Cap 02

OPINIÕES ERRADAS E INJUSTAS SOBRE O POVO BATISTA

Dr. W. C. Taylor

O assunto do acatado reitor dos seminaristas de todas as greis pedobatistas é “Controvérsia Batista”. E ele não é misericordioso conosco. Quem ler esse opúsculo julgará que os batistas são as fezes da humanidade, um povo a uma vez insensato, ilógico e cabeçudo, um perigo que tem quatro séculos de idade, uma força desintegrante na religião, intolerantes e inconscientes no proselitismo, mas tolerados por grande generosidade pedobatista, devido à sua estranhável força numérica na atualidade. É lícito examinar alguns preconceitos do ilustre autor a respeito do povo chamado batista.

a). “Dois pontos teológicos constituem a parte mais importante da controvérsia batista. São eles o batismo de crianças e o modo do batismo” (p. 5).

Esta é a primeira sentença. Dá logo a impressão de que o povo batista é uma grei amante de controvérsia, sobre matérias insignificantes, supremamente empenhada em fazer vencer um ponto de vista sacramentalista e eclesiástico, neste século de iluminado liberalismo. Naturalmente, é vantajoso para o autor criar, desde a primeira palavra, esta opinião desfavorável aos seus oponentes, revelando-se logo pouco generoso e anti-histórico.

Os batistas são os menos sacramentalistas de todos os povos cristãos, com a exceção dos “quakers” (A Sociedade dos Amigos), que não praticam rito nenhum. Sua ênfase não é sobre formas, mas sobre o Âmago do evangelho, salvação pela graça, mediante a fé e antes do batismo, que consideram o ato de uma pessoa salva pelo qual esta tributa publicamente sua grata confissão das grandes verdades da redenção, o enterro simbólico da velha vida pecaminosa e a ressurreição declarada para novidade de vida, em virtude da fé no Salvador; o qual também foi sepultado e ressuscitado, para a nossa justificação.

A não ser que o autor fale de seu problema puramente pessoal, sua primeira sentença é uma injustiça. A controvérsia batista – e por longos séculos a provocação desta controvérsia partiu dos perseguidores dos batistas que os caçavam com fogo e ferro como se fossem feras – tem versado sobre inúmeros assuntos mais do que sobre o batismo. Liberdade de consciência, por exemplo, é a doutrina e os lauréis mais característicos de nossa luta histórica.

Nosso historiador inglês mais recente, o Dr. W. T. Whitley, diz que a mensagem batista mais saliente tem sido a de missões, a evangelização mundial, como a suprema obrigação universal dos crentes, sem barreiras nacionais.

Nossa suprema controvérsia através dos tempos modernos tem sido com igrejas ligadas ao Estado, quer a papal, quer a anglicana, quer a presbiteriana. E a saliência das ordenanças (erroneamente chamadas sacramentos) do batismo e da Ceia parte, não de nós, mas de nossos adversários sacramentalistas, os quais ligaram tão grande importância a estes ritos, que de forma alguma podiam tolerara dissidência neste terreno, supersticioso, onde julgava ter passado na infância, da morte para a vida, nascido de novo na pia, ou nas suas imediações, transformados de pagãos em cristãos pelo batismo infantil, por cujo prisma enxergaram as lindas cores do arco-íris da salvação nas gotas da água da aspersão eclesiástica.

Nossa voz sempre foi ouvida proclamando positiva e principalmente o evangelho – o evangelho de salvação pela graça, sem batismo infantil ou adulto – e a inda é ouvida assim no Brasil. Eu me considero, quanto à minha doutrina, representante da média do ministério batista, e nos quinze anos que prego no Brasil nunca preguei um sermão sobre a imersão ou a aspersão. Os presbiterianos – “independentes” ou dependentes – se ocupam muito mais deste assunto do que seus irmãos batistas.

b). Outra desvantagem que o autor logo atribui aos batistas é a de já terem sido processados e condenados pelo júri da cristandade em peso.

“Contra a doutrina e a prática da maioria absoluta da cristandade, os batistas não batizam crianças e praticam a imersão em vez da aspersão ou afusão” (p. 5).

Se bem que a balança da popularidade não sirva para pesar verdades, contudo, é grave a acusação – se for à verdade. Mas a impressão que muitos podem tirar da linguagem não é a verdade. Não é a verdade que a imersão seja “contra a doutrina e a prática da maioria absoluta da cristandade”. O grupo mais numeroso na cristandade são os romanistas. Sua doutrina, nas notas das suas Bíblias oficiais, é uma franca confissão de que a imersão foi o batismo apostólico. Vede o capítulo sobre “Vinte Testemunhas”. E o Sul da Europa é ornado de vastos batistérios antigos, que, como os fradesguias sempre explicam aos turistas, foram usados para a prática da imersão em tempos antigos, mesmo na Igreja Católica Romana. O papa mudou o ato preferido para a aspersão, pela autoridade do Concílio de Ravena, como mudou quase tudo que Cristo estabeleceu. Mas nem a doutrina atual nem a prática, por longos séculos, da Igreja Romana foi contrária à imersão. (Lede a Tradução Franciscana do N. T. com notas, em três tomos, por Mons. Dr. Basílio Pereira, p. 100 do Tomo II.).

O segundo grupo em número na cristandade é o catolicismo grego (ortodoxo). Ele pratica unicamente a imersão e assim tem doutrinado e praticado desde a separação entre o catolicismo latino e o grego. Antes da cisão, ambos praticavam a imersão, os romanos permitindo, em raros casos, a fusão abundante de doentes, com receio de morrerem sem o batismo regenerador.

Outros grupos principais da cristandade oriental ainda confessam ou praticam a imersão como o batismo primitivo.

Entre os evangélicos, os batistas podem apresentar o número de 12.000.000, que praticam unicamente a imersão como batismo. Há muitos outros milhões de evangélicos de várias denominações, que não aceitam outro batismo a não ser a imersão.

Demais, não há uma seita católica ou protestante que negue que a imersão não seja batismo. Há absoluta unanimidade nisto. O prezado ministro presbiteriano que controverte a doutrina batista aceitaria nosso batismo sem hesitar, se tivesse ocasião de nos aceitar na sua igreja.

O batismo batista é como o padrão ouro. Seu valor não é negado na face da terra. A aspersão é como as pesadas moedas antigas de cobre, da China, quadradas e enfiadas por um buraco no centro. Os aspersionistas e os chineses são povos distintos, históricos e numerosos. Mas suas moedas e suas aspersões são de aceitação limitada, e por autoridade apenas tradicional, e caem muito aquém do padrão ouro do Novo Testamento, por todos os povos da terra aceito como tendo pleno valor. Em vivo contraste, a imersão, do mesmo modo como o lastro universal é indescontável no intercâmbio monetário das nações do globo, é universalmente reconhecida e aceita, pois é o batismo que Deus estabeleceu por João Batista e que Cristo e seus apóstolos praticavam e mandaram praticar para todo o sempre, o único batismo apostólico, e o único universalmente e sempre aceito na cristandade desde os tempos de Jesus Cristo até os dias de hoje.

