O Primeiro Batista Por Stanley E. Anderson

Capítulo 9 – ESPERANÇOSAMENTE REVISTO

O PRIMEIRO BATISTA

Stanley E. Anderson

Capítulo 9 – ESPERANÇOSAMENTE REVISTO

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“Porque será grande diante do Senhor” Lucas 1:15

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Nossa visão é igual à de Deus? Deveria ser. Cada cristão deveria buscar agradar ao seu Deus, não para ser chamado "grande", mas para mostrar a sua gratidão pelas misericórdias de Deus.

Todos deveriam tentar ser tão úteis quanto possível, e quanto mais útil for, mais ele merecerá ser chamado grande. Deus disse para Jeremias, “procuras tu grandezas para ti mesmo? Não as procures” (Jr 45:5). Este verso foi decisivo para mudar a direção de vida do jovem Charles Haddon Spurgeon que ao invés de buscar fama, começou a buscar a Deus. Poderia ter significado o mesmo para o jovem João o Batista.

Uma breve revisão da vida de João o Batista não é com a finalidade de exaltá-lo. É com a finalidade de examinar os seus métodos e mensagem que interessam para a sua exaltação de Cristo. É descobrir como o batista promoveu tão bem a Cristo; como ele testemunhou de Cristo; como ele permaneceu humilde; como ele preparou as pessoas para Deus, e como ele ganhou a aprovação de Deus.

“HOUVE UM HOMEM ENVIADO DE DEUS, CUJO NOME ERA JOÃO” (JOÃO 1:6)

Este profeta foi um desbravador para um profeta maior que viria pouco tempo depois. João foi inspecionar o deserto espiritual que era Israel. Ele marcaria uma trilha; ele abriria caminho para futuros peregrinos; ele traçou o caminho para o Messias longamente esperado. João o Batista foi um construtor de estrada para o seu Mestre, e este Mestre é o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém pode vir ao Pai senão por Ele (Jo 14:6). Com o Espírito Santo como o engenheiro desta estrada, o plano era o melhor possível, e estava seguro. Todo viajante nesta rodovia espiritual poderia estar seguro em sua direção, no seu destino, e no seu dever no seu caminho. Nenhum desvio existiria, a menos que os peregrinos se extraviassem em obstáculos erigidos na estrada como a regeneração batismal, batismo de crianças, hierarquia sacerdotal ou a servidão a mariolaria. Quando os escombros da tradição tinham se acumulado com o passar dos séculos, cada vez mais os peregrinos perdiam esperança ou sucumbiam diante do formalismo ou ritualismo vazio.

Porém, investigadores persistentes puderam examinar as cópias originais nos Evangelhos e Epístolas, e assim mudar o seu curso apesar da ditadura eclesiástica. Entre tais homens valentes estavam Wycliffe, Tyndale, Lutero, Bunyan, Wesley e Roger Williams. Estes heróis não concordaram em todas as doutrinas, mas eles concordaram no senhorio exclusivo de Cristo e a autoridade suprema da Sua Palavra.

João o Batista era o precursor para o Senhor Jesus Cristo. O seu trabalho era anunciar a vinda do Rei, preparar as pessoas para a Sua vinda, ganhar seguidores leais com antecedência para a Sua vinda, e criar entusiasmo pelo Seu Reino. Tudo isso João fez muito bem. Ele preparou sinais corretos para anunciar o seu Rei. O batismo era este sinal: a mente judaica entendeu que de alguma maneira apontava para Cristo. O comitê enviado a João pelos fariseus lhe perguntou, “Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?” (Jo 1:25).

João havia posto a si mesmo como um sinal. Agora, sinais não têm nenhum valor salvífico neles mesmos, exceto que apontam para um objetivo maior.

Assim João fez. Ele sempre apontou para Cristo. Quando Deus estava pronto para começar um trabalho novo no mundo, Ele enviou um pregador batizando. Os missionários e plantadores de novas igrejas seriam sábios se aprendessem a abrir caminho segundo os métodos deste pioneiro cristão.

“ESTE VEIO PARA TESTEMUNHO” (JOÃO 1:7).

O batista veio “para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele”. Por que uma luz precisa de uma testemunha? O sol precisa de alguém para anunciar que está brilhando? Não; exceto para os que são cegos. Jesus falou para certos fariseus sobre isso quando Lhe perguntaram, “Também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fósseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” (Jo 9:40-41). Eles eram cegos; eles não puderam ver a deidade de Cristo, até mesmo depois que Ele curou um homem que era cego de nascença. O que os cegou? Os escombros da lei Mosaica relativo ao sábado (as suas leis artificiais) os cegaram da Filiação divina de Cristo e para a Sua bondade em curar um homem cego.

