Cap 29 - Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica

A PERSEVERANÇA E A CONSERVAÇÃO DOS SANTOS

A perseverança e a conservação dos santos são doutrinas bíblicas gêmeas. Deus as reuniu inseparavelmente na Sua Palavra infalível. Que nenhum homem as separe.

Algum tem errado em apresentarem a conservação (segurança, firmeza) dos salvos como se ela fosse independente de perseverança. Semelhante apresentação tende para o antinomianismo. Tende também a representar a salvação como física ou mecânica , mais do que como uma reaização moral e espiritual. Ela fornece munição ao arminianismo. Ela ensina só uma meia verdade. Não está calculada a fazer santos tão considerados como eles deviam ser sobre sua conduta. Escrituras inspiradas evitaram este extremo e seus medonhos resultados por combinarem tanto a fase humana como a divina da salvação. Ensinaram que a salvação é do Senhor do princípio ao fim, mas também ensinaram que Deus salva os homens, não por lei mecânica e não irrespetiva de seu responso com Ele senão em completa harmonia com sua natureza como criaturas voluntárias, exigindo que obedeçam à Sua vontade e neles operando de tal maneira a mover suas vontades e desentranhar sua cooperação com Ele conforme Ele os ajusta para Sua presença. Assim é Deus glorificado nos homens tanto no tempo como na eternidade e por aí a graça está impedida de ser uma capa de lascívia.

Os modeladores da Declaração de Fé de New Hampshire foram sábios e felizes na verdade na sua apresentação da matéria, que é como segue: “Cremos que somente são crentes reais os que aturam até ao fim; que o seu perseverante apego a Cristo é o grande sinal que os distingue dos professantes superficiais; que uma Providencia especial vela sobre sua felicidade; que são guardados pelo poder de Deus para salvação através da fé.”

A exposição da Confissão de Fé de Filadélfia é também eminentemente digna de se ver: “Aqueles a quem Deus aceitou no Amado, eficazmente chamados e santificados pelo Seu Espírito, a quem foi dada à fé preciosa dos Seus eleitos, não podem cair do estado de graça nem total nem finalmente... mas certamente perseverarão nela até ao fim e serão salvos eternamente...”

Notai que ambas estas apresentações acentuam a perseverança tanto como a conservação. Estamos em perfeita harmonia com estes postulados históricos dos batistas e da fé bíblica e, enquanto em nossa elaboração do assunto, teremos ocasião de discutir coisas não mencionadas neles e não seremos intimados a dizer qualquer coisa contrária a eles ao apresentarmos nossas convicções livre e completamente.

I. A PERSEVERANÇA REQUERIDA

Cremos que Deus na Sua Palavra põe sobre os crentes a responsabilidade de perseverarem na fé e na justiça. Citamos as seguintes passagens em prova disto:

“Se continuardes na minha Palavra, então sois meus discípulos na verdade.” João 8:31

“Estais em mim e eu em vós. Assim como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, salvo se estiver na vinha, assim nem vós se não estiverdes em mim... Se um homem não estiver em mim, ele é lançado fora como um ramo e fenece; homens os ajuntam e os lançam no fogo e se queimam.” João 15:4,6.

“...continuarei no meu amor.” João 15:9

“O qual, quando veiu e viu a graça de Deus, alegrou-se e os exortou a todos para que com propósito de coração permanecessem no Senhor.” (Atos 11:23)

“Confirmando as almas dos discípulos e os exortando a continuarem na fé e que devemos através de muita tribulação entrar no reino de Deus.” (Atos 14:22)

“Dirás então: Os ramos foram quebrados para que eu fosse enxertado. Bem; por causa da incredulidade foram quebrados e tu estás em pé pela fé. Não te ensoberbeças, mas teme; porque, se Deus não poupou os ramos naturais , teme que não te poupe a ti também. Considera, pois a bondade e a severidade de Deus: para os que caem, severidade; mas, para contigo, bondade, se continuares na Sua bondade; do contrário, serás cortado.” (Romanos 11:19-22)

“... o que perseverar até ao fim será salvo.” (Mat. 10:22)

“... o Evangelho ... pelo qual sois salvos, se guardardes na memória o que vos tenho pregado, a menos que tenhais crido em vão” (I Cor. 15:2). Crer em vão é ter fé apenas intelectual.