Há mais unidade aparente no resto da cristandade contra os batistas quanto à administração do batismo à crianças inconscientes. Mas é aparente só. Nada de união de vistas sobre o ato entre pedobatistas. Os gregos mergulham a criança na pia, mesmo nas terras árticas da fria Rússia. Romanos e gregos “batizam” (?) a criança precisamente pelo motivo contrário ao que alega o irmão presbiteriano independente. Ele asperge a criança porque já está salva. Mas a vasta maioria da cristandade a asperge, ou imerge, a fim de torna-la filha de Deus, arranca-la do estado pagão e torna-la, ex-opere operato, cristã. Logo, a maioria absoluta da cristandade discorda tão radicalmente do irmão presbiteriano sobre o batismo infantil como dos batistas. A doutrina dele sobre este assunto não pesa mais na balança da popularidade do que a nossa. Deixemos, pois, a tal balança e pesemos nossos ritos na balança da autoridade do Novo Testamento.

c). O preclaro calvinista gosta de por na boca dos batistas idéias que repudiamos. É fácil, nobre colega, desmembrar um urso de palha, que por vós mesmo tenha sido fabricado.

“Ora, se as crianças não devem ser batizadas por não poderem crer no evangelho, igualmente não poderão salvar-se pelo mesmo motivo. Logicamente, os batistas são obrigados a afirmar que as crianças se perdem” (p. 6).

“Quem tem o máximo por que não pode ter o mínimo, mormente quando esse mínimo nem sequer é uma parte especial do todo, mas apenas uma sombra, um símbolo dele? Os batistas, porém, dão de bom grado a castanha, mas não cedem por coisa alguma a casca. O que cedem, porém, é suficiente para demonstrar a falsidade do argumento pelo qual não batizam crianças. Não é verdade que as crianças se percam por falta de fé: logo, é falso que não possam ser batizadas por essa falta” (p. 7).

É bom que cada um diga por si o que crê. O irmão Teixeira não seria aceito pelos batistas como expoente de nossa doutrina. Várias vezes ele se apresenta para informar ao mundo o que os batistas crêem e eis que não é coisa alguma do que os batistas doutrinam. É esta uma das grandes fraquezas do opúsculo. O Sr. Rev. Alfredo Teixeira, cavaleiro da Ordem Independente, de viseira erguida e lança em punho, corre impetuosamente a derrubar com galhardia o Ser. Rev. Alfredo Teixeira, cavaleiro informante ao povo do que é a doutrina batista. A este interessante espetáculo os batistas assistem incólumes e admirados. Não é preciso inventar doutrinas e coloca-las em nossos lábios para depois refuta-las. Temos ampla literatura e declarações oficiais de nossa fé e seria mais sério e mais digno cita-las e dizer: Eis o que os batistas crêem, do que ir aniquilando doutrinas batistas (?) do fabrico exclusivo presbiteriano independente, que, naturalmente, podem ser reduzidas a cacos pelos seus inventores, sem sair do depósito onde foram armazenadas.

De que batista soube o irmão polemista que os batistas doutrinam que “podem as crianças ser salvas sem fé?” Eu não conheço batista que creia que as crianças são indiscriminadamente salvas sem fé.

A mais simples distinção imaginável é a de crianças que morrem antes de ser responsáveis, e crianças que vivem para a idade de responsabilidade. Os presbiterianos não concordarão em que há uma distinção inevitável no destino dos responsáveis? Concordam. Como sei? Sei, porque tenho diante de mim “O Estandarte” de “10-7-1930”, p. 8, artigo do Rev. Bento Ferraz sobre “A Criança e o Reino”. Diz o referido artigo:

“Na doutrina do Mestre, por uma graça especial, todas as crianças que morrem nessa idade vão para o céu. Por um ato, sem dúvida, de sua graça soberana, Jesus lava-lhes a mácula do pecado original e as recebe no seu reino, colocando-as bem junto de seu trono para lhe entoarem as glórias, como diz o hino 73:”

Ao pé do trono de Jesus

Muitas crianças estão.

Milhares que na terra já

Acharam o perdão,

Cantam glória, glória, glória.

Como chegaram lá no céu?

Ao reino do Senhor?

Onde na luz e santa paz,

Gratos ao seu louvor,

Cantam glória, glória, glória.

É que Jesus, com grande amor,

Lhes deu a salvação;

Lavadas no seu sangue, elas

No céu sem mancha estão;

Cantam glória, glória, glória.

Até a terceira estrofe do hino, acompanhamos o ilustre redator de “O Estandarte”. Da quarta estrofe discordamos quanto á sua possível aplicação a crianças mortas “nessa idade”. Não é a verdade que crianças irresponsáveis “aqui amavam o seu nome, aqui buscavam luz”. Uma criança “nessa idade” nem busca luz nem ama o nome de quem quer que seja nem crê nem pratica ato algum responsável ou inteligente.

Notai bem a distinção do redator de “O Estandarte”- “crianças que morrem”. Aí tendes a distinção vital dos batistas na sua doutrina sobre o estado de crianças.

Cremos – e, quando os presbiterianos ainda teciam formidáveis argumentos sobre “crianças eleitas e não eleitas”, sempre criamos – que as crianças que morrem na infância irresponsável vão para o céu, em virtude da redenção efetuada por Jesus Cristo como nova cabeça da raça de Adão. Mas isto nós cremos, nos termos de “O Estandarte”, ser “uma graça especial”, um “ato de sua graça soberana”, “colocando-as bem junto de seu trono”. Visto que nisto concordamos, não demorarei em considerações que provem esta doutrina.

Agora, esta doutrina da salvação de crianças que morrem, salvação “por graça especial”, salvação por ato soberano, nada tem com o estado da criança viva. Os presbiterianos não batizam as crianças mortas, portanto, nossa doutrina da salvação destas não vem ao caso de lhes servir de uma base de comparação nem de pseudo-análise da “lógica batista”.

Eles batizam crianças vivas, as quais irão continuar, em inúmeros casos, a viver, e que, vivendo, serão incrédulas, em muitos casos, e morrerão na sua incredulidade, em certos casos e, segundo a Bíblia, irão para o inferno, com os demais incrédulos. Contudo, lá no inferno se lembrarão da doutrina presbiteriana, que já lhe cedeu salvação e batismo, castanha e casca, máximo e mínimo, na infância inconsciente. E meditarão, lá no seu estado onde a ordem do dia é: “Filho, lembra-te”, e pensarão na incoerência de se acharem no inferno depois de terem passado por um estado de salvação e batismo. Já comeram castanha e casca presbiterianas, e resta-lhes o que? – as cinzas do desespero eterno. E, por toda a eternidade, suas almas perguntarão: “Há coerência e verdade nisto? É fato que eu já fui salvo, e batizado por ser salvo, e agora estou perdido eternamente? A salvação de Deus é tão efêmera? Deus é tão esquecido? O batismo infantil proclama uma verdade, ou uma decepção iníqua e perigosa? Como e quando perdi a salvação que os presbiterianos alegam ser a possessão das crianças? E se eu a perdi, teria sido possível ganhar a primeira salvação sem crer? E qual é a diferença entre a salvação com que a gente nasce (pelo menos se tiver à felicidade de nascer presbiteriano), e a salvação que Deus outorga , segundo seu único evangelho, aos que crêem? E haverá no céu presbiterianos que só tiveram esta primeira salvação que eu, alma perdida que sou, tive também, sendo que a diferença entre eles e mim é que continuaram desde a infância como membros da igreja presbiteriana, sendo primeiro membros não comungantes e depois membros comungantes, mas sem terem gozado senão esta salvação infantil que é a sorte de todas as crianças presbiterianas? Então, sendo que, eles lá e eu cá só tivemos a única e mesma salvação que é o patrimônio da infância, por que estão eles no céu e eu no inferno, sendo que todos começamos a vida salvos e por esta razão recebemos igualmente o batismo? Qual a diferença entre mim, pobre filho do inferno, e eles, felizardos no céu? Será unicamente por que se tornaram membros comungantes da igreja presbiteriana? E eu, que também tive o máximo e o mínimo da salvação, o todo, e a sua sombra, por que padrão de justiça evangélica sou eternamente condenado?” Esta pobre alma, vítima do batismo infantil que a proclamou salva sem que nunca ela tivesse sabido coisa alguma da salvação, a qual se obtém, nesta vida pela graça mediante a fé, terá uma longa eternidade para meditar sobre estas perguntas, e o polemista que defende o batismo infantil por tais transparentes sofismas precisaria de outra eternidade para responder às perguntas da alma condenada daquele que ele batizou na idade de irresponsabilidade.

