizados” também. Ninguém sabe quando as crianças começaram a ser aspergidas, pode ter sido no começo do terceiro século. Tal coisa não é encontrada no Novo Testamento. Porque o começo é o mais importante.

Marcos 1:4 e Lucas 3:3 têm a frase: “batismo de arrependimento, para remissão dos pecados” (do grego eis aphesin hamartion). A palavra “para” parece significar “de modo a receber” como às vezes é usado na nossa linguagem. Mas nem sempre significa isto; pode significar também “porque alguém tem recebido”. Este é o significado, por exemplo, em Marcos 1:44. Jesus disse ao leproso: “mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou para lhes servir de testemunho”.

O leproso foi ofertar porque tinha sido curado, não por causa da ordem de ser curado. A oferta foi um testemunho de sua cura, igualmente o batismo é uma evidência ou testemunho da salvação de alguém. Mas o engano começou e se espalhou. As pessoas eram ensinadas que o batismo salvava. Esta heresia é chamada de “regeneração batismal”, a idéia é de que no batismo, quando na aspersão de água em bebês, a pessoa é regenerada. Isto é diretamente contrário a dezenas de versículos na Bíblia que dizem que a salvação vem através somente da fé, sem obras ou sacramentos (Veja João 1:12; 3:16, 36; 5:24; 6:36; 20:31; Atos 16:31; Efésios. 2:8-10). Este sacramentalismo não era somente contrário à mensagem de João; era também contrário e largamente anulava as palavras de Cristo. Se o batismo salva, então porque Cristo precisou morrer na cruz? Se o batismo salva, é mais um ídolo? Se o batismo salva, então “Separados estais de Cristo... da graça tendes caído” (Gl 5:4).

Assim os claros ensinos do Evangelho foram cedo ignorados ou distorcidos. Kraeling diz (John the Baptist; p. 183): “É interessante notar que durante todo o segundo e terceiro séculos... os cristãos históricos e os pais da Igreja falaram muito pouco sobre João o Batista... Mas quando no quarto século, a crise gnóstica havia passado João subitamente se tornou para a Igreja novamente uma pessoa muito importante. Dias festivos em sua honra eram celebrados tendo um lugar no calendário litúrgico. Igrejas e oratórios ou grutas são erguidos em comemoração dele particularmente em Samaria, Alexandria e Constantinopla, mas também espelhadas por outras partes do oriente bizantino”. Mas pelo quarto século a maligna doutrina da regeneração batismal se tornou forte, e o surgimento da igreja católica prendeu firmemente em todos os seus aderentes.

Agostinho (354-430), bispo de Hipona no norte da África, deu seu considerável apoio a heresia da regeneração batismal. Ele também foi um instrumento largamente usado na popularização da idéia da teoria da igreja “universal” ou “invisível”. Enquanto ele tinha na mente o sistema católico romano, muitos protestantes tem inconscientemente tomado para si este seu pensamento.

A igreja ortodoxa (grega) pratica também o batismo infantil; de qualquer modo, eles têm para a imersão o bem conhecido significado de baptizo. Mas em todos os séculos houve dissidentes da igreja católica. Eles tinham vários nomes e a sua maior parte rejeitou o batismo infantil. Invariavelmente eles foram perseguidos pelas “igrejas estabelecidas” e assim mesmo persistiram. Assim, quando Lutero surgiu com suas famosas noventa e nove teses em 1517, igrejas anabatistas eram numerosas por toda a Europa central. Elas não tinham surgido durante a calada da noite; elas tinham existido silenciosamente ao longo da história.

John Wycliffe foi martirizado pela sua fé que estava junto ao Novo Testamento e não nos erros de Roma, na Inglaterra em1384. John Huss (1369-1415) tentou reformar a igreja católica, mas acabou queimado em uma estaca por estes esforços. Balthasar Hubmeier também tentou e sofreu semelhante martírio em 10 de março de 1528. Quando Lutero (1483-1546) e Calvino (1509-1564) vieram a ter proeminência e com o aumento de sua influência, parecia que todos os reformadores poderiam estar seguros. Mas os anabatistas foram severamente perseguidos tanto por católicos quanto por protestantes.

