7 - Característisca dos Batistas

Pastor Calvin Gardner

I. Reconhecem Jesus Cristo, e Ele só como o fundador da Sua igreja e como o cabeça de todas as igrejas dEle.

Em vez de olhar negativamente a quem fundou qual entre todas as igrejas que existem hoje seria mais construtivo estudar como Deus opera no mundo para que a Sua obra seja feita. Então seria elementar distinguir qual igreja é instituída por Deus, através de uma exame dos fatos de quem começou as outras igrejas de vários nomes e crenças.
A. Deus usa Homens que Ele escolhe para fazer a Sua obra. Mesmo que a obra é dEle, Ele usa os homens que Ele escolhe para fazer a Sua obra. Por exemplo:
1. Adão para guardar e lavrar o jardim do Éden, e multiplicar a terra - Gên. 1:27
2. Noé para fazer a arca e multiplicar as gerações da terra - Gên. 6:8; 9:1-12
3. Abraão para fazer um povo especial para Deus - Gên. 12:1-3
4. Moisés para libertar e guiar Seu povo - Êx. 3:10
5. Josué e os juízes para julgar o povo e dar liderança - Josué 1:2; 3:9; 6:12; etc.
6. Os Sacerdotes para administrar o ofício sacerdotal diante de Deus para o povo - Aarão Êx. 4:27; 7:1; 28:1; Lev 7:35; I Crôn 23:13
7. Os Reis que o povo pediu para reinar sobre Seu povo - Saul (I Sam 8:22; 9:17; 10:1);
8. Davi (I Sam 16:12,13); Salomão (I Reis 1:28-39)
9. Os Profetas, para dar a Palavra de Deus ao povo - Isa 6; Jer 1:5, etc.
10. Cristo para ser o Salvador do Seu povo e para instituir a Sua igreja - Isa 42:1; Mat. /12:18; 16:18
B. Deus tem ordem específica em todas as suas operações.
Para o homem participar nessas obras era necessário obediência específica também.
Por exemplo:
1. Criação - os 6 dias; vejam a ordem: luz antes de tudo; terra seca antes das plantas; plantas antes dos animais; dia e noite, plantas, e animais antes do homem; homem antes da mulher; etc. .- Gên. 1; Vejam o mandamento específico para ser obedecido: Gên. 2:17
2. Arca de Noé - madeira, e tamanho específico macho e fêmea de cada animal; etc. - Gên. 6:14-22; Veja o mandamento especifico para ser obedecido: Gên. 7:1; I Ped 3:20, “rebeldes”
3. Lei - mandamentos e maneiras específicas - Êx. 20 - 23; Veja o mandamento especifico para ser obedecido: Êx 20:23
4. Tabernáculo - medidas e materiais específicos - Êx. 25:9 - 31:18 5. Igreja - doutrinas, episcopado, ordenanças específicas - Mat. 28:18-20; Veja o mandamento especifico: Apoc 22:18,19
1. Deus enviou João Batista, o precursor, para preparar o material que Jesus usaria para organizar a Sua igreja - Malaquias 4:5 (Mat. 11:13,14); João 1:6, 19-34
2. Deus enviou Jesus, Seu Escolhido, a João Batista para ser batizado por ele, mostrando assim o começo do ministério de Jesus e logo o fim do ministério de João - Mat. 3:13-17; João 3:27-36
3. Jesus começou a Sua igreja - Mat. 16:18 (Fundador), Efés 1:22 (Cabeça); Efés 1:23 (Seu corpo); Efés. 4:15 (Propósito); Col 1:18 (Princípio, Primogênito e Preeminente).
4. Jesus autorizou a Sua igreja - Mat. 28:19,20 5. A Sua igreja continuará até a consumação dos séculos - Mat. 16:18; 28:20
Resumo - Mateus 16:18,19
1. Cristo começou a sua igreja - “edificarei a minha igreja”
2. A igreja que Cristo começou tem Ele mesmo como fundador - “sobre esta pedra”
3. A igreja que Cristo começou e autorizou é de tipo único - “a minha igreja”
4. A igreja que Cristo começou continuará até o fim - “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”; Mat. 28:20, “até a consumação dos séculos”
5. A igreja que Cristo começou tem a Sua autoridade - “te darei as chaves do reino dos céus”; Mat. 28:18, 19, “É-me-dado todo o poder ... portanto ide ...”, 20, “eis que estou convosco”
6. A igreja que Cristo começou tem doutrinas específicas - Mat. 28:19,20, “ide, fazei discípulos, batizando-os ... ensinando-os todas as coisas que eu vos tenho mandado”
Por curiosidade estes homens estão identificados com o início das seguintes igrejas nos anos e lugares citados:
Roma - Católica - Primeiro Papa, Bonifácio - ano 606
Alemanha - Luterana -Martinho Lutero - ano 1520
Inglaterra - Anglicana - Rei Henrique VIII - ano 1534
Suíça - Presbiteriana - João Calvino - ano 1536
Inglaterra - Congregacional - Roberto Browne - ano 1580
Inglaterra - Metodista - João Wesley - ano 1739
EUA - Igreja de Cristo - Alexandre Campbell - ano 1827
EUA - Mórmon - Joseph Smith - ano 1830
EUA - Adventista - William Miller - ano 1843
EUA - Testemunhas de Jeová - Charles Taze Russell - ano 1884
EUA - Pentecostal - A. J. Tomlinson - ano 1903
Brasil - Congregação Cristã - Brasil - Luiz Francescon - ano 1909
EUA - Assembléia de Deus - Um grupo de Pentecostais - ano 1914
Brasil - Brasil para Cristo - Manoel de Melo - ano 1950
EUA - Evangélica Quadrangular - Aimee Semple McPherson - ano 1918
“Nenhuma igreja ou denominação que começou neste lado do ministério pessoal de Cristo tem um direito bíblico a dizer que é uma igreja de Cristo. Portanto, a promessa de Cristo à igreja que Ele fez não foi feita à Catolicismo nem às seitas várias de Protestantismo que originaram durante e depois dos dias da Reformação de Lutero, mas foi dada àquela igreja que nenhum historiador, amigo ou inimigo, tem podido achar a sua origem neste lado do ministério pessoal de Cristo, quer dizer, a igreja Batista. Esta não é uma teoria nova mas um fato que é crido e ensinado por todos os Batistas que são leiais e informados no mundo inteiro.” - J. T. Moore, em “Porque Eu Sou um Batista.” Citado no livro, “The Church That Jesus Built”, pagina 124 por: Dr. Roy Mason, TH. D.

