Pr C H Spurgeon
Aquele capitão respondera ao homem de Deus: ainda que o senhor fizesse janelas no céu, poderia suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás. (2 Rs 7:19)
Um homem sábio pode livrar uma cidade inteira; uma pessoa sábia pode trazer segurança para milhares de outras. Os santos são “o sal da terra”, o meio de preservação dos ímpios. Sem os crentes como conservante, a raça humana seria totalmente destruída.
Na cidade de Samaria havia um homem justo: Eliseu, servo do Senhor. Na corte do rei já não havia mais apreço pelas coisas de Deus. O rei era um pecador da pior espécie, sua iniqüidade era evidente e infame. Jeorão andava nos passos do seu pai Acabe e fez deuses falsos para si. O povo de Samaria caíra como seu monarca: tinham se desviado de Jeová, esquecido o Deus de Israel. Não lembravam mais da senha de Jacó: “o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”; em idolatria flagrante eles se inclinavam diante dos ídolos dos pagãos. Por isso o Senhor dos Exércitos permitiu que seus inimigos os oprimissem até que a maldição do monte Ebal se cumpriu nas ruas de Samaria: “A mais mimosa das mulheres e a mais delicada do teu meio, que de mimo e delicadeza não tentaria por a planta do pé sobre a terra”, olharia com má intenção para seus filhos e devoraria seus descendentes por causa da fome atroz. Nesta situação extremamente terrível o único homem santo foi o meio de salvação. Um único grão de sal preservou uma cidade inteira, o único guerreiro de Deus libertou toda uma multidão sitiada. Por amor de Eliseu o Senhor prometeu que no dia seguinte haveria comida, que já não havia mais por preço nenhum, para ser comprada pelo preço mais baixo possível, às próprias portas de Samaria. Podemos imaginar o júbilo da multidão quando o vidente pronunciou sua predição. Eles sabiam que ele era um profeta do Senhor. Ele tinha credenciais divinas, todas as suas profecias tinham se cumprido. Eles sabiam que ele era um homem enviado por Deus, que trazia a mensagem de Jeová. Certamente os olhos do monarca brilharam de prazer e a multidão faminta saltou de alegria com a perspectiva da libertação breve da fome. “Amanhã”, eles devem ter gritado, “amanhã nossa fome terá acabado, e teremos festa a mais não poder!”.
Entretanto, o ajudante sobre o qual o rei se apoiava expressou sua descrença. Não nos é dito se alguém do povo, dos plebeus, disse algo assim, mas alguém da elite sim. É estranho que Deus raramente escolhe pessoas importantes deste mundo. Lugares altos e fé em Cristo raras vezes combinam. Este homem disse: “Impossível!” E, com um insulto para o profeta, acrescentou: “ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia suceder isso?” seu pecado consistiu em depois de ver evidências repetidas do ministério de Eliseu, ainda não crer nas afirmações que o profeta fazia em nome de Deus. Com certeza ele tinha visto a derrota esplendida de Moabe; tinha ficado perplexo com a notícia da ressurreição do filho da sunamita; sabia que Eliseu tinha revelado os segredos de Bem-Hadade e tornado cegas suas hordas de assaltantes; ele vira o exército da Síria ser preso no centro de Samaria, e provavelmente sabia a historia da viúva que encheu todas as vasilhas com azeite e libertou seus filhos. Em todos os casos, a cura de Naamã era assunto de conversa comum na corte; mesmo em face de toda essa evidencia, nas barbas de todas essas credenciais da missão do profeta, ele duvidou e o insultou, dizendo que o céu precisava abrir-se inteiro antes que a promessa se cumprisse. Em resposta DEUS pronunciou sua condenação pela boca do homem que recém pronunciara a promessa: “Tu o verás com os teus olhos, porém disso não comeras.” A Providencia – que sempre cumpre as profecias, assim como o papel registra a impressão das letras destruiu o homem. Pisoteado nas ruas de Samaria, ele morreu à porta, ainda vendo a abundancia mas sem chegar a prová-la. Talvez seu procedimento fosse arrogante e insultuoso para o povo, ou ele tentasse controlar a correria desenfreada deles; ou, poderíamos dizer, foi por mero acidente que ele foi pisoteado; assim ele viu a profecia se cumprir, mas não viveu para alegrar-se nela. Neste caso, ver foi crer, mas não foi prazer.
Hoje quero manhã quero convidar a atenção de vocês para duas coisas: o pecado e o castigo deste homem. Talvez eu diga pouco do homem, pois já descrevi as circunstancia, mas discurse sobre o pecado da descrença e seu castigo.