A. L. E. Verheyden, em sua obra Anabaptism in Flanders, 1530-1650, cita evidências de constante perseguição, incluindo torturas que os anabatistas sofreram durante aqueles anos. A página em branco deste livro diz: “a imagem (que o livro) apresenta é como uma evidência da surpreendente extensão da propagação do movimento Anabatista geograficamente, bem como seu vigor e tenacidade frente a mais severa perseguição. Que o Anabatismo persistiu em Flandres quase a metade do século além do ano 1600 não foi claramente conhecido depois. Que aparte de certas aberrações de seu começo, Anabatistas de flandres foram totalmente pacíficos, não resistentes e evangélicos, largamente após o modelo de Menno Simons, é plenamente demonstrado. Uma grande falta em nosso conhecimento e compreensão do Anabatismo no continente europeu tem agora sido suprida numa maneira excepcional e competente por um exemplo muito digno”.

Estes anabatistas eram tecnica e historicamente nem protestantes nem reformados. Eles cresceram em considerável número antes de Lutero aparecer e eles não estabeleceram uma igreja “reformada”. Antes, eles se esforçaram para manter a fé e ordem original do Novo Testamento, embora sem sucesso. A bem da verdade, alguns anabatistas não praticaram imersão por um tempo, mas depois os Batistas o fizeram universalmente.

A maioria dos historiadores da Igreja ignoram a história Anabatista demais. Eles são muito semelhantes a Enciclopédia Britânica (1961) que fornece o ano de 1521 como “data de seu surgimento!”. Pior, esta Enciclopédia identifica os anabatistas como os “homens loucos de Munster” que não eram realmente anabatistas. Protestantes e católicos culparam todos os demais por ações fanáticas destes supostos anabatistas. Até o nome Anabatista foi proscrito. Novos nomes estavam causando confusão. Alguns eram chamados menonitas que repudiavam os fanáticos de Munster como fizeram todos os Batistas, ainda assim os historiadores e teólogos deram mais importância a alguns poucos desviados de Munster enquanto ignoraram as grandes massas de pacíficos, lúcidos e perseguidos anabatistas. Na Inglaterra, João de Leyden deu um mau nome aos Batistas de quem, segundo diz a Enciclopédia Britânica, a vasta maioria era de pessoas boas e quietas, que praticavam os ideais cristãos de quem seus perseguidores falavam mal.

George P. Fisher em sua obra History of the Christian Church escreveu (341) sobre a reforma nos países baixos: “Anabatistas e outros licenciosos e fanáticos grupos sectários eram numerosos, e seus excessos foi um plausível pretexto para punir com severidade todos que abandonassem a fé antiga”. Mas na pagina 425 Fisher parece ser mais razoável em relação aos anabatistas: “É uma grosseira injustiça imputar a todos os selvagens e destrutivo fanatismo com que uma porção deles estava carregada”. Os fanáticos de Munster eram poucos em número se comparados com o grande corpo de anabatistas, muito poucos na proporção de um Judas entre doze discípulos!

William Stevenson, em sua obra The Story of the Reformation escreveu (p. 51, usado com permissão de John Knox Press, Richmond, Virginia): “A história tem testemunhado muitas injustiças, mas certamente nenhuma é mais flagrante do que a má reputação de uma piedosa e devota seita”.

Por séculos suas virtudes foram verdadeiras entre as sombras enquanto que as luzes estavam focadas em lastimáveis episódios... em Munster, onde um bando de fanáticos irresponsáveis se lançaram em um lamentável experimento de comunismo, poligamia e outros vícios anti-sociais. Pelos excessos de alguns a maioria inocente foi condenada... não foi fortemente enfatizado que o episódio de Munster foi excepcional e não típico... “Os anabatistas estavam longe de serem malfeitores, eles regulavam suas vidas por elevados padrões, que até mesmo seus mais ferrenhos inimigos admitiam”.