“E vós, que por algum tempo estivestes alienados e inimigos na vossa mente pelas obras ímpias, contudo agora Ele reconciliou no corpo de Sua carne através da morte, para apresentar-vos santos e sem mancha e irreprováveis à Sua vista, se continuardes na fé fundamentados e firmes e não desviardes da esperança do Evangelho...” (Col. 1:21-23.)

“Sustentemos firme a profissão de nossa fé sem tergiversar (porque é fiel o que prometeu);... Porque, se pecamos voluntariamente (o pecado como a lei de nossas vidas, viver sob o poder do pecado) depois de havermos recebido o conhecimento da verdade, não resta mais sacrifícios pelos pecados...” Heb. 10:23,26

“Agora o justo viverá pela fé; mas se alguém afastar-se, minha alma não terá prazer no tal.” ( Heb. 10:38)

“Segui a paz com todos os homens, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; atendendo a que ninguém se prive da graça de Deus, a que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe e por ela muitos se contaminem” (Heb. 12:14,15)

“Ao que vencer não sofrerá da segunda morte.” (Apoc. 2:11)

Muitas e variadas são as tentativas que se fazem para liquidar o significado evidente destas passagens, mas todas elas fúteis. Elas desafiam teorias abstratas, todos os advogados da conservação como uma dedução lógica friamente aérea, ensinam que ninguém atingirá a morada final de Deus e Seus santos exceto aqueles que permanecem em Cristo, agarram-se com o Senhor, continuam na fé e na bondade de Deus, aturam até ao fim, guardam o Evangelho na memória, seguem a santidade e vencem. Nisto cremos nós tão fortemente como fez Armínio ou qualquer dos seus seguidores, porque é a verdade indisputável.

II. A PERSEVERANÇA ASSEGURADA

Mas isto não quer dizer que qualquer a quem Deus salva será perdido; jamais, verdadeiramente! A Escritura é só tão enfática em declarar que todos os verdadeiros crentes, todos os regenerados, perseverarão.

Notais as seguintes passagens:

“Porque qualquer que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.” (1 João 5:4)

“Ninguém que é um filho de Deus é habitualmente culpado de pecado: um germe de vida dado por Deus fica nele e ele não pode habitualmente pecar.” 1 João 3:9 – Tradução de Weymounth) (*).

Se escapar da segunda morte e o privilégio de comer da árvore da vida são para vencedores, então estas coisas são para todos a quem Deus regenera. Uma pessoa regenerada não pode pecar, pois a lei de sua vida, a tendência ideal do seu ser não pertencem à esfera do pecado” (Sawtelle). Assim uma pessoa regenerada não pode voltar ao pecado, mas na certa, por ser semente de Deus, “o princípio divino de vida” (Vincent) habita nele perpetua e inseparavelmente, para perseverar, aturar e vencer até ao fim.

Isto não quer dizer que o filho de Deus não pode retrogradar temporariamente e cair em muito pecado, mas quer dizer que ele não viverá outra vez perpetuamente em pecado. Davi e Pedro são casos frisantes aqui.

III. A PERSEVERANÇA REALIZADA

A perseverança é produzida pelo poder de Deus. Isto é uma parte da obra da salvação e a “salvação é do Senhor” (Jonas 2:9).

É aqui que a nossa discussão de perseverança se funde com conservação. Os filhos de Deus perseveram porque Ele os conserva.

