"Há muita confusão e erro correntes neste dia a respeito da personalidade, operações e manifestações do Espírito Santo. Eruditos conscientes mas extraviados têm sustentado idéias errôneas sobre esta doutrina. É vital a fé de todo cristão que o ensino escriturístico dela seja visto na sua verdadeira luz e sustentada nas suas corretas proporções" (Bancroft, Elemental Theology).
"Ao atribuir personalidade ao Espírito pensamos que Ele não é uma energia impessoal, uma abstração, uma influencia, ou emanação. Ele é uma inteligência auto-cônscia, autodeterminada, voluntária, sensiente. Pode-se dizer que a personalidade existe onde se encontrem unidas numa combinação singular inteligência, emoção a volição, ou senso comum e autodeterminação" (Bancroft, Elemental Theology).
Que o Espírito é uma pessoa, está provado:
1. A MENÇÃO DELE JUNTAMENTE COM OUTROS MEMBROS DA TRINDADE.
Mateus 28:19; 2 Coríntios 13:14
2. SUA ASSOCIAÇÃO COM OUTRAS PESSOAS EM PARENTESCO PESSOAL.
Atos 15:28
3. A ATRIBUIÇÃO A ELE DE EMOÇÃO E VOLIÇÃO.
1 Coríntios 12:11; Efésios 4:30
4. ATRIBUIÇÃO A ELE DE ATOS PESSOAIS.
(1) Ele sonda as coisas profundas de Deus.
1 Coríntios 2:10
(2) Ele fala.
Mat 10:20; Atos 10:19,20; 13:2; Apocalipse 2:7. Vide também passagens
sob a inspiração em que se diz que o Espírito falou
pelos profetas e outros escritores da Escritura.
(3) Ele ensina.
Lucas 12:12; João 14:26; 1 Coríntios 2:13
(4) Ele conduz e guia.
João 16:13; Romanos 8:14
(5) Ele intercede.
Romanos 8:26
(6) Ele dispensa dons.
1 Coríntios 12:7-11
(7) Ele chama homens para o serviço.
Atos 13:2; 20:28
5. A REPRESENTAÇÃO DELE COMO SENDO AFETADO COMO UMA PESSOA PELOS ATOS DE OUTREM.
(1) Ele pode ser rebelado contra, incomodado e entristecido.
Isaías 63:10; Efésios 4:30
(2) Ele pode ser blasfemado.
Mateus 12:31
(3) Ele pode ser mentido (enganado).
Atos 5:3
6. O USO DO PRONOME MASCULINO EM REFERENCIA A ELE.
Em João 16:13, só o pronome masculino se aplica ao Espírito sete vezes. É isto muito significativo desde que a palavra grega correspondente a "espírito" (pneuma) é neutra. Vemos assim que a idéia da personalidade do Espírito é tão forte que na passagem supra ela tem precedência sobre a ordem gramatical. Em Romanos 8:16,26, numa construção mais próxima, prevalece a ordem gramatical, mas isto não anula a significação de na outra passagem arredar-se a ordem gramatical.
7. A APLICAÇÃO DO NOME MASCULINO "PARAKLETOS" AO ESPÍRITO.
"O nome "parakletos"... não pode ... ser traduzido por "conforto", ou ser tomado como nome de qualquer influencia abstrata. O Confortador, Instrutor, Protetor, Guia, Advogado, que este termo traz perante nós, deve ser uma pessoa" (Strong, Systematic Theology).
"Parakletos" é a palavra grega para "Consolador" em João 14:26; 15:26; 16:7.
1. ESPÍRITO SANTO JÁ EXISTIA ANTES DO PENTECOSTES.
Gênesis 1:2; Neemias 9:20; Salmos 51:11; Isaías 63:10; 2 Pedro
1:21. Temos visto que o Espírito Santo, como um membro da Trindade,
é co-eterno com o Pai.
2. ELE TEVE ACESSO À TERRA E OPEROU NO HOMEM ANTES DO PENTECOSTES.
Vide todas as passagens imediatamente antes que seguem a primeira passagem.
3. ELE VEIO NO DIA DE PENTECOSTES NUMA CAPACIDADE ESPECIAL.
Isto explica os significados da promessa de Cristo de mandar o Espírito.
Esta capacidade especial foi:
(1) Talvez como o antítipo da Shequína.
Números 9:15-22; 2 Crônicas 7:1-3. A Shequína, no caso
de tabernáculo, foi para liderança e, no caso do templo foi
um símbolo de propriedade e possessão. A vinda do Espírito
Santo no Pentecostes significou ambas as coisas à igreja.
(2) Em cumprimento de profecia e promessa.