Que resposta daria? Negará a possibilidade de um homem que recebeu o batismo infantil se tornar incrédulo? O prezado leitor não é testemunha de tais casos, e sem número? O próprio “O Estandarte”, há poucos anos, publicou um triste brado sobre as perdas das Escolas Dominicais de São Paulo, alegando que se perde para o evangelho 90% dos filhos dos crentes matriculados nas E. D. daquela cidade. Estes que se perdem das E. D. nunca em nenhum caso receberam o batismo infantil? E se o receberam e se perdem quanto ao evangelho, são salvos ainda, sem fé e sem evangelho, na eternidade, em virtude da casca, e da sombra e do máximo que é o batismo infantil.? Não foi Renam aspergido na infância? Está no céu ? Ou são apenas os filhos de protestantes que nascem salvos? E se os filhos de uns nascem salvos, e os filhos dos outros não nascem salvos, não é isso uma injustiça clamante da parte de Deus? Ou nascem salvos sem Deus ter nisto voz ou responsabilidade ou vontade eficaz?

Tomás T. Martin, famoso evangelista, disse publicamente na minha presença: “Eu tenho, no meu longo ministério, discutido o cristianismo com uns cinqüenta dos principais ateístas e agnósticos do meu país. Cada um deles me afirmou que foi batizado na sua infância. Quando e em que maneira e até que ponto e à que idade se evaporou a salvação que tinha estes ateístas na sua infância em lares onde lhes foi administrado o batismo infantil? E onde, no Livro de nosso Deus, é que o pastor presbiteriano encontrará um vislumbre de uma sugestão de uma doutrina de duas salvações, uma inata, efêmera, fútil, perdível e sem efeito moral, e a outra de graça, mediante a fé, e que santifica e concede a vida eterna? E se há duas salvações, qual é a que o pastor presbiteriano escolhe e prega? Será a salvação inata? Então deixemo-nos de igrejas, batismos e evangelho e tudo mais e corramos para o universalismo, a salvação de todos os homens pelo fato de serem homens. (E parece-me que os universalistas não praticam o batismo infantil). E se opinamos pela salvação que, nesta vida, vem tão somente depois de passar a infância, e depois de ser exercida a fé inteligente e espontânea, ponhamos, com lealdade à Bíblia, o batismo, que é o símbolo, a casca, o mínimo, também depois da fé e da salvação que é mediante a fé, e então praticaremos um batismo inteligente, de responsáveis, o batismo de crentes, que é o único batismo apostólico.

d). Passando da doutrina presbiteriana de duas salvações, para a qual nosso distinto polemista quis arrastar os batistas também, vejamos outra injustiça na exposição, por um presbiteriano, de idéias chamadas batistas, que ele tira unicamente de seu próprio cérebro.

Nosso irmão, que é vigoroso protestante, se torna mero eco de calúnias jesuítas quando ele afirma:

“De modo que só no século XVI, como um fruto estranho da árvore cristã, apareceram as comunidades batistas. Os anabatistas fanáticos e anárquicos, vergonha e perigo da Reforma, foram o pai dessas comunidades. Rejeitaram eles a autoridade do Estado e da Igreja, sonhando com um estado de coisas em que cada indivíduo só obedecesse a Deus. Essa obediência, porém, enquanto Cristo viesse para governa-los pessoalmente, era medida pelo grau de autoridade que cada qual atribuía a Deus. Eram os anarquistas modernos, agravados com o fanatismo religioso. Esse individualismo estreito e radical levou-os à conclusão de que os pais não podem representar os filhos e daí veio o recusarem o batismo de crianças. Rompidos os vínculos do Estado e da Igreja, a família não podia ser poupada:anulou-se a criança para a religião. Com isso, completaram sua obra diabólica, porque a criança sem religião é a doença mortal da família, da Igreja e do Estado. A fim de realizar esse terrível sonho individualista, pegaram em armas contra o Estado, por cujo braço forte foram rigorosamente perseguidos, enfraquecidos e quase liquidados. Essa dura lição amenizou a sua rudeza, chamou-os ao bom senso e encaminhou-os na direção que os converteu em batistas. As Igrejas batistas adotaram os princípios da Reforma e ocupam, há séculos, um lugar de honra no cristianismo evangélico. Infelizmente, porém, conservam, com carinho, traços da sua tristíssima origem. A sua forma de governo é tão excessivamente democrática que repele o princípio bíblico da representação e faz lembrar o individualismo anabatista. Não há nisto, todavia, grande inconveniente prático, porque a civilização cristã atual já não comporta o reaparecimento da anarquia original. No fato, porém, de não batizarem crianças persiste intato o rude individualismo avoengo que desconhece, por completo, a solidariedade moral e religiosa da criança com seus pais, e destrói, assim, o vínculo mais profundo e sagrado da família.” (ps. 41, 42).

Quando os adeptos do unionismo em que o nosso distinto folhetinista é figura eminente estiverem namorando os batistas, convém voltarmos a este acervo de gentilezas e verificarmos sua real opinião dos batistas, de sua “obra diabólica”, de não passarem de meros anarquistas modernos, mas piores do que anarquistas modernos, porque eram “os anarquistas modernos agravados com o fanatismo religioso”, “a vergonha da Reforma”. Até o dia de hoje, se temos algo de mérito é devido a essa “dura lição” que “O Estado” (sic) nos deu, matando as hostes de nossos pais, sem mercê. Mas nosso mérito é o da fera na forte gaiola, pois o nosso juiz presbiteriano só admite que não somos ainda perigosos porque a “civilização atual cristã já não comporta o reaparecimento da anarquia original. Tudo isso tem suas vantagens. Embora fosse difícil escrever palavras mais cruéis, mais falsas, mais gravemente anti-históricas e deturpadoras da verdade histórica e mais injusta a doze milhões dos melhores cristãos de setenta nações, com suas famílias, pelo menos esclarece a verdadeira atitude presbiteriana em relação aos batistas. O que podemos afiançar é que nenhum proselitador dos batistas incautos a estes enganará, ainda, dizendo: “Não há diferença. Somos todos a mesma coisa. Uma igreja é tão boa quanto à outra.” Não. Tais dizeres seriam o auge da hipocrisia. As diferenças entre as convicções batistas e presbiterianas são abismais, largas e irradicáveis; e, neste fato, semelhante linguagem rude e sectária desnuda uma vez para sempre em toda a sua falta da tão decantada caridade.

Sobre a solidariedade e o individualismo trataremos adiante. Por ora, veremos as acusações contra os batistas e as declarações anti-históricas do apaixonado defensor da aspersão dos inconscientes e irresponsáveis.