Primeiro, o pecado, Seu pecado foi incredulidade. Ele duvidou da promessa de Deus. Neste caso particular a descrença tomou a forma da dúvida da veracidade divina, ou de desconfiança do poder de Deus. Ou ele duvidou que Deus realmente queria dizer o que disse, ou que estava dentro do alcance que Deus cumprisse sua promessa. A incredulidade tem mais fases que a lua e mais cores que um camaleão. As pessoas comuns dizem que o Diabo pode ser visto as vezes com uma forma e outras vezes com outra. Eu tenho certeza que isso também vale para o primogênito de satanás, a descrença, porque ela tem uma legião de formas. A um tempo eu vejo a descrença vestida como um anjo de luz. Ela chama a si mesma de humildade, e diz: “não quero ser presunçosa; não me atrevo a dizer que Deus me perdoará. Sou um pecador ruim demais”. Chamamos isso de humildade, e agradecemos à Deus que nosso amigo apresenta uma atitude tão boa. Eu não agradeço à Deus por um engano tão próprio como esse. É o Diabo vestido como anjo de luz; no fim das contas, é incredulidade.
Outras vezes detectamos a incredulidade sob a forma de dúvida sobre a imutabilidade de Deus: “O Senhor me amou, mas talvez amanhã Ele me rejeite. Ele me ajudou ontem, e sob a sombra de suas asas eu estou seguro; mas talvez eu não receba ajuda na próxima aflição. Talvez Ele me expulse; “Ele pode ter esquecido da sua aliança e deixar de ser gracioso”. As vezes esta infidelidade esta incluída numa dúvida quanto ao poder de Deus. Sofremos pressões novas a cada dia, somos envolvidos em nossas dificuldades, e pensamos: “Com certeza o Senhor não pode nos livrar dessa”. Nos esforçamos para aliviarmos nosso fardo e, ao vermos que não o conseguimos, achamos que o braço de Deus e tão curto como o nosso e que o seu poder é tão pequeno como a força humana. Uma forma temível de descrença é a duvida que evita que as pessoas venham a Cristo, que leva o pecador a não confiar na capacidade de Cristo de salvá-lo, a duvidar da disposição de Jesus de aceitar um transgressor tão grande. Infidelidade, deismo e ateísmo são os frutos maduros desta arvore perniciosa; são as erupções mais terríveis do vulcão da descrença.
Estou perplexo, e tenho certeza que você também ficara, se eu lhe disser que há algumas pessoas estranhas neste mundo, que não crêem que a incredulidade é pecado. Devo chamá-las de pessoas estranhas porque sua fé é saudável em todos os outros aspectos; só para serem coerentes em seus artigos de fé, no seu modo de ver, eles negam que a descrença seja pecado. Lembro-me de um jovem que se aproximou de um grupo de amigos e pastores que discutiam se era pecado quando alguém não cria no evangelho. Depois de ouvir por algum tempo, ele disse:
--- Senhores, estou na presença de cristãos? Vocês crêem na bíblia, por acaso?
--- E claro que somos cristãos --- responderam eles.
--- Mas então, não diz a escritura: “Do pecado, porque não crêem em mim?” Não é este o pecado que condena os pecadores, de que não crêem em Cristo?
Eu não teria imaginado que alguém pudesse ser tão tolo a ponto de se aventurar a afirmar que “não é pecado quando um pecador não crê em Cristo”. Eu pensava que, por mais vazão que quisesse dar a seus sentimentos, eles não iria contar uma mentira para reter a verdade; na minha opinião é exatamente isso que pessoas assim estão fazendo. A verdade é uma torre forte e não precisa ser reforçada com erros. A palavra de Deus vai prevalecer sobre todas as artimanhas dos homens. Eu jamais inventaria um sofisma para provar que não é pecado quando o descrente não crê, porque tenho certeza de que é, depois que a bíblia me ensina que “o julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz”, e quando leio que “o que não crê já esta julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”. Eu o afirmo, e a palavra o declara, incredulidade é pecado. É obvio que pessoas racionais e sem preconceitos não precisam de argumentos que provem isso. Não é claro que é pecado quando a criatura duvida da palavra do seu criador? Não é crime é um insulto contra a Divindade quando eu, um átomo, um grão de pó, me atrevo a negar suas palavras? Não é o cúmulo da arrogância e o extremo do orgulho quando um filho de Adão diz, nem que seja em seu coração: “Deus, eu duvido da tua graça; Deus, eu duvido do teu amor; Deus, eu duvido do teu poder?” Oh, senhores creiam em mim, se vocês pudessem juntar todos os pecados numa só massa, se pudessem tomar assassinato, blasfêmia, lascívia, adultério, fornicação e tudo que é maligno e unir tudo num conjunto imenso de corrupção horrenda, nem isso se compararia com o pecado da descrença. Esse é o pecado principal, a quintessência da culpa, a mistura do veneno de todos os crimes, a escória do vinho de Gomorra; é o pecado A-1, a obra prima de Satanás, o principal feito do diabo.
