"A apatia está por toda a parte, ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso."

(Charles H. Spurgeon)

"A apatia está por toda a parte, ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso." (Charles H. Spurgeon)

Vivemos uma era de conformismo teológico e de adaptação das doutrinas bíblicas ao contexto mundial. Se o mundo persegue o sucesso, a igreja e os crentes também o fazem. Se alguma novidade é implantada no seio das chamadas "ciências humanas", a teologia adota-a de bom grado. Se a moda e o consumismo ditam as regras, o cristianismo obedece e segue... E eis que estamos cada dia mais parecidos com o mundo.

Essa sedução pelas facilidades do mundo já não causa qualquer constrangimento àqueles que se dizem cristãos. Afinal, não mais convém aos pastores combater certas "bobagens", que - segundo entendem - não afastam os fiéis de Cristo. Assim, não há mais espaço para os que lutam contra o uso de certos instrumentos no templo (como bateria, guitarra, etc.) e se opõem à sorrateira mudança da liturgia "conservadora" para uma espécie de "louvorzão", em que o homem é o objeto direto desse "culto" em forma de show (pois visa agradar àqueles que freqüentam o templo e manter os jovens na igreja).

A "igreja" está cada vez mais se tornando "sensível" aos que a procuram. "Gradualmente, a igreja local foi transformada de um lugar onde se ouvia um homem de Deus expor a Palavra de Deus ao povo, para um local de entretenimento religioso" (Mac Dominick, http://www.espada.eti.br/n1506pref.asp). E o que é pior: os crentes já não mais conseguem distinguir entre doutrina bíblica e apostasia - estamos ficando míopes espiritualmente.

Pois é nesse contexto que assistimos às igrejas locais, historicamente doutrinárias, se enveredando por caminhos duvidosos em busca de resultados, sob o comando da máxima filosófica "o fim justifica os meios". Vale, inclusive, recorrer ao marketing religioso, às técnicas comerciais de venda (afinal, a "salvação" passa a ser um produto oferecido nos púlpitos da forma mais light possível) e aos métodos de educação implantados pela psicologia moderna.

Há um novo evangelho, um novo cristo, uma nova fé, tudo mais leve, mais fácil, mais ao gosto do freguês, pois é melhor manter as pessoas dentro da igreja a qualquer custo a vê-las perdidas para o mundo ou mesmo para a concorrência. Esse é o modelo eclesiástico atuante hodiernamente dentro de uma igreja sem fé em Cristo e que não guarda a doutrina apostólica; que diz: "Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta", mas que não sabe que é desgraçada, e miserável, e pobre, e cega, e nua.

A Bíblia nos adverte sobre os tempos atuais: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (2 Tim. 4:3-4); e muitos desses pastores "modernizados" até pregam isso, mas não sabem que eles mesmos já se desviaram do caminho e já não se conformam com a sã doutrina.

Infelizmente, esse é o quadro que se delineia no meio cristão. É a ética cristã que tem valor, já que, para muitos, as questões doutrinárias não exercem (nesse contexto) qualquer influência na salvação do homem. Entretanto, queremos lembrar que a falta de cuidado com a sã doutrina é tão grande pecado que o desvio ético. Vejamos, por exemplo, o que a Bíblia nos diz em 1 Timóteo 4:16 e 2 João 1:9.

Deus tenha compaixão daqueles que abrem as portas para a apostasia e dos que se calam e não buscam admoestar e convencer os contradizentes com a sã doutrina. Deus tenha compaixão de nós se nos calarmos diante disso. · Texto anteriormente publicado como EDITORIAL na Revista Sã Doutrina nº 09 - Autor: M. Martins