1. Não é verdade dizer que os anabatistas apenas apareceram no século XVI. São mais antigos do que a reforma e foram seus precursores, como o Dr. Christian demonstra cabalmente com uma infinidade de documentos históricos, citados na sua magistral “História dos Batistas”, em dois tomos. O Dr. Ludwig Keller traça uma conexão “entre os anabatistas e os esforços medievais de reforma” (Muirhead, em “O Cristianismo Através dos Séculos”, p. 293). “O referido Dr. Keller chama o anabatismo o verdadeiro movimento da reforma” (idem, p. 293). O partidarismo sectário não pode esconder o valor do testemunho do grande Moshim, chanceler da Universidade de Gottingen (n. 1696). Este erudito luterano testificou:

“A verdadeira origem daquela seita que adquiriu o nome de anabatista pela sua administração de novo do rito do batismo aos que entravam na sua comunhão, está escondida no fundo da antiguidade” (História Eclesiástica, Tomo II, p. 127).

Historiadores holandeses, como os Drs. J. Dermout e A. Ypey, testificaram na sua história oficial:

“Agora temos visto que os batistas, que outrora foram chamados anabatistas, eram os waldenses originais e que por longo tempo na história da igreja receberam a honra daquela origem. Por isso, os batistas podem ser considerados a única comunidade cristã que tem continuado desde os dias dos apóstolos, e como a Sociedade Cristã, que tem preservado na sua pureza a doutrina do evangelho através dos séculos.”

Este testemunho dado há mais de um século, em relatório oficial, acaba de ser verificado por insuspeitas autoridades holandesas, a pedido de historiadores americanos.

O Cardeal Hosius, um dos presidentes do Consílio de Trento, disse:

“Se a verdade de religião houvesse de ser julgada pela prontidão e gozo mestrados por qualquer seita em suportar sofrimentos, então as opiniões e convicções de nenhuma seita podiam ser mais verdadeiras ou seguras do que as dos anabatistas, visto que não há nestes mil e duzentos anos outra que tenha sido mais tristemente punida.”

Zwínglio é citado como dizendo:

“A instituição dos anabatistas não é novidade, mas por 1300 anos tem causado grande perturbação na igreja” (My Church, p. 313, por J. B. Moody).

Sir Isaac Newton disse: “Os anabatistas modernos são o único povo que nunca foi identificado (symbolized) com o Papado” (Life of Whisten). Ali tendes testemunhos insuspeitos dos mais eminentes historiadores de Roma e da Reforma que contradizem as audazes afirmativas partidárias da “Controvérsia Batista”.

2. A falta de tino de historiador em nosso bom crítico se manifesta na sua incapacidade de fazer distinções. Ele classifica todos os anabatistas numa só categoria – anarquistas piorados pelo fanatismo religioso. Ora, semelhante declaração nem é séria. É sinal ou de cegueira de preconceitos, de má vontade ou de ignorância da História.

Newman (Manual of Church History, Vol. II, p. 156) enumera cinco classes de anabatistas. Nosso irmão só admite uma. Von Harnack, o maior historiador alemão dos séculos, declarou que “Os anabatistas adiantaram-se trezentos anos além de sua geração” (The Dutch Anabaptists”, pelo saudoso historiador presbiteriano, Dr. H. E. Dosker, p. 1). O historiador alemão Fusslin explica: “Haveria grande diferença entre anabatistas e anabatistas”, (“O Cristianismo Através dos Séculos”, p. 298). E Veder exclama:

“Havia entre eles quem sustentasse doutrina estranha, mas isto se pode dizer de toda a seita. Se atribuirmos a cada seita quaisquer doutrinas insensatas que dois ou três entes caprichosos tenham ensinado, não haverá nenhuma no mundo a que não tenhamos de atribuir os erros mais abomináveis” (Citado pelo Dr. H. H. Muirhead, em “O Cristianismo Através dos Séculos”, p. 298).

Dosker diz (obra acima citada, p. 28), “Desde o princípio havia entre os anabatistas partidos da direita e da esquerda, conservadores e radicais”, e ele cita Erasmo assim acerca do “povo anabatista , dos quais dizem haver muitos na sua companhia, que foram convertidos da vida mais perversa para a vida mais santa; e, embora algumas opiniões deles estejam totalmente erradas, contudo, nunca saquearam cidades e igrejas nem conspiraram contra governos nem afugentaram a quem quer que seja de suas terras ou possessões.”

O termo anabatista foi um termo de opróbrio pela propaganda clerical de papistas e reformadores e foi dado a qualquer não conformista, sem exame de suas relações com o movimento anabatista histórico. A revolta de Muenster foi efetuada depois que a cidade tinha, pelo voto de seus cidadãos, se tornado um governo camponês. E muitos se associaram com esta revolta civil que nunca foram membros de igrejas anabatistas. Tudo isto é assunto que qualquer principiante de história cristã deve saber; mas que aparentemente é desconhecido nos Seminários Pedobatistas e Unido.

Nosso irmão que se gloria no título de Independente, torna-se agora campeão de uma tirania indizivelmente perversa e taxa de anarquistas e fanáticos os que queriam mais independência do jugo aristocrático de políticos e do clero. Vejamos se esse movimento era apenas o que hoje chamamos anarquia.

“Os doze artigos” dos camponeses são dados no livro “A Reforma”, p. 25, e no segundo tomo de Newman, p. 78. Newman, o mais eminente historiador atual do cristianismo, termina sua análise de cada artigo com a declaração de que era “justo”, “imparcial”, “acima de todo criticismo” e cita Tomas Carlyle como dizendo que tais artigos eram dignos de um Sólon. O próprio Lutero confessou a justiça de todos os pedidos, mas quando a população, vilmente escravizada e chefiada por visionários, se levantou em revolta justíssima, Lutero se mostrou servo da aristocracia e escreveu aos “nobres” feudais para “incendiar, apunhalar, esmagar e estrangular”, e garantiu felicidade no céu a quem morresse em resistência aos camponeses. Mesmo antes disso, o Dr. Martinho Lutero dissera: “O homem comum tem de ser sobrecarregado com trabalhos, de outra forma ele se tornará demasiadamente carnal”- isto em carta a um “nobre”, cuja consciência o perturbava e queria fazer justiça aos seus empregados (Newman, p. 77).

Cem mil dos humildes protestantes foram massacrados sem misericórdia, na mais bárbara crueldade e a revolta foi sufocada em sangue e miséria.

Mas a consciência do mundo hoje em dia é unânime em louvar aquele socialismo primitivo. Newman diz que todos os pedidos dos Doze Artigos pertencem à legislação alemã moderna. Para que taxar de “anarquistas” os que apenas queriam ser independentes, os que tão somente se anteciparam às liberdades que todos agora gozam, os que tiveram coração mais justo e liberal do que os do seu século e por estes motivos não foram compreendidos, que viveram trezentos anos antes de seus contemporâneos, nos dizeres de Harnack, em visão moral e paixão social? Há tanta razão em taxar de anarquistas todos os governos socialistas da Europa e todo o liberalismo das Américas quanto há de chamar os anabatistas por tais nomes injustos.

E o meu prezado colega labora em erro crasso em pensar que a reforma anabatista é a vergonha da Reforma. É hoje em dia a sua principal glória, nesta nossa geração de mentalidade democrática e social.

