Cap 31 - Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica

A DOUTRINA DO BATISMO

O batismo é talvez o assunto mais controvertido na Bíblia. Por séculos ele tem sido um campo de batalha teológico em que muitos nobres soldados da cruz lutaram, sangraram e morreram. Talvez mais sangue de mártires tem sido derramado por causa do batismo que por qualquer outra coisa. A controvérsia tem rugido principalmente em redor de quatro aspectos do batismo. Nossa discussão , portanto, tratará desses quatro aspectos.

I. O ADMINISTRADOR

Faz alguma diferença quem é administrador do batismo? Dizem alguns que não. Argumentam que o batismo é um ato de obediência por parte do batizando e que o administrador não é importante; mas os que assim pensam imaginam que teria sido a mesma coisa aos olhos de Deus se o povo nos dias de João Batista tivesse recebido o batismo de algum fariseu ou saduceu em vez de receber o de João? Naquele tempo Deus teve um administrador divinamente indicado e Nosso Senhor andou em grande distância para receber o batismo de suas mãos. Se Deus, naquele tempo, teve um administrador divinamente indicado, não é crível que ele tenha um hoje? Cremos que tem. Notemos:

1. O BATISMO É UMA ORDENANÇA DA IGREJA.

Para prova disto oferecemos as seguintes passagens:

(1) Mat. 28:18-20.

No logar supra, como é bem sabido, temos o relato de Mateus da última comissão de Cristo, comumente chamada de grande comissão.

A quem estava Cristo falando quando Ele pronunciou Sua última comissão? A promessa que a ela se junta mostra que ele não estava falando aos apóstolos como indivíduos. Ele prometeu sua presença até o fim dos séculos. Certamente ele não pensou que os apóstolos viveriam tanto assim. Então ele deve ter-se-lhes dirigido em alguma capacidade oficial ou corporada. Dirigiu-se-lhes como a um corpo discente apostólico que era para se perpetuar? Dificilmente pensamos assim, desde que nada se diz sobre a perpetuação do oficio apostólico. Para ser membro dos doze originais foi necessário que alguém tivesse acompanhado os demais desde o batismo de João e tivesse sido testemunha da ressurreição (Atos 1:21-22). Paulo foi um apostolo num sentido levemente mais amplo: em que ele teve uma comissão pessoal de Cristo, que lhe apareceu e lhe comissionou na estrada de Damasco. Num sentido ainda mais amplo outros se chamam apóstolos. Mas não se dá um indicio da perpetuidade do ofício até o fim dos tempos, nem há um indicio que o ofício pudesse ser transmitido de um para outro.

Cremos que Cristo falou aos apóstolos como constituindo a igreja. Isto cremos porque:

A. A Igreja é o Corpo de Cristo

Assim é representada muitíssimas vezes para que se precise de mencionar referências escrituristicas. Desde que a cabeça executa as obras através do corpo, cremos que Cristo cometeu sua obra ao seu corpo.

B. A Igreja é o Templo do Espírito Santo.

Vide 1 Cor. 3:116. nesta passagem, Paulo não estava falando do corpo humano do crente, o qual noutro logar se chama o templo do Espírito Santo (1 Cor 6:19); mas falando plenamente da igreja. Este capítulo trata do edifício da igreja.

Desde que a Igreja é o templo do Espírito Santo e o Espírito está aqui para dirigir a obra de Cristo, parece que é por meio de Igreja que ele fará sua obra; logo, que foi à Igreja que Cristo deu a grande comissão.

C. A Igreja é coluna e fundamento da verdade.

Vide 1 Tim. 3:15. A verdade toda está contida na grande comissão. Desde que a Igreja é coluna e fundamento da verdade, a comissão deve ter sido confiada a ela.

(2) 1 Cor. 12:13.

Reza a escritura: "Num Espírito fomos todos batizados num corpo". Sustentam alguns que esta passagem se refere ao batismo no Espírito Santo. Não há fundamento escrituristico para tal noção. Não há na escritura indicio algum que cada crente receba o batismo do Espírito na ou depois da regeneração. Isto é uma presunção pura e simples.

Esta passagem dignifica que estar no ou sob o poder do Espírito Santo fomos todos trazidos pelo Senhor ao batismo e assim fomos feitos membros de seu corpo, a igreja local. Assim o batismo é a porta cerimonial para a Igreja.

Sendo isto verdade e sendo também verdade que a Igreja é um corpo democrático, segue-se que ela tem o cargo de sua própria porta; ou, em outras palavras, a igreja tem autoridade de receber membros. Está isto implicado na exclusão dos pecaminosos e na sua recepção outra vez sê se arrependem e quando se arrependem (1 Cor. 5:1-7; 2 Cor. 2:6-8). Em também está implicado na injunção de Paulo à Igreja de Roma: "ao que está fraco na fé recebei-o vós" (Rom. 14:1). Assim o batismo é uma ordenança da igreja.

2. O BATISMO, ENTÃO PODE SER ADMINISTRADO SOMENTE POR AQUELES A QUEM A IGREJA AUTORIZA.

Sem dúvidas que a Igreja como um todo, não pode batizar; ela deve realizar a ordenança por meio daqueles a quem ela autoriza, tanto como Jesus batizou por meio dos apóstolos (João 4: 1,2).

Isto levanta duas questões, que consideremos agora; a saber:

(1) Pode a Igreja autorizar qualquer um de seus membros a realizar a ordenança do batismo?

Para fazer o alcance desta pergunta mais claro, podemos apresentá-la como segue: a realização do batismo esta limitada ao ministério, ou pode um leigo oficiar?

O Novo testamento não é tão claro neste ponto como noutros, mas o peso da evidência é em favor da administração do batismo como uma função peculiar do ministério. Filipe foi primeiro um diácono e então um pregador. A tradição tem que Ananias, que batizou Paulo, foi mais tarde Biso de Damasco. A verisimilitude é que ele já era um ancião quando batizou Paulo. Em todos os outros casos de batismo está evidente que foi administrado por um ancião.

(2) Deveria ser considerada a ordenação como conferindo ao ministério autoridade para batizar sem outra ação por parte da Igreja?

Os apóstolos que tiveram de Cristo sua comissão, e outros, tais como Felipe e Ananias, que estiveram intimamente associados aos apóstolos em alguns casos, pelo menos, autorizados diretamente pelo Espírito Santo, batizaram crentes sem terem o juízo da Igreja sobre o assunto. Tal foi necessário no tempo quando as Igrejas foram poucas e vagarosas e difíceis às viagens. Foi parte do regime indicador do cristianismo. Mas a regra permanente é que o batismo põe alguém no corpo de Cristo, a Igreja; e, desde que a Igreja é uma democracia e está responsável a Deus pela fiel execução da grande comissão, ela, devêra, quando possível e de todo praticável, opinar sobre cada candidato ao batismo.

(3) Devêra um pregador, indo a um campo abandonado, ser autorizado a batizar crentes sem outra ação por parte de qualquer Igreja?

Respondemos que isto deveria ser feito só quando absolutamente necessário, como quando um missionário vai para um campo estrangeiro onde não há verdadeira igreja acessível. Onde tudo é praticável, os candidatos ao batismo deveriam ser levados a uma igreja visinha em que possam pedir o batismo. Nalguns casos pode ser achado conveniente à igreja enviar um gruo de membros seus ao logar onde os candidatos estão, para recebê-los. Onde nenhum desses planos é fatível, os candidatos podem ser movidos a fazerem pedido de batismo por escrito às mãos de alguma Igreja. Em todo caso as igrejas deveriam seguir o curso que estiver no máximo de harmonia com a democracia da Igreja e o que for mais seguro em principio.