Cada cristão deveria se perguntar se é cego, mesmo em parte, por noções enganosas que não vem através da Bíblia. Talvez a maioria de nós tenha “manchas cegas" das quais não estamos atentos. Tal possibilidade, por não dizer probabilidade, deveria nos manter humildes.

Da mesma maneira que João não era a Luz, assim nenhum cristão desde aqueles dias pode reivindicar tal honra sem igual. Pretensos Messias vieram e se foram, cada qual se proclamando ser a luz escolhida de Deus, mas eles vacilaram miseravelmente e falharam. Somente o Senhor Jesus ilumina a escuridão do mundo, “e as trevas não a compreenderam”. (Jo 1:5).

Como João testemunhou da Luz? O que disse ele há pouco?

João o Batista testemunhou à eternidade de Cristo. “Após mim vem um homem que é antes de mim,” disse João (Jo 1:15, 27, 30). Isto só poderia ser verdade se Jesus fosse o Filho de Deus de um modo sem igual. (A lista completa está no capítulo seis).

João declarou a superioridade de Cristo. “O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”. (Jo 1:15). “Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos”. (Jo 3:31).

O batista disse que Cristo estava cheio de graça e verdade (Jo 1:14, 16, 17). A “graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”. Esta "plenitude" de graça e verdade nós recebemos em contraste com a lei dada por Moisés. Agora João a recebeu, sem perguntar, e parece uma cortesia dele dizer que "todos nós" também recebemos. Está disponível a todo o mundo. É de graça como o ar que se respira. Mas nem todos abrem seus corações para receber a Cristo. Muitos permanecem nos ídolos mundanos e nos preconceitos. Mas a plenitude ainda está disponível. O que é mais valioso: graça e verdade de Deus ou o orgulho e ganância do mundo? João escolheu o primeiro.

Novamente, João chamou atenção ao Cordeiro de Deus que levou sobre Si os pecados de todo o mundo no Seu próprio corpo durante todo o tempo que se tornou maldito no Calvário (Jo 1:29, 36; I Pe 2:24). Verdade, os registros que temos não dizem que ele mencionou a cruz, mas o uso que fez da palavra cordeiro (do grego, amnos) indica um cordeiro sacrificial. Esta palavra é encontrada somente quatro vezes no Novo Testamento (Jo 1:29, 36; Atos 8:32; I Pe 1:19). Atos 8:32 é uma citação de Isaías 53:7, 8 enquanto que o versículo em Pedro recorre a nossa salvação dependendo do "precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado". Aqui é solo sagrado, e João andou nele reverentemente.

João também explicou que Cristo iria batizar os crentes no Espírito Santo (Mt 3:11; Mc1:5; Lc 3:11; Jo 1:33; Atos 1:5; 11:16). Alguns acreditam que Ele faz na conversão; outros dizem que o batismo do Espírito foi completado na época em que o Novo Testamento estava sendo escrito. Charles G. Finney recebeu a plenitude do Espírito na conversão; outros como D. L. Moody experimentaram uma plenitude incomum após a conversão. O Espírito vem quando e “onde quer” (Jo 3:8), mas quando um cristão deseja santidade suficiente e Cristo, o Espírito estará disposto a entrar em tal coração com os seus dons inestimáveis.

O precursor de Cristo O declarou ser o Filho de Deus (Jo 1:34). Ele não disse um filho de Deus como alguns humanistas fazem erroneamente. Não; Jesus é sem igual; Ele é o único Filho gerado (Jo 3:16); o Seu nome e Seus pronomes merecem ser escritos em iniciais maiúsculas. É perigoso minimizar a Sua deidade, do mesmo modo é loucura aumentar a divindade do homem.

Este primeiro grande amigo de Cristo se alegrou por anunciar a vinda do grande Noivo. “Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido”. (Jo 3:29). João era o melhor amigo do Noivo, faria o seu melhor para o sucesso deste casamento divino. Muito da mensagem posterior é semelhante, mas o maior: “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou”. (Ap 19:7). "Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro" (Ap 19:9). Grandes e maravilhosos eventos estão diante de nós!

Finalmente, o batista pregou o julgamento de Deus, com convicção em Cristo como o fator decisivo. "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece." (Jo 3:36). Jesus repetiu este critério de julgamento em Jo 5:27, "E deu-lhe (O Pai) o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem." Aqui não há nenhum espaço para universalismo, ou sermões piegas, ou brincadeiras na igreja, ou covardes de fala dobre - tudo isso seria repulsivo a João o Batista.