Pessoalmente, sendo independente e podendo escolher, eu me orgulharia muito mais em ser identificado com o movimento anabatista, a despeito de sua variedade desigual e defeitos, do que com Lutero e Calvino. Calvino traiu correspondência particular de Servet e a entregou à Inquisição Católica Romana. Servet foi preso mas escapou. Foi descoberto em Genebra incógnito, onde foi ouvir Calvino pregar. Calvino o reconheceu no auditório e mandou prende-lo, antes mesmo do sermão. Foi torturado no cárcere. Foi-lhe negado advogado ou direito de defesa. Não era cidadão de Genebra e estava, por direito, fora de sua jurisdição legal. Mas Calvino compareceu pessoalmente no tribunal para que sua autocrática influência em Genebra pesasse na balança da justiça; e do púlpito incentivou o populacho contra o preso. Em 27 de outubro o eminente médico (que descobriu a circulação do sangue muito antes de Harvey) por ser hereje, foi queimado vivo pelos fundadores do presbiterianos, embora mero visitante na cidade. Muitos levantaram suas vozes contra esta barbaridade. Calvino a exigiu e perseguiu ainda quem defendesse a liberdade de pensamento, escrevendo uma defesa bíblica da inominável barbaridade (Renaissance and Reformation, p. 301, 302, por Hulne). Calvino foi um inquisitor. E é fútil dizer que todos assim naquela época. Erasmo não foi. Os anabatistas não foram. Magnânimos “nobres” não foram. Príncipes da heróica Holanda não foram. Mas Calvino e Lutero e Zwínglio foram tão ferozes e intolerantes como o outro clero intolerante de quem eles se separaram, mas sem se separarem de seu espírito e de muitos de seus erros.

Zwínglio teve por divisa: “Qui iterum mergit, mergatur”. “O afogamento de Mantz”, diz o professor Vedder, “é um borrão de vitupério na carreira de Zwínglio como reformador. Todos os perfumes da Arábia serão impotentes para perfumar a mão que foi manchada com sangue de um dos mártires de Cristo” (citado em “O Cristianismo Atravéz dos Séculos”, p. 286).

É fútil escapatória procurar lançar a culpa de tudo nos governos civis. Eram concílios eclesiásticos e reformadores religiosos, que, na sua intolerante teocracia, impuseram esses horrores sem forma de lei, em alguns casos, a açulavam as autoridades civis, e incentivavam o populacho, e endereçavam cartas sanguinolentas aos príncipes e “nobres”, que eram relutantes em praticar tanta crueldade e em mergulhar suas terras no sangue dos mártires. Se nosso irmão quer meditar na “vergonha da Reforma”, ei-la. E medite bem que o presbiterianismo ainda está ligado com o Estado em várias terras onde se manchou com o sangue de inocentes.

Esses anabatistas, cuja reputação o meu honrado colega, tão independente e tão contrário à independência anelada no século XVI, deseja manchar com a pecha de “anarquistas”, “fanáticos” e “vergonha da Reforma”, foram os precursores tanto da liberdade como da democracia cristã que são os mais preciosos triunfos da civilização hodierna.

Terminamos o contraste entre a mensagem batista e a dos Reformadores, citando uma obra muito usada em seminários e universidades, “Renaissance and Reformation”, da autoria dos professores George Lincoln Burr, da Universidade de Cornell, e Eduardo Maslin Hulme, da Universidade de Stanford:

“Mas, a despeito da existência, no século XVI, de tais vistas de tolerância, todos os homens que dirigiram as várias revoltas contra Roma criam em purgar a heresia a ferro e fogo. Nos novos credos evangélicos não havia nenhum elemento de tolerância. Renderam homenagem ao princípio no período de seu desenvolvimento, quando tinham tudo a ganhar se tão somente fossem seguros contra a oposição externa. Mas quando se tornaram seguramente entrincheirados, não quiseram saber de tal idéia. Lutero foi o primeiro a asseverar não somente o direito mas o dever de as autoridades civis permitirem tão somente a pregação que eles reconhecessem ser a verdadeira Palavra de Deus. Os reformadores chegaram a considerar a intolerância como lei de preservação própria. Lutero anatematizou a todos quantos discordassem da crença dele. ’Aquele que não crê na minha doutrina’; disse ele algures, ‘pode ficar certo de perdição’. E seu ódio contra os judeus era tão amargo e duro como o da Idade Média ou da Rússia dos tempos recentes. De fato, ele foi muito mais intolerante para com eles do que seus contemporâneos católicos. Sua teoria do juízo privado envolve o direito do indivíduo em decidir por si mesmo em religião. Que mais pode significar sua teoria democrática do sacerdócio universal? Contudo, sua prática não foi coerente com sua profissão. As pretensões de comunhão direta com Deus feitas pelos anabatistas, ele as denunciou como fraude ímpia. Foi ele quem expulsou Carlstadt de Wittenberga. O protestantismo, mesmo antes da Dieta de Spira, separou-se da doutrina do direito de juízo privado. Luteranos queimaram discípulos de Zwínglio na fogueira, na Alemanha. Quando lhe exigiram uma opinião sobre a heresia, Lutero tomou o Salmo 82 por termo e distinguiu entre sedição e heresia blasfema. A blasfêmia incluía opiniões erradas. Se alguém, por exemplo, questionar a deidade de Cristo, deve ser morto sem processo legal. Zwínglio estava pronto, alguns anos antes de Lutero, a punir a heresia com a morte; e, como vimos, esteve de acordo com a tortura de Hubmaier. Calvino era inteiramente antipático à idéia de que fosse permissível tolerar interpretação privada ou confiar na natureza humana. Sua correspondência repetidas vezes revela intolerância, a mais cruel intolerância, de sua doutrina de absoluta predestinação, ele atirou Castalion para o exílio. Sem um vestígio de jurisdição no caso, entregou Servet às chamas. Condenou todos que negassem que a erra fosse o centro do universo. Seu sistema e sua teoria do Estado expressamente excluem a tolerância. Tanto quanto a Igreja Medieval, ele visava a uma unidade absoluta e perfeita de dogma imutável.

Entre os menores reformadores associados com essas grandes revoltas iríamos longe para achar a tolerância. Mesmo Melanchton, o mais tímido dos reformadores, felicitou a Calvino por ter feito perecer Servet na fogueira. ‘A Igreja, tanto agora como em todas as gerações’, escreveu ele, ‘ vos deve e vos deverá uma dívida de gratidão. Eu inteiramente concordo com vosso juízo. E digo que vossos magistrados fizeram bem em, depois de solene processo, entregar o blasfemo à morte’. Beza disse que ‘blasfemos e hereges deve ser supressos e punidos pelos magistrados’. ‘Dizer que os hereges não devem ser punidos’, disse ele, ‘é o mesmo que dizer que não deve ser punido aquele que mate pai ou mãe, visto que hereges são infinitamente piores’.” (ps. 363, 634).

E visto ser esta uma discussão a respeito dos direitos de criança não é fora de propósito ver as ofensas do teocrata de Genebra, fundador do presbiterianismo, contra as crianças. Ele fez um catecismo. Por este a população toda tinha que ser julgada, e censores iam de casa em casa para ler e impor o catecismo. Depois Calvino convocou a população inteira perante a Igreja de São Pedro para jurar lealdade e essa tradição do homem. Crianças que não fossem para as escolas desse severíssimo sistema recebiam severas penas. E, ao mesmo tempo, crianças foram procuradas como testemunhas para a condenação de seus pais, na bela solidariedade das famílias dessa Jerusalém presbiteriana (Newman, Vol. II, p. 210). E o eminente Fizher, de Yale, testifica: “Em 1568, sob o severo código que fora estabelecido sob os auspícios de Calvino, uma criança foi degolada por ter dado em seu pai e sua mãe” (“History of the Reformation”, p. 22). E a diferença entre Calvino em Genebra e seus discípulos hoje em dia é que ele era lógico e tinha o poder despótico de impor seu sistema, enquanto hoje em dia, graças ao trono divino, o sistema é uma teoria in vácuo e não há nenhuma teocracia calvinista para manchar a história com seus crimes coletivos.