II. Os Batistas Tomam a Bíblia como a única regra de fé e ordem.

Há muitos lugares e fontes de idéias que tratam os assuntos religiosos. Cada pessoa tem uma opinião e ponto de vista sobre o assunto de religião. Se acha que não, pergunte até à uma criança. Todo mundo tem um passado que envolve influências de famílias, amigos e circunstâncias que exercitam um certo poder sobre o que pensamos de Deus e a Sua obra aqui na terra. Somos criados para ter lógica e sentimentos e usamos essas capacidades na relação com O Divino Supremo. Este país é um país livre onde qualquer pessoa pode crer no que quiser e praticar conforme a sua consciência assuntos acerca de Deus. Há escritos de sábios e anciões que por muito tempo tem convencido milhões de pessoas.
Não podemos considerar nesse estudo todas as formas de pensar sobre o assunto de Deus que existem hoje mas podemos mostrar que historicamente os Batistas sempre tomaram a Bíblia como a única regra de fé e ordem. A. A Bíblia é a única regra de fé e ordem para os Batistas. br>1. Sentimentos pessoais ou as opiniões particulares e os pressentimentos individuais não têm superioridade sobre a Bíblia. Exemplo de Deus - No meio de toda a emoção de ver Moisés e Elias junto com a comovente transfiguração de Cristo, Deus, na Sua voz majestosa falou que o que importa não é o que sente mas o que diz Cristo, Mateus 17:5; de Paulo - Paulo foi um dos homens santos que Deus usou pelo qual passou a Sua Palavra. Paulo tinha direito de ter opiniões particulares pois ele foi chamado para dar aconselhamentos por muitas das igrejas. Mas em todas as ocasiões ele deu o que disse o Senhor sabendo que não é pela sabedoria humana que se chega a Deus, I Cor 1:20-25; sobre a sua própria educação entre os melhores do país ele diz: “o que era ganho para mim reputei-o perda por Cristo” Fil. 3:4-7.
2. Visões, sonhos, experiências sobrenaturais e revelações não tem vantagem sobre a própria Bíblia. Exemplos de Pedro - Pedro assistiu a transfiguração majestosa de Cristo junto com Elias e Moisés. Ele ouviu da magnífica glória de onde lhe foi dirigida a voz de Deus. Mas, tendo tal experiência não incentivou ele a pregar a sua experiência. /Contrariamente ele diz que o que a palavra dos profetas é mui firme, II Ped 1:16-19; de Paulo - Gal 1:8, “ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.”; de Abraão - Abraão tendo uma posição de honra não usou uma revelação ou experiência sobrenatural até para que alguns chegassem a fé verdadeira em Cristo, Lucas 16:31
3. Conhecimento, tradições, capacidades intelectuais, filosofias e tudo demais não devem ser julgados como tendo primazia sobre a Bíblia. Exemplo de Jesus - Mesmo Jesus podendo dar conselhos pessoais sem nenhuma divergência da Palavra de Deus Ele só citava o que era escrito para firmar o que era verdadeiro, Mateus 4:1-11, “porque está escrito” [não menos do que onze vezes Jesus usa a frase “está escrito” para mostrar autenticidade à sua vida e as suas palavras]; exemplo de Paulo - Mesmo que Paulo era bem educado na tradições e cultura de um povo religioso (Atos 26:4,5; Fil. 3:4-7; I Cor 2:1-5) nunca deu prioridade à sua cultura sobre a Bíblia. Nos escritos dele não menos do que 32 vezes que ele cita os escritos do Velho Testamento. Exemplo de Pedro - Mesmo Pedro experimentando o milagre de Pentecostes ele baseou a sua experiência na Bíblia e não baseou a Bíblia na sua experiência, Atos 2:16, “mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel:”, I Ped 1:16, “está escrito”. 4. Para ser Batista não é necessário nenhuma assinatura de contrato, confissão de fé, promessa ou programa de normas e crenças. O que é necessário para ser um Batista é uma fé em Cristo segundo as Escrituras (salvação), uma declaração publica daquela fé segundo as Escrituras (batismo) e um andar segundo as doutrinas dos apóstolos (santificação) - Atos 2:41,42.
B. Só a Bíblia é inspirada por Deus e assim válida para dirigir os homens em assuntos divinos.
1. A Bíblia Sagrada é o que é inspirada por Deus. Nenhum homem foi inspirado, mas homens santos falaram e escreveram as Palavras pela inspiração. O que são inspiradas são as Escrituras - II Tim 3:16,17, “Escritura”; II Ped 1:21, “a profecia”. O “assim diz o SENHOR” só é através da Palavra de Deus.
2. A Bíblia é a regra final para qualquer assunto - Isa 8:20; João 5:39; Luc 16:31; Gal 1:8; I João 1:1-3
3. Seguindo crenças formuladas pelos homens rejeitamos Cristo - Marcos 7:5-13; Mat. 12:30; aparência de religião não satisfaz a Deus (Col 2:20-23; I Sam 15:22).

III. Os Batistas dão continuidade às doutrinas básicas na ordem certa: Eles ensinam nesta ordem:

Arrependimento

Batismo
Ceia do Senhor

A Bíblia mostra a ordem verdadeira para alguém ser salvo e para que o salvo sirva o Senhor Jesus Cristo. Os primeiros dois na ordem tratam aos que não estão salvos. Os últimos dois tratam aos que estão salvos e querem servir o Senhor Jesus Cristo publicamente.
Deus sempre opera com ordem nas Suas obras como já temos estudado na primeira lição sobre Jesus fundando a Sua igreja (veja a pagina 2, “Deus tem ordem específica em todas as suas operações”). A obra de salvação e de serviço ao Senhor também tem a sua ordem específica.
Há igrejas que misturam a ordem colocando a fé antes do arrependimento (Pentecostalismo) ou o batismo ou e a ceia antes da fé (Catolicismo, Protestantismo) ou até criando outros mandamentos para igualar ou substituir os que Deus tem nos dado (por exemplo: membro da igreja, dons do Espírito).
A. Arrependimento e a Fé são para os não salvos serem salvos