II. O CANDIDATO

Quais são as qualificações, se alguma, devem ser possuídas pelo candidato antes de o batismo ser devidamente administrado? A posição de alguns é que a única qualificação requerida de adultos é "um desejo de fugir da ira vindoura e salvar-se de seus pecados" (Wesley) (*). Outros ensinam que uma simples fé intelectual na deidade de Jesus Cristo qualifica alguém para o batismo, sustentando também que o batismo tem eficácia salvadora. Para uma discussão das passagens em que se baseiam para ensinar que a fé evangélica é uma simples crença intelectual que Jesus Cristo é o filho de Deus, vide o capítulo sobre arrependimento e fé. É também sustentado por alguns que as criancinhas dos crentes podem adequadamente receber o batismo.

Mas, que dizem as escrituras? As escrituras são claras e iniludíveis no seu ensino que:

1. A FÉ SALVADORA PESSOAL É UM PRÉ-REQUISITO DO BATISMO.

A fé salvadora é confiança e firmeza em Jesus Cristo como salvador pessoal todo-suficiente de alguém. Para mais discussão vide o capítulo supra referido.

(1) Não há nas escrituras indicação alguma de qualquer pessoa que alguma vez foi batizado sem fé.

A. Onde se dão as minúcias, aí está claramente indicada à fé dos batizandos.

Para casos destes, vide Atos 2:41; 8:12-37; 18:8; 19:4. Duas destas passagens (Atos 8:37 e 19:4) bastam para mostrar que a conexão de fé com batismo nestas mesmas não é incidental nem acidental. Em Atos 8:37 temos a declaração virtual de Filipe que o Eunuco não podia ser batizado, salvo se cresse. Em Atos 19:4 está claro que Paulo batizou os doze homens porque não tinham compreendido corretamente a pregação de João Batista, de fé no Messias vindouro (pregação imperfeitamente transmitida por Apolos a eles, quiçá), logo, não tinham crido, a assim tornaram inválidos o seu primeiro batismo.

B. Noutras passagens onde os pormenores não estão feitos explícitos, está subentendida a fé dos batizandos.

Vide Mat. 3:1,2,6; Mat. 28:19; Marcos 16:16; João 4:1; Atos 9:17-18; 10:47; 16:30-33. João pregou o arrependimento e exigiu frutos dignos do arrependimento daqueles que ele batizou. E o arrependimento e a fé são graças sincrônicas, inseparáveis. Na grande comissão Jesus engatou fé com batismo (Marcos 16:16) e colocou discipular antes de os batizar (Mat. 28:19). A versão Revista Inglesa retamente traduz esta passagem para que se leia: "Fazei discípulos de dotas as nações", em vez de "ensinai todas as nações"; porque a palavra traduzida "ensinando" no verso seguinte é diferente da palavra no verso 19, que esta traduzida por "ensinai" na versão comum. Que os discípulos não se fazem por batismo está evidente em João 4:1, que indica que tanto João como Jesus "fizeram e batizaram discípulos". Em o Novo Testamento os discípulos foram primeiro feitos e então batizados e a versão da grande comissão por Marcos mostra que os discípulos foram feitos por meio da pregação do evangelho e fé nele. O alegado batismo de criancinhas irresponsáveis no caso do batismo de família será tratado quando viermos a falar do batismo infantil.

(2) O Simbolismo da Ordenança Exige fé por parte do batizando.

O simbolismo do batismo está claramente estabelecido em Rom. 6:2-5 e Col 2:12. ele significa nossa morte para o pecado e ressurreição para andarmos em novidade de vida. Semelhante experiência só pode vir por intermédio da fé. A passagem de Colossenses nos informa que ela vem "pela fé no poder de Deus" (*) .

2. LOGO SOMOS PARA BATIZAR SOMENTE OS SALVOS, PRESUMIDADMENTE

Se a fé exigida como um pré-requisito do batismo é a fé salvadora, então só o povo salvo é balizável. Que esta fé é fé salvadora está feito evidente pelo fato que a salvação está condicionada sobre a fé e diz-se que o crente possuía vida eterna. Vide Atos 16:31; Efes. 2:8-10; João 5:24. Não somos para batizarmos gente para podermos salvá-la, nem porque quer salvar-se, mas só porque já está salva. O simbolismo da ordenança prova isto ainda mais. Quando alguém está batizado sem ter morrido por meio do poder regenerador do Espírito Santo para o pecado, que é o único modo porque alguém pode morrer para o pecado, professa uma falsidade perante o mundo.

3. BATISMO INFANTIL, PORTANTO, É PROIBIDO

O batismo infantil está deixado sem qualquer autoridade ou fundamento na Escritura. Fé é um pré-requisito do batismo e como tal está indicado, implicado ou exigido por qualquer passagem da Escritura no tocante à questão. Barrando o alegando batismo de criancinhas no batismo de famílias, o qual disporemos já, não há na Escritura a mínima parecença de um indício que criancinhas foram algures batizadas. Foi incisivamente dito que as passagens usadas pelos advogados do batismo infantil caem em três classes: uma menciona batismo, mas não menciona criancinhas. Outra classe menciona criancinhas, mas não mencionam batismo e uma terceira classe não menciona nem criancinhas nem batismo.

Alguns pedobatistas, sob o peso da evidência contra eles, tem gravitado à posição de considerarem o batismo de criancinhas como pouco mais que uma dedicação delas ao Senhor tanto como dedicamos edifícios. W. A. Swift, numa série de artigos em The Methodist Herald (ora extinto), de Jackson, Tenessee, sobre "Porque os Methodistas Batizam por Derramamento e Batizam Criancinhas, assim argúi: Diz ele: "Porque dedicam uma igreja a Deus? Porque dedicam um navio, um monumento granítico ou qualquer outra coisa? Não são as crianças de mais valor do que as pedras e edifício?" E Swift conta de um culto numa igreja batista em Chicago na qual duas mães dedicaram suas crianças a Deus como Ana e Samuel, mas sem o emprego de água. E ele acrescenta: "porque prejudica usar água?" Um argumento assim submete a idéia que o batismo é "um sinal de regeneração, ou de novo nascimento". Contudo, os metodistas ainda assim declaram (?).

E à luz dos fatos escrituristico pré-citados muitos eruditos pedobatistas não tentarão manter que o batismo infantil foi uma instituição apostólica. Isso veremos em notar:

(1). O testemunho de pedobatistas eruditos sobre o batismo infantil.

LUTÉRO ? "Não pode ser provado pelas sagradas Escrituras que o batismo infantil foi instituído por Cristo ou começado pelos cristãos prístinos depois dos apóstolos."

ERASMO ? "Em nenhum logar dos escritores apostólicos está expresso que batizaram criancinhas."

OLSHAUSEN ? "Há totalmente em falta qualquer passagem prova conclusiva para o batismo infantil no tempo dos apóstolos, nem pode para o mesmo haver qualquer necessidade e deduzir-se da natureza do batismo."

GEORDE EDUARD STEITZ ? SCHAFF ? HERZOG ENCY. ? Art Bapt. ? "Não há nenhum traço de infantil em o Novo Testamento."

A. T. BLEDSOE, LL. D. ? "É artigo de nossa fé (Metodista Episcopal), que o batismo de criancinhas é para de nenhuma maneira ser retido na igreja, como agradabilidade à instituição de Cristo. Ainda assim, com toda a nossa pesquisa, não temos podido achar em o Novo Testamento uma só declaração expressa ou palavra a favor do batismo infantil." (Southern Review, Vol. 14). E esse mesmo escritor diz: "Centenas de cultos pedobatistas tem chegado à mesma conclusão, especialmente desde que o Novo Testamento esteve sujeito a uma exegese mais íntima, mais conscienciosa e mais cândida do que foi anteriormente praticada pelos controversistas."

H. A. W. MEYER, TH. D. (chamado "o príncipe dos exegetas") ? "O batismo das crianças, do qual não se acha traço em o Novo Testamento, é para não ser sustentado como ordenança apostólica..."

NEANDER ? "O batismo, no princípio, foi administrado só a adultos, pois os homens estavam acostumados a conceber batismo e fé como estritamente ligados. Não aparece qualquer razão para derivar-se o batismo infantil de uma instituição apostólica e o reconhecimento dele, que se seguiu um tanto mais tarde, como de tradição apostólica, serve para confirmar esta hipótese." (Church History).