Tentarei esta neste pequeno espaço mostrar a natureza extremamente má do pecado da incredulidade.
Em primeiro lugar, ficará evidente como o pecado da incredulidade é terrível quando lembramos que ele é o pai de toda outra iniqüidade. Não há crime que a descrença não possa conceber. A meu ver a queda do homem foi em boa parte devida a ele: foi neste ponto que o diabo tentou Eva. Ele lhe disse: “E assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim?” Ele sussurrou e insinuou uma dúvida: “foi isto que Deus disse?” É como se ele dissesse: “Você tem certeza?” Foi por meio da incredulidade --- Este fio estreito da lâmina ___ que o outro pecado entrou. A curiosidade e o resto seguiram. Ela tocou na fruta, e a destruição entrou no mundo. Desde aquele dia a incredulidade tem sido o pai prolífico de todo tipo de culpa. Um descrente é capaz do crime mais vil que jamais foi cometido. A descrença, senhores! Ela endureceu o coração do faraó, tornou atrevida a língua blasfema de Rabsaqué, sim, tornou-se deicida e assassinou Jesus.
Incredulidade! Ela tem afiada a faca do suicídio, misturado mais de um copo com veneno, levado milhares à forca e outros tantos a um tumulo infame, pessoas que mataram a si mesmas e se apresentaram com mãos sangrentas no tribunal do seu criador por causa da descrença. Tragam-me um descrente; digam-me que ele duvida da palavra de Deus, que não conta com suas promessas nem com suas ameaças; com essa premissa eu concluirei que, se ele não for restringido por um poder muito forte, ele se tornará culpado dos crimes mais horrendos e infames.
Deixem-me acrescentar aqui que a incredulidade no cristão é da mesma natureza que a descrença no pecador. O fim não será o mesmo, porque no cristão ela será perdoada; já esta perdoada. Foi colocada sobre o antigo bode expiatório; foi apagada e expiada; mas tem a mesma natureza de pecado. Na verdade, se existe um pecado mais hediondo do que a incredulidade de um pecador, é a incredulidade de um santo. Porque um santo que duvida da palavra de Deus, que não confia em Deus mesmo com incontáveis demonstrações do seu amor, com milhares de provas de sua misericórdia, supera tudo. Além disso, em um santo a descrença é raiz de outros pecados. Quem é perfeito na fé, é perfeito em tudo mais.
Em segundo lugar, a incredulidade não só gera, mas também promove o pecado. Como é que as pessoas conseguem continuar no pecado mesmo sob o trovão do Sinai? Como é possível que, quando Boanerges está no púlpito e exclama pela graça de Deus: “Maldito todo aquele que não guarda todos os mandamentos da lei”, e o pecador ouve as advertências tremendas da justiça de Deus, ele endurece ainda mais e avança em seus caminhos maus? Eu lhes direi: A incredulidade nas ameaças impede que elas tenham qualquer efeito sobre eles. O diabo dá descrença ao ímpio; assim ele estabelece uma barreira e se refugia atrás dela. Ó pecadores! No dia em que o Espírito Santo derrubar sua descrença, quando comprovar a verdade com poder, como a lei atuará sobre sua alma! Se o homem não acredita que a lei é santa, que os mandamentos são santos justos e bons, como ficará abalado diante da boca aberta do inferno! Não haveria mais ninguém a vontade ou dormindo na casa de Deus, nem ouvintes descuidados, ninguém que fosse embora para logo esquecer que tipo de pessoas somos. Digo mais uma vez: como pode ser que as pessoas ouvem o chamado da cruz do calvário e não vem a Cristo? Como pode ser que pregamos sobre os sofrimentos de Cristo Jesus e terminamos dizendo: “Ainda há lugar”, que falamos sobre sua cruz e paixão, e as pessoas não ficam contritas em seus corações? O relato da cruz do calvário é suficiente para partir uma rocha. As rochas se despedaçaram quando viram Jesus morrer. O relato da tragédia do Gólgota é suficiente para fazer uma pedreira jorrar lágrimas e o patife mais endurecido chorar seus olhos em amor penitente. Mas a vocês eu conto, e repito, mas quem chora por ela? Quem se importa? Senhores, vocês estão sentados tão despreocupados como se não fosse com vocês. Oh! Olhem e vejam, todos que estão passando. A morte de Jesus não diz nada para vocês? Vocês parecem dizer: “não é nada”. Qual é o motivo? Há incredulidade entre vocês e a cruz.