Na Bíblia, quando essas duas palavras, arrependimento e fé, são usadas juntas o arrependimento é sempre primeiro (Mateus 3:2; Marcos 1:15; Lucas 24:47; Atos 5:31; 20:21; 26:20; Hebreus 6:1) mostrando assim a ordem certa.
1. Arrependimento
Arrependimento não é penitência. Penitência é uma ação externa para efetuar algo interno e por isso não é um arrependimento verdadeiro. Os frutos do arrependimento não devem ser confundidos com o próprio arrependimento. A penitência também despreza o sacrifício de Cristo porque torna insuficiente a salvação de Cristo. Que o sacrifício de Cristo é suficiente a Bíblia já é bem claro (Rom 4:6-8; 10:4; Heb 10:14). Não há nada que o homem possa fazer na sua carne para tirar a condenação dos seus pecados. Isto só pode ser feito pelo precioso sangue de Cristo (I Ped 1:18,19).
O arrependimento é primeiro por que o arrependimento é para os que ainda não têm fé. /Isso é claro pois Jesus não veio “chamar os justos, mas sim, os pecadores, ao arrependimento.” (Lucas 5:32). O arrependimento é “para a vida” (Atos 11:18), “para a salvação” (II Cor 7:10) “de obras mortas” (Heb 6:1) e “para conhecerem a verdade” (II Timóteo 2:25). Os que têm fé em Cristo não lhes falta a vida, a salvação. Estes não estão presos às obras mortas e nem faltando o conhecimento da verdade. Sem o arrependimento é impossível ter a salvação (Lucas 13:1-5)
Em II Corintos 7:8-10 podemos notar que há tristeza segundo Deus que é “para a salvação” (arrependimento evangélico) e há “tristeza do mundo” que opera a morte (arrependimento judicial). Exemplos do arrependimento judicial, que é tristeza provocada por entender as conseqüências do pecado, seria o filho que voltou fazer a vontade do seu pai (Mateus 21:29); Judas Iscariotes (Mat. 27:3); a tristeza segundo o mundo (II Cor 7:8,10) e pelo fato que este arrependimento não será ação de nosso Senhor (Heb 7:21; Rom 11:29).
Arrependimento é “segundo Deus”, pois vem de Deus (Atos 5:31; 11:18; II Tim 2:24,25), é visto pela convicção do pecado (parte intelectual), a contrição do pecado (parte emocional), e a conversão do pecado (a volição ou vontade do homem). Mesmo que o arrependimento aconteça no coração do homem, ele é sempre visível na vida do arrependido (Mateus 3:8; Atos 26:20; I Tess 1:9).

2. A Fé
Quando o pecador é contristado pelo pecado a ponto de abandonar o pecado há só um lugar para olhar para ser salvo do pecado: à misericórdia de Deus que Ele mostrou grandiosamente em Jesus Cristo (Efés 2:4-10). O arrependimento verdadeiro que vem de Deus sempre traz a fé salvadora em Cristo. /Dessas duas graças, o arrependimento é primeiro mas não é sozinho; sempre vem com fé. /Veja os usos novamente onde tem a palavra ‘arrependimento’ primeiro e verá que a ‘fé’ o segue, pois essas duas graças são inseparáveis (Mateus 3:2; Marcos 1:15; Lucas 24:47; Atos 5:31; 20:21; 26:20; Hebreus 6:1). Mesmo que são inseparáveis, o arrependimento é listado como sendo o primeiro.
Essa fé de salvação é muito além da crença histórica num mero acontecimento no passado ou uma concordância mental de fatos. A Bíblia diz que existem os que crêem só de ‘cabeça’ mas não são salvos de coração (Religiosos, Mat.. 7:21-23; Demônios, Tiago 2:19).
A fé que salva vem de Deus como uma dádiva divina (João 6:37, 65; Gal 5:22; Efés 1:19,20) que pode ser procurado pelo pecador arrependido (Marcos 9:24).
B. Batismo e a Ceia do Senhor são só para os salvos e isso para servirem o Senhor Jesus Cristo
A ordem bíblica é: salvação primeiro, e depois disso, as ordenanças (Mat. 28:18-20; Marcos 16:15,16; Atos 2:41,42; 8:12,13, 36-38; 16:30-33). Das duas ordenanças, o batismo vem primeiro.