GEORGE HODGE ? "Os recipientes do batismo parecem ter sido originalmente pessoas de vida madura. O mandamento. "Ide ensinai todas as nações e batizai-as", e as duas condições, "Arrependei-vos e sede batizados", e "O que crer e for batizado" indica adultos" (The Episcopal Church, Its Faith and Order, pág. 51).

A. B. MCGIFFERT ? "Se as criancinhas foram batizadas na era apostólica, não temos meios de o determinar" (History os Chistianity im the Apostolic Age, pág. 543).

ROBERT RAINY, ao tratar do período A. D. 98-180 ? "O batismo pressupunha alguma instrução cristã e precedida de jejum. Significava perdão dos pecados passados e era um ponto de partida visível da nova vida sob as influências cristãs e com a inspiração dos fins e alvos cristãos" (Ancient Catholic Church, pág. 75).

HARNACK, ao tratar do período pos apostólico ? "Não há traço seguro de batismo infantil na época; a fé pessoal é uma condição necessária." (History of Dogma, Vol. I, pag. 20).

H. M. GWATKIN ? "Temos boa evidencia que o batismo infantil não é instituição direta quer do Senhor mesmo, quer dos Seus apóstolos. Não há traço dele em o Novo Testamento" (Early Church History to 313, Vol. I, pág. 250).

O espaço veda-nos continuar. Estas citações mostram a posição da maioria dos eruditos pedobatistas.

Mas, não obstante, à face de tudo quanto foi dito, alguns há que fazem determinado esforço para provarem que os apóstolos praticaram o batismo infantil. Daí, notamos:

(2). Argumentos a favor do batismo infantil respondidos.

A. A tentativa mais atrevida que se tem feito para justificar o batismo infantil está em buscar provar que a criança está salva. "O bebe e a pessoa convertida estão ambas num estado correspondendo à regeneração. Se uma se intitula ao batismo, assim a outra. Se é necessário batizar um adulto convertido, pela mesma razão é necessário batizar uma criancinha... Nunca podemos estar seguros de que um adulto está salvo quando o batizamos, mas, concernentes às crianças, não há possibilidade de engano (?). E a cerimônia usada pela Igreja Metodista Episcopal do Sul, quando administra o "batismo" às criancinhas, reza em parte com segue: "Caros amados, porquanto todos os homens, ainda que caídos em Adão, são nascidos nesse mundo em Cristo o Redentor, herdeiros da vida eterna e sujeitos a graça salvadora do Espírito Santo," etc". §

Quer isso aí dizer que as criancinhas são tão verdadeiramente salvas quanto às pessoas crentes adultas em idade. Contra isso observamos:

(a) Ou nega a depravação hereditária natural ou nega a verdadeira natureza da regeneração. Se os advogados do sentimento supra querem dizer que a criancinha está sem mácula do pecado, então negam a depravação. Se negam que isto se envolve ao sentimento delas, então negam a verdadeira natureza da regeneração, porque dizem que as criancinhas estão em um "estado de responderem à regeneração" e estão "nascidas neste mundo em Cristo o Redentor, herdeiros da vida eterna".

No capítulo sobre o novo nascimento mostramos que a regeneração purifica todo pecado da alma ou da natureza imaterial do homem, como evidenciada pelo fato que a alma regenerada vai imediatamente à presença de Cristo ao morrer e que nenhum pecado entra lá. Não há qualquer indicação de algo na morte ou depois da morte que prepare ulteriormente a alma para chegar a Cristo, exceto a simples separação do corpo. E esta é a única ocasião de sua entrada e não aquela que moralmente ajusta a alma para a entrada, como provado pelo fato que a alma irregenerada vai ao tormento imediatamente depois da morte. Se a morte ajustasse moralmente a alma para a entrada a Cristo, então a alma de todo homem estaria qualificada para entrar ao morrer.

A depravação hereditária natural das criancinhas está patente no Sal. 51:5, 58:3; Jó

14:4. Esta última passagem é muito conclusiva: ela declara uma lei irrevogável que opera em todo o universo. Uma coisa impura não pode jamais vir de uma impura. Tal pai, tal filho. Mesmo que o pai seja regenerado, ele não pode comunicar regeneração ao filho. A regeneração não é um "fator genético". É uma mudança induzida, da qual nenhuma quantidade, diz a lei de Mendel, "pode conseguir por si mesma registrar-se no organismo de modo a vir a este círculo encantado de caracteres ancestrais que ele só parece estar passado à posteridade" (Price, Q. E. D., pág. 91). A Palavra de Deus nega que a nova natureza seja hereditária quando ela declara que os filhos de Deus são nascidos "não do sangue". (João 1:13).

Há duas passagens que se usam para provarem que as criancinhas estão salvas. Uma delas se menciona na disciplina metodista citada acima logo em seguida às palavras citadas. Esta passagem se acha em Mat. 19:14; Marcos 10:14 e Lucas 18:16. Nela, ao falar de criancinhas, Jesus disse: "Das tais é o reino de Deus" ou "aos tais pertence o reino de Deus". As citações seguintes mostram a verdade desta passagem:

"Tais quer dizer, certamente, pessoas de simplicidade infantil e aparentemente não significa criancinhas de modo algum. Assim o memfítico, "para pessoas desta espécie, delas é o reino do céu". E a peshito incomoda-se, "para os que são iguais a elas, deles é o reino do céu". Todos os comentaristas gregos a explicam como significando puerilidade, nenhum deles mencionando criancinhas como incluídas e diversos representando expressamente o contrário. Nem nenhum comentarista grego menciona tanto quanto podemos achar, o batismo infantil em conexão com esta passagem, ainda que todos eles praticaram o rito" (Broadus, sobre Mateus).

"Não criancinhas, mas homens de disposição infantil" (Meyer).

"Dessa referência ao batismo infantil que é tão comum buscar nesta narrativa, claramente não há o mais leve traço a achar-se. O Salvador assentou as crianças perante os apóstolos como símbolos de regeneração espiritual e do simples sentimento juvenil nelas instilado" (Olshausen).

Mas, a despeito do sentido desta passagem, ela não autoriza o batismo infantil. O fim de Lhe trazer as criancinhas está apresentado explicitamente e a objeção dos discípulos mostra claramente que isto mesmo era desacostumado. De maneira que a passagem é morta contra o batismo infantil, pouco importando que interpretação se ponha sabre as palavras "dos tais é o reino de Deus."

Pode bem ser notado, como nosso estimado contemporâneo, David Burris, Th. D., disse: "Jesus disse "pequeninos" (não criancinhas), deixando-os vir (não sendo elas escouceadas e chorando) a mim" (Infant Baptism A Sin).

A outra passagem usada para provar que as criancinhas estão salvas está em 1 Cor. 7:14 ? "Porque o marido descrente é santificado na esposa e a esposa descrente é santificada no irmão; doutro modo vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos."

Mas primeiro que tudo, precisa notar-se que esta passagem prova demais para os pedobatistas, segundo o seu uso dela. Se ela prova que os filhos da união entre um crente e uma descrente tem direito ao batismo em virtude de sua ligação com o cônjuge crente, então o cônjuge descrente também tem direito ao batismo, sem mais qualificações, porque a mesma santidade que é comunicada aos filhos de uma semelhante união também se comunica ao membro descrente.

A santidade mencionada nesta passagem não é, claramente, santidade moral, mas somente uma santidade exterior fazendo lícita no lar a associação do membro salvo. "A justeza do argumento de Paulo pode ser mais obvia se tiver em mente que a influência judaica era ainda poderosamente operante na igreja; portanto, é provável que os cristãos que tinham caído debaixo dessa influência, que tinham maridos ou esposas descrentes, temiam contaminação ritual por relação conjugal com descrentes. Isto, contudo, Paulo declara ser infundado temor; porque, como toda a espécie de alimento é santificado pela oração (1 Tim. 4:5), de modo que um cristão possa recebê-lo sem contaminação ritual, todo associado legal ou companheiro na vida é santificado ao cristão." (Alvah Hovey).