Luis Cormenin é autor de uma “História dos Papas”, em inglês. Ele diz (Parte 2, p. 197):

“Na Alemanha, foi ainda pior. Os reformadores, movidos pelo fanatismo, perseguiram a seita dos anabatistas com o máximo rigor e praticaram tão medonhas crueldades contra estes, que nos faz arrepiar o cabelo a narrativa dos historiadores contemporâneos. Longe de serem intimidados pela tortura, estes novos mártires se entregavam aos seus algozes e entravam nas fogueiras cantando louvores a Deus. As senhoras mais delicadas pediam os tormentos mais cruéis para demonstrar sua fé; virgens iam para o suplício mais alegremente do que para a cerimônia nupcial; os homens não evidenciavam o mínimo sinal de medo, ao contemplarem os instrumentos de tortura; cantavam salmos enquanto os algozes lhes rasgavam as carnes com pinças esquentadas. Mesmo quando seus corpos eram meio consumidos pelo fogo e a pele arrancada de sua cabeça, estava pendente sobre os ombros, ainda exortavam as turbas a se converteram à sua doutrina. Nunca nenhuma seita mostrou tão extraordinária constância nas perseguições, assim a admiração que sua coragem inspirou atraiu grande número de católicos e Luteranos para suas fileiras. Se a excelência de uma religião pudesse ser provada pelo testemunho e pelo número de seus mártires, então a seita dos anabatistas seria, sem dúvida, superior a qualquer outra, visto que, em menos de um ano, ela possuía mais de cento e cinqüenta mil mártires, que é mais do que os martirologistas enumeram em todas as longas perseguições dos imperadores pagãos.”

Mas, o insigne seguidor de Calvino quer que esses mártires sejam considerados “a vergonha da Reforma”. Se o nosso irmão quiser ver o que os romanistas consideram “a vergonha da Reforma”, leia “A Igreja, a Reforma e a Civilização” e ele verá que não são os avoengos espirituais dos batistas que escandalizam os romanistas pelas suas crueldades. As páginas da história cristã nunca foram manchadas por uma só perseguição batista.

Antes tem sido o sangue de nossos mártires que se tornou à semente da liberdade e da civilização hodierna. Um historiador aplica também aos anabatistas esta descrição das perseguições primitivas dada pelo historiador Jones:

“Foram publicamente açoitados, arrastados pelos calcanhares através das ruas das cidades, desmembrados por máquinas de tortura até que todos os ossos do corpo ficassem desconjuntados, perderam os dentes por golpes, tiveram narizes, mãos e orelhas decepadas; espadas pontiagudas foram inseridas sob as unhas, foram queimados a chumbo derretido, lançado sobre seus corpos nus, cavaram-lhes os olhos, cortaram-lhes as pernas, foram condenados a trabalho forçado nas minas, foram moídos entre as mós, apedrejados, queimados vivos, jogados de pináculos de prédios altos, afogados em cal fervendo, atravessados por espadas, destruídos pela fome, sede e frio, lançados as feras, assados a fogo lento, jogados no mar, raspados por conchas agudas, rasgados por galhos de árvores, crucificados, destruídos por todos os métodos que a sutileza e a malícia puderam inventar.”

A linguagem foi escrita a respeito dos mártires dos séculos I a III, mas os anabatistas experimentaram em seus martírios grande parte da angústia de seus predecessores no evangelho. Nunca perseguiram. E será preciso mais do que a palavra do reitor do Seminário Unido para nos envergonhar destes benfeitores da humanidade. Reconheço as imperfeições de alguns, a heresia de outros, a impossibilidade de moderação ponderada em tamanha tormenta, mas tais mártires não foram “a vergonha da Reforma” nem anarquistas nem ressentem de comparação com Lutero, Zwínglio ou Calvino.

e). Do mesmo trecho, o leitor atencioso não perderia a indireta contra os batistas de serem inimigos do bem estar das crianças e da unidade da família.

Tudo isto é monstruosa injustiça. Os batistas têm sido pioneiros e perseveradores na pugna pelos direitos religiosos das crianças e pela sua educação no temor de Deus e no conhecimento das Escrituras.

Não partilhamos da idéia fixa do nosso honrado oponente de que só adultos podem ser crentes. Portanto, cuidamos desde a infância de nossos filhos em a educação de suas consciências na mortal, na verdade e sobre o caminho de salvação.

Eis os dois pontos de vista. O presbiteriano acha que a criança possui a salvação em virtude de seu nascimento carnal. Em virtude dessa salvação inata da criança lhe deixam cair umas gotas de água na testa e chamam a isto batismo. Seu nome é arrolado entre os membros não comungantes da igreja presbiteriana. Pronto.

O batista não pratica nada dessas tradições humanas sobre seus filhinhos inconscientes e irresponsáveis nem finge que seus filhos são salvos nem os arrola como membros de igreja alguma. Mas ele procura desde o princípio cerca-los de santas influências, ensinando-lhes a Bíblia desde as primeiras palavras, e saturando o ambiente de sua pequenina vida com o amor e com o conhecimento de Jesus. O batista une as atividades do lar com as da igreja, da Escola Dominical e do culto doméstico e público, na formação das primeiras impressões de seus filhinhos. E, sabendo que Jesus ainda convida as crianças a virem ao Salvador, e sabendo que vir ao salvador é crer evangelicamente e ser salvo, o batista não impede a salvação de seu filho, adiando-a até que este seja adulto, perdido no mundo, sem Deus e endurecido contra o evangelho. Ele ensina e anima o seu filho a “vir a Jesus”, e quando ele tiver fé salvadora, ele ficará satisfeito em que seja batizado e continuará a promover sua edificação no temor de Deus na Escola Dominical, na Sociedade Juvenil e nas várias uniões apropriadas da Mocidade Batista, nas quais longo tempo antes de ser adulto seu filho é treinado a ser bom membro, ativo na igreja e cumpridor de suas obrigações e mordomia cristãs. Em comparação com este programa santo, útil, sensato e bíblico, quão escasso o valor das gotas de água aspergidas sobre o infante envolto em garbosas rendas do festim eclesiástico, de cujo significado a criança nada entende, nada sabe e nenhum benefício aufere, que só pode servir de pedra de tropeço para sua consciência mais tarde, pois quando ele ouvir o evangelho e crer e quiser obedecer ao mandamento do batismo, será informado de que a isto já obedeceu, sem saber, sem consentir, sem vontade e sem inteligência, pela usurpação de suas prerrogativas pessoais por pais ou padres ou padrinhos ou procuradores, que nenhum direito de obedecer em lugar de seus filhos ou afilhados.

Os batistas são amigos da religião das crianças, mas a religião inteligente, a religião pessoal, a religião obediente, a religião bíblica, evangélica.

O novo “Manual Normal” das Escolas Dominicais Batistas assim fala dos alunos do Departamento de Juniores (9 a 12 anos de idade), ps. 127, 128.

Considerado Espiritualmente

1. O aluno Junior acha-se no período da grande oportunidade evangélica.

(1) Considerado espiritualmente. Desde que o aluno Junior se ache entre nove e doze anos, está no período da grande oportunidade evangélica. Com o desenvolvimento por todos os sentidos, peculiar ao período júnior, chega, como nunca, à capacidade de sentir o pecado e procurar o Salvador. Muitos meninos e meninas apresentam evidencias satisfatórias de conversão.

O período júnior deve ser frutífero em conversões. Eis algumas razões:

(a) A convicção do pecado geralmente vem neste período. Um dia o aluno terá uma expressão esquisita e sincera, indicando ansiedade de espírito. O Espírito Santo tem obrado isto. Esta é a oportunidade do professor para guia-lo a Cristo.