Notemos como Deus faz isto:

1. PELO SEU ESPÍRITO

“E porque sois filhos, Deus enviou o Espírito do Seu Filho aos vossos corações, clamando: Abba, Pai” (Gal. 4:6). O Espírito em nossos corações guarda-nos em comunhão com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

“Mas o fruto do Espírito é... fé” (Gal. 5:22).

“... em quem também depois que crestes, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor de nossa herança para redenção da possessão de Deus, para louvor da Sua glória.” (Ef. 1:13,14).

“... Ele, que começou uma boa obra em vós, a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Fil. 1:6). Esta boa obra é a santificação começada na regeneração. Deus começa-a e a terminará. Ele faz isto pela operação do Espírito Santo.

Deus não só mantém a nossa fé, pelo Espírito, mas também opera em nós para fazer-nos obedecer à Sua vontade.

“... é Deus que opera em vós tanto o querer como o efetuar para Seu bom beneplácito.” (Fil. 2:13).

2. POR MEIO DA SUA PALAVRA

É por esta razão que Ele deu os mandamentos e admoestações já notadas. Outras porções da Palavra especialmente adaptada a promoverem a perseverança dos santos em santo viver como segue:

“Nem todo o que me diz, Senhor, entrará no reino do céu, mas o que faz a vontade de meu Pai que estás no céu” (Mat. 7:21).

“... se alguém me amar, guardará a minha palavra” (João 14:23).

“... o qual dará a todo homem segundo as suas ações: aos que por paciente perseverança em bem fazer buscam glória e honra e imortalidade, a vida eterna; mas aos que são contenciosos e não obedecem à verdade e sim à injustiça, indignação e ira, tribulação e angústia sobre toda alma que faz o mal, do judeu primeiro e também do gentio; mas, glória, honra e paz a todo homem que faz o bem, ao judeu primeiro e também ao gentio...” (Rom. 2:6-10).

“Não reine pois o pecado no vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências.” (Rom. 6:12).

“Porque, se vivermos segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rom. 8:13).

“... entrega o mesmo a Satanás para a destruição da carne, para que o espírito se salve no dia do Senhor Jesus” (1 Cor. 5:5). Se Deus nos desamparasse e não subjugasse a carne, nos Seus próprios desígnios, então o espírito não se salvaria; em outras palavras, estaríamos perdidos.

“Andai no Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne... E os que são de Cristo crucificaram a carne com os afetos e concupiscências. Se vivermos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gal. 5:16, 24, 25).

“... operai a vossa própria salvação com temor e tremor” (Fil. 2:12). Isto foi endereçado a gente salva e é uma exortação a cooperarem voluntariamente com Deus em salvar-nos.

“... se por qualquer meio eu pudesse alcançar a ressurreição dos mortos. Não como se eu a tivesse alcançado ou fosse já perfeito, mas prossigo para prender aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus” (Fil. 3:11,12).

“Porque a graça de Deus que traz salvação apareceu a todos os homens ensinando-os que, negando a impiedade e as concupiscências mundanas, deveríamos viver sóbria, justa e piamente neste presente mundo mau...” (Tito 2:11,12).

“Mas não queres saber, ó homem vão, que a fé sem obras é morta?” (Tia. 2:20).

“E além disto, fazendo toda a diligencia, adicionar à vossa fé a virtude... conhecimento... temperança... paciência... piedade... bondade fraternal... caridade. Se estas coisas estiverem em vós e abundarem, farão que não sejais estéreis nem infrutíferos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas aquele a quem faltam estas coisas é cego e não pode ver longe, esqueceu-se de que foi uma vez purgado dos seus velhos pecados (o apostolo argumenta aqui da própria profissão de alguém). Antes, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis...” (2 Ped. 1:5-10).

“E o que diz: Eu o conheço e não guardar os Seus mandamentos, é um mentiroso e a verdade não está nele” (1 João 2:4).

“Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” (1 João 2:15).