Qualquer testemunha de Cristo deve ser verdadeira para Ele. João foi verdadeiro, de fato.

"ME MANDOU A BATIZAR COM ÁGUA" (JOÃO 1:33).

Por que se batiza todo o corpo? Por que a preocupação com "ritual do batismo" como alguns irreverentemente e erroneamente o chamam? Desde que batismo não é essencial para a salvação, por que a dificuldade? Não é “membresia aberta" muito mais conveniente para as igrejas modernas?

Fazer Cristo manifesto é a razão declarada de João em batizar (Jo 1:31). Esta verdade vale todo o esforço: é digna de se humilhar a si mesmo. Cristo foi pendurado em uma cruz no Calvário, exposto a visão pública onde “suportou a cruz, desprezando a afronta" (Hb 12:2). Desde que Cristo estava disposto a fazer tudo isso para nós, quem somos nós para evitar o batismo por Sua causa? Se uma pessoa fosse batizada para salvar a sua alma, seria considerado sensato de acordo com a sua providência. Mas se recusasse só porque acreditou que ser batizado não fosse necessário salvar a sua alma, ele seria um egoísta e ingrato. Pelo menos, isso é o teor do ensino do Novo Testamento. Batismo é uma expressão de gratidão a Cristo que sofreu de fato a morte e sepultamento por nossa causa. Na luz da agonia de Cristo na cruz, deveria ser considerado demais para nós testemunhar de Cristo em um sepultamento em água momentaneamente? No batismo fazemos Cristo manifesto.

A maior obra de Cristo na terra foi reconciliar nossos pecados na cruz. Ele disse isso tão repetidamente (Jo 12:27, 32, 33; Mc 9:31; 10:32-34). E Paulo resume esta grande obra que ele diz ser o Evangelho: “Pelo qual também sois salvos” (I Co15:1-4). Este Evangelho, Paulo diz, consiste em três grandes fatos: a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo. Estes três fatos são simbolizados, retratados, representados e exibidos no batismo.

A cruz, talvez, é o melhor símbolo do Evangelho de Cristo. Lembra-nos de como, e no que, Cristo morreu por nós. É um sinal de soma na linha do céu (C. W. Koller). Quando alguém recebe a Cristo ele acrescenta a sua vida um Salvador, um Amigo, um Guia, um Conselheiro, um Exemplo inspirador, Defensor com o Pai, e um Rei que está por vir. Este sinal de soma acrescenta a vida de um crente uma consciência limpa, uma atitude altruísta (teoricamente para todos os cristãos nominais, de fato para todos os crentes sinceros), um coração generoso, um zelo por ganhar almas perdidas e um amor sadio pelas pessoas. Mas sem a cruz, a vida das pessoas tem um sinal de menos – diminuindo todas estas boas coisas.

Nossos corações não regenerados são como o sinal de menos - mundano, e sem Deus. Entretanto quando permitimos Deus cruzar nossos caminhos com os Seus meios divinos, então Sua linha vertical cruza nossa linha horizontal, nos dando o sinal de soma da cruz. Dali em diante não é como “eu quero, mas como Tu queres”. Os bons meios da cruz excluem os meios ruins da terra, tudo para nossa vantagem. A cruz é excelente podendo ser usada como um símbolo, mas não retrata a ressurreição de Cristo como faz o batismo. Não é totalmente dramático. Ambos são necessários e ambos deveriam ser usados.

O batismo de João não só simbolizou o Evangelho; também sintetizou as Boas Novas. Conta muitas grandes verdades em uma ordenação simples. Batismo traz junto em poucos segundos de tempo, a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Batismo combina em um símbolo a convicção de um convertido na ressurreição de Cristo em seu favor, a sua vontade em seguir a Cristo, a sua humilhação em sepultar os seus pecados, o seu desejo em viver uma vida nova, o seu desejo em ser unido com Cristo, e a sua convicção na própria ressurreição futura.

Mais adiante, o batismo de João imortaliza, ou conserva o Evangelho. Por esta ordenança são vistas a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo por todos os séculos tão claramente quanto foi visto no primeiro. O batismo pode ser observado onde quer que possa haver um pouco de água, o bastante para imergir um corpo. Todo crente, no seu batismo, ajuda a perpetuar este memorial, mantendo-o assim atual e vivo com um real significado. Nenhum granito ou monumento de mármore poderia fazer em alguém a milésima parte disso tão bem.