(b) Certas condições gerais são favoráveis. O júnior é de natureza franca, livre em expressar-se e tem um coração muito terno. Ele confessará o seu desejo de se tornar, e é facilmente instruído e guiado. Tem um conhecimento bem desenvolvido do pecado e do castigo e das recompensas futuras. Pode inteligentemente confiar em Cristo e nas suas promessas.

(c) Certos impedimentos peculiares aos anos posteriores não se tem desenvolvido. Os alunos não tem chegado aos anos de acanhamento e reticência, quando a confissão do pecado é difícil de fazer. O que os outros fazem e dizem não tem grande influência para eles. Não estão presos a hábitos pecaminosos.

(2) Como tratar estas possibilidades espirituais dos juniores. Estar cientes delas e aproveitar o mais possível estas oportunidades evangélicas. Professores e oficiais do departamento devem trabalhar e orar pela conversão dos alunos, antes de eles se tornarem intermediários. Dirigir todos os meios para este fim supremo.

E do Departamento Intermediário, 13-15 anos, assim fala (p. 141):

Considerado espiritualmente

1. O Período da Crise Religiosa

(1) Considerados espiritualmente, os alunos intermediários acham-se no período de crise religiosa. Alunos que chegam aos anos intermediários sem serem convertidos devem ser objeto de muita solicitude. Esforço especial deve ser feito para leva-los a Cristo.

Devem ser salvos agora, apesar dos obstáculos que estes anos trazem.

Notem-se algumas condições que fazem este tempo um tempo de crise religiosa:

(a) Os hábitos agora estão dominando.

Se a tendência da vida for má, os hábitos serão maus. As tentações sãos mais fortes e o pecado mais atraente porque o corpo está agora possuído dos poderes e paixões da vida adulta.. Portanto, os hábitos maus são difíceis de quebrar, e a tentação difícil de resistir.

(b) Os alunos são acanhados; portanto, reservados e tímidos, ou, por outra, audazes e... Qualquer que seja a condição, é possível que não manifestem voluntariamente interesse na sua salvação. Também, sendo acanhados, os seus companheiros os impedirão de expressarem interesse.

(c) É a vida de dúvidas. Neste tempo de condições incertas, dúvidas facilmente penetram em seus corações. Os alunos naturalmente estão pesquisando tudo. Dúvidas nem sempre querem dizer incredulidade. A dúvida está no meio do caminho, e o aluno pode ser guiado a uma ou a outra extremidade.

(d) É a idade de troça. As estatísticas mostram que aos catorze anos há mais vadios e mais ofensores. Por que? Talvez porque nem os pais, nem a escola, nem a sociedade se esforçaram para compreender o adolescente. Conseqüentemente, o tem negligenciado. Esta negligência tem resultado na perda de muitos meninos e meninas, em casa, na escola e na sociedade.

Muitas vezes, em casa dá-se ao menino, especialmente, o quarto situado nos fundos, o mais feio de todos, e com mobília velha e mal cuidada. À noite, ele deixa este lugar para ir a outro mais bonito lá na cidade. Na Escola Dominical é chamado “o menino malcriado”, e todos o maltratam. Ele deixa a Escola Dominical por outro lugar mais simpático. Neste tempo crítico, que será: crime ou conversão?

(2) Como tratar esta crise religiosa. Certamente todos os obreiros de Departamento Intermediário, o superintendente da Escola e o pastor devem ficar ansiosos pela conversão do intermediário que não está salvo.

(a) A divisa do professor deve ser “agora é o tempo aceitável, hoje é o dia da salvação”. O único plano do professor deve ser tornar o plano da salvação claro. Cada lição deve ser um caminho que siga para o Calvário. Deve-se aproveitar cada oportunidade carinhosamente e com jeito para insistir na importante questão da salvação.

Para os alunos que são crentes, este é o tempo para treinar no serviço cristão. A organização de classes, discutida acima, oferece uma oportunidade de desenvolvimento neste sentido, especialmente em missões. A instrução missionária deve ser ligada com a atividade missionária. O professor deve guiar neste sentido.

Mesmo do Departamento Primário diz (p. 114):

Considerado Espiritualmente

1. A Conversão é uma possibilidade entre os alunos primários

(1) É a conversão uma possibilidade com uma criança de seis, sete ou oito anos?

Com algumas certamente o é. Muitas conversões se dão durante o sétimo e oitavo ano. Poucas há antes dessa idade.

Há, portanto, grande necessidade duma atitude séria, no que se refere à conversão de crianças. Especialmente é esta necessidade urgente da parte dos pais e professores. Todos na casa, na.Escola Dominical e na igreja devem esforçar-se para realizar a conversão das crianças.

Se for da vontade de Deus que uma criança deva ser salva e o Espírito Santo a guiar para expressar um desejo de se salvar – então este é o tempo de Deus, melhor tempo, o tempo mais oportuno para guiar a criança a Cristo. Ninguém embarace, porém todos se esforcem para auxiliar. Em tudo procure-se auxilia-las a tomar cada passo na direção reta e com compreensão. Ganhar uma criança para Cristo é ter salvado uma vida e uma alma.

(2) Como tratar o aluno primário espiritualmente

(a) A atitude do professor será de complacência e mesmo de ansiedade em ser usado por Deus na salvação dos alunos. Orando pela salvação deles, conseguirá ganha-los para Cristo por influência pessoal e ensino conveniente.

(b) O trabalho do professor é ensinar bem os alunos e guia-los a Cristo, e em todos os sentidos prepara-los para a conversão. Com grande cuidado deve ensinar de cor os versículos sobre pecado, salvação, arrependimento e fé. Estes são propositadamente dados para proporcionar uma base própria de instrução bíblica – conduzindo a conversão. Haja toda a certeza de que o aluno saiba como ser salvo conforme o ensino da Bíblia, sendo bem familiar com os versículos decorados sobre a maneira de salvar-se.

Muitos dependem desse ensino. Caso os alunos não sejam convertidos no Departamento Primário, sua conversão breve no Departamento de Juniores pode depender da base feita pelo ensino do professor primário.

Advertência. Nunca dizer a uma criança procurando o Salvador: “Você é pequeno demais”; ou “Não é lá muito bom”; ou “Você é muito bom menino. Venha fazer parte da igreja”.

A salvação é somente para aqueles que se arrependem do pecado e confiam no Salvador. Guia-los a Cristo antes de guia-los à igreja.

O décimo ponto de nosso Padrão de Excelência é (p. 21):

Ensino Evangelístico

A Escola deve ter em vista a importância de ganhar as almas dos alunos para Cristo. Este é um trabalho essencial das Escolas Dominicais. Se a Escola negligenciar este trabalho, falhará num ponto vital. Pode-se dar ênfase à evangelização de diversos modos. Entre eles poderemos notar:

(1) Trabalho individual

Nada o pode substituir. O método mais eficaz em levar uma alma a aceitar a Jesus como Salvador é, sem dúvida, a palavra pessoal, dirigida à pessoa perdida, no tempo oportuno e no espírito de oração. Uma carta pessoal ao aluno, escrita pelo professor, é um método muitas vezes efetivo em levar aquele a considerar a condição de sua alma. A vida de quem faz este trabalho pessoal deve ser tal caráter que ainda possa reforçar a mensagem. Uma palavra pessoal, partida duma pessoa cuja vida é moralmente má, será pior que o silêncio.

