Diferenças Doutrinarias entre Batistas e Presbiterianos - VIII

Dr. W. C. Taylor

As diferenças entre presbiterianos e batistas são muito mais e maiores do que o prof. Oliveira indica. Iremos analisar algumas:

(G) Lendo a melhor e mais famosa “Confissão da Fé” presbiteriana, a de Westminster, elaborada por uma comissão nomeada pelo parlamento britânico e submetida ao mesmo parlamento em 1647, notamos os seguintes “Capítulos”: Da Sagrada Escritura, De Deus e da Santa Trindade, Dos Decretos Eternos de Deus, Da Criação, Da Providencia, Da Queda do Homem, Do Pecado e da sua punição, Da Aliança de Deus com o Homem, De Cristo o Mediador, Do Livre Arbítrio, Da Chamada Eficaz, Da Justificação, Da Adoção, Da Santificação, Da Fé Salvadora, Do Arrependimento para a vida, Das Boas Obras, Da Perseverança dos Santos, Da Certeza da Graça e Salvação, Da Lei de Deus, Da Liberdade Cristã, Da Liberdade de Consciência, Do Culto Religioso e do Dia do Sábado, De Legítimos Juramentos e Votos, Do Magistrado Civil, Do Casamento e Divorcio, Da Igreja, Da Comunhão dos Santos, Dos Sacramentos, Do Batismo, Da Ceia do Senhor, Das Censuras Eclesiásticas, De Sínodos e Concílios, Do Estado do Homem depois da Morte e da Ressurreição dentre os Mortos, Do Juízo Final – 33 capítulos.

A Confissão de Fé mais largamente usada entre os batistas tem 18 “Artigos”: Das Escrituras, Do Verdadeiro Deus, Da Queda do Homem, do Caminho da Salvação, Da Justificação, Da Livre Oferta de Salvação a Todos, Da Graça na Regeneração, Do Arrependimento e Fé, Do Propósito de Deus na Graça, Da Santificação, Da Perseverança dos Santos, Da Harmonia da Lei e do Evangelho, De Uma Igreja Evangélica, Do Batismo e da Ceia do Senhor, Do Sábado Cristão, Do Governo Civil, Dos Justos e dos Ímpios, Do Mundo Vindouro.

Notamos certas diferenças em atitude. A Confissão “Westminster” foi feita pela autoridade secular, juntamente com a religiosa. Nenhuma confissão batista jamais visou alcançar domínio, apoio ou privilegio político.

A ênfase é bem diferente. A confissão presbiteriana tem seis capítulos sobre a igreja e os sacramentos – seis em trinta e três. A confissão batista tem dois em dezoito. A ênfase presbiteriana é muito mais eclesiástica do que a batista. Afirma-se uma igreja católica ou universal invisível “composta do numero total dos eleitos”, e uma igreja católica ou universal visível, composta de todos através do mundo que professam a verdadeira religião e seus filhos. Isto é chamado “o reino do Senhor Jesus Cristo, a casa e família de Deus, fora da qual não há possibilidade ordinariamente de salvação”.

Disto discordamos com todas as veras de nossa consciência. É de “S.” Agostinho, não do Novo Testamento. É um elemento radicalmente romanista. Não existe tal igreja e nada tem com a salvação de quem quer que seja. Esta igreja Católica visível é composta, na opinião de Westminster, de igrejas particulares. Outra idéia sem uma sílaba de apoio no Novo Testamento.

Afirma-se uma união sacramental entre o sinal e o objeto significado; de onde procede que os nomes e os efeitos de um são atributos ao outro. Para o coração batista, isso é mera superstição, um romanismo diluído. Detestamos a idéia de que “pelo devido uso desta ordenança a graça prometida não só é oferecida mas realmente exibida e conferida pelo Espírito Santo a tais (quer adultos, quer criancinhas) quais esta graça pertence segundo o conselho da própria vontade de Deus, ao seu tempo determinado”. Há confusão propositada aí, meio caminho entre Roma e o Evangelho, mas, se significa coisa alguma, tal linguagem manifesta uma atitude supersticiosa para com o batismo infantil.

A Ceia do Senhor é declarada “selar em todo o verdadeiro crente todos os benefícios” da morte de Cristo. * É outra vasta superstição sacramentalista.

Em rejeitar esse sacramentalismo, a consciência batista tem prestado um serviço de incalculável valor para manter o ideal de um cristianismo espiritual e não uma graça mecânica, materializada em atos físicos e substancias consagradas.

Provisão é feita, entre as “censuras”, para a “suspensão do sacramento da Ceia” sem ser eliminado da igreja. Aos oficiais da igreja é dada esta autoridade arbitraria para fazer o que o Novo Testamento não autoriza. Este abuso não existe entre os batistas.

O capitulo sobre sínodos e concílios fez provisão para o direito de magistrados civis convocarem sínodos religiosos. (A edição americana repudiou este trecho). E a estas organizações inteiramente sem autoridade bíblica é dada soberania sobre igrejas, ministério e membros, assim estabelecendo uma oligarquia sobre as igrejas que o Novo Testamento desconhece.

A fé é discutida como se existisse antes do arrependimento, embora a ordem bíblica seja sempre contraria da presbiteriana.

O capitulo sobre casamento define como um dos propósitos do casamento: “o aumento da Igreja com uma semente santa”. A linguagem tem a confusão de ambigüidade da doutrina presbiteriana da Igreja, do batismo infantil e da inclusão de crianças de crentes nos benefícios da aliança da graça.

O capitulo sobre Magistrados Civis não é leal ao principio de separação de Igreja e Estado, nem pode ser. O germe de tirania está nele.

O presbiterianismo afirma “uma e a mesma aliança da graça” sob as duas eras mosaica e cristã. Não ignora isto toda a doutrina de Jeremias e Ezequiel profetizando uma nova aliança que a Epistola aos Hebreus declara ser agora ser uma realidade em Cristo? Mesmo na aliança com Abraão, Paulo repudia, na Epistola aos Gálatas, a hereditariedade de bênçãos espirituais “por direitos de nascença”.

Há ainda a tremenda ênfase presbiteriana sobre predestinação – doutrina que os batistas aceitam, mas não pregam de modo a obscurecer a responsabilidade humana, o dever missionário do povo de Cristo e o livre arbítrio. Questão de ênfase, e a ênfase batista é mais acorde com o espírito do Novo Testamento, tendo o próprio presbiterianismo se modificada neste respeito: É bom corrigir-se; melhor ainda não ter ido a excessos e extravagâncias doutrinarias.

As “confissões” presbiterianas são autoritárias e servem de base a tremendos processos contra hereges. Os batistas nunca eliminam um homem por discordar de uma confissão de fé, mas tão somente por desviar-se da Palavra de Deus.

Assim se vê que, mesmo nas suas declarações formais, presbiterianos e batistas divergem seriamente no ensino. É fútil afirmar “uniformidade” nestas “confissões de fé” entre si ou com os credos oficiais do luteranismo.

 

Autor: Dr William Carey Taylor
Digitação: David C. Gardner 11/2008
Fonte: www.palavraprudente.com.br