“E todo homem que tem esta esperança consigo purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro” (1 João 3:3). Isto é, o homem com a esperança da semelhança com Cristo na ressurreição levará avante, segundo Deus opera nele, um processo de purificação, repelindo contra as moções do pecado no seu corpo.

“Qualquer que odeia seu irmão é um homicida e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” (1 João 4:15).

Que estes mandamentos e exortações não implicam uma possibilidade absoluta dos crentes se desviarem de Cristo está provado por um paralelo. Em Atos 27:22-24 temos conta da revelação de Deus a Paulo em caminho para Roma. Lemos:

“E Agora vos exorto a estardes de bom ânimo, porque não haverá nenhuma perda de homem algum entre vós senão do navio; porque esta noite, esteve comigo o anjo de Deus, de quem sou e a quem sirvo, dizendo: Não temas, Paulo: deves ser trazido perante César e, eis, Deus te deu todos quantos navegam contigo.”

Mas, pouco depois, quando a borrasca recrudescera e os nautas estavam prestes a desertar o navio, lemos:

“Paulo disse ao centurião e aos soldados, A menos que estes fiquem no navio, não podeis salvar-vos.” (Atos 27:31).

Era absolutamente possível que qualquer no navio se perdesse? O que assim diz blasfema contra Deus; porque diz que é possível Deus mentir: Deus disse que não haveria perda de vida de homem algum. Isto teve de se provar verossímil, porque era a palavra do Deus que não pode mentir. Mas Paulo disse ao centurião e aos soldados que isto podia cumprir-se somente pelos marinheiros ficando a bordo. E ELES FICARAM. Deus usou esse aviso para executar Sua vontade predeterminada.

Assim é com as admoestações sobre perder nossa fé. Elas não implicam a possibilidade atual dela, porque Deus que não pode mentir declarou que Ele glorificará a todos quantos Ele justifica. Essas admoestações são meios objetivos de Deus realizar aquela certa coisa que ele determinou. De um ponto de vista humano, desviar-se de Cristo é possível, mas Deus não o permitirá. Ele usa de Sua Palavra para promover nossa perseverança voluntária. Assim Ele nos trata como seres pessoais e não como máquinas ou objetos inanimados.

3. ATRAVES DA OBRA INTERCESSÓRIA DE CRISTO

Em adição a todos os meios já mencionados, Deus também nos conserva e guarda através da obra intercessória de nosso grande Sumo Sacerdote. Quando aqui na terra, Ele orou:

“Pai Santo, guarda pelo Teu próprio nome aqueles que Tu me deste, que possam ser um, assim como somos.” (João 17:11).

E agora “Ele pode salvá-los perfeitamente (até ao último absolutamente, completamente), que vem a Deus por Ele, vendo que Ele vive sempre para fazer intercessão por eles.” (Heb. 7:25). Deus sempre ouve a Jesus quando Jesus ora (João 11:41,42).

4. NA BASE DA OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO

Notai as seguintes passagens:

“Bem aventurados são aqueles cujas iniqüidades são perdoadas e cujos pecados são cobertos. Bem aventurado é o homem a quem o Senhor não imputa pecado.” (Rom. 4:7,8).

“Cristo é o fim da Lei para justiça de todo àquele que crê.” (Rom. 10:4).

“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? Sendo Deus quem os justifica. Quem os condenará? Sendo Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.” (Rom. 8:33,34).

“Não há, portanto, condenação para os que estão em Cristo Jesus.” (Rom. 8:1).

Estas passagens requerem pequeno comento. Elas ensinam muito claramente que Cristo satisfez plenamente a Lei por nós e que a Lei, portanto, não tem poder para condenar-nos. Não estamos mais debaixo dela a respeito de nossa posição perante Deus. Cristo tomou nosso logar na cruz e nós agora tomamos o Seu logar em nossa posição diante de Deus, “que tenhamos ousadia no dia de juízo; porque, como Ele é, assim somos nós neste mundo.” (1 João 4:17).