Joel 2:28; Mateus 3:11. Não sustentamos, todavia, que o dia de Pentecostes
marcou o cumprimento completo e ultimado da profecia de Joel. Este dia viu
somente um cumprimento parcial e espiritual dessa profecia. Efetivamente,
as palavras de Pedro precisam ser entendidas como significando não
mais além que a coisa ora testemunhada nesse dia era a mesma em espécie
como aquela da qual Joel predissera. O cumprimento literal, ultimado e completo
de Joel 2:28-32 virá com a conversão da nação
judaica na segunda vinda de Cristo. Vide Zacarias 12:9-11; 13:8,9; Romanos
11:26.
(3) Autorizar a igreja.
Atos 1:4,8
(4) Como o consolador residente e mestre dos crentes.
João 14:16,17; 1 João 2:20,27. Antes do Pentecostes, como
indicado supra, o Espírito Santo teve acesso à terra, mas
Ele veio e foi; não morou nos crentes constantemente. Durante a dispensação
do Velho Testamento o Espírito Santo veio até mesmo sobre
ímpios, tais como Balaão e o rei Saul. E Ele inspirou os escritores
da Escritura. Também regenerou homens; mas uma união inseparável
entre a alma do crente e o Espírito Santo não se formou então
como acontece agora sob a presente dispensação. É a
esta união indissolúvel entre a alma do crente e o Espírito
Santo que o escritor aos Hebreus se refere quando ele fala de escrever a
Lei de Deus no coração do crente. Vide Hebreus 8:10. O fato
de o Espírito Santo não morar constante e inseparavelmente
nos crentes antes do Pentecostes explica porque Davi orou: "Não tires
o Teu Espírito Santo de mim" (Salmos 51:11). O pecado podia então
afugentá-lo do peito, porquanto o Seu presente era transiente. Mas,
não assim agora, como mais tarde veremos mais claramente; e essa
oração é totalmente inadequada ao crente nesta dispensação.
(5) Para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
João 16:8-11. Sustentamos esta passagem como se referindo primariamente
a uma obra indireta do Espírito, porque a diferença entre
a obra direta e indireta do Espírito é para se ver mais tarde
sob o exame do Seu trabalho nos perdidos.
4. SUA VINDA NO PENTECOSTES FOI DISPENSACIONAL E FINAL.
Não há absolutamente nada que justifique a crença que o Pentecostes é para repetir-se na experiência de cada crente. Ele veio em cumprimento de profecia e promessa definitas e particulares, marcou o princípio de uma dispensação especial do Espírito. O pentecostalismo é disparate dos mais absurdos. Podia alguém com a mesma razão falar de uma repetição da ressurreição e ascensão de Cristo como de uma repetição do Pentecostes, que nunca se repetiu e nunca se repetirá. A ocorrência na casa de Cornélio foi meramente suplementada ao Pentecostes (Atos 10:44-47) e aconteceu para que Pedro pudesse saber que os crentes gentios foram recebidos por Deus no mesmo nível como os crentes judeus.
5. DESDE O PENTECOSTES O ESPÍRITO SANTO ENTRA EM TODO O CRENTE NA CONVERSÃO E JAMAIS PARTE.
João 7:38,39; Atos 10:1; Romanos 8:9; Gálatas 3:2; 4:6; Efésios 1:13; 4:30; Judas 19. É loucura o crente orar pelo Espírito Santo, ainda que possa orar pelo Seu poder e plenitude. Tão pouco precisa o crente orar para que Deus não lhe tire o Espírito Santo; porque, ainda que o crente possa entristecer e apagar o Espírito (1 Tessalonicenses 5:19) - recusar Seus impulsos, o crente, não obstante, está permanentemente selado pela presença do Espírito (Efésios 1:13; 4:30).
6. O CRENTE, PORTANTO, NÃO DEVERÁ BUSCAR NEM A PRESENÇA NEM O BATISMO DO ESPÍRITO, MAS SUA PLENITUDE.
Efésios 5:18. Mostramos que cada crente tem o Espírito. Agora só resta ser observado que não há na Escritura garantia para afirmar-se um batismo do Espírito hoje tanto na regeneração como depois dela. A Escritura está calada sobre a noção de um batismo do Espírito para este tempo. A passagem costumeiramente referida para substanciar um batismo do Espírito na regeneração refere-se ao batismo na água. Vide seu exame sob batismo na água.
O crente tem tudo do Espírito Santo, mas o Espírito comumente não tem tudo do crente. Sua presença é expansiva: Ele enche tanto do crente do que estiver vazio de egoísmo e pecado. Assim, a exortação para encher-se do Espírito é uma exortação de completa rendição a Ele. Quanto mais Ele nos enche, maior será a manifestação do Seu poder em nossas vidas (Atos 6:3-5; 11:24).