E esta passagem realmente prova a falsidade da contenção que todas as criancinhas estão salvas. Se todas as criancinhas estão salvas, então todas são santas e o argumento de Paulo seria inadequado.

(b). Mais ainda, esta idéia de salvação infantil nega a necessidade da regeneração. Quando corretamente trazidas, as palavras de Jesus a Nicodemos sobre o novo nascimento não são "Exceto um homem, etc.," como se aplicassem a adultos somente, mas são "Exceto alguém, etc.". Os Católicos Romanos usam justamente esta passagem para provarem que as criancinhas devem ser nascidas de novo para serem salvas e, assim porque erradamente crêem que o batismo é necessário à regeneração, acham fundamento para o batismo infantil. Se eles estivessem direitos na sua idéia de batismo, então totalmente direitos estariam na sua noção desta passagem. Esta passagem ensina que todos , não excetuando as criancinhas, devem de nascer outra vez para serem salvas. Quando as criancinhas que morrem recebem a regeneração, não está revelado na Bíblia; mas está claro que elas não nascem salvas e que elas devem de ser regeneradas para serem salvas. Nossa opinião é que a regeneração nas criancinhas tem lugar no momento da separação entre alma e corpo. Temos tratado por exemplo da salvação dos que morrem na infância no capítulo sobre Responsabilidade Humana.

B. Outra tentativa de justificar o batismo infantil pela Escritura quer basear-se no concerto de Deus com Abraão. Este concerto, segundo os pedobatistas, foi um "concerto da igreja". E a igreja que se fundou sobre ele é a mesma como a igreja do Novo Testamento. Cristo nunca fundou igreja, dizem eles. Neste "concerto da igreja" instituiu-se a circuncisão como um sinal e um selo. Nos tempos do Novo Testamento instituiu-se o batismo e substituiu a circuncisão. E desde que Deus incluiu criancinhas neste concerto e ordenou a circuncisão delas, elas estão ainda incluídas neste concerto e tem direito ao batismo. Este concerto com Abraão, no qual seus filhos foram incluídos, foi o concerto eterno. É por semelhante arrazoamento viciado que os pedobatistas salvariam suas faces. O argumento supra, argumento pudesse ser chamado, tem uma falsa proposição em cada sentença, como notaremos agora.

(a). A referência ao concerto de Deus com Abraão como um "concerto da igreja" está totalmente sem garantia escrituristica. A palavra "ekklesia" aparece na Septuaginta somente no seu sentido amplo de uma assembléia. É aplicada aos judeus somente quando reunidos em assembléia, nunca é usada no sentido de uma instituição ou corpo permanente. Seguramente que os eruditos entre os pedobatistas devem saber isto. Quando Cristo disse: "Minha igreja", Ele evidentemente distinguiu a igreja do Novo Testamento de tudo o mais. A igreja é, puramente, uma instituição do Novo Testamento e toda a prosa sobre ela voltar ao Velho Testamento como uma instituição é uma evidência de crassa e indesculpável ignorância.

(b). Da mesma maneira não há garantia escrituristica alguma para a asserção que o batismo veio em lugar da circuncisão. Nem um indício de semelhante coisa aparece em qualquer lugar do Novo Testamento, nem mesmo na discussão da coerência sobre a circuncisão em Jerusalém. De fato, esta conferência provou que a circuncisão não cedeu lugar ao batismo; do contrário a questão em foco podia ser resolvida prontamente por dizer simplesmente que os gentios não estavam obrigados a serem circuncidados porque o batismo tomára o lugar da circuncisão; mas, pelo, contrário, resolvendo e proibindo as contaminações da idolatria, a impureza, as carnes sufocadas e o sangue, pareceu bem a conferência e ao Espírito Santo não lhes impor mais encargo algum além dos já sancionados (Atos 15:28,29), mau grado os perturbadores terem tocado na circuncisão (v. 24) também. Estivera um pedobatista na conferência de Jerusalém, seguro estivera de propor a solução... E isso, a propósito, é prova de que lá não houve pedobatistas. Os crentes judeus continuaram a praticar tanto a circuncisão como o batismo sem um indício dos apóstolos em contrário.

(c) À parte do concerto abraamico a que a circuncisão pertencera foi totalmente natural. Os gentios nada absolutamente tem a fazer com ela. A fase natural do concerto abraamico teve que ver com a formação de uma grande nação oriunda da semente de Abraão e a herança da terra de Canaã por essa semente. A fase espiritual do concerto abraamico teve de ver com a benção de todas as nações por meio da semente de Abraão. Estes três elementos do concerto de Abraão com Deus ? um natural e outro espiritual ? podem ser vistos pela consulta de Gên. 12:2,3, 17:7-14, 22:17,18. Agora, quando se deu a circuncisão, não se fez menção da fase espiritual do concerto; ela teve que ver somente com a fase natural do concerto.

Esta divisão do concerto abraamico numa fase natural e numa espiritual está confirmada por Paulo na sua afirmação que a semente de Abraão, à qual pertenciam as promessas, era Cristo. Vide Gal. 3:6. Sabemos que a promessa de Deus, que a semente de Abraão se tornaria uma grande nação (Gen. 12:2), e mesmo uma multidão de nações (Gen. 17:4-6), e que essa semente possuiria a terra de Canaã (Gen. 17:18), foram os descendentes naturais de Abraão. Daí Paulo podia ter-se referido somente à promessa que todas as nações seriam abençoadas através de Abraão, no que Paulo assim se faz nossa autoridade para uma divisão do concerto abraamico. A promessa de que fala Paulo realizou-se através de Cristo e nem a circuncisão, nem qualquer outro rito é condição de se participar dessas bênçãos, que somente em fé estão condicionadas.

As duas fases deste concerto com Abraão estão ilustradas em Ismael e Isaque (Gal. 4:21-30). Ismael nasceu segundo a carne assim representou a semente natural. Isaque nasceu segundo o Espírito (Gal. 4:29), e assim representou a semente espiritual. A circuncisão teve de ver somente com semente natural. Todavia, Isaque, porque foi num sentido um descendente natural e era para participar das bênçãos naturais, foi circuncidado; mas a semente espiritual, que nada tem a ver diretamente com as bênçãos do concerto abraamico, também nada tem a ver com a circuncisão, exceto aquela circuncisão espiritual que é do coração e não é feita com mãos (Gal. 5:6; Fil. 3:3). E Paulo diz expressamente que qualquer homem que tentar obter um quinhão na fase espiritual do concerto abraamico por meio da circuncisão, não o poderá ter (Gal. 5:2).

Agora a fase nacional ou natural do concerto abraamico foi um concerto eterno (Gen. 17:7). Não foi revogado. Foi nulificado, temporariamente, pela cegueira de Israel, mas Deus não lançou fora a Israel e ele ainda está para ser ajuntado e tratado sob ambas as fases do concerto abraamico.

(d) Mas esta fase natural do concerto não é o "novo concerto" de Heb. 8:8-12. Este é o concerto do tempo da igreja,o concerto da igreja e também um novo concerto para Israel como uma nação; porque, se fosse o concerto natural com Abraão, ou se fosse qualquer parte do concerto abraamico que tivesse a ver com a circuncisão, e o batismo veio em logar dela, como pretendem os pedobatistas, então batismo seria uma condição de se participar deste concerto. Isto a maioria dos pedobatistas protestantes não concederia. Por exemplo, um certo pedobatista declarou: "O "novo concerto" de Heb. 8:8 é este concerto abraamico", (isto é, o concerto ou parte do concerto a que pertenceu a circuncisão), e então declarou também: "Objetamos a fazer a água assencial à salvação". O novo concerto é o concerto é o concerto a que pertenceu a circuncisão e esta deu caminho ao batismo; mas o batismo não é essencial à salvação! Marque os lógicos para que eles possam inspecionar esta nova peça de lógica! Assim se conquista a si mesmos os pedobatistas no campo de batalha.