3. Batismo Batismo é uma ordenança importante. É uma ordenança simbólica mas nem por isso deve ser menosprezada. O batismo é de tal importância que os discípulos submeteram-se ao batismo pelo homem enviado por Deus (João Batista). Jesus, para cumprir toda a justiça (Mat. 3:15) e para ser obediente em tudo (João 17:4), também submeteu-se ao batismo. /Assim, a importância do batismo é vista. O batismo mostra o desejo dos crentes de serem obedientes ao que Deus manda, e esta ordenança mostra publicamente a submissão à Palavra de Deus.
Há uma forma certa do crente ser batizado. A palavra grega que é traduzida ‘batismo’ no Novo Testamento é uma palavra que significa imergir. Isso quer dizer “Mergulhar, entrar, adentrar-se, introduzir-se.; Desaparecer, sumir(-se).; Engolfar-se, abismar-se, absorver-se. (Dicionário Aurélio Eletrônico para a palavra imergir). Não só pelo significado da palavra grega pode se saber a forma certa mas também pela forma que o batismo foi feito no Novo Testamento que era de colocar embaixo da água (Atos 8:35-39). Cristo mandou a Sua igreja imergir (Mat. 28:19,20) e até agora não mudou o Seu mandamento. A igreja certa deve continuar essa forma até “a consumação dos séculos”. A forma certa deve também simbolizar o significado certo também que é o sepultamento (Rom 6:4). Só o batismo pela imersão representa fielmente a morte do crente aos seus pecados com Cristo, pela morte, sepultamento e ressurreição de Cristo.
Se Deus determinou uma forma, qualquer outra forma é proibida.
A importância desta forma certa é essencial. Sendo que batismo é uma ordenança simbólica, a forma que a cerimonia é feita mostra o significado que é destinado à ela ensinar. Se a forma for mudada, o significado também será mudado. Cristo instituiu a Sua igreja e submeteu-se à forma de batismo que agradou Ele. Ele mandou e autorizou uma forma só de batismo. É importante para os que querem seguir Cristo façam o que Ele fez e mandou fazer. Modificações, sem a autorização de Deus, tornam de ser só “doutrinas que são preceitos dos homens.” (Mat. 15:9; Tito 1:14).
O propósito do batismo deve ser entendido também. O batismo não é para selar, confirmar, ajudar ou influenciar a salvação. Deus não tem duas maneiras para o pecador ser salvo. Salvação é pela fé (Atos 10:43; 16:31). É o sangue de Cristo que lava os pecados (I João 1:7). Uma ordenança não concede graça nenhuma. A graça é só pela fé em Cristo (Rom 5:1). Mas o batismo mostra positivamente o amor que o crente tem para com Cristo e honra Ele pela obediência (Mat. 15:7,8; João 14:15). Pela obediência há grande recompensa de galardões (Sal 19:11; I Cor 3:12-15) e obteremos uma consciência livre que é de bom preço (I Ped 3 21). Também pelo batismo é mostrada publicamente a “confissão da nossa esperança” (Heb 10:23). Mesmo que pelo batismo não entramos em Cristo de nenhuma maneira, pelo batismo entramos na instituição que Ele estabeleceu (Atos 2:41, “agregaram-se”) e assim sendo membros da igreja podemos ter os direitos e privilégios de membros (a ceia, adoração publica, votação, etc.).
Em resumo, se a forma de batismo mostra a morte, sepultamento e a ressurreição do pecador com Cristo, a ordem não pode ser outra senão depois que o pecador já morreu com Cristo pela fé. Nunca o símbolo torna igual ou maior ao que ele representa. Batismo não é igual, sinônimo, ajudante ou agente de influência na salvação. Cristo é tudo para salvação!

4. Ceia
A ceia é uma ordenança da igreja que também, como batismo, é simbólica. Ela mostra em maneiras específicas do sacrifício de Cristo pelo pecado. A ordem bíblica é clara. Cristo instituiu a ceia só depois de Ele, o cabeça da igreja (Efés 5:23), ser batizado (Mat. 3:13-17; 26:26-30) e obediente pois foi instituído no fim do Seu ministério. Os participantes da ceia, os discípulos (Mat. 26:20), também já eram batizados e eram os que estavam sendo obedientes. Temos também a ordem que a igreja praticou e era essa ordem também (Atos 2:42). Pensando bem, a Bíblia não registra nenhum caso de um descrente ou um não batizado tomando a ceia.
Em resumo, o corpo de Cristo foi partido pelos Seus (I Cor 11:24). Os participantes da ceia são aqueles que podem ter em memória do sacrifício de Cristo.
Então a ordem é clara. A salvação é pelo arrependimento dos pecados e a fé no Senhor Jesus Cristo. Os que são salvos podem e devem ser batizados biblicamente. Os que são batizados e obedientes à Palavra de Deus têm direito a participarem da ceia. Se rejeitamos a ordem que Deus estabeleceu, rejeitamos Quem estabeleceu a ordem.

IV .Os Batistas imergem ou se enterram com Cristo no batismo só os que confessam serem mortos ao pecado.