1. SUA OBRA EM GERAL.
(1) Ele foi o agente de Deus na criação.
Gênesis 1:2
(2) Ele inspirou os escritores da Escritura.
2 Pedro 1:21. Vide outras passagens sob a discussão da inspiração
verbal.
(3) Ele é, em geral, o agente de Deus em todas as obras de Deus.
Jó 33:4; Salmos 104:29,30; Isaías 40:7; Lucas 1:35; Atos 10:38.
2. SUA OBRA NOS PERDIDOS.
(1) Sua obra indireta nos perdidos.
Por obra indireta do Espírito nos perdidos queremos dizer tal obra
como a que Ele executa mediatamente através da Palavra e não
imediatamente por impacto pessoal sobre a alma. Qualquer obra produzida
pela Palavra é uma obra do Espírito, porquanto Ele é
o autor da Palavra. Está isto provado em Atos 7:51,52, onde resistência
à palavra falada pelos profetas é dita como resistindo ao
Espírito Santo.
Na obra indireta do Espírito nos perdidos Ele:
A. Luta com Eles.
Gênesis 6:3. Esta luta se faz por meio de homens, tais como Enoque
e Noé, na pregação da Palavra.
B. Ele os convence do pecado, da justiça e do juízo.
João 16:8-11. A presença e as operações do Espírito
no mundo, como um que veio tomar o lugar e levar adiante a obra de um rejeitado
e crucificado Cristo, constitue um convencimento potencial do pecado. Tivesse
Cristo sido um impostor, Sua promessa do Espírito não se teria
cumprido. É como se a alma (espírito) de um homem voltasse
a rondar seus assassinos e prosseguir a obra que eles tão vãmente
tentaram acabar. Tal tenderia a convencer os assassinos de sua culpa e testemunhar
da justiça do homem que mataram. Assim é com o Espírito
Santo: O Espírito de Cristo (Romanos 8:9; Gálatas 4:6). E
assim é que o Espírito Santo dá prova da justiça
de Cristo, por manifestar que Ele foi para o Pai e por manifestar que Ele
assim se vê ter triunfado sobre Satanás, o qual buscou por
todos os meios impedir o propósito de Deus por meio de Cristo. Por
este meio Ele convence os homens do pecado de rejeitarem a Cristo e da certeza
do juízo a todos que permanecem ligados ao Diabo, porque Satanás
já está julgado (João 12:31). "Este juízo de
Satanás foi alcançado na Cruz e Satanás foi feito potencialmente
impotente" (Bancroft).
Note-se que o Espírito Santo, na Sua obra de convencer ou convicção, "convicta, não primariamente do pecado de transgressão, mas do pecado de incredulidade, - do pecado, porque não crêem em mim?. Atos 2:36-37. Como todo pecado tem sua raiz na incredulidade, assim a forma mais agravada de incredulidade é a rejeição de Cristo. O Espírito, contudo, ao prender esta verdade sobre a consciência, não extingue, mas, pelo contrário, consuma e intensifica o senso de todos os demais pecados." (Bancroft, Elemental Theology).
Chamamos especial atenção para esta última sentença acima. Muitos entenderiam que a incredulidade é o único pecado danoso. Muitos mesmo diriam que isto é tudo por que os homens sofrerão no inferno. Semelhante noção está abundantemente contraditada pela Bíblia. Vide Romanos 2:5,6; 7:7-11; Gálatas 3:10,24; 1 João 3:4; Apocalipse 20:12. O Espírito não convence meramente do pecado de incredulidade, mas do pecado por causa da incredulidade. Isto é, Ele mostra aos homens sua condição pecaminosa por fazê-los ver que estão rejeitando ao Cristo de Deus, mostrando assim rebelião contra Deus. A incredulidade é o principal sintoma da doença do pecado, cuja essência é a anarquia.
A obra indireta do Espírito não só pode ser resistida, mas é resistida constantemente pelos pecadores. Os pecadores nada mais fazem que resistir ao Espírito até que o Espírito, por impacto direto e pessoal sobre a alma, vivifica o pecador cadáver á vista. Isto, como já indicado, explica Atos 7:51,52.
(2). Sua obra direta nos perdidos.
Referimo-nos aqui à regeneração. A regeneração
é instantânea. Não pode ser doutra maneira, por não
ser possível um homem estar em parte vivo e em parte morto sob um
ponto de vista espiritual. É por essa razão que colocamos
a convicção antes da regeneração. Os pecadores
evidenciam vários graus de convicção através
de períodos de extensão variável. É só
no momento de regeneração, sem duvida, que a convicção
alcança a intensidade mais elevada. A obra indireta do Espírito
na convicção é trazida a cumprimento instantâneo
no momento em que a alma cadáver é vivificada à vida.
