Dr. W. C. Taylor
As diferenças entre presbiterianos e batistas são muito mais e maiores do que o prof. Oliveira indica. Iremos analisar algumas:
(I) Quanto a nomes, são comuns aos crentes presbiterianos, batistas e a todos de igual fé preciosa os nomes gerais da família de Deus na linguagem apostólica – “discípulos, crentes, filhos de Deus, irmãos, santos, Caminho que chamam seita, servos”, e o termo que os pagãos inventaram bem cedo na historia apostólica: “cristãos”.
Ninguém açambarca estes títulos, que são de todos os que crêem evangelicamente no Salvador.
Outros nomes, pois, têm surgido para distinguir os grupos numerosos em que a cristandade ficou dividida. É tão fútil protestar contra isto, como seria recusarmos ter nossos nomes de família. Suponhamos que cada qual dissesse: “Eu não quero estes nomes que distinguem e separam a família humana – esses Oliveiras e Laranjeiras e Coelhos e Lincolns e Lopes e Silvas e Cunhas, etc. Eu só me chamo Homem, dora avante”. É clara a confusão resultante desse catolicismo de nome que não esconde as reais diferenças de raça, tribo, hereditariedade, família e natureza.
Contudo, nomes têm valor. Não vejo, entre as denominações, nenhum superior ao nome batista.
(1). Em primeiro lugar, os demais não são bíblicos. Nada se lê na Bíblia dos católicos, protestantes, evangélicos, luteranos, calvinistas, metodistas, pentecostais, sabbatistas, presbiterianos ou batistas. Mas é bíblico, como titulo de um grande homem, o nome batista. Não há evidencia de que o nome seja, nesta conexão, de origem humana. Indica a missão do maior mortal nascido de mulher. Sua missão era batizar. Seu batismo resumia, definia e salientava sua missão.
Não foi porque o Batista associasse a salvação com o batismo. Ele apontou a todos o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Não pregou o sacramentalismo. Não batizou criancinhas. Não batizou para salvar. Exigiu arrependimento e fé (e nesta ordem), confissão publica do pecado abandonado, frutos dignos do arrependimento, e submissão ao Senhor Jesus que derramava sobre os seus os dons do Espírito Santo.
Não foram, pois, os batistas que inventaram o nome batista, nem deram a esta cerimônia sua posição de fachada majestosa do edifício apostólico. Deus assim o determinou, e lemos no mais antigo dos Evangelhos: “Principio do Evangelho de Jesus Cristo...apareceu João Batista no deserto, pregando o batismo de arrependimento para a remissão de pecados”.
O batismo manifestou Jesus a João como o Messias, foi escolhido pela Trindade como hora oportuna na plenitude dos tempos afim de manifestar pela primeira vez aos homens, visível, audível e sensivelmente as pessoas de Pai, Filho e Espírito Santo em um ato de alta significação simbólica. O batismo separou um povo, previamente evangelizado e regenerado, para o Senhor – a matéria pratica de que ele havia de escolher seu apostolado e amoldar sua primeira igreja da verdade, concretizando-a no Novo Testamento.
O Batista separou do Estado a religião, unindo-a indissoluvelmente, pelo seu ensino, com a moral, a inteligência e a espiritualidade. O Batista exaltou mais alto do que os picos dos Alpes e os rochedos do Líbano a doutrina de conversão, regeneração do individuo, conversão domestica, (“converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com anátema”, conversão esta tão necessitada hoje em dia!), uma mudança radical da mentalidade que é o arrependimento, uma conversão que visa abranger, uma um, a nação e a raça, trazendo as cativas á vontade de Jesus Cristo.
O Batista pregou a democracia. Os grandes outeiros da soberba aristocrática seriam arrasados e os vales sombrios dos oprimidos e escravizados seriam elevados ao nível do outeiro humilhado pelo regime evangélico. Herodes não recebe adulação do Batista. Ele não se faz pensionista, nem protegido, nem procura tesouro real pistolão para seus discípulos. Fariseus nada valem diante do Batista. São os soberbos nacionalistas de seu dia. Confiam nos seus “direitos de nascença”. O Batista opinou que as pedras quebradas nas miseráveis estradas da Palestina valiam tanto para produzir filhos de Deus quanto esse soberbo “direito de nascença”. Nem raça, nem política, nem riqueza, nem posição, nem ritos, nem nacionalismo, nem coisa alguma, senão um coração arrependido e crente, vale coisa alguma diante do Deus do Batista, nem conseguiria o batismo que ele do céu mandara João inaugurar.
Deus deu ao batismo seu lugar de realce no Cristianismo. É para os salvos e, nesta capacidade, os revela, os estimula, os define, os alista no exercito dos leais a Cristo, por eles informa dos grande eventos da redenção – a paixão e ressurreição de Cristo – , os anima com sua promessa da ressurreição do corpo, e os admoesta a sepultar a velha vida e andar em novidade de vida como, no seu batismo, fizeram votos de assim viver. Batismo não é mera bagatela, como cinicamente proclamam os polemistas, enraivecidos porque sabe que seu batismo não é bíblico.
Costumavam dizer o Dr. Love, que nos visitou no Brasil, que o batismo não salva o pecador. Cristo salva. Mas que inúmeras vezes o batismo tem salvo o Cristianismo. Quase toda a verdade cristã está de alguma maneira associada com a pratica, a historia ou o significado do batismo – a Trindade, a redenção, a ressurreição, o arrependimento, a fé, a conversão, a moral, a humildade, a carreira messiânica de Jesus, seu reino, sua igreja, seu ministério, etc., etc.
Nós também, membros de Igrejas bíblicas, somos batistas. O nome não nos envergonha. Queremos ser arautos da autoridade real de Cristo em nossas vidas e a Cristo obedecermos e não aos reformadores do romanismo. Amamos a democracia do Batista e dos batistas e amamos as suas verdades, sua espiritualidade e suas doutrinas praticas e apostólicas. Não temos o nome, pois, por sectário, mas, se sectários o empregam para descrever nossa posição, não o recusaremos enquanto todo o povo de Deus não voltar á simplicidade de Cristo.
“Presbiteriano” – vem de um mero pormenor da organização cristã, e um em que os “presbiterianos” estão redondamente errados. Presbitérios apostólicos não usurparam a liberdade e funções das igrejas do Senhor, mas tratavam apenas da consagração de novos ministros e da cooperação ministerial em os misteres do seu oficio.
Somos crentes em Cristo antes de mais nada. Mas, salvos por seu sangue, o amor nos leva á obediência. E os obedientes á autoridade de Cristo, na forma e no espírito do Novo Testamento – os que, embora cônscios de seus defeitos e fraquezas pessoais, contudo elevam este ideal para si e para todos, – são na atualidade o povo chamado batista. Não pregamos a nós mesmos, mas os direitos reais da coroa de Cristo cuja defesa é a única razão de nossa vida organizada nos moldes de igrejas do Novo Testamento.
Autor: Dr William Carey Taylor