Se vamos tomar a Bíblia como a única regra de fé e ordem então o exemplo do Novo Testamento deve ser o padrão para as práticas da igreja que Jesus Cristo estabeleceu no Novo Testamento. Se há batismo, quem é que pode participar dele? Se tem batismo no Novo Testamento, e queremos ser iguais à igreja do Novo Testamento, pergunto, quem participou dos batismos do Novo Testamento? Se tem batismo que não é fiel hoje ao que foi praticado no Novo Testamento, quando e como tem se desviado daquele padrão? Essas perguntas queremos responder por este estudo.
A. O modelo do Batismo no Novo Testamento
1. O Candidato certo - o convertido, Atos 8:35-37 (Salvação é por Cristo só - João 5:24. É o sangue de Cristo que lava o pecador, e nunca a água - I Ped 1:18,19; Apoc 1:5)
2. O modo certo - imersão na água - Atos 8:38,39 (não se acha outra maneira de batizar no Novo Testamento senão pela imersão, algo que a própria palavra ‘batizo’ quer dizer, e isso em água).
3. A Razão certa - mostrar a fé - Atos 8:37
4. O administrador certo - com autoridade da igreja - Mat. 3:13
5. A autoridade certa - da igreja que Cristo começou - Mat. 28:18-20; (Atos 19:1-7)
B. Quem participou do Batismo no Novo Testamento e quando foram batizados?
1. Jesus participou DEPOIS DE SER SEPARADO para o serviço público - Mat. 3:13-17.
2. Era para os fariseus participarem DEPOIS de produzirem frutos dignos
3. Os da igreja primitiva DEPOIS de receber a Palavra de Deus com alegria - Atos 2:41.
4. O Apóstolo Paulo DEPOIS da sua conversão - Atos 9:3-6, 17-19.
5. OS SALVOS nas viagens missionárias - Lídia (Atos 16:14,15); carcereiro (Atos 16:30-33); Crispo e muitos dos coríntios (Atos 18:8); os 12 discípulos em Éfeso (Atos 19:1-7).
6. O mandamento de Cristo à Igreja era batizar OS QUE FORAM FEITOS DISCÍPULOS de todas as nações - Mat. 28:19 e OS QUE CRERAM - Marcos 16:16.
C. A mudança do padrão pelos séculos v1. Quase até o fim do segundo século a prática de batismo pela imersão foi administrada quando a infusão (derramamento) e o batismo de crianças começou de ser praticada (Christianity Through the Ages, p. 129). O batismo mudou de imersão entre os Católicos para derramamento de água no meio do segundo século (Christianity Through the Centuries, p.90). De pouco em pouco os Católicos deram sustento à crença que batismo é um sacramento. Sacramento é algo que o homem faz na igreja que proporciona graça salvadora.
“Os Católicos crêem que a graça comprada por Cristo só pode ser derramada pelas mãos do sacerdócio da igreja. Que o batismo lava mesmo o pecado original e torna o pecador um Cristão. Que quando uma pessoa é batizada ela é imediatamente regenerada e espiritualmente nascida novamente.” (Doutrina Católica na Bíblia por Samuel D. Benedict)
Esta prática entre os Católicos de crer que batismo ajuda na salvação começou pelo menos no ano 251 d.C pois foi naquele ano que as igrejas verdadeiras recusaram aceitar o batismo administrado na infância ou para salvação, donde lhes veio o mais antigo apelido - Anabatistas, que significa rebatizadores (O Rasto de Sangue por J. M. Carroll).
2. Quando veio o período da Reforma (1517 - 1563) várias igrejas nacionais foram criadas. Essas igrejas nacionais incluem Luteranismo (Martino Lutero, Alemanha, 1530), Presbiterianismo (João Calvino na Suíça, 1536 e por João Knox na Escócia, 1560), e Anglicanismo (Henry VIII, Inglaterra, 1534). Deve ser lembrado que estas igrejas foram parte da Igreja Católica por mais de mil anos antes da reforma. Os Anabatistas existiam antes da reforma e eram fiéis à prática do batismo certo do Novo Testamento desde o tempo de Jesus.
3. Há igrejas existentes hoje que batizam pela imersão que em outros pontos não são como a igreja que Jesus estabeleceu no Novo Testamento. Não é o batismo somente que dá credito à autenticidade de uma igreja Nova Testamentária. O batismo é só um ponto entre outros. Todas as distintivas devem ser consideradas juntas para determinar se uma igreja é verdadeira ou não.
D. A Circuncisão do Velho Testamento e o Batismo do Novo Testamento
1. Há os que querem afirmar que a circuncisão no Velho Testamento tem o seu igual em batismo no Novo Testamento. Usando Col 2:11,12 muitos querem afirmar essa doutrina. Mas a referência em Colossenses quer apontar aquela obra feita por Cristo “não feita por mão”. Que isso não é batismo é claro pois batismo é feito pelas mãos. Refere-se à obra de Deus na salvação.
2. Circuncisão é externa, um corte da parte da carne, batismo é para mostrar o que aconteceu internamente, a remoção do pecado da carne. Uma é da lei, de Moisés, a outra é da graça, de Cristo. O que o circuncisão do Velho Testamento mostrou foi a salvação de Cristo.
3. Os símbolos e tipos do Velho Testamento tem seu cumprimento no Velho Testamento pelos significados no Novo Testamento, não pelas ordenanças exclusivamente. As leis do Velho Testamento eram para a nação de Israel em geral, convertido ou não. As ordenanças da igreja são só para pessoas em particular: os salvos da verdadeira Israel espiritual.
4. As Escrituras não ensinam que o batismo toma o lugar de circuncisão em nenhum lugar.
E. Crianças não devem ser batizadas sem que elas confessem a fé.
1. A comissão de Cristo à Sua igreja limita batismo aos que: são “discípulos de todas as nações”(Mat. 28:19); crêem (Marcos 16:16).
2. Os exemplos da igreja primitiva limita batismo aos que: “de bom grado receberam a sua palavra” (Atos 2:41); crêem (Simão , o mágico - Atos 8:13; eunuco etíope - Atos 8:37; Saulo - Atos 9:6, 18); receberam o Espírito Santo (Atos 10:44-48); eram discípulos (Atos 19:1-5).
3. A expressão, “e logo foi batizado, ele e todos os seus” (Atos 16:31,33) não significa que criancinhas das casas foram batizadas junto com o “cabeça do lar”. Não há prova que existiram crianças nestes lares, e se existissem crianças nos lares e fossem batizadas, mesmo que não creram, é entendido que os moços, moças, servos, servas, adultos e adultas quaisquer que fizeram parte do lar foram batizados mesmo que não foram convertidos. O que é bom para as criancinhas que não creram é bom para os outros no lar que não creram também. A verdade é que a casa “e todos os seus” foram batizados por que “todos os seus” foram convertidos. Não há dúvida qualquer que os apóstolos entendiam e cumpriram o que Jesus mandava pela comissão e batizaram só os que creram.
F. O simbolismo do batismo ensina que só os que morreram com Cristo podem ser batizados
1. Batismo simboliza enterramento (Rom 6:4; Col 2:12), então só os que estão mortos com Cristo podem ter o símbolo de sepultamento.
2. Batismo retrata o evangelho: a vida, morte, sepultamento e a ressurreição de Cristo pelos nossos pecados (I Cor 15:3,4; Col 2:12,13), então só os que conhecem o evangelho podem, com consciência limpa, ser batizados (I Pedro 3:21).
3. Batismo é um símbolo da verdade que andamos em novidade de vida (Rom 6:4-6), então é entendido que só os que andam em novidade de vida podem retratar o simbolismo que o batismo mostra.
4. Batismo é uma declaração publica feita pelo crente na esperança de ressuscitar como Cristo ressuscitou dos mortos (Col 2:12), então só os que têm tal esperança podem participar no ato de simbolismo desta esperança: os que já morreram em Cristo pela fé.