Se batismo não tivesse sido mudado, se somente a imersão tivesse sido continuada, e se somente tivessem sido batizados os crentes, é quase certo que menos heresias teriam rastejado para dentro da cristandade. Mostraria para todo o mundo a imersão como a verdade principal do Evangelho: Cristo morreu por nossos pecados! Cristo ressuscitou dos mortos!

Então salvação não é por obras. Não somos salvos através do batismo, mas por Cristo somente. E desde que o batismo ensina o sepultamento dos pecadores, ensina um viver limpo. Somente Deus poderia proporcionar uma ordenação com lições tão vitais, poderosas, importantes, belas e eternas como batismo.

Novamente, o batismo de João significa ajudar a evangelizar o mundo. Em vários lugares toda a obra de João de evangelizar é descrito em santas letras pela palavra "batizado". Isto não significa que o batismo faz a evangelização, mas representa todo o trabalho de evangelismo.

João disse que Deus lhe enviou para que batizasse em água. Os que João fez, todos os crentes também deveriam fazer. O comando está ligado até o fim desta era (Mt 28:20). Assim João foi nosso precursor, nos mostrando como batizar e como evangelizar. Ele mostrou o modo; Cristo aprovou tal modo, e nos impele a que vivamos isto. O caminho para todo convertido se conduz pelo batistério, seguindo os passos de Jesus.

Ninguém no Novo Testamento teve o direito de desviar do batismo, exceto o ladrão arrependido na cruz. Ele não teve nenhuma escolha sobre o batismo; outros têm. Ele foi salvo sem batismo, exatamente como todos os cristãos são salvos sem ele. Mas tendo sido salvo, logo o batismo é essencial para obediência.

"MAS A SABEDORIA É JUSTIFICADA POR TODOS OS SEUS FILHOS" (LUCAS 7:35).

Jesus falou estas palavras ao fim de uma longa seção dedicada à importância de João o Batista (Lc 7:18-35). Sugestiona elogio a João. “Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt7:20). "Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto" (Lc 6:44). O que era alguns desses frutos, ou filhos, de João O Batista? O que João produziu?

O primeiro batista treinou alguns homens tão bem para Cristo que no momento em que Ele os chamou, eles deixaram tudo e O seguiram imediatamente (Jo 1:35-49; Mt 4:18-22; 9:9; 10:1-5). Estes homens se tornaram líderes fortes (Atos 1:15-22), testemunhas corajosas (Atos 2-12), e o fundamento da igreja (Ef 2:20-22). Enquanto não há nenhum registro restante que mostre que João estava na igreja do Novo Testamento, ele preparou o primeiro material para isto e assim teve uma grande parte em seu começo. E se, como alguns acreditam, Cristo começou a igreja com a chamada de dois dos primeiros discípulos dele, então se poderia assumir que Ele incluiria na Sua igreja todos os que eram obedientes a ele. O autor de Ecce Homo disse, "A Igreja Cristã surgiu de um movimento que não foi iniciado por Cristo”. Necessariamente foi iniciado por João o Batista.

João o Batista “justificou Deus" (Lc 7:29), e levou uma multidão de pessoas a fazer do mesmo modo. Aqui os filhos da sabedoria foram revelados. Para João, era o canal da sabedoria de Deus, e os que creram foram “batizados em Jesus Cristo" (Rm 6:3). Estes convertidos de João receberam e assimilaram o conselho de Deus e assim “O justificaram". Os fariseus e doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus sobre isso e rejeitaram o batismo de João. Nestes versículos Jesus discutiu a retidão e a importância do batismo claramente. Os que discutem os pormenores disto deveriam responder à autoridade de Cristo. Ele tornou claro o assunto.

Os cristãos do primeiro século eram os "filhos" de João em um sentido real. Ele foi o primeiro pastor cristão, o primeiro batizador cristão, e o primeiro professor de doutrinas do Novo Testamento. Os seus convertidos saíram e ganharam muitos outros convertidos, e eles ganharam em troca ainda mais. Estes cristãos desde cedo se mantiveram firmes ao lado de seu Deus e salvador Jesus Cristo, do mesmo modo que João tinha ensinado aos próprios discípulos como fazer.

As igrejas do primeiro século se multiplicaram em número e se espalharam por todo o mundo romano. Enquanto João aparentemente não ensinou sobre a eclesiologia, contudo como um profeta (nenhum maior, Lc 7:28), ele foi uma das pedras do seu fundamento (Ef 2:20, 21). Estas igrejas estavam unidas em fé e ordem mais firmes do que quaisquer igrejas que existiram desde então. Em um sentido, então, o único século em que uma igreja verdadeiramente católica existiu foi no primeiro século.