Nada pode ser enxertado na igreja do Senhor Jesus Cristo sob alegação que ela veio em logar da circuncisão. A igreja do Senhor Jesus Cristo é para a semente espiritual de Abraão na sua herança das bênçãos espirituais do concerto; não é para a semente como tal.

C. Contende-se que "Cristo foi batizado quando um bebe aos oito dias de idade e dedicado ao ofício sacerdotal quando aos trinta anos... O Seu batismo real da igreja ? o rito iniciatório na igreja judaica ? ocorreu quando Ele tinha oito dias de idade". E afirma-se que "nenhum erudito da Bíblia pode exibir uma só passagem tranchante para provar que João o Batista, qualquer dos doze apóstolos, ou qualquer do oito escritores do Novo Testamento, salvo Paulo, foram de qualquer modo batizados em idade madura. Onde foram batizados Mateus, Marcos, Lucas, Pedro, etc., se não na infância?"

(a). Estranho, na verdade, que, enquanto João administrava o batismo comum, Jesus veio a ele para a unção sacerdotal. E também estranho é que semelhante fato raro não recebeu nenhuma atenção de qualquer dos evangelistas. E por que devera Cristo ter ido a João no Jordão para unção sacerdotal em vez de ir ao sacerdote no templo. João era da linhagem sacerdotal, mas não era um levita. Que direito teve Jesus ao sacerdócio legal, desde que Ele procedeu "de Judá, de cuja tribo Moisés nada falou no tocante ao sacerdócio" (Heb. 7:14)? O contraste ente o modo porque os sacerdotes foram feitos segundo a Lei e o modo por que Jesus foi feito um sumo sacerdote está exposto em Heb. 7:28.

(b). Quanto a João o Batista, estamos prontos a admitir que ele nunca teve o batismo cristão. Ninguém houve para lho administrar no princípio e não lhe cabia recebê-lo de um dos seus discípulos em fidelidade à sua missão. E João o Batista não estava mesmo no reino, no sentido estrito do Novo Testamento. (Mat. 11:11).

(c). Mas aceitamos o desfio de achar uma passagem trachante que mostre que os apóstolos foram batizados em idade madura. Essa passagem está em Atos 1:21,22, a qual mostra que todos os apóstolos tiveram de ser discípulos de João a todos por ele foram batizados. Foi o batismo de João que de homens constitui seus discípulos. Desafiamos a qualquer pedobatista para provar o contrário, antes que João foi enviado a preparar um povo para Cristo, o que ele fez trazendo-os à fé e então batizando-os.

(d). E podemos perguntar por que a exceção admitir no caso de Paulo? Asseverou-se que Paulo foi considerado prosélito e, portanto, o seu batismo judaico, assim chamado, não foi aceito; mas, isso não oferecer razão, porque, por que foram batizados as multidões que prontamente receberam a pregação de João o Batista (Mat. 3:5,6)? Foram todas elas consideradas prosélitas? Se foram, por que deveria qualquer judeu ter sido considerado mais que um prosélito?

(e). Se o batismo judaico, assim chamado, foi suficiente, como deve ter sido na "igreja judaica", se ela e a do Novo Testamento são as mesmas, então por que os fariseus e os legalistas foram censurados por não receberem batismo das mãos de João o Batista? Vide Lucas 7:30. Um pedobatistas podia ter fornecido esses hipócritas com uma defesa contra a acusação do espírito Santo contra eles mesmos. E o fato que os fariseus e legistas não pensaram nesta defesa mostra que, conquanto fossem hipócritas, não foram pedobatistas.

Desde que o pré-citado mostra que a teocracia judaica e a igreja do Novo Testamento não foram as mesmas, anula-se o valor argumentativo, nesta conexão, de todo outro caso suposto de batismo infantil no Velho Testamento; porque, pouco importando quantas criancinhas podem ter sido respingadas sob a teocracia judaica, igreja, em o Novo Testamento, é uma instituição diferente, então nenhum argumento se fornece para o batismo infantil na igreja.

D. O próximo argumento para o batismo infantil que tomaremos em conta está baseado supostamente em Atos 2:39. Tem sido apresentado assim: "Pedro, dirigindo-se a uma multidão de judeus no dia de Pentecostes, disse (Atos 2:39): "Porque a promessa é para vós e para vossos filhos". Podeis compreender esta afirmação? Estes judeus tinham sido ensinados a receber criancinhas e a dar-lhes o sinal do concerto abraamico. Não há duvidas para nós sobre as criancinhas serem batizadas no dia de Pentecostes."

Mas esta firmação mui geitosamente omite a última parte da passagem só no princípio dela citada, segundo a tática costumeira dos pedobatistas. A última parte explica a passagem e, se devidamente considerada, mostrará que qualquer criancinha batizada no Pentecostes, ou em qualquer outro tempo na época novotestementina, foram só aquelas que foram chamadas do Senhor. Isto necessita serem bastante de idade para receberem o Evangelho e conduzirem-se por ele. À parte da passagem que lemos, reza: "Mesmo tantos quantos o Senhor nosso Deus chamar". Felizes seremos em batizar todos os filhos que o Senhor nosso Deus chama, mas não mais; porque não temos fundamento para batizar aqueles a quem o Senhor não autorizou.

E. O próximo e último argumento do batismo infantil que notaremos está baseado nos batismos de famílias mencionadas em pó Novo Testamento.

(a). Semelhante argumento assume duas coisas para as quais não há provas: (1) Que havia criancinhas nessas famílias; (2) Que essas criancinhas foram batizadas e isso em oposição direta a tudo revelado na Bíblia sobre e sentido de batismo e as qualificações dos recipientes do Batismo.

Da Teologia de Knapp (Knapp era pedobatista) lemos: "Pode objetar-se contra essas passagens em que está mencionado o batismo de famílias inteiras, a saber, Atos 10:42-48; 16:15-33; 1 Cor. 1:16, que é duvidoso se havia criancinhas nessas famílias e, se houve, se foram batizados então."

(b). Uma inspeção dos batismos de cinco famílias arquivados em o Novo Testamento não deixa prova que seja de batismo infantil, mas antes, em muitos casos, fornece prova conclusiva do contrário.

De Cornélio se diz ter sido "homem devoto, que temia a Deus com toda a sua casa" (Atos 10:2). E lemos que "o Espírito Santo caiu sobre eles que ouviram a Palavra" (Atos 10:44), coisa que se evidenciou por eles falarem línguas (v. 46). Se houve quaisquer criancinhas na família de Cornélio, elas não foram incluídas quando a sua casa foi mencionada na sua relação com Deus, daí não seria batizada. E, outra vez, se quaisquer crianças foram batizadas nesta ocasião, então também elas receberam o Espírito Santo e falaram em línguas.

A probabilidade forte é que Lídia não era mulher casada: uma comerciante e ao tempo de sua conversão tão longe de sua casa em Tiatira. Mesmo se tivesse sido casada, o fato de ela estar em negócio fá-lo-ia inverossímil que ela tivesse filhos. Sua família, não resta dúvida, consistia de servos e empregados, como na "casa de César" (Fil. 4:22). Esta expressão não pode referir-se ou incluir qualquer dos filhos de Nero, pois certamente nenhum deles era membro da igreja em Roma.

Quando Paulo disse ao carcereiro de Filipos: "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa", suas palavras significam que os demais membros da família do carcereiro eram para ser salvos pela sua fé pessoal e não, certamente, pela fé do carcereiro; porque, se assim fosse, então os adultos na família eram para salvar-se sem fé pessoal. E está dito que o carcereiro "regosijou-se grandemente, com toda a sua casa, tendo crido em Deus." Tudo isto mostra que, ou não havia criancinhas na família do carcereiro ou então não foram tomadas em consideração nas coisas que se desenrolaram naquela noite.

Nada se dá dos pormenores da conversão da família de Estefanas. Diz-nos Paulo que ele e sua família estavam entre os poucos que ele batizará em Corinto (1 Cor. 1:16). Mas três ou quatro anos mais tarde Paulo escreveu à igreja de Corinto e falou da família de Estefanas como "se tendo dedicado ao ministério dos santos" (1 Cor. 6:15). É incrível que se dissesse isto de uma família batizada há poucos anos prévios e que no seu batismo incluíra criancinhas.