Tendo passado de sob a Lei, estamos agora sob a graça e o novo concerto (Heb. 8:6-12, 10:16-22; Jer. 32:40), no qual Deus diz: “Porei minhas leis na sua mente e as escreverei nos seus corações;... de seus pecados e iniqüidades não me lembrarei mais” e não tornarei de após eles, para lhes fazer bem; mas porei o meu temor nos seus corações e eles não se apartarão de mim.”“.

5. DO SEU TRATO CONOSCO COMO SEUS FILHOS

“Mas, quando somos julgados, somos castigados do Senhor, para não sermos condenados como o mundo.” (1 Cor. 11:32).

“Porque a quem o Senhor ama Ele castiga, e açoita a todo que recebe como filho.” (Heb. 12:6).

Quer isto dizer que, conquanto Deus não trate o crente sob a Lei, não lhe dá castigo legal, contudo não o deixa ir em pecado: castiga-o como a um filho e assim o conserva para que não caia sob a condenação do mundo.

6. EM EXECUÇÃO DO SEU ETERNO PROPÓSITO

“Porque a quem pré conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, para que sejais o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a esses também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou” (Rom. 8:29,30).

Não precisamos aqui de entrar na discussão do fundamento de nossa eleição, desde que já fizemos num prévio capítulo. Pouco importa o que isso foi, a passagem supra nos informa inilidivelmente que aqueles a quem Deus salva Ele conheceu de ante mão, mesmo na eternidade, porque Ele foi infinito em conhecimento no princípio. Então todos que Ele conheceu como Seus, como aqueles a quem Ele salvaria, Ele pré ordenou, chamou, justificou e glorificou no Seu propósito; isto é, Ele determinou que deveriam ser chamados, justificados e glorificados. Assim, a todos que Ele justifica, Ele glorificará. Isso O obriga a manter sua fé (deles crentes), porque não pode haver justificação sem fé.

Por causa do eterno propósito de Deus temos as seguintes garantias de nossa perseverança e conservação:

“Guardados pelo poder de Deus através da fé para a salvação pronta a ser revelada no último tempo.” (1 Ped. 1:5).

“... somos mais que vencedores por Aquele que nos amou” (Rom. 8:37).

“Nós (os salvos) não somos daqueles (falsos professantes) que se afastam para a perdição senão dos que crêem para a salvação da alma.” (Heb. 10:39).

“Porque o Senhor ama o juízo e não desampara os Seus santos; eles são conservados para sempre...” (Sal. 37:28).

“Qualquer que beber (o grego quer dizer “uma vez por todas”- Robertson) da água que eu lhe der nunca terá sede (nunca precisa de ser salvo outra vez); mas a água que eu lhe der será nele uma fonte de água saltando para a vida eterna” (João 4:14).

“Porque os dons e a chamada de Deus não voltam atrás” (Rom. 11:29). Isto quer dizer que Ele jamais muda Sua mente e retira o dom da salvação ou revoga o chamado que nos traz para Ele. Notais Rom. 8:30 e 2 Tim. 1:9 para o significado de “chamada”.

“... depois que crestes fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor de nossa herança até a redenção da própria possessão de Deus, até ao louvor de Sua glória.” (Efe. 1:13,14). Este selar é nada menos que a morada e a presença inseparável do Espírito no coração do crente, pelo qual o crente é constrangido a perseverar na justiça.

“Porque por aquela uma oblação Ele aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Heb. 10:14). Todos os salvos são santificados no sentido desta passagem. Quer dizer que eles têm uma posição perfeita eternamente perante Deus e na base da morte de Cristo. Isto quer dizer que Cristo sofreu por todos os nossos pecados até ao fim de nossas vidas. Deus, tendo-os carregado sobre Seu Filho, não pode agora punir-nos por eles.