Como regra, historiadores europeus e teólogos, professores e pregadores, por quatro séculos tem espalhado caluniosa ficção de que estes poucos “homens maus” foram representantes dos anabatistas. Estes historiadores tem infectado com a sua parcialidade, seminários e professores na Europa e na América, se não por todo o mundo, com este grave erro sobre a história da Igreja. Os venenosos efeitos desta falácia são vistos em muitos ministérios Batistas, por isso a necessidade de verdadeiras escolas Batistas a ensinar toda a verdade da história Batista. Entretanto, professores cheios de parcialidade continuam a inculcar seus estudantes em incontáveis escolas com injustiça em relação aos anabatistas.

Isto tudo tem afetado a história dos Batistas? De fato tem. Os Batistas do continente foram praticamente exterminados ao longo de duzentos anos. Não até 1840 eles tiveram um novo começo na Alemanha, ainda que tivessem um crescimento lento nas ilhas britânicas. Cresceram rapidamente na Rússia, sob vários nomes e nos países escandinavos, durante os últimos cem anos. Eles ainda são muito poucos numericamente na Grécia, Itália, Espanha, Suécia, França, Bélgica e Holanda.

Por causa da perseguição física sofrida pelos Batistas, durante os dias da Reforma e nas universidades depois, a falsa doutrina da regeneração batismal prevalece entre 90% a 95% da cristandade. Por volta de setecentos milhões de pessoas em igrejas cristãs é ensinado a mortífera doutrina que batismo salva uma criança. Nesta “fé” eles vivem e morrem, dependendo de falsas esperanças ensinadas por seus padres, pastores e professores que estão a ensinar esta mesma heresia desde o segundo século ou terceiro século de nossa era. Esses falsos guias têm ignorado os ensinos de João o Batista, do Senhor Jesus Cristo, do Apóstolo Paulo e de incontáveis cristãos que foram leais a Palavra de Deus em contraste com a hierarquia eclesiástica.

Batistas, entretanto, tiveram uma influência notável em muitas igrejas Cristãs durante o último século. Eles fortaleceram posição protestante contra a tradição católica, colocando a Bíblia como suprema e guia exclusivo para fé e prática na vida cristã. A sua firmeza contra batismo infantil, com apoio as razões da Bíblia e da história, influenciou muitos pedobatistas em dar para o seu "batismo infantil" um estado mais de consagração do que batismo sacramental. Batistas fizeram progressos ensinando o sacerdócio de todos os crentes, sistema de igreja democrático, ênfase em uma membresia de igreja regenerada, a autonomia de cada igreja local, e a separação de igreja e estado. E a sua boa influência continua.

Por outro lado, alguns batistas estão ficando aparentemente mais liberais e ecumênicos, e menos interessados em promover as doutrinas distintivas do Novo Testamento. Eles não parecem ousar reivindicar qualquer parentesco com o homem enviado pelo céu que foi o primeiro a ser chamado Batista. Não quero dizer com isso que seguimos uma "sucessão apostólica" ou temos identidade denominacional com João o Batista”; ao invés disso, nosso propósito é descobrir novamente como todos os batistas e outros cristãos podem se beneficiar de um estudo de sua curta vida. Não obstante, nenhum Batista tem João como a sua autoridade final. Há uma progressão de autoridade, diz D. F. Ackland, no Novo Testamento com o qual deve ser considerado; caso contrário, a pessoa corre um perigo do tipo de cair na heresia cismática que foi reprovada na primeira coríntios 1 tão claramente. . . Isto sugestiona outra pergunta.

QUEM IGNORA JOÃO O BATISTA HOJE?

Os sacramentalistas parecem o ignorar, porque eles colocam valor salvífico no seu "sacramento" de batismo. Em nenhuma parte no Novo Testamento o batismo é chamado de sacramento; uma palavra melhor para isto é "preceito" (1 Cor. 11:2). A palavra "sacramento" assumiu significados extra-bíblicos que parecem dar poderes mágicos de regeneração ao batismo. Nem João o Batista, nem qualquer um outro no Novo Testamento, ensinou esta heresia.