No caso de Crispo, regente da sinagoga em Corinto, diz-se distintamente que "ele creu em Deus com toda a sua casa". Aqui não há criancinhas.

De modo que este caso dos batismos de família é o em que se arrimam tanto os pedobatistas. Nem um vislumbre da evidência de haver criancinhas em quaisquer dessas famílias e muito menos que elas teriam recebido o batismo se lá estivessem estado.

Não desperdiçaremos tempo respondendo às tentativas dos pedobatistas para justificarem o batismo infantil com argumentos outros que não os tirados da Escritura. Estes estudos estão preparados para os que crêem em seguir a Cristo e os apóstolos e nenhum argumento pode induzir os tais a favorecer aquilo que é subversivo às suas práticas e isto é certamente verdadeiro do batismo infantil.

III. O DESIGNIO

Qual é o fim ou designo do batismo? É o para a salvação, como alguns mantêm? Ou é, como outros contendem, para o fim de manifestar salvação, exibindo a morte do crente para o pecado e a ressurreição para a justiça ? Tomamos posição que a última é verdadeira. Em consideração desta posição assumimos:

1. AS PASSAGENS QUE MOSTRAM QUE O BATISMO NÃO TEM EFICÁCIA SALVADORA.

Todas as passagens que nos contam que a salvação não é de obras, tais como Rom. 4:1-6, 11:6; Efe. 2:8-10; Tito 3:5, mostram que o batismo não tem eficácia salvadora. O batismo é uma obra, um ato físico. Jesus implicou, distintamente, que é uma satisfação da justiça (Mat. 3:15). Está assim estabelecido como uma obra de justiça.

Todas as passagens que condicionam a salvação sobre o arrependimento e a fé só mostram que o batismo não tem eficácia salvadora. Vide João 3:16,18; 5:24; Lucas 13:3; Atos 16:31; Rom. 4:5; Efe. 2:8. Se o batismo é essencial à salvação, porque foram elas deixadas destas passagens que se propõem apontar o caminho da vida aos perdidos? Verdade é que todas elas não mencionam tanto o arrependimento como a fé, mas a razão disto é que tanto o arrependimento como a fé estão entrosadas uma noutra. Mas isto não é verdadeiro quanto ao batismo.

Em 1 João 1:7 e todas as passagens iguais, por mostrar que o sangue de Jesus purifica do pecado, proíbe a crença que o batismo tem poder purificador. E sabemos que nada há no batismo que lhe dê poder de atualmente purificar a alma. Ele pode salvar a imundícia corporal, mas nunca a corrupção ou culpa morais.

Então Pedro diz distintamente que o batismo "não é o despojo da sujeira da carne, mas a resposta de uma boa consciência para com Deus." (1 Ped. 3:21).

Para outra consideração da relação do batismo com a salvação, vide o capítulo sobre o Novo Testamento.

2. AS PASSAGENS QUE ALGUNS TOMAM COMO DANDO AO BATISMO EFICÁCIA SALVADORA.

Outras passagens há que alguns tomam como ensinando que o batismo tem eficácia salvadora. Já vimos que semelhante sentido é estranho à Escritura como um todo, mas examinaremos estas passagens, de modo que vejamos inteiramente que elas não estão fora de harmonia com outra Escritura.

(1). Marcos 16:16 ? "O que crer e for batizado será salvo."

Se esta passagem fosse tomada isoladamente, pareceria ensinar que a salvação está condicionada tanto sobre a fé como sobre o batismo. Mais isto não pode ser verdadeiro à luz de outras passagens plenas. À luz da Escritura como um todo, e isto é o único método são de interpretar qualquer passagem, esta passagem aqui não pode significar mais que o que crê e prova a genuidade de sua fé por ser batizado será salvo. Precisamos de nos lembrar que alguém pode crer em vão (1 Cor. 15:2). Alguém pode ter só uma fé intelectual, que é uma fé morta (Tia. 2:20). Isto é a espécie de fé a que se alude em Mat. 13:20. Notai também a força da última parte desta passagem. Não diz: "O que não for batizado será condenado" mas "o que não crer", etc. Assim vemos que é a fé que salva. O batismo e outros atos de obediência só provam a genuidade de nossa fé.

(2). João 3:5 ? "Aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus."

Para muitos "nascer da água" refere-se ao batismo, e tomam esta passagem como ensinando que o novo nascimento se cumpre no batismo; mas à luz da Escritura como um todo não podemos entender esta passagem como ensinando a regeneração batismal. Outros têm entendido "nascer da água" como se referindo ao nascimento natural. Pensam que Jesus disse: "Se um homem nascer da carne e do Espírito, ele não pode entrar no reino de Deus." Mas a Jesus foi desnecessário dizer que um homem não podia entrar no reino de Deus sem ser nascido da carne. Ninguém suporia diferente. E parece manifesto que a passagem se refere só a um nascimento; ela não diz: "Se um homem for nascido da água e também do Espírito", etc. Aqui entendemos água ser símbolo da Palavra. A favor desta interpretação urgimos as seguintes considerações:

A. A regeneração é uma lavagem. Tito 3:5.

B. A regeneração é por meio da Palavra. Tia. 1:18; 1 Ped. 1:23.

C. A palavra é comparada com a água no seu poder purificador. Efe. 5:25,26.

Agora, quando todos estes fatos se ajuntam, pensamos que não há nada mais simples senão que "nascer de água" quer dizer "nascer da Palavra". Assim temos em João 3:5 uma alusão tanto ao agente (O Espírito) como ao instrumento (a Palavra) em o novo nascimento.

(3). Atos 2:38 ? "Arrependei-vos e sede cada um de vós batizados em o nome de Jesus Cristo para remissão dos pecados e recebereis e Espírito Santo."

Ao considerarmos esta passagem, notemos:

A. A pergunta feita no verso precedente não é a restrita: "Que devo fazer para me salvar?" de Atos 16:30, mas a ampla: "Que faremos?" Logo não é estranho que tenhamos uma resposta mais ampla do que Atos 16:31.

B. O arrependimento está colocado antes do batismo e quando alguém se arrependeu, já está salvo e portanto não pode ser batizado para poder salvar-se. O arrependimento é uma mudança completa de mente baseada numa nova disposição que foi implantada pelo Espírito Santo. O arrependimento e a fé são inseparáveis e simultâneas, como se mostra no fato que algumas vezes se menciona um e algumas vezes outra isolados como o meio de salvação. E quando alguém creu, já um filho de Deus. Vide 1 João 5:1.

C. A passagem não diz: "Sede batizados para ou na recepção da remissão de pecados" e o que afirma que este é o sentido deve arcar com o ônus da prova.

D. O sentido da passagem, como interpretada à luz do teor geral da Bíblia e seu ensino é: "Sede batizados para ou no reconhecimento, simbolizando ou mostrando a remissão dos pecados."

Não faz diferença quer sigamos a versão comum e lemos "para" ou a revisão e lemos "na"; o sentido é o mesmo e o Novo Testamento proporciona incisivas ilustrações do sentido.

Se "para" for tomado como a tradução correta inglesa da preposição grega "eis", então vamos a Lucas 15:12-14 para uma ilustração: aqui, um homem já purificado de lepra é mandado: "Mostra-te ao sacerdote e oferece PELA tua purificação como Moisés ordenou para que lhes sirva de testemunho." Foi para o homem oferecer sacrifício POR uma purificação que ele já recebera. Da mesma maneira somos batizados PARA a remissão dos pecados já recebidos. O antecedente entendido de "lhes" é o povo em geral. Assim o batismo é um testemunho de nossa parte a todos que a observem que estamos salvos.

Se "para" for considerado como a tradução adequada, então temos duas excelentes ilustrações do significado. A primeira acha-se em Mat. 3:11, onde João fala do seu batismo como "para arrependimento." Isto não pode significar que João batizava o povo para que ele se arrependesse, que o batismo nada tem em si que possa produzir arrependimento. Por outro lado João representava o arrependimento como uma condição prévia de batismo e com ele muitíssima gente concorda. O sentido é que João batizava para o reconhecimento do arrependimento.