V. Os Batistas reconhecem diretos iguais entre todos os membros na igreja.

Consistência entre doutrinas é um alvo para todos os crentes sérios. Ter concordância entre todos os ensinamentos das Sagradas Escrituras é uma tarefa difícil e desafiadora. Talvez a única tarefa mais difícil de formar consistência entre todas as doutrinas da Palavra de Deus, é ter correlação entre a crença da Palavra de Deus e a sua prática na vida. Apesar da dificuldade, a prática das doutrinas é a única maneira de ter uma vida cristã sólida (Mat. 7:24-27) e uma que agrade nosso Deus (João 4:24). O aluno das Escrituras que não se envergonha é aquele que maneja bem a palavra da verdade (II Tim 2:15). Isso quer dizer ter um equilíbrio tanto na crença quanto na prática.
O assunto, tratado nesta distintiva, é o tipo de governo que existia na igreja do Novo Testamento e que ainda existe nas igrejas novas testamentárias. A consistência entre crença e prática pode ser percebida logo. Se cremos que Cristo é o cabeça da igreja (Efés 1:22; 4;15; 5:23; Col 1:18), então a prática na igreja deverá ser a de que nenhum homem, ou grupo de homens, tomará o lugar do senhorio.
A. Os Ensinamentos de Cristo
Em Marcos 10:42-45 há um ensinamento dirigido ao assunto do governo da igreja. Tiago e João pediram a Jesus se eles podiam ser considerados grandes no reino futuro, “um à tua direita, e outro à tua esquerda” (v. 37). Isso significaria, nada menos, que ter poder entre os demais (veja a prática no Velho Testamento, I Reis 2:19). A resposta de Jesus a Tiago e João nos ensina sobre a igualdade entre os membros. Jesus ensinou que a igreja deve ser diferente do governo civil onde os grandes usam sua autoridade sobre os outros. Jesus disse que o governo entre os apóstolos “não será assim” (v. 43).
Os membros são servos de Deus: servos em amor. Isso nada mais é do que o nosso culto racional (Rom 12:1). Cada um que é remido quer mostrar a sua gratidão pelo amor. Tanto mais é perdoado quanto mais amor que tem para servir o Salvador (Lucas 7:47). Neste ambiente não há lugar para qualquer um se assenhorear. Se tiver grandeza, que seja em ser um servidor diligente (v. 43-44). Para ter um modelo deste assunto, olhe a Cristo (v. 45).
O relacionamento que existe na igreja é o que existiu entre os apóstolos. Aquele que faz a vontade de Deus é o irmão e a irmã de Cristo. Isso exemplifica o tipo de relacionamento de igualdade que deve haver entre todos na igreja (Mar 3:35).
Em Mateus (23:8-10) há mais ensinamentos de Cristo para este assunto. Nesta passagem Jesus ensina que ninguém é colocado na igreja para ser o “Rabi” ou ‘mestre’ sobre os demais; Cristo somente.
B. O Exemplo dos apóstolos nas primeiras igrejas
Não se acha no Novo Testamento um “Papa” dando ordens aos outros, somente Cristo com a autoridade de Deus. Quando Cristo foi para o céu o trabalho dEle havia terminado (João 17:4; 19:30). A missão da igreja não é a de legislar como Cristo legislou, mas de executar “todas as coisas que Eu vos tenho mandado” (Mat. 28:20). Quer dizer, não há necessidade de alguém tomar o lugar dEle na terra. Cristo ainda é o cabeça da igreja. Os que realmente querem servir Deus devem comprometer-se na obediência da Palavra e não aumentar as Suas leis (Apoc 22:18,19).
Em Atos 1:15-26, Matias foi escolhido para tomar o “bispado” de Judas; essa escolha era pela votação dos membros. Não o vemos sendo apontado para um cargo desta responsabilidade por alguém na igreja - todos os “discípulos” (v. 15) votaram para que Matias o fosse entre os “apóstolos” (v. 26).
Em Atos 6:1-7 a idéia de escolher os diáconos “contentou a toda a multidão” (v.5). Tanto a nomeação dos diáconos quanto a votação era feita pela multidão de discípulos (v. 2,5).
Em Atos 9:26-28, depois da conversão de Paulo, a igreja não quis aceitá-lo no ajuntamento temendo que ele os entregassem às autoridades. Porém, pelo testemunho de Barnabé, que deu credito à salvação e vida espiritual de Paulo, a igreja aceitou-o. Vemos no seu governo que foi a igreja que decidiu os seus assuntos e não uma assembléia de pastores, uma denominação ou federação, etc. A aceitação de candidatos a membros era obra da igreja como um todo e não só de alguns da igreja.
Em I Cor 5 Paulo opinou no caso do pecado grosso que houve na igreja em Corinto. Mas, sendo ele mesmo apóstolo, não tirou pessoalmente ninguém daquela igreja. Contrariamente, ele pediu que a igreja o tirasse (v. 3-5, 12,13). A exclusão de membros é obra da igreja.
C. A diferença entre o relacionamento dos membros e as posições dos mesmos
Já estabelecemos, neste estudo, que os membros têm um relacionamento entre si de irmãos e irmãs (Mar 3:35). Porém, assim como no lar há posições diferentes sem engrandecer um sobre o outro, há na igreja posições que Deus estabeleceu e que são úteis para o bom andamento da mesma (I Cor 12:28).
O propósito de posições diferentes na igreja é “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” - Deus deu uns para apóstolos e uns para as outras posições na igreja (Efés 4:11-13). Essas posições são dadas por Deus (Efés 4:11, “E ele mesmo deu”; I Cor 12:28, “E a uns pôs Deus na igreja”; Heb 5:4, “ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus”; Atos 13:2, “disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.”).
A responsabilidade destes que Deus coloca na igreja consiste em trabalhar entre os membros, de presidir sobre eles “no Senhor” e admoestá-los (I Tess 5:12) - e isso “com cuidado”(Rom 12:8). O alvo em todo o trabalho dos que têm responsabilidade na igreja é apascentar os membros (Atos 20:28). Este alvo é conseguido pelo ministério da verdade em amor (III João 1-6). Como o pai governa a sua casa, o pastor, (bispo - Atos 20:28; I Tim 3:1,2, presbítero - Tito 1:5), governa na igreja de Deus (I Tim 3:5), e neste sentido, é um chefe (Heb 13:24), um chefe que admoesta em amor.
Os que Deus coloca nessas posições devem ser amados e estimados (I Tess 5:12,13), imitados (Heb 13:7), obedecidos com sujeição (Heb 13:17) e pagos (I Cor 9:13,14; Gal 6:6; I Tim 5:17; Rom 15:27). Todavia, apesar da importância da posição dos que Deus coloca na igreja para o bem desta, estes nunca devem ser adorados (Apoc 19:10; 22:9), feitos o Rabi - Mestre (Mat. 23:8-10), primados (III João 9) ou admirados acima da própria Palavra de Deus (Gal 1:8; Apoc 22:18,19); pois o cabeça da igreja (Cristo) não é substituída pelos “chefes” que Ele mesmo designa, isso em nenhuma instância (Mat. 23:8-12). Continua o fato que, entre os membros, todos têm um voto em comum para exercer nos assuntos da igreja (Atos 1:26; I Cor 5:12).
D. As implicações da igualdade dos membros na igreja
Se os membros são iguais e nenhum homem ou mulher tem o senhorio na igreja, então não há ninguém entre os muitos das igrejas para ser o “mestre” sobre elas. Isto quer dizer que cada igreja é separada e distinta de outras da mesma fé e ordem (cada igreja um castiçal, Apoc 1:12-20). Como cada lar é responsável por si, cada igreja é independente, sendo que cada uma é autônoma debaixo da autoridade de Cristo (Atos 15:1-35). Nenhuma organização humana deve dominá-las; deve haver, porém, cooperação voluntária entre elas na execução da obra da Grande Comissão (I Cor 16:1; II Cor 8:23-9:5).
Há igualdade entre os membros na igreja como num lar há igualdade entre os do lar. Também há posições dentro da instituição da igreja, como há no lar, para o bom andamento dela. Se não tiver equilíbrio entre as verdades de igualdade de membros e as posições que existem na igreja, a harmonia e união que foram exemplificadas e ensinadas no Novo Testamento serão destruídas (vede o exemplo de Diôtrefes, III João 9,10).