Há ainda um terceiro ponto. A incredulidade torna a pessoa incapaz de fazer qualquer coisa boa. “Tudo o que não provém da fé é pecado” é uma verdade muito importante, em mais de um sentido. “Sem fé é impossível agradar à Deus”. Você nunca me ouvirá dizer uma palavra contra a moralidade; você nunca me ouvirá dizendo que a honestidade não é uma coisa boa, ou a sobriedade; pelo contrário, digo que são coisas recomendáveis, mas vou dizer-lhes o que falo depois: elas são como o dinheiro da Índia; ele pode ser moeda corrente entre os indianos, mas não aqui. Essas virtudes podem ser comuns aqui em baixo, mas não lá em cima. Se você não tem nada melhor que sua própria bondade, você nunca irá para o céu. Algumas tribos da Índia usam pequenas tiras de pano em vez de dinheiro. Eu não teria problemas com isso para morar entre eles, mas aqui tiras de pano não me servem para muita coisa. Desta forma, honestidade, sobriedade e coisas assim podem ser muito boas entre as pessoas, e quanto mais tiver delas, melhor. Eu os exorto a que tenham o que é amável, puro e de boa fama; mas elas não lhe servirão lá em cima. Nem todas essas coisas juntas, sem fé, agradam à Deus. Virtudes sem fé são pecados lavados. Obediência sem fé, se é que ela é possível, é desobediência disfarçada. Não crer anula tudo. É como a mosca no perfume, o veneno na panela.
Certo homem tinha um filho possesso e afligido por um espírito mau. Jesus estava no monte Tabor, transfigurado; assim, o pai trouxe seu filho aos discípulos. O que esses discípulos fizeram? Eles disseram: “Bem, nós o expulsaremos”. Puseram as mãos sobre ele e tentaram, mas cochicharam entre si: “Temos medo de não conseguir”. Logo o moço começou a espumar pela boca, arranhar a terra e bater-se em seu ataque. O demônio dentro dele se manifestou, e não saiu. Em vão eles repetiam o exorcismo, o espírito imundo ficou como um leão em sua toca, e os esforços deles não o desalojaram. Eles diziam: “Sai”, mas ele não saia. “Vá para o abismo!” eles gritavam, mas ele estava irredutível. Lábios incrédulos não assustam o maligno, que pode bem ter dito: “A fé eu conheço, Jesus eu conheço, mas quem são vocês? Vocês não têm fé”. Se tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda, eles teriam expulsado o demônio; mas sua fé tinha ido embora, e por isso não podiam fazer nada.
Veja também o caso do pobre Pedro. Enquanto teve fé, ele andou sobre as ondas agitadas do lago. Foi um passeio explêndido; eu quase o vejo, andando sobre o lago. Se Pedro continuasse tendo fé, teria andando por sobre o Atlântico até a América. Mas ai veio uma onda por traz dele, e ele disse: “Essa vai me levar”. Depois veio outra da frente, e ele gritou: “essa vai me afundar” Então ele pensou: “Como pude ser tão presunçoso e achar que poderia andar por cima dessas ondas”? e lá se foi ele para o fundo. A fé era sua bóia salva-vidas; a fé era seu amuleto, que o mantinha a tona, mas a incredulidade o mandou para o fundo. Você sabia que você e eu, por toda nossa vida, teremos de andar por sobre a água? A vida do cristão é sempre andar sobre a água – a minha é – e cada onda quer engoli-lo e devorá-lo, mas a fé o mantém à tona. No momento em que você para de crer, o desânimo se faz presente, e lá vai você para baixo. Porque você duvida, então?