Uma outra passagem oportuna aqui é 1 Cor. 10:2. Neste lugar se diz que os israelitas "foram todos batizados EM Moisés na nuvem e no mar." O sentido é que como o povo atravessou o Mar Vermelho, escondido dos egípcios pela nuvem e pelo mar, lhes foi mostrado estarem cometidos a Moisés como seu líder. Não o arranjaram como seu líder pela passagem.

E. Um tratamento mais além por Pedro das relações de batismo para salvação, achado em 1 Pedro 3:20, corrobora a interpretação que temos dado.

Nesta última passagem Pedro diz que o batismo salva somente no sentido em que a água do dilúvio salvou os ocupantes da arca. Notai que a água não botou Noé e os outros na arca. Estavam na arca, trancados por Deus mesmo, sete dias antes da água vir, vide Gen. 7:16,7-10. Durante esses sete dias estiveram tão seguros como estiveram em qualquer outro tempo mais tarde. A vinda da água não fez qualquer contribuição para sua atual salvação, mas conduziu a arca no seu seio e assim exibiu sua salvação.

Para mais comentos sobre esta passagem, vide o capítulo sobre o Novo Nascimento.

Ao estudar Atos 2:38 é bom também conservar em mente que Pedro falou estas palavras a judeus, que estavam cortidos na linguagem do simbolismo.

(4). Atos 22:16 ? "E agora, porque demoras? Levanta-te, seja batizado, lava os teus pecados, invocando o Seu nome."

A lavagem de que se fala nesta passagem é figurada. É o sangue que atualmente purifica (1 João 1:7). A água não pode lavar pecados. E, como notamos, Pedro diz que isto não é o fim do batismo.

(5). Rom. 6:3 ? "Ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na Sua morte?"

O grego para "na" (eis) é a mesma palavra que está traduzida por "na" em 1 Cor. 10:2. O batismo nos põe no mesmo parentesco com Jesus que a travessia do Mar Vermelho pôs os israelitas em referência a Moisés. Por este meio os israelitas foram manifestados ser os seguidores de Moisés. Batismo nos revela sermos seguidores de Jesus.

(6). Gal. 3:27 ? "Quantos de vós fostes batizados em Cristo vestistes-vos de Cristo."

Esta passagem explica a precedente. O batismo é um vestir-se de Cristo. É uma declaração pública de nosso discipulado. É assumir perante o mundo a obrigação de viver para Cristo. O batismo subentende prévia investidura.

(7). Tito 3:5 ? "Não pelas obras feitas em justiça, que nós mesmos fizemos, mas segundo Sua misericórdia Ele nos salvou por meio da lavagem da regeneração e renovação do Espírito Santo."

A "lavagem da regeneração" é a purificação moral da alma pela Palavra de Deus na regeneração (Ef. 5:26; Tia. 1:18; 1 Ped. 1:23).

(8). 1 Pedro 3:20-21 ? "... a arca... em que poucos, isto é, oito almas, salvaram-se pela água; a qual também segundo uma verdadeira figura agora vos salva, pelo batismo."

O batismo nos salva no mesmo sentido em que a água salvou oito almas na arca. Mas não foi a água que atualmente salvou essas almas. A arca foi o meio atual de salvação; mas a água, que trouxe a morte a todos os outros , levantou a arca e assim manifestou a salvação dos que estavam dentro. O batismo manifesta a nossa salvação e isto é o único sentido em que ele salva, o único sentido em que as obras justificam. Vide o capítulo sobre a justificação para uma discussão do ensino de Tiago sobre a justificação.

IV. O MODO

Aqui está o nosso fim para inquirirmos se o batismo pode ser escrituristicamente administrado por outro modo qualquer que a imersão. Mantemos que não pode e oferecemos as seguintes provas:

1. O SENTIDO DE "BATIZO"

O autor tem lido extensivamente no campo da controvérsia sobre o significado desta palavra grega em o Novo Testamento. Mas aqui só é possível dar um resumo da evidencia em sustento da posição tomada em vista do tempo e do espaço.

(1). O testemunho dos Léxicos

Não podemos aqui principiar alistar o testemunho de todos os léxicos, mas daremos o de três em evidência. Estes três são: Liddel and Scott no grego clássico; Sófocles para os períodos romano e bisantino; Thayer, para o grego do Novo Testamento.

A. Liddel and Scott: "Mergulhar em ou debaixo d?água; No latim: immergere".

B. Sófocles: "Mergulhar, imergir, afundar... Não há evidência de Lucas, Paulo e os outros escritores do Novo Testamento darem a este verbo significados não reconhecidos pelos gregos."

C. Thayer: "Em o Novo Testamento ele (o verbo) é usado particularmente do rito da sagrada ablução, primeiro instituída por João o Batista; depois recebida pelos cristãos por mandamento de Cristo e ajustada a conteúdos e natureza de sua religião... a saber uma imersão e água, realizada como um sinal da remoção do pecado e administrada aqueles que, impelidos por um desejo de salvação, procuravam admissão aos benefícios do reino do Messias."

(2). A prática atual dos gregos.

Os cristãos batizam batizando, isto é, imergindo, e De Stourdza, o maior teólogo grego moderno, escreveu que "baptizo" significa literalmente e sempre "MERGULHAR". Ele também ajuntou: "O batismo é a imersão, portanto, são idênticos e dizer "batismo por aspersão" ou qualquer outra besteira da mesma natureza. A igreja grega mantém que a igreja latina, em vez de "baptismos" , pratica um mero "rantismos" (aspersão, - em vez de "baptismo", um mero derramamento".

(3). Os testemunhos das Enciclopédias

Não temos espaço para citarmos as enciclopédias, mas mencionaremos simplesmente o nome daquelas que tanto falam do sentido da palavra grega como da natureza da ordenança, ou de ambos, e as quais dão o significado da palavra como "imersão" ou falam do modo original da ordenança como tal , ou ambos.

Elas são: Encyclopedia Americana, Idem Metropolitana, Penny Cyclopedia, Chamber?s Encyclopédia, National Cyclopedia, Ree?s Cyclopedia, Brand´s Cyclopedia, Encyclopedia Eclesisastica (?).

(4). O testemunho de eruditos e líderes pedobatistas.

A. Lutero: "Batismo é uma palavra grega e pode ser traduzida por imersão, como quando imergidos alguma coisa na água para que ela fique totalmente coberta; e, conquanto esteja sempre inteiramente abolida (porque não mergulham as crianças inteiramente, mas apenas lhes derramam um pouco d?água), deviam, não obstante, ser totalmente imergidos e então imediatamente retirados, que isto parece exigir a etimologia da palavra."

B. Calvino: "A própria palavra batizar, todavia, significa imergir e é certo que a imersão foi a prática da igreja antiga." ? do comentário sobre Atos 8:38.

C. Zwinglio: "Na Sua morte. Quando fostes imergidos (intingeremini) na água do batismo, fostes enxertados na morte de Cristo." ? Anno. sobre Rom. 6:3.

D. Meyer: "Imersão, cuja palavra no grego clássico, em o Novo Testamento e em toda a parte significa" (Comentários de Marcos 7:4).

E. Lightfoot: "Que o batismo de João foi por imersão do corpo (segundo a mesma maneira da lavagem de pessoas imundas e o batismo de prosélitos foi) parece resultar daquelas coisas que dele se relatam; nomeadamente, que ele batizou no Jordão, que ele batizou em Enon, porque ali havia muita água", etc.

F. James Macknight, notável autor escocês e presbiteriano e líder: "Jesus submeteu-se a ser batizado ? isto é, sepultado debaixo d?água e a ser levantado dela outra vez como um emblema de Sua futura morte e ressurreição." ? Apost. Epist., Note em Rom. 6:4,5.