Mas a convicção existe antes da vivificação.
Vide Paulo na sua experiência, Atos 26:14. Vide também e compare
Atos 2:37. Notai que na parábola dos ossos secos no vale (Ezequiel
37:1-10) houve um efeito produzido pela pregação antes de
Espírito (simbolizado pelo fôlego) vir sobre eles. Isto ilustra
a obra indireta do Espírito na convicção antes da vivificação.
A obra direta do Espírito na regeneração é irresistível. Não quer isto dizer que o Espírito viole a vontade: Ele simplesmente opera posto-vontade. A regeneração tem lugar na "região da alma sob senso comum" (Strong). É o meio pelo qual nossas vontades se conformam à de Deus rigorosamente segundo as leis da vontade e sua ação. Vide o capítulo sobre a livre agencia do homem. A regeneração é irresistível porque é uma obra de Deus e não depende da vontade de homens (João 1:12,13). É na regeneração que Deus habilita os homens a virem a Cristo (João 6:65). É assim que ele entrega os seus eleitos a Cristo (João 6:37). A regeneração é a atração a que se refere em João 6:44,45, na sua consumação. O homem nada pode fazer agradável a Deus enquanto estiver espiritualmente morto, estando na carne (Romanos 8:7,8). Mas, quando vivificado à vida, ele está certo de agir em harmonia geral com a vontade de Deus (1 João 5:4; 3:9). Assim a regeneração é necessariamente irresistível.
3. SUA OBRA NOS SALVOS.
Já vimos que o Espírito habita em todo o crente. Esta moradia
é para a realização de uma obra nos crentes. A obra
consiste de:
(1) Dar garantia de salvação.
Romanos 8:16; 2 Coríntios 1:22; Efésios 1:14. O Espírito
não só testemunha aos crentes da filiação atual,
mas da garantia de salvação final. É neste ultimo sentido
que a obra do Espírito é um "penhor", que quer dizer "hipoteca,
uma parte do preço de compra adiantada como garantia de que a transação
será completada". A presença do Espírito em nossos
corações proporciona-nos uma prelibação do céu
e é uma garantia de recebermos a herança "incorruptível
e impoluta, que não fenece, reservada no céu" para nos "que
somos guardados pelo poder de Deus para a salvação, já
prestes para se revelar no ultimo tempo" (1 Pedro 1:4,5).
(2) Confortando, ensinando e iluminando.
João 16:7; 1 Coríntios 2:9-12; Efésios 1:17; 1 João
2:20,27.
(3) Liderando em obediência e serviço.
Romanos 8:14; Gálatas 5:16; Atos 8:27,28.
(4) Chamando para serviço especial.
Atos 13:2,4. "O Espírito Santo não só dirige o teor
geral da vida cristã, mas chama homens para trabalhos especiais,
tais como missões, o ministério, ensino, etc."
"Esta passagem não nos conta como o Espírito chama homens, presumivelmente porque Ele não chama sempre homens do mesmo modo. Cabe-nos a nós estarmos prontos a ser chamado, desejá-lo e então esperar que o Espírito Santo nos chame. Ele não chama a todos para o trabalho missionário estrangeiro, ainda que todo cristão devera estar pronto a responder a esse chamado. Ele chama, contudo, todo cristão para algum campo de serviço e o conduzirá, se ceder, a esse campo especifico" (Bancroft).
(5) Distribuindo dons espirituais.
1 Coríntios 12:4-11. Notai que "a manifestação do Espírito
é dada a todo o homem (Isto é, todo o homem salvo) para o
que for útil" (1 Coríntios 12:7). Nenhum homem salvo pode
dizer verdadeiramente, portanto, que está falto de habilidade espiritual
no serviço do Senhor.
(6) Fortificando no serviço.
Atos 1:8; 1 Coríntios 2:4; 1 Tessalonicenses 1:5.
(7) Fazendo frutífero.
Gálatas 5:22-25.
(8) Ditando oração e intercedendo.
Romanos 8:26,27; Gálatas 4:6.
(9) Movendo a adorar.
Filipenses 3:3. Foi dito: "Em nossas orações somos tomados
com as nossas necessidades, em nossas ações de graça
somos tomados com as nossas bênçãos, mas em nossa adoração
somos tomados com Deus mesmo".
(10) Finalmente, vivificando o corpo do crente.
Romanos 8:11-23.
Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.