Mas as divisões vieram cedo. Roma exercitou liderança no oeste. Como o Império romano enfraqueceu, e finalmente caiu em 476, o bispo principal de Roma cresceu em poder cada vez mais até que Roma reivindicou ser o trono do papado. Leão, o Grande, cujo poder se tornara crescente de 440 em diante, é considerado como sendo primeiro papa de fato. Mas antes deste tempo tinham aparecido vários grupos de igrejas dissidentes. Em 1054 a Igreja Oriental, grega Ortodoxa, separou-se de Roma e este cisma nunca foi curado.

Conseqüentemente, as reivindicações de Roma em ser "A Igreja Católica" estão longe de ser verdadeiras. O adjetivo qualificativo "romano" anula o nome "católico".

Os crentes do primeiro século eram todos batistas? Eles não foram chamados assim, até onde nós sabemos, mas desde que todos eles acreditaram nas doutrinas de João eles eram todos batistas. Este nome não diminui um jota do nome honrado "cristão" que foi o primeiro determinado pelos pagãos (Atos 11:26), depois por um rei pagão (Atos 26:28), e somente uma vez usado no Novo Testamento com sua própria honra (1 Pe 4:16). Parece totalmente seguro dizer que no primeiro século os cristãos considerariam esse nome honrado um sinônimo exato para o nome batista. Isto é não desprezar os não batistas de séculos posteriores que tiveram igualmente nomes honrados, mas tais nomes não eram conhecidos nos tempos em que a Bíblia estava sendo composta.

Uma grande dificuldade atualmente é sobre a união da igreja, ou ecumenismo. (Este autor escreveu a sua dissertação de doutorado sobre "Ecumenismo na Luz do Novo Testamento” em 1947). Amplamente alertou sobre concílios ecumênicos: Amsterdã em 1948; Evanston, Illinois, em 1954; e Nova Deli em 1961. Mas com a inclusão de igrejas Orientais, parece que tal união está mais longe do que perto, pelas diferenças que entre eles tem aumentado. A base Bíblica de unidade é “Um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef 4:5). Se todas as igrejas realmente tivessem um Deus, eles poderiam ter mais facilmente uma fé; então com uma só fé, um batismo seria o suficiente. Reciprocamente, se todas as igrejas tivessem um batismo, então tal batismo poderia apontar à uma fé, e assim para um Senhor. Em todo caso, unidade baseado no menor denominador comum de doutrina é de pouco valor atualmente em face da grande quantidade de esforço e gastos feitos em relação a isto.

A sabedoria de João implantada pelo Espírito Santo e nutrida pelo estudo das Escrituras é visto novamente no fato de que pessoas sem preconceitos acreditaram nele. João foi um pastor popular. A sua coerência atraiu as massas. A sua falta de pretensão, de orgulho, e de presunção - tão evidente nos fariseus - o fez excelente. E quando o Espírito Santo falou por ele, as multidões reconheceram a sua sabedoria e grandeza. Como a igreja nascente em Pentecostes, ele teve "favor para com todas as pessoas”.

Os muitos convertidos de João eram de uma mente: eles acreditaram no Senhor Jesus Cristo. Eles tiveram sucesso no seu testemunho aparte de televisão, rádio, jornais, revistas, livros, folhetos, publicações periódicas, telefones, telégrafos, organizações, equipes, faculdades, ou uma hierarquia elaborada. Todos estes podem servir bem a Cristandade nesta civilização moderna, mas eles não são de todo essencial. O que é essencial é o cristão ganhar um incrédulo para Cristo, e então mostrar ao novo convertido como ganhar outros. Isso é o que João fez.

Estes primeiros convertidos de João o Batista podiam ter feito pouco em termos de ajuda, mas eles eram por outro lado, ricos. Eles tiveram a Bíblia e eles tiveram a autoridade dela no qual acreditaram. Eles tiveram por Cristo amor, zelo, poder, humildade, desprezo pela glória terrestre, e desdém para honras mundanas. Eles tiveram a coragem pelas suas convicções, tudo em face a oposição "religiosa". João tinha ensinado bem aos seus "filhos".

O que os cristãos deste século atual podem aprender da sabedoria de João? Que recompensas seguirão a um retorno aos seus métodos e mensagem?

  Tradução com autorização do PBMinistries: Edmilson de Deus Teixeira
Revisores: Glailson Braga, Luiz Haroldo Araújo Cardoso e Calvin G. Gardner – 02/2010
Usado com permissão: www.pbministries.org
Fonte: www.palavraprudente.com.br