(2) Trabalho na classe pelo professor

Em muitas lições há oportunidade para os professores na classe falarem sobre salvação pessoal e apresentar Cristo aos que não são salvos. Outro método eficaz é professor e aluno tratarem sozinhos deste tão grande e importante assunto.

(3) Apelos

Nas ocasiões oportunas pode-se fazer apelos àqueles que estão preparados para aceitar a Cristo. Quando houver conferências especiais na igreja, a Escola Dominical poderá fazer um esforço a fim de levar muitas almas a decidirem-se por Jesus. O pastor mesmo, achando que é prudente, poderá tomar alguns minutos para falar sobre este assunto, mostrando a necessidade de os alunos aceitarem a Jesus enquanto são moços. Poderá mostrar também o perigo de adiar tão grande questão.

Essa pecha de que os batistas desprezam as crianças é falsíssima. São os melhores amigos dos meninos desde que Cristo os tomou nos seus braços e os abençoou.

O Prof. B. W. Spillman, um dos maiores peritos sobre a E. D. no mundo, diz das iniciativas batistas neste setor do reino de Cristo: “Roberto Raikes nada organizou senão uma escola local que morreu.” (E nela não ensinou a Bíblia, mas apenas matérias literárias no domingo, W. C. T.). William Fox, diácono batista foi o fundador da primeira Sociedade de Escolas Dominicais no mundo, o homem que, com o auxílio de Deus e de seus irmãos, tornou possível a atual época das Escolas Dominicais: “Joseph Hughes”, continua o Prof. Spillman, “era pastor batista e organizou a Sociedade de Tratados Religiosos, para fornecer literatura para instrução oral”.

William Bradie Gurney, batista taquigrafista da Casa dos Lordes em Londres, viu todo este trabalho feito por professores assalariados e inaugurou o regime de professores voluntários nas Escolas Dominicais.

Este movimento criou enorme pedido de Bíblias. Outra vez, o batista, Joseph Hughes, tomou a iniciativa e organizou a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, que tanto serviço tem prestado e presta às Escolas Dominicais do mundo inteiro.

B. F. Jacobs, batista de Chicago, doou ao mundo o sistema de lições uniformes das E. D., que tem influenciado milhões de todas as raças, e o nosso Dr. Sampey tem ajudado a escolher estas lições para o mundo inteiro por 35 anos. Uma senhora batista, Mrs. Juliete Dimock, inventou o Rol do Berço, Marshall A. Hudson as classes organizadas da mocidade e nossa Junta de Nashville inaugurou a preparação de professores das E. D., e isto tem promovido na outra América, na China, no Brasil e em outras nações; e os batistas, nos E. U. A. e em várias outras terras fazem mais no treinamento de professores das E. D. do que todas as demais denominações juntas. A estatística o prova.

Como foi que todas essas iniciativas partiram dos batistas e não pedobatistas? Porque o batista visa à religião pessoal na criança e o pedobatista se contenta com o formalismo oco que herdou de Roma. O batista ensina a própria Palavra da vida. O pedobatista impõe o catecismo cheio de dogmas de Calvino ou dos pastores políticos de Wetminster. O batista encaminha a criança para um conhecimento pessoal do Salvador e uma vida de obediência e serviço. O pedobatista arrola a criança na igreja, informa-a das gotas de água aspergidas e já secas longos anos antes da criança saber coisa alguma desse sacramento frívolo e vai confiando no decorar do catecismo com suas tradições de homens. Os dois sistemas estão distanciados como os pólos ártico e antártico. E, se nosso irmão conseguisse tirar do mundo o ministério batista às crianças, as teria roubado da maior e mais santa força coletiva que através da história as tenha influenciado para o bem.

Demais, a eficácia espiritual do catecismo é um fracasso evidente em toda parte do mundo onde o batismo infantil e catecismo tem sido a esperança da juventude. Mesmo no próprio “O Estandarte”, há poucos anos, li o seguinte:

“Em nosso país, o fracasso apavorante da mocidade nascida no seio das igrejas evangélicas, da qual, segundo se calcula, 90% não professa e 50% repudia o meio em que nasceu, pode ser atribuída a muitas causas, sem exclusão, porém, da não eficiência do ensino religioso recebido, não só na Escola Dominical, mas muito principalmente no lar.”

Solenemente lembro aos interessados que a razão de tudo isto é adiar a religião dos filhos de crentes à idade de adultos. Essa estatística é dos unionistas. Tão terríveis perdas não existem nos lares batistas, mas todos, batistas e pedobatistas, precisam acordar à necessidade imperiosa de religião pessoal na vida da criança e não deixar seus anos plásticos e formativos sem fé pessoal, como um deserto do Saara através dos longos lustros entre a aspersão infantil e a maioridade civil. O batismo infantil e o catecismo são barreiras mui frágeis entre nossos filhos e o mundo. Mas Cristo neles, esperança da glória, os levará a uma vida toda na vereda do bem.

(f) Não vejo motivo nenhum de um pedobatista mostrar ignorância da vida batista, se sai ao prélio para discuti-la. É obrigatório saber alguma coisa do que se discute. Nós procuramos ser exatos em nossa linguagem sobre os presbiterianos. Nunca chamamos um sínodo presbiteriano uma “convenção”. Nunca escrevemos em relação a um eminente presbiteriano, empregando a seu respeito os títulos de arcebispo ou cardeal ou metropolitano. Mas nosso crítico não nos trata com a cortesia recíproca. Não se importa com a linguagem exata – ou será que ignora o povo acerca do qual sai a discutir? Sempre fala da “Igreja Batista” no sentido do povo batista. Não há tal organização no Brasil ou no mundo. Há dezenas de milhares de igrejas batistas, idênticas com elas até nas faltas características das democracias espirituais dos séculos I e XX. Mas como a Bíblia nunca fala da igreja da Galácia, ou da Igreja da Macedônia, ou da Igreja de Acaia, ou da Igreja da Ásia, mas sempre das igrejas daquelas províncias, assim ninguém que é inteligente, no caso, fala da Igreja Batista. Não há tal coisa. A doutrina pedobatista visa sempre a uma igreja nacional, e geralmente nacionalista. Assim, nos EE. UU. há duas grandes igrejas Presbiterianas, mas ambas fingem ser nacionais. Uma é Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América, e a outra é apenas a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. A norma de tudo isto não são as igrejas apostólicas, mas a assembléia dos judeus, nos tempos do Velho Testamento. Nós repudiamos o judaísmo com todos os seus farrapos-circuncisão perpetuada na aspersão infantil, Páscoa vertida em Ceia do Senhor, Presbitérios para o governo de tribos ou igrejas (quando a única função neotestamentária de um presbitério cristão é consagrar um novo ministro), sinagogas como norma das igrejas cristãs e, sobre tudo e todos, uma Assembléia Geral da Igreja Nacional em Israel e no Brasil e em cada uma nação no mundo. Tudo isso é legalismo mosaico. É incorporar o judaísmo na organização cristã. E não se deve usar linguagem que implique que os batistas tenham semelhante igreja nacional. Nunca a tivemos e nem a desejamos. Não imitamos a teocracia dos judeus na sua congregação nacional, mas sim as muitas congregações verdadeiramente independentes que o Novo Testamento chama “as igrejas”. Recusamos ser presbiterianizados, e protestamos que não há nem haverá nem deve haver tal coisa como “a Igreja Batista” de que nosso irmão tanto fala. Convém, pois, empregar linguagem mais acurada e inteligente.

 

Autor: Dr William Carey Taylor
Fonte: www.palavraprudente.com.br

Digitação: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos - 23/08/05

Revisão: Luis Antonio dos Santos - 24/08/05