VI. Os Batistas observam a Ceia do Senhor só com os membros.

Pode ser que muitos achem que não há importância quanto ao “como”, “com quem”, ou o “quando” as ordenanças da igreja estão sendo observadas. Pode ser que haja multidões que concordem há anos sobre um ponto da doutrina ou a prática da Bíblia, mas esta concordância não qualifica aquela doutrina ou prática como sendo de Deus. É importante lembrar que não é o número de anos, o número de pessoas ou a escolaridade das pessoas que concordam sobre qualquer ponto ou prática que a faz ser verdadeira ou não. O que qualifica qualquer doutrina ou prática é o que diz a Bíblia sobre o assunto. Ela é a única regra de fé e de prática daqueles que querem ser como a igreja que Cristo instituiu (vide a segunda distintiva nesta série).
Os Batistas, pelos séculos, creram e ainda crêem que a ceia é só para os membros. A ceia é mesmo “do Senhor” e não de cada pessoa. O que “o Senhor” diz sobre quem se sentará na Sua ceia é de suma importância pois ela é dEle. Nunca devemos ter tanto amor pelo próximo ou pelo espírito ecumênico que sejamos levados a desrespeitar o exemplo e mandamento de Cristo. Em verdade, quando observamos a ceia, como manda a Bíblia, estamos batalhando “pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3).
A. A Ceia é para ser observada no lugar certo - na assembléia dos discípulos
A ceia foi instituída durante a festa da páscoa e a páscoa, por sua vez, tem muito a ver com a ceia. Tanto a páscoa quanto a ceia são memoráveis e símbolos de uma obra divina de salvação. As duas festas tem elementos peculiares (carne de cordeiro assada no fogo com ervas amargosas - Êx. 12:8; pão ázimo - Mar 14:12 e fruto da vide - Lucas 22:18) e foram observadas em lugares determinados (na casa - Êx. 12:3,7; no lugar da assembléia dos discípulos - Mar 14:15, “um grande cenáculo”; I Cor 11:18, “na igreja”, 33, “vos ajunteis”). O lugar para observar a ceia é onde os discípulos estejam reunidos. Quando Jesus instituiu a ceia, (em Mateus 26:18,19), Ele o fez justamente num lugar onde os membros poderiam se reunir. Nunca achamos Cristo levando a ceia para o hospital, ao campo de batalha, ou uma casa em particular com o fim de administrar a ceia para uma pessoa só.
B. A Ceia é para ser observada com as pessoas certas - os membros da igreja que a está administrando Quando Jesus instituiu a ceia Ele deu um exemplo sobre quem estava convidado para participar dela. Na instituição da ceia Cristo convidou só “os doze apóstolos” (Lucas 22:14), e se assentou só “com os doze” (Mateus 26:20; Marcos 14:17). De maneira nenhuma era só estes doze que estavam salvos e presentes em Jerusalém, quando Jesus instituiu a ceia. A própria mãe de Jesus estava em Jerusalém, pois na crucificação ela estava presente (João 19:25). O dono do cenáculo parecia ser um discípulo pois sabendo o que “O Mestre diz”, obedeceu (Mateus 26:18). José de Arimatéia, que estava presente na crucificação, que cuidou do corpo de Jesus e que “esperava o reino de Deus (Lucas 23:51); é bem provável que ele estivesse em Jerusalém para celebrar a páscoa junto com muitos outros judeus, mas ele não foi convidado à ceia. Podemos pensar no cego que foi curado (João 9), Nicodemos (João 3) e os outros, “muitíssima gente” (Mat. 21:8) que tinham há pouco recebido Jesus com grande festa na sua entrada triunfal em Jerusalém, mas nenhum destes da multidão foi convidado à ceia. Cristo instituiu a ceia só com “os doze”, os membros da igreja (I Cor 12:28; Efés 4:11).
O Apóstolo Paulo, em sua carta à igreja em Corinto, determinou que a limitação para quem poderia participar da ceia era a igreja, pois usou os termos “vos ajuntais” para determinar a quem ele estava dirigindo as suas palavras (I Cor 11:17-34). O ajuntamento dos membros é a igreja.
Há limitações com quem devemos observar a ceia. Com “aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idôlatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (I Cor 5:11). Deve haver um julgamento com “os que estão dentro” da igreja (I Cor 5:12,13) para que a mesma seja pura. Tendo irmãos de fora, de outras igrejas, presentes na hora da ceia, não conhecendo as suas vidas; não podemos julgá-los com entendimento. Então não devemos, com estes irmãos de fora, comer a ceia do Senhor. Cada pessoa, a quem foi dirigida a carta do Apóstolo Paulo de I Coríntios, deve examinar-se a si mesma (I Cor 11:28). As “pessoas” a quem o Apóstolo Paulo dirigiu essas palavras era “à igreja de Deus que está em Corinto” (I Cor 1:2). Essas mesmas pessoas Paulo referiu-se como sendo “um só corpo” (I Cor 10:16-17) e sabemos que o corpo de Cristo é a igreja (Efés 1:22,23), algo visível e local. Levando em conta o exemplo de Jesus “com os doze” e as palavras de Paulo à igreja em Corinto e junto com a verdade de que há limitações com quem devemos comer a ceia, podemos concluir que a mesma deve ser observada só com os membros da igreja que a está administrando. Se queremos seguir o exemplo de Jesus, observaremos a ceia com só os discípulos da igreja pois é o Seu exemplo e não a prática de multidões que determina qualquer verdade.
Se alguém não está ajustado para ser membro da igreja, ajustado não está para participar da ceia do Senhor.