“... o que a mim vier eu de modo algum o lançarei fora.” (João 6:37).

“... e sabemos que todas as coisas operam juntamente para o bem dos que amam a Deus; para os que são chamados segundo o Seu propósito.” (Rom. 8:28).

Desde que todas as coisas operam para nosso bem, nada pode causar nossa condenação.

“Minhas ovelhas ouvem minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem, e lhes dou vida eterna, e elas nunca perecerão.” (João 10:27,28). São toda estas afirmações positivas. Nesta passagem não há “se”.

IV. ARGUMENTOS OPOSTOS RESPONDIDOS

As passagens seguintes com os seus casos podem ser citadas como desaprovando o que havemos dito sobre perseverança e conservação:

1. 1 COR. 3:12-15

Alguns podem invocar esta passagem contra nossa posição sobre a perseverança dos santos, tomando-a como ensinando que um crente pode assim viver de modo a não ter recompensa no céu. Esta passagem não ensina semelhante coisa. O caso é hipotético: mostra o que aconteceria se um crente assim vivesse de modo a perder toda recompensa. Não afirma que isto será verdade quanto a qualquer crente. É à luz de 1 João 5:4 e 3:9, bem como de outras passagens, não somos justificados em concluir que tal possa ser verdade.

2. CERTOS CASOS CONHECIDOS

Alguma gente argüira de que uma pessoa salva pode perder sua salvação por causa de uns certos conhecidos seus que, crêem, foram salvos e então voltaram, ao pecado permanentemente, afundando ainda mais baixo no pecado do que estiveram antes. Nossa resposta a este argumento é: “Seja Deus verdadeiro, ainda que todo homem se ache mentiroso” (Rom. 3:4 – tradução por A. T. Robertson). Deus disse que todos quantos nasçam dEle vence o mundo. 1 João 5:4. Deus disse que os que nascem de novo não podem “continuar pecando” (1 João 3:9). Deus disse que não podem perecer e que nada pode separá-los do Seu amor. João 10:27,28; Rom. 8:35-39. Creremos em Deus ou no homem?

Todos os casos semelhantes como estão sendo agora considerados são decisivamente liquidados por Heb. 3:14, que lê: Porque estamos feitos (grego, tempo perfeito, devera ser “somos feitos”- Robertson) participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio de nossa confiança até ao fim”. Se não temos, prova que não fomos feitos participantes de Cristo, não fomos salvos, no princípio.

3. ANJOS DECAIDOS E ADÃO

Certos anjos e Adão decaíram do seu estado justo e envolveram-se em condenação, mas isto prova que os salvos hoje podem fazer da mesma maneira. Notai estes contrastes entre anjos decaídos com Adão de um lado e aqueles salvos por Cristo doutro lado:

(1). Os anjos e Adão caíram sob a Lei, mas os salvos estão debaixo da graça. Rom. 6:14.

(2). Deus não os elegeu e predestinou para permanecerem, mas ele elegeu e predestinou os salvos para a glorificação final. Rom. 8:29,30.

(3). Deus não disse que quer anjos quer Adão venceriam o mundo, mas disse o dos salvos. 1 João 5:4.

(4). Nem anjos nem Adão têm promessas de serem guardados e que pereceriam, mas os salvos tem tais promessas. 1 Ped. 1:5; João 10:28.

(5). Nem anjos nem Adão foram selados pelo Espírito Santo, mas os crentes são. Efe. 1:13,14; 4:25.

4. OS JUDEUS

Os judeus caíram como nação e não como indivíduos; caíram sob a Lei e não sob a graça; caíram de privilégios nacionais e não da salvação. Logo, o seu caso, como o de anjos e Adão, nada prova concernente à matéria sob consideração.

5. MOISÉS

Deut. 42:48-52. Por causa do pecado não foi permitido a Moisés entrar em Canaã, mas, que ele não perdeu sua salvação está provado pelo seu aparecimento no monte da transfiguração com Elias e Cristo. Mat. 17:3.