Um certo pastor-editor esquerdista tirou o nome "batista" de sua igreja, substituindo pelo nome "Woodside", escreveu em outubro de 1961 o Baptist Freedom, relativo a batismo, "Talvez a decisão maior a ser feita pela própria igreja é - estamos interessados em ganhar homens para Cristo e os conduzir para o Reino dEle ou nosso objetivo é nos imergir em algum ritual de relíquia (sic) do último século centrado no banco dos lamentadores e resplandecendo com excesso emocional? " Mas nós não podemos conduzir melhor os homens paro o Reino de Cristo por meio de os convidar a confessar o Cristo como Salvador e Senhor no batismo?

Estes liberais, tão alérgicos ao batismo e tão enfatuados com a erudição, parecem comparar ceticismo com sabedoria. Um estudo completo da Bíblia, o mais exaustivo possível, não é considerado "erudito" por esses que dão prioridade às opiniões de liberais de renome. A influência de Julius Wellhausen (1844-1918), um crítico alemão da Bíblia, esbarra em numerosas descobertas arqueológicas que provaram que estava errado. Uma geração nova de críticos está tendo uma influência desproporcionada contra tudo o que é sobrenatural na Bíblia. Os estudantes ingênuos pensam que é um sinal de inteligência os citar. Um jogo favorito é a "desmistificação", o qual nunca deve ter sido mistificada! Por exemplo, Kraeling parece ter entrado neste erro (18, 19): "A existência na literatura religiosa judaica e no folclore de analogias virtualizam todos os elementos importantes da história do nascimento de João mostra que a narrativa é fundamentalmente legendária (?) e que seus episódios não podem ser usados diretamente para propósitos históricos."

Esta mania por achar "paralelos" com a literatura não bíblica para muitos dos incidentes incomuns relacionados nas escrituras, como por exemplo, o nascimento virginal, é bastante difundido. Fosdick usou este truque. Por meio deste dispositivo duvidoso, críticos tentam tirar da Bíblia muitos de seus elementos sobrenaturais. Mas este método de ataque foi longe demais, de acordo com Rabino Samuel Sandmel, que este escritor ouviu em uma conferência sobre "Paralelomania" na reunião da Sociedade de Literatura Bíblica e Exegese em Saint Louis, Missouri em 27 de dezembro de 1961. O Rabino, instruído, parecia ridicularizar esses que buscam localizar o que Paulo está ensinando sobre não se vingar em Romanos 12:17-20 com o documento de Qumran e o Manual de Disciplina. Os que buscam achar precedentes ou também paralelos ao batismo de João também não são vítimas de paralelomania?

Os nomes desses que injustamente ignoram João o Batista são uma legião. Os membros de seitas parecem fazer isso. Os que questionam ou negam a deidade de Cristo tem uma declaração inequívoca de João que Ele é o Filho de Deus (Jo 1:29-36). Os que recusam observar o batismo deveriam ler novamente o amável endosso de nosso Deus do batismo de João comparando-o ao "conselho de Deus", e deveriam prestar atenção a Grande Comissão de Cristo que será observada até o fim desta era.

Esses que confiam em "profetas" modernos, sejam eles sonhadores, ou apóstolos, ou vendedores de milagres, ou reincarnacionistas, e todos os devotos de revelações extra-bíblicas deveriam seguir o exemplo de João o Batista que testificou Cristo como o Filho de Deus. Quando o Batista cheio do Espírito falou da vinda deste Espírito Santo, ele deixou subentendido que todo cristão deveria se render a Ele, não para os muitos falsos espíritos que “se têm levantado no mundo” (1 Jo 4:1-3).