VII. Os Batistas nunca perseguiram os outros, mas sempre foram perseguidos por eles.

Há mais de cinqüenta milhões de pessoas que falariam hoje, se pudessem, das suas convicções sobre as distintivas apresentadas nesse estudo. Esse grande número de pessoas não estão presentes hoje para falar das suas crenças verbalmente ,pois estão limitadas por falar só com o seu sangue. Estes milhões de pessoas tiveram mortes trágicas causadas pelas mãos de religiosos, por crerem nas distintivas já relacionadas. Embora estas pregassem absoluta liberdade religiosa para todos, nem todos eram os que respeitavam essas doutrinas e astinham sob a mesma consideração.
A. A Verdade da Existência de Perseguição
Já no tempo de Cristo havia perseguição. Lembre-se que Cristo foi crucificado pela Verdade que pregava. Por medo de perseguição Pedro negou que conhecia Cristo (João 18:12-27). O primeiro e definitivo édito de um governo, que autorizou a perseguição, ocorreu no início do quarto século (O Rasto de Sangue, p. 18); mas já antes disso a perseguição era uma realidade. O diácono Estevão morreu por pregar a verdade da salvação só por Cristo (Atos 7:54-60). Essa perseguição não era reservada só contra a pessoa de Estevão, mas existia uma “grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém” naquele dia (Atos 8:1). O Apóstolo Paulo estava presente na perseguição contra Estevão (Atos 7:58) e era um ardente perseguidor que conduziu para serem presos “quer homens quer mulheres” daquela seita de Cristo (Atos 9:1,2). Tudo isso mostra que o que Jesus predisse em Mateus 10:16-22 veio a acontecer e ainda há mais para acontecer (Mat. 24:15-25). Mas podemos ter bom ânimo. Jesus venceu o mundo (João 16:33) e nos deu o Consolador para nos ajudar naquela hora em que, os que podem nos matar, cuidam “fazer um serviço a Deus” (João 16:1-4).
B. O Propósito da Perseguição
O propósito da perseguição, conforme diz Jesus, é “para lhes servir de testemunho” (Mat. 10:18). A morte dos seus santos agrada a Deus (Sal 116:15). É o santo que morre para fazer o bem, - “por causa da consciência para com Deus” - e tal morte é “agradável a Deus” (I Ped 2:19,20). Pode ser que naquela hora, os maus mal falassem dos crentes, como se fossem eles malfeitores; mas, no ‘dia de visitação’ estes mesmos vão glorificar a Deus “pelas boas obras que” neles observem” (I Ped 2:12). Se os crentes fossem do mundo, o mundo os amaria; mas por não serem do mundo, o mundo os odeia (João 15:19). Se conhece a perseguição por viver por Cristo, - regozije-se por ser julgado digno de padecer afronta pelo nome de Jesus. Esta era a reação de Cristo (Hebreus 12:1,2), dos discípulos (Atos 5:41) e é a instrução de Tiago para nós (Tiago 1:2-5).
A perseguição é um testemunho para os que a exercem. Note-se que no ano 1555 o Cardinal Católico Hosius, Presidente do Conselho de Trent disse: ‘Se a verdade da religião era para ser julgada pela prontidão e alegria pela qual um homem de qualquer seita mostra no sofrimento, então as opiniões e persuasões de nenhuma seita pode ser mais verdadeiras ou mais certas do que as dos Anabatistas; porque houve nenhum grupo por estes 1.200 anos que passaram que estes têm sido tão dolorosamente perseguidos.’ (P. 129, Baptist History and Succession). Contrariamente, nenhum fato pode ser citado de que um Batista ou um que cria em suas doutrinas perseguiram qualquer pessoa.
C. São os Religiosos que Promovem a Perseguição
Quem pediu a morte de Cristo foram os religiosos (Mat.. 22:2; 23:23). Eram os sacerdotes e os saduceus que doeram-se muito por que Pedro e João ensinavam e anunciavam a ressurreição dentre os mortos (Atos 4:1-3, 40-42). Os que mataram Estêvão foram os homens, irmãos e os país judeus no dia de Estêvão (Atos 7:1,54; 22:20). O Apóstolo Paulo era um fariseu, filho de fariseu (Atos 23:6) e este religioso era um ardente perseguidor dos que seguiam a doutrina de Cristo (Atos 9:1,2; 22:20). Depois, aquele que perseguia foi perseguido, e a foi pelos religiosos. O Apóstolo Paulo e o Barnabé foram aprisionados por expor em costumes religiosos diferentes da religião romana (Atos 16:21-23). Não era pequeno o alvoroço “acerca do Caminho”, porque a pregação de Cristo fez com que os ourives temessem perder o emprego de fazer os ídolos da grande deusa Diana (Atos 19:23-27). Disso depreendemos que são os que estão no erro que perseguem os que crêem na verdade e nunca o contrário.
D. Os Batistas e A Perseguição
É uma verdade, histórica, bíblica e batista, que a coerção para receber adeptos não era uma atividade dos batistas. Não era prática de Jesus, nem dos seus discípulos, nem dos apóstolos e de nenhum dos que seguiram Cristo. Jesus admoestou que deve ser dado “a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, e nisso, ensinou a liberdade de consciência e a separação de religião do governo civil (Mat. 22:21).
Considerando que Jesus predisse que os seus teriam perseguições e que Deus recebe a glória da perseguição que vem contra os que “piamente querem viver” (II Tim 3:12), não deve ser estranha a idéia de que há os que querem matar os que crêem na verdade e os que dirigem as suas vidas pela Palavra de Deus (I Pedro 4:12-19).
“O fato que outras denominações estão permitidas a crer e adorar como querem é resultado das lágrimas e sangue do povo Batista” J. W. Porter, em “Random Remarks.” Citado no livro, “The Church that Jesus Built” por Roy Mason, TH. D. Talvez haja igrejas ou grupos de pessoas que também possam se identificar com algumas destas distintivas. Não há nada de mau com isso e até é louvável. Todavia, são só os batistas que podem dar testemunho de reter todas estas sete distintivas pelos séculos.

Autor: Pastor Calvin Gardner