6. O REI SAUL

Para obtermos a verdade devemos interpretar a Escritura pela Escritura. À luz do Novo Testamento o ensino é que toda alma regenerada vence o mundo como um resultado da conservação de Deus e devemos negar que Saul algures se salvou, conquanto está dito dele que “Deus lhe deu um outro coração.” (1 Sam. 10:9). A Escritura liga-nos para entendermos disto que Deus só lhe deu novas intenções e impulsos; não um novo coração no sentido de regeneração.

7. DAVI

Sal. 51:11,12. Nesta passagem Davi orou: “Não tires Teu Santo Espírito de mim.” Foi isto devido ao fato que o Santo Espírito, sob a velha dispensação, não permaneceu constantemente nos crentes. Sua presença era um favor especial de Deus e podia perder-se pelo pecado; mas, desde o Pentecostes o Espírito Santo tem morado permanentemente em todo coração salvo, e por meio de Sua presença e obra, o crente, como temos notado, está selado até ao dia da redenção. Assim agora Ele fica. Para discussão mais extensa, vide o capítulo 9. Bom é, antes de passar, notar que Davi não orou por uma restauração senão só da alegria da salvação. Esta pode perder-se e se perde quando qualquer frieza ou pecado perturba temporariamente a comunhão do crente com Deus.

8. EZEQUIEL 18:24

Esta passagem está facilmente explicada por Eze. 33:13, que reza: “Quando eu digo ao justo que ele certamente viverá; SE ELE CONFIAR NA SUA PRÓPRIA JUSTIÇA e cometer injustiça”, etc. A passagem sob consideração fala do juízo do homem que é justo quanto às suas próprias obras e delas de desvia. Esta passagem nada tem a ver com o homem a quem Deus imputou sem obras. Rom. 4:6-8. A morte ameaçada é morte no assédio de Babilônia por vir. Por todo o passo de Ezequiel Deus promete salvar os obedientes, mas destruir os ímpios neste cerco.

9. MATEUS 12:43-45

A saída do espírito impuro aqui não representa conversão, desde que a casa donde saiu foi deixada vazia. O coração não é deixado vazio na conversão, mas é ocupado pelo Espírito Santo, pelo qual somos selados, selados contra a volta do pecado, até ao dia da redenção. Gal. 4:6; Efe. 1:13,14.

Temos aqui em geral um quadro da reforma humana, mas, em particular, é descrição do judeu. Tinham primeiramente abandonado o espírito mau da idolatria, mas agora tornaram-se piores mais do que nunca pela sua rejeição do seu Messias.

10. 2 PEDRO 2:20-22

Não está dito desses falsos mestres que eles alguma vez foram salvos. Se o tivessem, não teriam voltado. 1 João 5:4; 3:9. Escaparam das “contaminações do mundo” pela reforma. São comparados a um cachaço ou a um cão. Uma pessoa salva não é nem um cachaço nem um cão, mas uma ovelha; e das Suas ovelhas disse Cristo: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz... e elas me seguem.” (João 10:27).

11. MATEUS 13:20-22

Desde que todos os regenerados vencem o mundo, aqueles representados nestes versos (parábola da semeadura) devem ser considerados como tendo apenas fé intelectual. Uma fé intelectual pode operar grande mudança na vida, no que pode parecer haver indicação real de conversão; mas daí a pouco, sob dificuldade e provação, falha. Hoje há multidões de casos desta marca.

12. JOÃO 15:2

Os ramos nesta parábola devem ser pensados como ramos enxertados, porque ninguém está em Cristo por natureza. Alguns ramos são enxertados propriamente, de modo que eles têm ligação vital e sustentadora com a vinha. Outros são enxertados impropriamente e não tem tal conexão com a vinha para continuarem a crescer permanentemente e dar fruto. Assim é com discípulos. Os ramos aqui são todos que professam fé em Cristo. Alguns destes ramos são enxertados em Cristo com fé real do coração. Vivem e produzem fruto. Outros são enxertados só com fé intelectual, como os indicados em Mat. 13:20,21. Não aturam e não produzem fruto aceitável. São os que são podados – Todos os verdadeiros ramos ficam, como temos indicado.