Alguns hesitam reprovar os muitos cristãos fiéis que estão servindo a Deus como melhor eles sabem nas igrejas não imersionistas. Que muitos deles são convertidos a Cristo está fora de questão. Eles também são missionários notáveis e generosos e tem uma vida exemplar de piedade e lêem a Bíblia devocionalmente. Alguns dispensacionalistas extremos têm uma convicção que João pertence ao Velho Testamento, e não com os crentes do Novo Testamento. A todos estes respeitosamente frisamos um novo estudo de João na luz de tudo aquilo que o Novo Testamento diz sobre ele e sobre o seu batismo. Eles acharão uma cadeia irrompível de continuidade de doutrina de João o Batista para Paulo e ao longo do primeiro século da cristandade. É nosso propósito tornar mais clara nossa necessidade de uma conexão doutrinária com João. Se isso for feito, Cristo se disporá mais para nós, para tudo aquilo que João disse dEle será então uma parte integrante de nossas convicções.

João Calvino apóia a visão acima (Institutes IV, xv, 7): É muito certo que o ministério de João era precisamente igual ao que depois foi executado pelos apóstolos... A uniformidade da sua doutrina mostra seu batismo para ter sido o mesmo... “Se qualquer diferença é buscada na Palavra de Deus, a única diferença que será encontrada é que João batizou no nome que estava por vir, e os apóstolos no nome que já estava manifestado”.

Batistas, de todos os povos, ignoram João o Batista. Não todos, mas a maioria o faz. Pergunte para qualquer um quantos sermões ouviu ele sobre João. Um pastor Batista fez uma coisa rara: ele deu umas séries de seis sermões sobre o batista. Mas os títulos de seus sermões não mencionaram nenhuma vez ou nomearam o seu assunto!

Por que os batistas parecem tão tímidos sobre o primeiro batista? Eles parecem temer qualquer atitude de ostentar o seu nome.

Reivindicar João como o seu fundador, enquanto que falando humanamente, pode parecer como fanatismo ou egoísmo. Eles temem distinção em uma era em que o ecumenismo é popular. Eles repugnam a controvérsia que poderia surgir se eles sugestionarem João como o seu primeiro herói. Mas nenhuma outra denominação o reivindica; por que os batistas não deveriam ter este privilégio? (Os fabricantes de barril de vinho franceses reivindicam João o Batista como o seu padroeiro; eles dedicaram uma janela nova na Catedral de Rheims para ele!).

"E não o conheceram”, disse Cristo sobre João o Batista. Isso também é verdade na geração presente relativo a João. Livros sobre ele, especialmente por batistas, estão desordenadamente escassos, nenhum tendo aparecido durante mais de cinquenta anos. Livros sobre ele de não batistas, enquanto mais em número, carecem frequentemente de perspicácia. Sermões sobre o batista por batistas são raros e os apologéticos vão até onde qualquer conexão com batistas atuais não seja tocada. Instrução de seminário segue o padrão europeu. Para degradação dos muitos Anabatistas de quinhentos anos atrás, foi igualmente desvalorizado o nome batista. A preocupação aqui é não exaltar os batistas contemporâneos; ao invés, os instruir considerando o homônimo, a sua rica herança, e mesmo o seu nome.

Eles não o conheceram. Mas o Cristo o conheceu, e o aprovou, e o honrou continuando o ministério que João tinha começado tão bem. A fé Cristã cresceu robusta sob a pregação de Cristo e os Seus apóstolos fiéis. Produziu muito fruto em sua forma na igreja primitiva do primeiro século.

Uma fonte de força foi o Espírito que ligou o radical do nome a João o Batista. Mas quando radical é cortado fora, a árvore sofre; permanece uma árvore anã. Como pode o radical ser enxertado novamente, fazendo Cristo mais efetivo, e o Novo Testamento inteiro restabelecer a sua autoridade legítima?

  Tradução com autorização do PBMinistries: Edmilson de Deus Teixeira
Revisores: Glailson Braga, Luiz Haroldo Araújo Cardoso e Calvin G. Gardner – 02/2010
Usado com permissão: www.pbministries.org
Fonte: www.palavraprudente.com.br