Nossa próxima constatação é que a incredulidade é punida com severidade. Abra as escrituras! Vejo uns mundos justos e belos, as montanhas sorrindo no sol e os campos alegrando-se na luz dourada. Vejo moças dançando e rapazes cantando. Que visão bela! Mas oh! Um Senhor respeitável e sério levanta sua voz e exclama: “Vem aí um dilúvio inundar a terra. As fontes das profundezas serão escancaradas, e todas as coisas serão cobertas. Vejam esta arca! Trabalhei cento e vinte anos para construí-la; fujam para ela, e vocês serão salvos”. “Ora, homem velho, vá embora com suas predições vazias! Estejamos alegres enquanto podemos. Quando vier o dilúvio, construiremos uma arca; só que não vem nenhum dilúvio. Diga o que quiser aos tolos; nós não cremos nessas coisas”. Veja os incrédulos andar atrás de suas danças alegres. Ouça, incrédulo! Você não ouviu a voz do trovão? Os intestinos da terra começaram a se mover, as costelas de pedra se sentem pressionadas por convulsões de dentro. Veja! Elas irrompem com força incrível de dentro da terra, torrentes desconhecidas desde que Deus as ocultou no interior do nosso mundo. O céu se parte ao meio! Chove. Não são gotas, mas nuvens inteiras que vem abaixo. Uma catarata como o velho Niágara desce do céu com um estrondo terrível. Os dois firmamentos, as duas profundezas – a de cima e a de baixo – se dão as mãos. E agora incrédulo, onde estás? Lá estão os últimos sobreviventes. Um homem – a esposa o abraça pela cintura – está de pé no último cume de montanha que ainda não está coberta pela água. Olhe agora! A água já atingiu sua cintura. Ouça seu último grito! Ele agora flutua – submergiu. Noé olha da arca e não vê mais Nada! Só um grande vazio. “Monstros marinhos se instalam e procriam nos palácios dos reis”. Tudo estão derrubados, cobertos, afogados. O que fez isto? O que trouxe o dilúvio sobre a terra? A incredulidade. Pela fé Noé escapou ao dilúvio. Pela descrença o resto foi afogado.
Você não sabe que a incredulidade impediu Moisés e Arão de entrar em Canaã? Eles não honraram à Deus: bateram na rocha quando deveriam ter falado com ela. Eles não creram, e por isso o castigo veio sobre eles, de modo que não herdaram a boa terra pela qual trabalharam e se esforçaram.
Deixem-me levá-los para onde Moises e Arão moraram – o grande deserto. Vamos andar um pouco por ele; com os pés cansados, nos tornaremos como os beduínos andarilhos, que vagueiam pelo deserto. Ali há um esqueleto esbranquiçado no sol; lá mais um, e acolá um outro. O que significam esses ossos secos? Quem são esses corpos – ali um homem, lá uma mulher? Quem são todos esses? Como esses cadáveres foram parar aqui? Certamente deve ter havido aqui um grande acampamento, destruído numa noite por uma explosão, ou por um ataque. Ah, não. Esses ossos são os ossos de Israel; os esqueletos são as antigas tribos de Jacó. Não puderam entrar na terra por causa da incredulidade. Não confiaram em Deus. Os espias disseram que eles não conseguiriam conquistar a terra. A incredulidade foi a causa da morte deles. Não foram os Anaquins que destruíram Israel, não foi o deserto uivante que os engoliu. O Jordão não os impediu de entrar em Canaã, não foram os Heveus, e os jebuseus que os mataram; foi somente a incredulidade que os manteve fora de Canaã. Que maldição foi pronunciada sobre Israel depois de quarenta anos de peregrinação: não puderam entrar porque não creram!
Por último, quero dizer que você reconhecerá a natureza hedionda do pecado nisso – este é o pecado que condena. Existe um pecado pelo qual Cristo não morreu: o pecado contra o Espírito Santo. Você pode mencionar qualquer crime na lista do mal, e eu lhes mostrarei pessoas que receberam perdão por eles. Mas pergunte-me se a pessoa que morreu descrente pode ser salva, e eu respondo que não há expiação para essa pessoa. Ha expiação pela descrença de um cristão, porque é temporária; mas a incredulidade final – a descrença pela qual as pessoas morrem – não foi expiada.
Isto nos leva a concluir com o castigo. “Tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás”. Ouçam, incrédulos! Vocês ouviram aqui os seus pecados; agora ouçam suas conseqüências: “Tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás”. Isso acontece com muita freqüência com os próprios santos de Deus. Quando eles não crêem, eles vêem a misericórdia, mas não podem comê-la. Há trigo na terra do Egito; mas há santos de Deus que vem no dia do descanso e dizem: “Bem, o evangelho esta sendo pregado, mas não sei se será bem sucedido”. Estão sempre duvidando e temendo. Ouça o que dizem quando saem do culto: “você recebeu uma boa refe