G. Whitfield: "É certo é que nas palavras de nosso texto (Rom. 6:4) há uma alusão à maneira de batismo por imersão."

H. Augusti: "A palavra "batismo" segundo a etimologia e uso, significa imergir, submergir", etc.

I. Lange: "E foram batizados, imergidos, no Jordão, confessando os seus pecados. A imersão era o símbolo de arrependimento" (Comentário de Mat. 3:6).

J. Geo. Campbell: "A palavra batismo, tanto nos autores sacros como nos clássicos, significa mergulhar, afundar, imergir."

K. Chalmers: "O sentido original da palavra batismo é imersão."

L. Schaff: "Imersão, não aspersão, foi inquestionavelmente à forma normal original (de batismo). Está isto patente pelo próprio sentido da palavra grega baptizo, baptisma e a analogia do batismo de João que se realizou no Jordão..." (Hist. Of the Apost. Ch., pag. 568).

As citações podiam ser multiplicadas.

(5). O peso da erudição batista

Só temos referido supra autoridade pedobatistas padrões, mas está em ordem observar que a denominação batista, na sua aderência à imersão, está amparada por uma chusma de eruditos dentro do seu próprio redil que não podem ser igualados por qualquer das denominações que praticam o derramamento. De fato, as denominações que o praticam tem a vasta maioria dos seus eruditos contra si mesmos quanto ao sentido de "baptizo" e à maneira apostólica de administrar a ordenança.

Mas se os batistas tem um só dos seus eruditos contra eles mesmos, disso não estamos cônscios. Temos Gale, Fuller, Conant, Carson, Ingham, Pendleton, Kendrick, Harvey, Hovey, Bliss, Ford, Graves, Boyce, Broadus, Strong, Carroll, Christian, Mullins e Robertson, eruditos da primeira grandeza, para não mencionar outros; e todos eles sustentam-nos inteiramente na prática da imersão como a forma apostólica de batismo. Desafiamos todas as denominações que praticam o derramamento a apresentar tantos eruditos da mesma magnitude tirados de todos os seus arraiais combinados que os sustentem na aspersão ou derramamento como a forma primitiva de batismo.

2. O SIMBOLISMO DA ORDENANÇA REQUER IMERSÃO

A escritura alude ao batismo como um enterro (Rom. 5:4; Col. 2:12). Um enterro exige imersão. A objeção que estas passagens não aludem ao batismo de água, mas ao batismo só espírito ou à conversão num sentido figurado, é infundada e da evidência clara de ter nascido antes do prejuízo do que de uma consideração razoável e imparcial das passagens. Tanto quanto os pedobatistas se referem ao batismo como um "sinal de regeneração", como temos observado, não podem, se em harmonia consigo mesmos, eliminar dessas passagens uma alusão ao significado simbólico do batismo. Nem jamais acharão este sentido no derramamento ou na aspersão. O único meio perceptível de interpretar a linguagem está em tomá-la como tendo o seu sentido usual, a menos que outro sentido se indique ou requeira. Esta regra requer que o batismo signifique batismo na água, exceto onde alguma outra espécie de batismo esteja especificada ou de modo exigida. No caso das passagens sob consideração nada é verdadeiro. A réplica que, se essas passagens referem ao batismo na água, elas ensinam a regeneração batismal sem fundamento perante a luz do fato que elas falam manifestadamente do batismo quanto ao que ele simboliza e não quanto ao que ele atualmente executa.

3. AS CIRCUNSTÂNCIAS QUE ACOMPANHAM A ADMINISTRAÇÃO DO BATISMO EM O NOVO TESTAMENTO INDICAM A IMERSÃO

(1). João batizou no Rio Jordão

Marcos 1:5. O sentido naturalisssimo disto e o que devemos tomar, a menos que boas razões possam ser aduzidas em contrário, é que o rito foi administrado EM o rio, segundo compreendemos semelhante expressão e não meramente nas imediações do rio. O v. 8 o confirma quando, segundo a melhor tradução, diz: "Eu vos batizo EM água."

Isto não é contrariado pelo uso do dativo de instrumento, como em Lucas 3:16; Atos 1:5; 11:16. W. N. Clark diz bem: "A idéia grega podia bem por igual contemplar o elemento envolvente, localmente, como aquele em que,ou, instrumentalmente, como aquele com que, foi afetado o mergulho. E enquanto é abstruso nós falarmos de imergir uma coisa com água, é simplesmente uma questão de familiaridade, ou de idioma; e apenas precisamos tomar um sinônimo verbal, "abater" e é perfeitamente natural falarmos de "abater com água" (Comentário em Lucas 3:16). Conant, mais ainda, assinala que o emprego do dativo instrumental é para o fim de distinguir-se "o elementos usado para imersão num caso só empregado em outro" e ajunta: "O simples dativo ocorre em o Novo Testamento só onde o material ou elemento usado para imergir é para ser distinguido assim. Em todos estes casos a distinção é entre o elemento de água e o Espírito Santo...; e como o último podia ser menos propriamente concebido como o mero instrumento de um ato, ele está em todo o caso semelhante construído com a preposição em... Esta é a única explicação do uso de ambos: o simples dativo e o dativo com a preposição na mesma conexão e relação" (The Meaning and use of Baptizein, pág. 100).

E o argumento que o Jordão, no logar em que se supões ter João batizado, é razo demais e rápido demais para permitir a imersão nele, tem-se provado falso repetidamente pelos que o têem visitado.

(2). Noutra ocasião João batizou em Enon, "porque ali havia muita água."

João 3:23. Aspersionistas e derramadores tentam explicar que a água era precisada para outros fins que não o batismo, como num encontro metodista campesino. Mas Hovey habilmente responde: "Esta passagem afirma virtualmente que o batismo não podia ser convenientemente administrado sem uma porção de água considerável. A defesa que a água era necessária para outros fins que não o batismo está posta de lado pela linguagem do escritor sagrado. Porque a razão de João estar batizando lá (Não porque estava pregando lá) foi porque havia muita água no logar." (Comentário em João 3:23).

"Muita água", literalmente, e, no grego, "muitas águas"; mas é sustentado por muitos eminentes eruditos da Bíblia que quer dizer "muita água", sendo assim vertido pelos revisores, dos quais os mais foram pedobatistas. A razão da expressão que literalmente significa "muitas águas" e a razão por que esta expressão aqui é sustentada como valendo realmente "muita água" está suprida por C. R. Condor (Tent Work in Palestine, I., Pág. 91 e seg.). Diz ele que no quase certo sítio de Enon "acham-se nascentes num vale aberto, cercadas de colinas desoladas e disformes. A água jorra sobre um leito pétreo e desliza rapidamente numa bela caudal cercada de arbustos de oleandro. O suprimento é perene e uma sucessão contínua de pequenas fontes ocorre pelo leito do vale, de modo que a corrente vem a ser o principal afluente ocidental do Jordão, ao sul do Vale de Jezrel. O vale está devassado na maior parte do seu curso e achamos os dois requisitos para a cena do batismo de uma densa multidão, - espaço aberto e abundância de água. Enon quer dizer "fontes" e três milhas ao sul do vale acima descrito há uma vila chamada Salem. As "muitas águas" são as nascentes e a "sucessão contínua de pequenas fontes". E essas "muitas águas" unem-se numa caudal regular, fazendo assim "muita água".

3. Filipe levou o eunuco "na água" para batizá-lo

Atos 8:38,39. A preposição grega para "dentro" é eis. Pode significar "para"; mas, como Hackett assinala, aqui não pode significar "para a água", como se só tivessem ido á beira dela; mas deve significar "na água", porque está usada em contraste com "fora da água"- ek tou hudatos, no verso seguinte. E Plumtre observa: "A preposição grega (a saber, eis) podia significar simplesmente "para a água", mas a universalidade da imersão na prática da igreja prístina sustenta a versão inglesa". (Ellicott?s New Test. Commentary).

É escassamente necessário observar que seria desnatural para o candidato ser levado à água para poder ser aspergido ou respingado.

 

Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.
Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004
Revisão: Luis Antonio dos Santos, 12/05
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br