13. 1 CORÍNTIOS 9:27

Esta passagem é equivalente a Fil. 3:8-14. Em ambas as passagens Paulo reconhece que a única prova final da salvação de alguém é perseverança na fé e vida justa até ao fim, como temos acentuado. Paulo sabia que a menos que ele provasse sua salvação pela vitória sobre o mundo ele seria provado ter crido em vão e ser réprobo. É isto tudo que estas passagens indicam. Elas estão perfeitamente em harmonia com o ensino deste capítulo.

14. HEBREUS 6:4-6

Mesmo que esta passagem se referisse a crentes, ela apresenta apenas um caso hipotético e não diz que o indivíduo descrito pode atualmente apostatar. Ainda assim, é tomada como aplicando-se a um crente, então ela ensina que, se o crente cai, ele não pode ser restaurado, o que poucos arminianos admitirão. Assim esta passagem, sobre a base de sua própria interpretação, ensina demais para os arminianos.

Mas nós não tomamos a passagem como de aplicação aos crentes. Ela se aplica, cremos, somente a crentes professos judeus que tinham recebido o cristianismo como uma religião. Os benefícios e experiências descritos são meramente intelectuais na sua natureza. Eles tinham sido iluminados intelectualmente e sujeitos à obra indireta do Espírito e assim tinham provado superficialmente o dom celestial e tinham sido feitos participantes das forças do mundo por vir. O mesmo, em dúvida, podia ser dito dos de Mat. 13:20,21, que são somente professos e não possuidores. Ainda mais, em Heb. 6:9 a nós nos parece que o escritor claramente revela que não tinha crentes em mente nesses versos já notados. Ele disse aos hebreus que estava persuadido de melhores coisas a respeito deles “e coisas que acompanham a salvação”. Ele estava persuadido de que eles não cairiam. Por que? Porque tal não é uma coisa que acompanha a salvação.

15. APOCALIPSE 3:5

Esta passagem não quer dizer que alguns tenham seus nomes no livro da vida e, por causa de infidelidade, os tiveram riscados: é simplesmente uma garantia a crentes de que, pouco importando o que possam atravessar, sua fé continuada e perseverança é uma garantia de que receberão todas as bênçãos da salvação. É uma garantia de que Cristo não os deixará.

16. APOCALIPSE 22:19

Devemos interpretar esta passagem na luz de todas as declarações e promessas da Palavra de Deus a respeito dos crentes. Na luz deste fato, esta passagem pode ser tomada como se aplicando só aqueles que meramente professam estar salvos. Tais devem ser considerados como endereçados na base de sua própria profissão, como é muitas vezes o caso na Bíblia. Temos notado que nenhum vencedor terá seu nome apagado do livro da vida. Apoc. 3:5. Então, desde que todos que são nascidos de Deus vencerão (1 João 5:4), nenhum deles pode sofrer a perda aqui indicada.

A dificuldade no pensamento de um homem perder sua parte no livro da vida quando ele nunca teve tal parte, como é verdade com meros professos, está explicada por uma comparação de Mat. 13:12 e Lucas 8:18. Estas passagens são paralelas. Na primeira lemos: “... qualquer que não tiver, dele será tomado mesmo o que tem”. Não é isto impossível? Mas notai a segunda passagem: “... ao que não tem, dele será tirado mesmo aquilo que ele PENSA QUE TEM (Versão Revista)”. Assim é com a perda referida nesta passagem.

 

Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.
Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004
Revisão: Luis Antonio dos Santos - 13/12/05
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br